terça-feira, abril 13, 2021

Delegado diz não ser possível ‘presumir’ a autenticidade dos diálogos da Lava-Jato obtidas por hackers


Leal diz que base em prova ilícita poderia configurar abuso de autoridade

André de Souza e Aguirre Talento
O Globo

O delegado Felipe Alcântara de Barros Leal, chefe do Serviço de Inquéritos (Sinq) da Polícia Federal (PF), disse não ser possível “presumir” a autenticidade e integridade dos diálogos trocados entre procuradores da Lava-Jato, como Deltan Dallagnol, pelo aplicativo de mensagens Telegram, obtidas por meio de ataque hacker.

O delegado afirmou que a perícia da PF não confirmou a autenticidade desses diálogos e disse que constitui abuso de autoridade usá-los em investigações, como no inquérito aberto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar a conduta de integrantes do Ministério Público Federal (MPF), por se tratar de provas ilícitas. As mensagens fazem parte do material apreendido pela Operação Spoofing, que teve como alvos os hackers autores do ataque.

SUSPENSÃO – O inquérito, aberto por determinação do presidente do STJ, ministro Humberto Martins, já está suspenso por ordem da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão dela é temporária e valerá até que a Primeira Turma do STF analise a questão, quando poderá mantê-la ou não. A justificativa de Martins para abrir o inquérito foi apurar supostos diálogos em que procuradores da Lava-Jato tentariam investigar, de forma ilegal, os ministros do STJ.

A perícia feita pela Polícia Federal foi citada em dezembro do ano passado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF, em decisão na qual garantiu à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acesso às mensagens a Spoofing. Na época, ele disse que foi atestada a integridade do material.

O delegado, por outro lado, em documento assinado na semana passada, afirmou que a PF atestou que “os peritos concluíram pela existência de características indicativas de acessos diretos a contas do aplicativo Telegram para fins de obtenção dos itens digitais”. Em outras palavras, houve invasão hacker.

PERÍCIA – O delegado que assina o ofício é chefe do setor da PF que investiga políticos com foro privilegiado. Já em relação aos dados em si, a perícia “ressalvou que tais itens não possuem assinatura digital, resumos criptográficos, carimbos de tempo emitidos por autoridade certificadora ou outro mecanismo que permita identificar a alteração, inclusão ou supressão de informações em relação aos arquivos originalmente armazenados nos servidores do aplicativo Telegram”.

O delegado acrescentou que a “autenticidade e integridade de itens digitais obtidos por invasão de dispositivo alheio não se presume, notadamente quando se reúnem indícios de que o invasor agiu com o dolo específico não apenas de obter como também de adulterar os dados”.

ILEGALIDADE – De acordo com o delegado, a invasão hacker leva à “coleta de dados indelevelmente marcados por um vício de ilegalidade, circunstância que não pode – ou ao menos não se espera – ser superada com flancos de investigação em face das próprias vítimas”. Permitir isso seria a “eutanásia dos rumos da Polícia Judiciária, atingindo por ricochete, em visão holográfica, todos os princípios que inspiram a atuação policial”.

“Abstendo-nos de neutralidade valorativa, certo é que eventual ação de obtenção de novos elementos e padrões, por meio de investigação lastreada por provas com prévio conhecimento de sua ilicitude, configura crime de abuso de autoridade, previsto no parágrafo único do art. 25 da Lei 13.689/2019”, diz trecho do documento do delegado.

ENDOSSO NO STJ – Em outro documento, o subprocurador da República, José Adonis Callou de Araújo, responsável pela investigação aberta pelo STJ, reiterou os argumentos do delegado, dizendo que, “com base no material apreendido, é tecnicamente impossível atestar a integridade”. Isso seria possível apenas acessando os bancos de dados do Telegram ou dos próprios procuradores.

“Contudo, as vítimas dos hackers, por questão de segurança e seguindo orientação institucional, apagaram os conteúdos então armazenados; e acessar os ‘servidores centrais da empresa mantenedora do aplicativo Telegram’ não é um caminho faticamente viável nos dias atuais”, escreveu Adonis.

Procurado pelo O Globo para comentar o documento da PF, o STJ disse que “o processo em questão está em sigilo, suspensa a investigação por decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, até a decisão de mérito pela Primeira Turma”. E acrescentou: “Quanto às provas, se são lícitas ou não, compete a análise e decisão da ministra Rosa Weber, relatora do HC, afastando-se qualquer abuso de autoridade, já que o caso está sendo apreciado e decidido pelo STF. Dessa forma, não há mais nada a informar.”

Em livro, Eduardo Cunha diz que Temer articulava impeachment de Dilma três meses antes do processo


Cunha narra bastidores, propostas de acordo e articulação de políticos

Bruno Boghossian
Folha

No fim de agosto de 2015, Michel Temer saiu de uma reunião em seu gabinete e disse que a possibilidade de impeachment de Dilma Rousseff era impensável. Agora, o deputado cassado Eduardo Cunha diz que o vice-presidente já liderava, nos bastidores, as articulações pelo afastamento da petista.

Presidente da Câmara à época, Cunha descreve a atuação de Temer e a negociação de cargos para o novo governo com partidos do centrão, antes mesmo da abertura do processo, no começo de dezembro daquele ano. Os relatos estão em “Tchau, Querida: O Diário do Impeachment”, livro que o deputado cassado escreveu com a filha Danielle Cunha e que será lançado no sábado, dia 17.

CONDENAÇÃO – O texto traz sua versão sobre o processo. Preso desde outubro de 2016, ele se defende de acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, pelas quais já foi condenado em três processos. Em março de 2020, Cunha obteve direito à prisão domiciliar.

Em trechos a que a Folha teve acesso, ele cita uma suposta oferta de Dilma para ajudá-lo em processos no STF (Supremo Tribunal Federal), acusa o governo de tentar incriminá-lo, relata um desabafo que teria ouvido de Luiz Inácio Lula da Silva e diz que recebeu uma proposta para gravar Temer às escondidas.

O PAPEL DE TEMER –  Cunha cita o fim de agosto de 2015 como marco da entrada de Temer nas negociações do impeachment. Para o deputado cassado, Temer se tornou “líder do processo” quando deixou o posto de articulador político do governo, no dia 24 daquele mês.

Em nome do vice, o então presidente da Câmara discutia cargos no futuro governo antes do início do processo. “Temer se colocou como presidente, fazendo campanha para uma eleição congressual, em que todos sabiam o que ganhariam antes de votar. Nada foi de graça”, escreve.

Cunha conta ainda que discutiu o impeachment ainda em agosto com dirigentes do PP e do PL —partidos do centrão que faziam parte da base aliada de Dilma. Eles só deixariam o governo no ano seguinte. Temer nega envolvimento no processo e diz que só vai se manifestar depois de ler o livro.

PROPOSTA DE GRAVAÇÃO –  Com Temer já no poder, Cunha teria recebido uma proposta da PGR (Procuradoria-Geral da República) para gravar o então presidente, sem que ele soubesse. Cunha já estava afastado da presidência da Câmara. O objetivo, segundo ele, era incriminar Temer “para que parassem com as acusações contra mim”. Ele diz que não aceitou a proposta: “Tenho caráter e jamais me submeteria a isso.”

Cunha diz que o impeachment não foi uma retaliação ao PT. No livro, porém, ele afirma que se afastou de Dilma após o avanço de investigações contra ele. Para Cunha, os passos do procurador-geral Rodrigo Janot eram uma dobradinha com o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O objetivo seria fragilizá-lo.

“BABANDO DE ÓDIO” – Em março de 2015, quando Janot abre inquérito contra Cunha, ele telefona para Temer, avisa que subirá o tom contra o governo e diz que está “babando de ódio”. O deputado cassado também afirma que decidiu anunciar seu rompimento com o governo, em julho daquele ano, depois de saber que a PGR (Procuradoria-Geral da República) havia colhido um depoimento que o incriminava. “Todo mundo ia atirar. E todo mundo iria morrer”, escreve.

Cardozo diz que Cunha “não tem a menor credibilidade para fazer acusações” e que usava seu poder político para travar investigações. Janot respondeu: “Não dialogo com bandido! Não li o livro e nem lerei!”.

A RELAÇÃO COM DILMA  –  Cunha afirma que o governo fez uma série de propostas para se aproximar dele e evitar o processo de impeachment. Em 2015, Cardozo teria sugerido que ele indicasse um ministro para o STF em troca do engavetamento da PEC da Bengala —que tirou de Dilma o poder de nomear novos integrantes para a corte. O ex-ministro da Justiça nega.

O deputado cassado detalha ainda uma declaração que já havia feito à Folha em 2016. Cunha diz que, em setembro de 2015, Dilma indicou que poderia acionar cinco ministros do STF para ajudá-lo, mas afirma que aquilo não se concretizou.

A assessoria de Dilma respondeu que Cunha “é um notório mentiroso” e que se refere à ex-presidente com “insinuações e fofocas”. A petista acrescenta que a mídia age como “cúmplice dele” e que o deputado cassado não deve integrar a lista de best-sellers, e sim a “lata de lixo da história”.

CONVERSAS COM LULA –  Num encontro em março de 2015, segundo o deputado cassado, Lula “lamentou a postura de Dilma” na eleição para a presidência da Câmara, quando o PT foi derrotado. Cunha afirma que o petista defendeu mais espaço para o PMDB no governo e, mais tarde, sugeriu a nomeação de Temer para o Ministério da Justiça. O petista teria criticado ainda a possível nomeação de Edson Fachin para o STF. Ele acabaria escolhido por Dilma no mês seguinte.

Em março de 2016, às vésperas da votação do impeachment na Câmara, os dois se encontraram na casa do empresário Joesley Batista em São Paulo. De acordo com Cunha, o petista teria oferecido os votos do PT para salvá-lo no Conselho de Ética e prometido conversar com Dilma para reverter no STF o envio de investigações de Cunha para Curitiba.

“Contendo o choro, Lula disse que o maior erro que ele havia cometido na vida foi ter permitido que Dilma se candidatasse à reeleição”, acrescenta. A equipe de Lula afirmou que o ex-presidente “não leu o livro, não vai ler ou comentar”.

OS MILITARES E A POLÍTICA – Cunha relata uma viagem que fez à Amazônia, em agosto de 2015, a convite do general Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército. De acordo com Cunha, o comandante contou que teria um jantar com Michel Temer “para estreitar relações e, ao mesmo tempo, conhecer suas ideias”. Àquela época, o impeachment já estaria no radar do vice-presidente.

Cunha atribui ao general uma preocupação com “a confusão política” do período e diz que Villas Bôas “se revoltou” com um boato de que Lula poderia assumir o Ministério da Defesa.

Para Cunha, Villas Bôas demonstrou que os militares que trabalhavam com Dilma eram “fontes de informações para os comandantes”. “Ele demonstrava conhecer a rotina do palácio com uma desenvoltura que não seria possível sem fontes internas. […] Dilma não sabia, mas era vigiada o tempo todo dentro do palácio”, afirma.

AÉCIO E O IMPEACHMENT –  O deputado cassado descreve a atuação de Aécio Neves (PSDB) antes do impeachment. O tucano preferia que a chapa Dilma-Temer fosse cassada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para que ele pudesse participar de uma nova eleição.

Em abril de 2015, segundo o livro, Aécio avisou que entraria com um pedido de afastamento de Dilma, mas pediu que Cunha não o aceitasse –”somente que demorasse para rejeitá-lo, para que ele fizesse a exploração política do fato”. Depois, Aécio mudou de postura. Num jantar com Temer, passou a trabalhar para que Armínio Fraga fosse o ministro da Fazenda do novo governo. Cunha diz ter atuado para barrar esse nome e emplacar Henrique Meirelles no cargo, a pedido de Joesley Batista.

Cunha afirma ainda que o tucano recebia informações de aliados na PGR sobre as investigações da Lava Jato. Ele diz que, numa conversa, Aécio teria repassado informações sobre um delator que havia mudado seu depoimento para incriminar Cunha. A resposta de Aécio é curta: “São fantasias que não merecem sequer comentários”.

CONSELHO DE ÉTICA –  O deputado cassado acusa integrantes do Conselho de Ética da Câmara de tentativa de extorsão para livrá-lo do processo de perda do mandato. Ele cita o então presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PL-BA) e o primeiro relator do processo, Fausto Pinato (PP-SP). Os políticos dizem que Cunha mente.

Cunha também faz uma revelação sobre a deputada Tia Eron (Republicanos-BA), autora do voto decisivo no Conselho pela cassação.


Pouco uso de palavrões demonstra que Bolsonaro sabia que Kajuru divulgaria a conversa

Publicado em 13 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Jorge Kajuru divulgou conversa com o presidente Jair Bolsonaro - Alberto Maia/Divulgação

O próprio Kajuru disse que Bolsonaro sabia da gravação

Mônica Bergamo

A suspeita de que Jair Bolsonaro sabia que o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) divulgaria conversa que teve com ele no sábado (10) foi reforçada no STF (Supremo Tribunal Federal) depois que se constatou que, em 6 minutos e 20 segundos de um bate-papo supostamente reservado, o presidente da República não falou palavrões.

Os primeiros trechos da conversa foram divulgados no domingo (11). Só um dia depois Kajuru revelou a integridade do diálogo. E então Bolsonaro apareceu chamando o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de “bosta”.

GRAVAÇÃO DIVULGADA – Um palavrão apenas, no entanto, foi considerado insuficiente para afastar as suspeitas de que o presidente se controlou porque sabia que a conversa poderia vir a público.

Bolsonaro é conhecido por usar com naturalidade palavras de baixo calão. No jantar com empresários em São Paulo, na semana passada, ele disparou várias delas e chegou a chamar o governador de São Paulo, João Doria, de “vagabundo, caralho”.

Na reunião ministerial que foi divulgada no ano passado por ordem do STF depois da demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, Bolsonaro repetiu 43 palavrões e xingamentos, como “putaria”, “estrume”, “filho da puta” e “vai pra puta que o pariu, porra”.

FIO CONDUTOR – O convencimento geral entre magistrados e políticos, portanto, segue sendo o de que a conversa foi vazada como forma de estruturar a narrativa bolsonarista de que o presidente é vítima de perseguição e de que o universo político joga com duas medidas: uma para emparedá-lo e outra para poupar governadores, prefeitos e ministros do STF. ​

A informação de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) vai acionar o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) depois que ele divulgou conversa que teve com Jair Bolsonaro também foi vista como um jogo de cena da família do presidente da República: o órgão do parlamento não funciona há quase dois anos.

A última reunião dos 15 senadores que o integram foi no dia 25 de setembro de 2019, quando o colegiado foi instalado —e nunca mais se reuniu.

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NOTA DA REDAÇAO DO BLOG – O próprio Kajuru disse que Bolsonaro aproveitou a gravação para mandar recados. É o chamado Segredo de Polichinelo, que todo mundo sabe. (C.N.)


Após divulgação de gravação, auxiliares do Planalto avaliam que não há como barrar CPI da Covid


Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Daniel Gullino e Jussara Soares
O Globo

Após a divulgação de uma conversa entre o presidente Jair Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), integrantes do governo federal consideram que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia é irreversível e pretendem intensificar a defesa por uma ampliação do escopo da investigação.

Auxiliares do presidente negam que a divulgação do áudio tenham sido combinada, mas acreditam que o fato vai ajudar na narrativa de Bolsonaro, porque mostraria que ele não tem nada a esconder.

INVESTIGAÇÃO AMPLA – A avaliação no Planalto é que barrar a CPI não é o caminho, mas insistir na defesa de uma investigação ampla. Apesar de admitirem um desgaste político, auxiliares consideram que Bolsonaro não tem nada a perder porque já é criticado constantemente e que não haveriam fatos novos a serem apresentados.

Governadores e prefeitos que não estão sob evidência, por outro lado, podem ser prejudicados, já que o desenrolar de uma CPI é tido como imprevisível e novas investigações podem surgir. O governo federal vai insistir na tese de que fez os repasses necessários, e que estados e municípios devem responder como aplicaram as verbas.

No áudio divulgado pelo senador Kajuru, Bolsonaro insiste em pedir uma investigação ou impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Auxiliares palacianos minimizam a fala, alegando que o presidente já havia feito esta cobrança publicamente.

ARTICULAÇÃO NO SENADO – Uma preocupação em relação à CPI é com a articulação política no Senado. Um ministro, ouvido de forma reservada, reconhece que a relação com os senadores é pior do que a com a Câmara, mas rejeita a ideia de que é necessário entregar um ministério a um senador para reverter isso.

Na semana passada, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), chegou a anunciar que iria trabalhar para retirar assinaturas do requerimento de criação da CPI. A iniciativa, contudo, fracassou.

O trecho da conversa em que Bolsonaro chama o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) de “bosta” e diz que teria que “sair na porrada” com ele também foi minimizado. A avaliação é de que foi um ataque individualizado, a um parlamentar identificado com a esquerda, e não ao Senado.

PF deflagra operação contra desvios de recursos em Petrolina.

PF deflagra operação contra desvios de recursos em Petrolina

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje, a Operação Contrassenso, objetivando investigar possível prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, falsidade ideológica e organização criminosa através de contratações realizadas pela Secretaria de Educação da Prefeitura de Petrolina. As penas dos crimes investigados alcançam 31 anos de reclusão.

As investigações apontam irregularidades no fornecimento de kit escolar, entre o final do ano de 2015 até o ano de 2020, com emprego de recursos federais oriundos do FUNDEB, verba sob fiscalização da União. A investigação é uma decorrência da análise do material apreendido na denominada Operação Casa de Papel, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado.

Cerca de 150 policiais federais e auditores da Controladoria Geral da União – CGU participam do cumprimento de 33 (trinta e três) mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal em Petrolina. As buscas estão sendo realizadas em sedes de órgãos da Prefeitura de Petrolina, bem como na região metropolitana do Recife e no Estado de Minas Gerais.

As investigações apontam pagamento de possível propina através de transferências bancárias em favor de terceiros, indicada por um dos servidores investigados, além de demonstrar um frequente contato entre os servidores públicos e os líderes do grupo econômico, principalmente em atos referentes ao pagamento da prefeitura às empresas do grupo. A CGU realizou auditoria em parte das contratações, apontando evidências dos artifícios utilizados pelo grupo empresarial para burlar os processos licitatórios, em especial o uso de empresas de fachada criadas em nome de interpostas pessoas (laranjas).

Com informações do Blog do Magno Martins.

https://blogdomagno.com.br/


Mulher ofende rapaz, chama de 'macaco fedorento' em ônibus e é presa em flagrante

Mulher ofende rapaz, chama de 'macaco fedorento' em ônibus e é presa em flagrante
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma mulher foi presa em flagrante após usar ofensas racistas em um ônibus no último sábado (11). Ela fazia o trajeto entre Praia Grande e Mongaguá, no litoral de São Paulo, quando xingou um passageiro e sua mulher. De acordo com testemunhas, a vítima, um rapaz negro, estava conversando com a esposa quando os ataques verbais começaram. As testemunhas alegam que a mulher já parecia inquieta antes mesmo de proferir os xingamentos.

 

Um dos passageiros filmou parte da ação, que mostra a mulher, com a máscara no queixo, gesticulando de forma agressiva e falando uma série de ofensas contra o rapaz. "Macaco. Macaco fedorento. Tu não presta, tu é preto da senzala. Crioulo fedido. Tira os óculos e vai catar papelão, vagabundo!", afirmou. "A mulher começou a gritar do nada. Ela estava no fundo do ônibus e parece que, quando viu o casal, começou a xingar do nada", comentou uma testemunha do caso. "A esposa do moço tentou argumentar, mas a mulher começou a xingar ela de vagabunda também", aponta vídeo do UOL.

 

Segundo a testemunha, os passageiros então começaram a discutir com a mulher, que gritava descontroladamente. Em determinado momento, ela tentou descer do coletivo, mas foi impedida pelo casal agredido, que se colocou no corredor, diante dela, e pediu ao motorista para parar o veículo. Como o casal estava sem celulares, um outro passageiro foi quem acionou a polícia militar. "Ela ficava xingando o rapaz de 'macaco', 'negrinho da senzala'. Ficamos revoltados e começamos a brigar com ela. Mesmo a gente ligando para a polícia a mulher continuou xingando ele. O coitado do moço começou a chorar, dava pra ver as lágrimas".

 

Quando a polícia militar chegou, o casal contou o que havia acontecido aos policiais, e a versão foi corroborada pelos passageiros. Na sequência, a mulher foi levada para o 1º DP de Praia Grande, onde acabou presa em flagrante, acusada de injúria racial. 

 

Amiga há mais de 20 anos da mulher que agrediu o casal, a promotora de vendas Katia Candido de Lima, 39 anos, revelou ao UOL que ela sofre de esquizofrenia, diagnosticada há mais de 10 anos. "Trabalhávamos juntas, ela fazia parte do nosso grupo de quatro amigas, éramos muito unidas. Mas aí de repente ela começou a ficar estranha, violenta, já não parecia mais a mesma". Katia afirma que ficou muito abalada quando assistiu ao vídeo da confusão gerada pela amiga no ônibus. E conta que a família já estava à sua procura, pois ela havia desaparecido de casa no sábado pela manhã. 

 

Assista:

Rosa Weber suspende trechos dos decretos de armas de Bolsonaro que entram em vigor

Rosa Weber suspende trechos dos decretos de armas de Bolsonaro que entram em vigor
Foto: Reprodução / Rede Brasil

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu nesta segunda-feira (12), em decisão individual, trechos dos quatro decretos sobre porte e posse de arma editados pelo presidente Jair Bolsonaro em fevereiro. Os textos passam a valer nesta terça (13).

 

A suspensão atinge, por exemplo, o trecho que aumentava, de dois para seis, o limite de armas de fogo que o cidadão comum pode adquirir, desde que preencha os requisitos necessários para obtenção do Certificado de Registro de Arma de Fogo, de acordo com o G1.

 

No mesmo decreto, Bolsonaro também permitia que policiais, agentes prisionais, membros do Ministério Público e de tribunais comprassem duas armas de fogo de uso restrito, além das seis de uso permitido. Rosa Weber também suspendeu esse trecho.

 

A ministra do STF suspendeu, ainda, o trecho de outro decreto publicado na mesma data que ampliava, em grande escala, os limites para compras de armas e munição para caçadores, atiradores e colecionadores – conhecidos como "CACs".

 

Os decretos de Bolsonaro foram anunciados pelo governo no fim da noite de 12 de fevereiro, às vésperas do carnaval, e as mudanças não passaram pela análise do Congresso. Os textos fazem uma nova regulamentação do Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003.

 

Na decisão, Rosa Weber determina que o tema seja enviado ao plenário do STF, que pode confirmar ou rejeitar o que a ministra decidiu. A data de julgamento será definida pelo presidente do Tribunal, Luiz Fux.

 

Veja, na lista abaixo, quais regras estavam previstas nos decretos de Bolsonaro e foram suspensas por Rosa Weber:

  • Afastamento do controle exercido pelo Comando do Exército sobre “projéteis de munição para armas de porte ou portáteis, até o calibre máximo de 12,7 mm”, das “máquinas e prensas (...) para recarga de munições”, das “miras optrônicas, holográficas ou reflexivas” e das “miras telescópicas”;
  • Autorização para a prática de tiro recreativo em entidades e clubes de tiro, independentemente de prévio registro dos praticantes;
  • Possibilidade de aquisição de até seis armas de fogo de uso permitido por civis e oito armas por agentes estatais com simples declaração de necessidade, revestida de presunção de veracidade;
  • Comprovação pelos CACs da capacidade técnica para o manuseio de armas de fogo por laudo de instrutor de tiro desportivo; 
  • Comprovação pelos CACs da aptidão psicológica para aquisição de arma de fogo, mediante laudo fornecido por psicólogo com registro profissional ativo em Conselho Regional de Psicologia, dispensado o credenciamento na Polícia Federal;
  • Dispensa de prévia autorização do Comando do Exército para que os CACs possam adquirir armas de fogo; aumento do limite máximo de munições que podem ser adquiridas, anualmente, pelos CACs;
  • Possibilidade de o Comando do Exército autorizar a aquisição pelos CACs de munições em número superior aos limites pré-estabelecidos;
  • Aquisição de munições por entidades e escolas de tiro em quantidade ilimitada;
  • Prática de tiro desportivo por adolescentes a partir dos 14 anos de idade completos;
  • Validade do porte de armas para todo território nacional;
  • Porte de trânsito dos CACs para armas de fogo municiadas; 
  • Porte simultâneo de até duas armas de fogo por cidadãos.
  • Bahia Notícias

'Nunca se observou tantas aberrações éticas', diz médico sobre remédios sem comprovação


'Nunca se observou tantas aberrações éticas', diz médico sobre remédios sem comprovação
Foto: Reprodução / Câmara dos Deputados

Infectologistas criticaram experimentos médicos sem autorização legal no tratamento de pessoas infectadas com Covid-19. Ex-médicos da Prevent Senior, uma das maiores operadoras de saúde do país, denunciaram que foram obrigados a implementar tratamentos sem eficácia e omitir o procedimento dos pacientes e familiares.

 

Segundo o G1, que teve acesso a um prontuário médico que indicou que um paciente foi submetido a uma sessão de ozonioterapia, por exemplo, prática proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). No “kit Covid”, a empresa teria incluído até mesmo suplementos alimentares, como whey. O Ministério Público também investiga a denúncia de que houve prescrição de flutamida, indicada exclusivamente para o tratamento do câncer de próstata.

 

“Eu posso falar que desde a Segunda Guerra Mundial, quando a gente normatizou a ética em pesquisa envolvendo os seres humanos, a gente nunca observou tantas aberrações éticas como a gente está vendo hoje no Brasil”, disse Gerson Salvador, infectologista do Hospital Universitário da USP.

 

"A comunidade científica, a comunidade médica, a comunidade sanitária internacional, sabe como evitar o agravamento da pandemia - são medidas como distanciamento, higiene das mãos, uso de máscaras e imunização. Lamentavelmente no Brasil as mesmas pessoas que defendem tratamentos que não são eficazes, são contra esse tipo de medida", continuou o infectologista Gerson Salvador.

 

O coordenador do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Jorge Venâncio, afirmou que iniciar uma pesquisa sem ter autorização é uma “irregularidade grosseira”, um "retorno às trevas". “Nesses casos de pesquisa não autorizada a responsabilidade por qualquer dano que exista ao participante é exclusivamente dos pesquisadores da instituição que tiver fazendo a pesquisa.”

 

Não há indicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar pacientes com Covid, nem qualquer estudo científico publicado sobre a eventual eficácia desses medicamentos e tratamentos para o coronavírus. Os riscos também são desconhecidos.

 

“Quando você faz esse tipo de experimentação, o que você está usando não é um ser humano voluntário, o que você está fazendo é tê-los como cobaia. Esse é o exemplo claro do que é uma treva”, disse Jamal Suleiman, infectologista do Instituto Emilio Ribas.

 

O "tratamento precoce" ou "Kit Covid" tem sido recomendado pelo Ministério da Saúde, a pedido do presidente, desde meados de 2020. Jair Bolsonaro chegou a afirmar no Twitter que o "tratamento precoce" havia sido comprovado por estudos clínicos, postagem que foi marcada pela rede social com o alerta de que se tratavam de "informações sem comprovação".

Bahia Notícias

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