sexta-feira, novembro 20, 2020

“Rachadinhas”: Mulher de Fabrício Queiroz ajudou a desviar R$ 1,1 milhão da Assembleia do Rio, aponta MP


MP estima que cerca de R$ 868 mil foram repassados à organização

Paulo Roberto Netto, Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão

A mulher do ex-assessor Fabrício Queiroz, Márcia Aguiar, ajudou a desviar R$ 1,1 milhão da Assembleia Legislativa do Rio no esquema das ‘rachadinhas’, que mira o hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), apontou o Ministério Público do Rio em denúncia levada à Justiça. A Promotoria estima ainda que, deste total, R$ 868 mil tenham abastecido a suposta organização criminosa liderada pelo filho do presidente.

Márcia foi alvo de prisão preventiva em julho, mas diferentemente do marido, ela não foi encontrada pela Polícia e ficou foragida até ser beneficiada por liminar do ministro João Otávio de Noronha, então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida garantiu prisão domiciliar a Márcia e Queiroz – ambos estão detidos em um apartamento na Zona Oeste do Rio.

CHEQUES – Foram nas contas de Márcia que a investigação também descobriu seis cheques depositados em favor da primeira-dama Michelle Bolsonaro. As transações totalizam R$ 17 mil e ocorreram em 2011 – a denúncia oferecida contra Márcia, porém, não menciona os repasses à mulher do presidente.

O MP coloca Márcia no chamado ‘núcleo executivo’ das rachadinhas, composto por servidores fantasmas do gabinete de Flávio que recebiam o salário sem nunca bater ponto na Assembleia do Rio. Os pagamentos eram autorizados porque o chefe de gabinete do filho do presidente, Miguel Ângelo Braga Grillo, o ‘Coronel Braga’, validava a presença dos funcionários – uma vez com o dinheiro em mãos, os servidores repassavam parte do que ganhavam para Queiroz.

Ao todo, o ‘núcleo executivo’ ganhou R$ 6,1 milhões da Assembleia Legislativa, dos quais R$ 2,079 milhões foram repassados diretamente a Queiroz. Márcia, segundo o MP, ajudou a desviar R$ 1,1 milhão dos cofres públicos e as estimativas apontam que R$ 868 mil foram para a organização criminosa das ‘rachadinhas’.

FUNCIONÁRIA FANTASMA – “O valor da lesão ao erário decorrente da atividade criminosa corresponde à integralidade dos pagamentos realizados pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em favor da denunciada Márcia Oliveira de Aguiar que, embora nomeada para os cargos de Conselheira Especial para Assuntos Parlamentares e Assessor Parlamentar I no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, entre 02 de março de 2007 a 1° de setembro de 2017, jamais desempenhou regularmente as atribuições inerentes ao cargo público, tratando-se de ‘funcionária fantasma’”, apontou o Ministério Público.

A Promotoria lista que o dinheiro foi desviado através de 268 pagamentos feitos pela Assembleia distribuídos nos 127 meses que Márcia atuou como ‘assessora fantasma’ de Flávio Bolsonaro, entre abril de 2007 a dezembro de 2017. Assim que recebia o salário, o MP apontou que Márcia repassava a maior parte dos rendimentos ao marido, Fabrício Queiroz.

Para os promotores, apesar da organização tentar ‘despistar o caminho’ do dinheiro utilizando saques e depósitos em espécie, mecanismo que burla a identificação de quem faz a transação, a investigação localizou diversos repasses que saíram da conta de Márcia e entraram no saldo de Queiroz no mesmo dia e com os mesmos valores.

OPERAÇÕES – “O cruzamento de dados entre os débitos registrados na conta da denunciada Márcia Oliveira de Aguiar e os créditos depositados na conta do denunciado Fabrício José Carlos de Queiroz possibilitou identificar ao menos 63 (sessenta e três) operações em que os valores sacados pela ‘assessora fantasma’ foram acolhidos na conta do operador da organização criminosa”, afirmou o MP.

As transações foram divididas das seguintes formas:

1) – R$ 220 mil em 43 débitos na conta bancária de Márcia em benefício de Queiroz, que recebeu os valores como depósitos
2) – R$ 93 mil por intermédio de 20 operações identificadas pela correspondência exata de datas e valores que foram sacados da conta de Márcia e depositados na conta de Queiroz
3) – R$ 131 mil transferidos diretamente da conta de Márcia para Queiroz

“Somando-se esses valores depositados na conta do operador financeiro com os demais R$ 422.901,16 sacados em espécie na conta da ‘funcionária fantasma’, pode-se estimar que a denunciada Márcia Oliveira de Aguiar tenha disponibilizado R$ 868.432,57 para a organização criminosa”, anotou o MP.

###
COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS RODRIGO ROCA, LUCIANA PIRES E JULIANA BIEREENBACH, QUE DEFENDEM FLÁVIO BOLSONARO

Após a denúncia, os advogados Rodrigo Roca, Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, que defendem o senador Flávio Bolsonaro, divulgaram uma nota classificando as imputações do Ministério Público do Rio como ‘crônica macabra e mal engendrada’ e afirmando que ‘todos os defeitos de forma e de fundo’ da denúncia serão pontuados na formalização da defesa.

“Em função do segredo de Justiça, a defesa está impedida de comentar detalhes, mas garante que a denúncia contra Flávio Bolsonaro é insustentável. Dentre vícios processuais e erros de narrativa e matemáticos, a tese acusatória forjada contra o senador se mostra inviável e não passa de uma crônica macabra e mal engendrada, influenciada por grupos que têm claros interesses políticos e que, agora, tentam voltar ao poder. A denúncia, com tantos erros e vícios, não deve ser sequer recebida pelo Órgão Especial. Todos os defeitos de forma e de fundo da denúncia serão pontuados e rebatidos em documento próprios e no momento adequado”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO PAULO EMÍLIO CATTA PRETA, QUE DEFENDE FABRÍCIO QUEIROZ

Após a denúncia, o advogado Paulo Emílio Catta Preta, que defendeu Fabrício Queiroz, divulgou a seguinte nota:

“A defesa de Fabrício Queiroz tomou conhecimento da notícia do oferecimento de denúncia pelo MPRJ, sem, no entanto, ter tido acesso ao seu conteúdo. Inaugura-se a instância judicial, momento em que será possível exercer o contraditório defensivo, com a impugnação das provas acusatórias e produção de contraprovas que demonstrarão a improcedência das acusações e, logo, a sua inocência”.

Saúde espera crescimento de mortes para agir contra a '2ª onda' da Covid-19 no Brasil


Saúde espera crescimento de mortes para agir contra a '2ª onda' da Covid-19 no Brasil
Foto: José Dias/PR

A cúpula do Ministério da Saúde avalia que não é hora e endurecer as restrições para o controle da pandemia das Covid-19 no Brasil, apesar do aumento e casos e de internações em decorrência da doença em algumas regiões do país. Conforme apurado pelo Estadão, o alerta será disparado apenas se houver alta consistente no número de mortes.

 

Secretários de Estados e de municípios têm aumentado a pressão sobre o ministério para que a pasta ajude a controlar a pandemia.

 

De acordo com a reportagem, além do reforço na estratégia de testes, eles pedem garantias de que o custeio de leitos exclusivos para tratar pacientes da doença será renovado. A preocupação foi levada à pasta em reuniões nas últimas semanas. Isso porque o estado de calamidade que garantiu mais verba para a Saúde vai até 31 de dezembro e no Orçamento de 2021 não há previsão de dinheiro extra para financiar o combate à pandemia.

 

Tutelado pelo Palácio do Planalto e sob o comando do general Eduardo Pazuello, a cúpula do ministério adotou postura reticente na pandemia. O discurso do governo Jair Bolsonaro é de que não cabe ao ministério impor medidas para restringir a circulação de pessoas, como o fechamento de comércios e escolas, por exemplo, mas aos Estados e municípios. Na prática, a pasta nem sequer estimula este debate, mas afirma que cumpriu com a sua parte ao entregar respiradores, custear leitos e repassar recursos para compra de insumos. 

 

O ministério, porém, abandonou metas essenciais para o controle da pandemia, como de realizar 24,2 milhões de testes PCR - considerado "padrão ouro" - no Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro. O produto detecta a presença do vírus nos pacientes e ajuda a estratégia de isolar infectados, quebrando cadeias de transmissão. A rede pública fez até agora apenas 4,8 milhões destes exames, ou seja, cerca de 20% do previsto.

Bahia Notícias

WhatsApp BN: Mande fotos e vídeos da chuva em Salvador para a redação do Bahia Notícias


WhatsApp BN: Mande fotos e vídeos da chuva em Salvador para a redação do Bahia Notícias
Registro de São Cristóvão | Foto: Leitor BN/Whatsapp

A chuva que atinge Salvador e a Região Metropolitana (RMS) desde a madrugada desta sexta-feira (20) já causou queda de árvores, trânsito lento e alagamentos em pontos de Salvador e Lauro de Freitas. 

 

A expectativa da Defesa Civil de Salavdor é de que o volume de chuva fique menor até às 9h da manhã.

 

No boletim das 6h, a localidade de Nova Esperança foi a que registrou o maior acumulado de chuva, 60 mm em seis horas.

 

Enquanto isso, o Bahia Notícias também acompanha a ocorrência de eventuais incidentes provocados pela chuva. Envie fotos e vídeos de alagamentos ocorridos na manhã desta segunda para o WhatsApp da redação: 71 99676-0059

STF nega pedido de inquérito contra Bolsonaro por divulgar fake news contra Otto Filho

 Sexta, 20 de Novembro de 2020 - 09:40

por Cláudia Cardozo

STF nega pedido de inquérito contra Bolsonaro por divulgar fake news contra Otto Filho
Foto: Divulgação

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou uma representação movida pelo senador Otto Alencar contra o presidente da República Jair Bolsonaro para instauração de um inquérito por divulgação de fake news contra seu filho, Otto Alencar Filho. Segundo a petição, o senador teve conhecimento de diálogos mantidos pelo presidente e pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, no qual Bolsonaro teria encaminhado conteúdo “notoriamente falso”. 

 

O conteúdo falso seria uma mensagem compartilhada através de redes sociais e aplicativos de mensagens envolvendo o deputado Otto Alencar Filho e a empresa INTS, que seria responsável por administrar o Hospital Espanhol em Salvador, durante a pandemia. A mensagem indicava que o hospital foi reativado e entregue pelo governador Rui Costa de graça para o INTS, que seria de Otto Alencar Filho, sem a licitação (saiba mais). 

 

O requerente afirma que essa “Fake News” compartilhada pelo Presidente da República constituiria ato atentatório à sua honra e imagem, o que tornaria imprescindível a apuração dos fatos. O senador afirma que a notícia falsa foi desmentida em diversas oportunidades. Diz que o compartilhamento da referida mensagem constituiria, em tese, o crime de difamação. Tais mensagens estariam armazenadas no celular de Sergio Moro e não tem qualquer vinculação com o Inquérito 4831, que apura a possível interferência do Presidente da República na Polícia Federal.  

 

O senador pediu o compartilhamento do relatório das mensagens armazenadas no celular do ex-ministro da Justiça e a instauração de novo inquérito contra o presidente, com sorteio de novo relator, por não estar conectado com o Inquérito de Interferência na Polícia Federal.  

 

De acordo com o ministro Gilmar Mendes, não compete ao STF processar a notícia crime e diz que compete a Procuradoria Geral da República processar e investigar crimes envolvendo autoridades com foro privilegiado, principalmente, envolvendo o presidente da República. “Por esse motivo, entendo que deve o requerente adotar as providências que entenda cabíveis perante as autoridades competentes, não sendo possível a tramitação da notícia-crime por intermédio desta Corte”, diz o ministro.

Bahia Notícias

Procuradoria abre investigação sobre reunião da defesa de Flávio Bolsonaro com o GSI de Heleno


Previsto para a Defesa, Augusto Heleno assumirá Segurança Institucional |  VEJA

General Heleno ultrapassou os limites do poder no GSI

Renato Souza
Correio Braziliense

O procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu uma investigação preliminar a fim de apurar se o presidente Jair Bolsonaro usou a máquina pública em defesa do filho, o senador Flávio Bolsonaro, acusado de ser o chefe de um esquema de “rachadinhas” supostamente montado no gabinete do parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O procedimento mira uma reunião dos advogados do parlamentar com o chefe do Executivo e o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Alexandre Ramagem).

RESPOSTA DE ARAS – A investigação preliminar foi descrita em uma resposta ao ministro Ricardo Lewandowski, que solicitou informações sobre o caso.

“A presente notícia-crime deu ensejo à instauração de Notícia de Fato no âmbito desta Procuradoria-Geral da República, a fim de viabilizar a apuração preliminar dos fatos narrados e suas circunstâncias, em tese, na esfera penal”, escreveu Aras.

A revista Época revelou que na reunião, os advogados de Flávio pediram que o GSI e a Abin investigassem um suposto esquema de corrupção na Receita Federal, no Rio de Janeiro, que poderia ser utilizado para suspender as diligências contra o senador e anular o caso. No entanto, nada teria sido encontrado.

HOUVE A REUNIÃO – Em nota, o GSI confirmou o encontro, mas afirmou que o pedido não foi levado adiante. Aras destacou que se forem identificadas irregularidades, a Justiça será informada.

“Caso, eventualmente, surjam indícios razoáveis de possível(is) prática(s) delitiva(s) por parte dos noticiados, será requerida a instauração de inquérito nesse Supremo Tribunal Federal”, completou o procurador.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Caramba, parece que realmente resolveram emparedar Flávio Bolsonaro, levando o papai Jair de cambulhada, como se dizia antigamente. Ou seja, nem tudo está  perdido e o Brasil ainda tem chance de ser considerado um país. (C.N.)

Eleições 2020: WhatsApp bane mais de mil contas por disparo de mensagens em massa


Charge do Fernando (Arquivo do Google)

Gabriela Oliva
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o WhatsApp anunciaram, nesta quarta-feira, dia 18, o banimento de mais de mil contas por suspeita de disparos de mensagens em massa no aplicativo. As denúncias foram feitas em uma ferramenta criada pelo TSE em parceria com o aplicativo.

Segundo o TSE, no período de 27 de setembro a 15 de novembro, o canal recebeu 4.759 denúncias, mas 129 foram desconsideradas por não estarem relacionadas às eleições. Também foram enviados ao WhatsApp 4.630 casos para verificação de violação dos Termos de Serviço.

BLOQUEIO –  Após uma primeira etapa de revisão, o aplicativo de mensagens identificou números duplicados. Das 3.236 contas válidas identificadas, 1.004 foram banidas por violação dos Termos de Serviço do WhatsApp. Ainda de acordo com o TSE, o número corresponde a mais de 31% das contas válidas denunciadas ao Tribunal e, dentre as contas banidas, mais de 63% já tinham sido bloqueadas de forma automática pelo sistema de segurança do WhatsApp — antes mesmo da denúncia.

Aline Osorio, secretária-geral da Presidência do TSE e coordenadora do Programa de Combate à Desinformação, ressaltou que os resultados revelam a importância de colaborar no combate à desinformação durante as eleições: “O disparo em massa de mensagens é uma prática proibida, passível de punição nas eleições. Os eleitores devem estar atentos e denunciar atividades suspeitas que desequilibrem o processo eleitoral”, informou.

A parceria entre o TSE e o WhatsApp inclui também a criação do chatbot “Tira-dúvidas no WhatsApp”, cursos de capacitação para servidores dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) sobre como combater a desinformação nas plataformas digitais e a disponibilização de um pacote de figurinhas para incentivar o engajamento dos eleitores no processo eleitoral.

PF prende ex-deputado do Ceará com R$ 2 milhões escondidos em caixas de aparelhos de televisão


Na falta de cueca para esconder tanta grana, optou-se pelas caixas

João Valadares
Folha

Policiais federais prenderam em flagrante na manhã desta quinta-feira, dia 19, em Fortaleza, um ex-deputado federal e estadual durante operação para investigar esquema de desvios de recursos públicos a partir de licitações fictícias. O nome do político não foi revelado. Os agentes encontraram R$ 2 milhões em espécie numa empresa ligada a ele. As notas estavam escondidas em caixas de aparelhos de televisão.

De acordo com informações da Polícia Federal, a organização criminosa usava laranjas para forjar uma concorrência. O esquema ocorria há 20 anos em contratos de locação de veículos pelo poder público. “A empresa utilizava laranjas para participar de um mesmo certame licitatório, forjando uma concorrência. Era uma concorrência fictícia. Uma empresa vencia concorrendo com outra da mesma organização”, explicou o delegado da Polícia Federal Carlos Joésio Duarte.

MANDADOS – Ao todos, foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. A primeira fase da Operação Km Livre foi realizada há quatro anos. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu na empresa, com suspeitas de ser ligada ao ex-deputado Adail Carneiro (PP), R$ 5,9 milhões. Ele negou que o dinheiro seria seu e que teria ligações com a empresa.

A Polícia Federal não confirmou se Adail tinha envolvimento com o esquema. A Prefeitura de Fortaleza informou que apoia qualquer tipo de investigação para apurar o uso de recursos públicos. Ressalta que servidores públicos não foram alvo dos mandados expedidos pela Justiça.

A onda acabou e Bolsonaro é, agora, a perfeita expressão do ‘sistema’ que ele tanto detestava


Avaliação negativa de governo Bolsonaro é de 48%, positiva soma 28%, diz XP/Ipespe

Jair Bolsonaro já entrou num “inferno astral” permanente

William Waack
Estadão

A causa do fracasso eleitoral de Jair Bolsonaro nas eleições municipais é simples de ser resumida. Ele interpretou de maneira equivocada a onda disruptiva que o levou ao Palácio do Planalto em 2018. Achou que tinha sido o criador desse fenômeno político quando, na verdade, apenas surfava a onda.

O fato é que essa onda, depois de arrebentar o alvo primordial (as forças políticas ao redor do PT), se espraiou, perdeu sentido e direção, dividiu-se entre seus vários componentes antagônicos. Esvaziou-se, com Bolsonaro achando que apenas falando, apenas no gogó, manteria o ímpeto de uma onda dessas – um fenômeno político raro.

PROFISSIONALISMO – Na verdade, a principal lição oferecida a Bolsonaro pelas eleições do último domingo é a do primado da organização, capilaridade e peso das agremiações partidárias no horizonte político mais extenso. Pode-se adjetivar como se quiser o conjunto de partidos que elegeu o maior número de prefeitos e vereadores ou colocá-los onde se preferir no espectro político. O denominador comum entre eles é a existência de estruturas profissionais voltadas para a política.

É exatamente o que Bolsonaro desprezou logo que assumiu. Trata-se de um dos aspectos mais relevantes para ilustrar o fato de o presidente eleito com 57 milhões de votos há apenas dois anos ter um desempenho tão pífio como cabo eleitoral.

Todo dirigente populista, não importa a coloração política, cuida de criar um movimento para chamar de seu – com seus emblemas, palavras de ordem (ou “narrativa”), mitos e, sobretudo, uma estrutura razoavelmente hierárquica e definida, com sede e endereço.

IMPLODIU O PLS – Embora tivesse à disposição da noite para o dia um grande número de deputados federais e seus correspondentes recursos públicos, o surfista da onda política atuou para implodir o partido pelo qual se elegeu e não conseguiu colocar de pé nada parecido a uma agremiação consolidada com um mínimo de coesão.

É bem provável que Bolsonaro tenha sido vítima do mito que criou para si mesmo (e dá provas quase diárias de acreditar nisso piamente): a de ter sido escolhido por Deus e beneficiado por um milagre (sobreviver à facada) para conduzir o povo do Brasil.

Com tal ajuda “de cima”, é só esperar as coisas acontecerem.

LIMITES DAS REDES -Ocorre que mesmo os homens tornados mitos por desígnio divino precisam, como dizem os alemães, do “Wasserträger”, aquele que vai trazer a água. E isto não se consegue apenas com redes sociais.

Foi outro aspecto interessante das eleições de domingo: a demonstração dos limites de atuação das ferramentas digitais, que adquiriram relevância permanente como instrumentos de mobilização, sem serem capazes por si só de garantir predominância na luta política.

Passada a onda disruptiva (alívio para alguns, desperdício de oportunidade histórica para outros), o que se pode prever para as próximas eleições, em relação às quais Bolsonaro sacrificou qualquer outro plano?

DESAFIO DE 2020 – Se ele foi capaz, em 2018, de vencer o “establishment” e o jeito convencional de fazer política, ainda por cima dispondo de menos recursos que seus adversários “tradicionais”, em 2022 Bolsonaro só tem chances dentro do que ele mesmo chamou de “sistema”.

Do qual, ironicamente, o “outsider” acabou se tornando uma perfeita expressão: vivendo para o próximo ciclo frenético de manchetes, sem um plano ou estratégia de longo prazo, cuidando em primeiro lugar de seus interesses familiares e paroquiais, cultivando popularidade com programas assistenciais e preocupado acima de tudo em ficar onde está. É onde a onda nos deixou.

Em destaque

Água é vida: Tista de Deda fortalece o homem do campo com a continuidade do Programa Água Doce em 2026

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por JEREMOABO FM (@jeremoabo.fm) Água é vida: Tista de Deda fortalece o...

Mais visitadas