quinta-feira, setembro 12, 2019

STF prepara ofensiva e pode invalidar decisões de Moro e ações da Lava Jato


Alegada suspeição de Moro deve ser debatida em outubro
Thais Arbex
Folha
O Supremo Tribunal Federal (STF ) se prepara para dar em outubro o seu mais duro recado à Operação Lava Jato e ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Segundo ministros ouvidos pela Folha, a pauta da Corte deve ser tomada por julgamentos que, em suma, podem tornar sem efeitos decisões do ex-juiz e da força-tarefa coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol. 
O presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, indicou aos colegas estar disposto a levar ao Plenário no próximo mês as ações que questionam a constitucionalidade das prisões após condenação em segunda instância — uma das principais bandeiras da Lava Jato — e a discussão que anulou a sentença imposta por Moro a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.
MAIORIA – Segundo esses magistrados, a provável inclusão dos temas na pauta do Plenário sinaliza que, hoje, já haveria maioria a favor das teses contrárias à Lava Jato. O presidente da Corte também admitiu antecipar o debate sobre uso de dados detalhados de órgãos de controle —como Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ), Receita Federal e Banco Central— sem autorização judicial. Inicialmente, ele estava previsto para 21 de novembro.
Em julho, Toffoli atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e suspendeu investigações criminais que usassem informações detalhadas desses órgãos. Moro chegou a ir ao Supremo para relatar a Toffoli sua insatisfação com a decisão, dizendo que ela poderia colocar em risco o combate à lavagem de dinheiro.
EM XEQUE – O episódio irritou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ampliou a desconfiança do Palácio do Planalto com o ministro da Justiça —no momento em que a atuação do ex-juiz foi colocada em xeque após mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil e por outros órgãos de imprensa, como a Folha.
É nesse ambiente de desgaste de Moro que Gilmar Mendes pretende retomar, também em outubro, o julgamento da alegada suspeição do ex-juiz —até lá, a avaliação no Supremo é a de que estará consolidada uma derrota de Moro na Segunda Turma da Corte.
Os magistrados vão voltar a discutir um pedido de habeas corpus formulado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no qual se alega a falta de imparcialidade de Moro na condução do processo do tríplex de Guarujá (SP). Se a solicitação for aceita, a sentença pode ser anulada e o caso voltaria aos estágios iniciais. Com isso, Lula poderia sair da cadeia.
THE INTERCEPT – O julgamento chegou a ser marcado para 25 de julho, mas Gilmar pediu que ele saísse da pauta. Para o ministro, a Corte deveria aguardar os desdobramentos do vazamento das conversas atribuídas a Moro com a cúpula da Lava Jato. Naquele momento, já havia a perspectiva de que surgissem novos diálogos que pudessem corroborar o que alegam os advogados de Lula.
De fato, passados mais de 45 dias daquela sessão, os ventos no Supremo mudaram, avaliam ministros. Desde então, de acordo com relatos de magistrados nos bastidores, o decano Celso de Mello passou a dar sinais de incômodo com o conteúdo das mensagens reveladas.
O ministro é considerado peça fundamental para que a alegada suspeição de Moro volte a ser debatida e seja acatada pelo colegiado. Gilmar estaria apenas esperando uma sinalização do colega para liberar o processo.
PARCIALIDADE – A avaliação de uma ala do Supremo é a de que, hoje, a maioria dos ministros da Segunda Turma já não tem mais dúvidas sobre a parcialidade de Moro. O entendimento tem sido reforçado pela repercussão internacional.
Um magistrado disse à Folha, na condição de anonimato, que o STF precisa se posicionar porque o cenário para a Justiça brasileira está ruim. No início de agosto, como informou a colunista Mônica Bergamo, um grupo de 17 juristas, advogados, ex-ministros da Justiça e ex-membros de Cortes superiores de oito países escreveu texto conjunto em que afirmavam que as mensagens trocadas entre Deltan e Moro “estarreceram todos os profissionais do Direito”. “Num país onde a Justiça é a mesma para todos, um juiz não pode ser simultaneamente juiz e parte num processo”, afirmaram.
CARMEN LÚCIA – O episódio das mensagens também tem tido impacto nas decisões da ministra Cármen Lúcia. No dia 27, ela acompanhou os colegas Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e votou pela anulação da condenação de Aldemir Bendine por corrupção e lavagem de dinheiro em uma ação ligada à Lava Jato.
Foi a primeira vez em que o STF anulou uma condenação de Moro — abrindo precedente favorável a outros condenados que tiveram processos semelhantes, como o ex-presidente Lula e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB).
Nesta quarta-feira, dia 11, numa sinalização de que pretende acelerar eventual condenação de Lula no processo sobre o sítio de Atibaia (SP), o juiz federal João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4 ), concluiu a análise do recurso sobre a condenação. O processo foi encaminhado ao revisor Leandro Paulsen, responsável por marcar a data do julgamento.
TRÍPLEX – Com a movimentação no TRF-4, os advogados de Lula avaliam fazer novo pedido ao STF para que a Corte julgue com urgência a alegada falta de imparcialidade de Moro.  A expectativa da defesa e de aliados do ex-presidente é a de que um eventual entendimento favorável a Lula no caso do tríplex seja estendido ao processo do sítio.
A ação penal do sítio, em que o petista foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão em primeira instância, seguiu o mesmo roteiro da de Bendine e pode ter a sentença anulada pelo STF. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, decidiu remeter ao Plenário da Corte a discussão de um caso semelhante ao de Bendine.
O voto de Cármen Lúcia a favor do ex-presidente da Petrobras, na avaliação de integrantes da Corte, mexeu com os ânimos internos.
AMPLA MAIORIA – Hoje, nas contas de ministros favoráveis ao entendimento que beneficiou Bendine, já há ampla maioria no Plenário para acatar a tese de que o juiz deveria ouvir primeiro as alegações finais de delatores e, depois, as dos demais réus, para que estes tivessem a oportunidade de se defender. De acordo com esse entendimento, os métodos usados pela Lava Jato feriram o princípio constitucional do direito à ampla defesa e ao contraditório.
Presidente da Segunda Turma, Cármen já havia falado em 25 de julho de “mudança de quadro, dada a gravidade do que vem se apresentando no sentido de eventual parcialidade” — numa referência às mensagens divulgadas que sugerem proximidade entre juiz e acusação.
“FROUXA” – Depois disso, a ministra apareceu nas mensagens, sendo chamada de “frouxa” por um dos procuradores da força-tarefa de Curitiba. Mas, segundo colegas de Cármen, ela teria ficado impressionada com o teor das conversas em que os procuradores da Lava Jato ironizam a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia e o luto de Lula, tanto no velório dela quanto no do neto do ex-presidente Arthur, 7.
Nesse novo cenário, a avaliação nos tribunais superiores e na comunidade jurídica é a de que ministros alinhados à pauta da Lava Jato têm perdido força e, a seguir nessa toada, podem terminar o mês de outubro derrotados.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se depender da Folha, Lula já estaria solto, junto com com todos os condenados da Lava Jato. Essa matéria está francamente posicionada a favor de “descriminalizar” a política, tese criada por Gilmar Mendes, para garantir a impunidade de seu amigo Michel Temer, que está agindo fortemente por trás dos bastidores. (C.N.).

Defensor da CPMF, Marcos Cintra acumulou desgastes e foi derrubado pela falta de cautela

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Sem cautela e gradualismo, Cintra quebrou código de conduta
Gustavo Paulo
O Globo
Marcos Cintra, secretário da Receita Federal até o início da tarde desta quarta-feira, dia 11, amigo pessoal do ministro Paulo Guedes, estava no cargo para elaborar mudanças estruturais na área tributária brasileira. Era menos secretário de arrecadação e mais formulador da receita futura. Para isso, dentro de uma reforma tributária ampla, ele defendia a CPMF como forma de arrecadar mais e ampliar a base de arrecadação. Era uma obsessão.
Desde os anos 1990, defendia a ideia de um imposto único como uma arma para “acabar com o leão e com os outros 58 (!) bichos”, como chegou a defender em publicidades pagas. No atual governo, ele encontrou a possibilidade de dar prosseguimento a suas ideias. Mas Cintra, que já vinha acumulando desgastes no governo por várias outras razões desde que assumiu a Receita em janeiro, acabou sendo abatido por avançar demais na defesa do tema, sem que todas as pontas estivessem amarradas.
CÓDIGO DE CONDUTA – Na prática, quebrou um dos códigos de conduta deste governo – e de outros também. Temas politicamente controversos devem ser tratados com cautela e gradualismo, sempre com aval dos superiores. Ao autorizar o secretário especial adjunto da Receita Federal, Marcelo de Sousa Silva, a expor detalhes do projeto da “nova CPMF”, ele deu pela primeira vez um tom oficial à medida que ainda estava sendo discutida publicamente como uma proposta.
Nas falas e entrevistas de Paulo Guedes e nos comentários do presidente Jair Bolsonaro admitindo que poderia admitir a CPMF caso fosse convencido, o assunto ainda estava na etapa anterior do projeto final, era um rascunho. Ontem, em uma apresentação detalhada e bem feita, passou a ser um projeto. Com isso, o governo se viu engolfado por críticas ao projeto, que voltaram com força total de economistas, analistas e, principalmente, de políticos. Os presidentes do Senado e da Câmara foram veementes em rechaçar o novo imposto.
GOTA D´ÁGUA – Essa brecha é tudo o que o governo não quer, principalmente por ainda precisar ganhar musculatura política para aprovar outros temas importantes, como a reforma da Previdência e as indicações do novo procurador-geral da República e do filho-deputado Eduardo para a embaixada em Washington. Essa foi a gota d’agua para a saída de Cintra: sua posição ficou insustentável. Mas ele cai também pelo conjunto de desgastes acumulados antes mesmo de o governo começar.
Em novembro passado, em um programa de televisão, o então presidente eleito já ameaçava retirá-lo depois de declarações a favor de uma “nova CPMF”. “Parece que tem certas pessoas, se é verdade a informação, que não podem ver uma lâmpada e se comportam como mariposa”, disse o presidente eleito.

Guedes não deu importância ao veto de Bolsonaro à volta da CPMF


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Charge do Nani (nanihumor.com)
Pedro do Coutto
A exoneração de Marcos Cintra, sob o ponto de vista político, abala fortemente o Ministro Paulo Guedes e descarta a criação de uma nova CPMF, talvez para sempre, nesta gestão. Foi manchete dos quatro grandes jornais, O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Valor. O fato essencial da questão foi que a ordem de afastá-lo da Receita partiu do próprio presidente Jair Bolsonaro, no hospital no qual se encontra internado.
Esta informação adicional foi feita pelo General Hamilton Mourão, presidente em exercício, e ganha assim uma importância enorme, na medida em que acentua a revolta justificada do presidente da República, que já havia afirmado ser contra o novo imposto.
EFEITOS – A reportagem de Marcelo Correa, Geralda Doca, Naira Trindade e Jussara Soares, edição de hoje (12 de setembro) de O Globo, destaca bem claramente todo o emaranhado do episódio, cujo desfecho apresenta-se como definitivo. O acontecimento, conforme eu já disse, abala fortemente a posição política de Paulo Guedes, porque, na mesma edição de O Globo, Miriam Leitão destaca que Marcos Cintra não era o único responsável pela elaboração do projeto que visava a implantação de mais um imposto, a nova CPMF..
Miriam Leitão chama atenção para uma entrevista do próprio Paulo Guedes, publicada no Valor, na qual ele falava de um imposto sobre transações financeiras, substituindo a recriação da CPMF. O ministro, lembra Miriam Leitão, falou até numa escadinha para o novo tributo: primeiro 0,2%.
Portanto, Paulo Guedes, na verdade, não poderia agora dizer que não sabia da proposição. Além do mais não só o Valor mas todos os grandes jornais vinham publicando matérias sobre o assunto. Mas no Valor a iniciativa cresce de importância porque as frases contidas na entrevista de Paulo Guedes são absolutamente claras e diretas.
MAL NA FOTO – No final da ópera, Paulo Guedes ficou muito mal na fotografia, como se diz usualmente, e ao assinar a portaria afastando Marcos Cintra, faltou-lhe coragem para assumir os estudos finais do malfadado projeto. Política é assim. Os ocupantes de cargos nos governos têm que estar preparados para desastres do mesmo tipo.
O presidente Bolsonaro já vinha dizendo há tempo que descartava o retorno da CPMF, mesmo sob a sigla de IPF. Assim, Guedes de fato revelou não ter dado importância ao veto do presidente da República. Porque se tivesse dado a importância devida, teria arquivado a simples sugestão de Marcos Cintra.
Não o fazendo, e agora o exonerando, Paulo Guedes desceu fortemente da posição que ocupava no governo Bolsonaro. Ele não podia ignorar o desencadeamento da matéria até o ponto de ruptura ocorrida com a determinação presidencial. Paulo Guedes se precipitou e a precipitação abala seu  poder e o expõe a riscos ainda maiores.

Jornal francês L’Humanité publica editorial por Lula Livre

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