terça-feira, setembro 10, 2019

Carlos Bolsonaro diz que país não terá transformação rápida por vias democráticas por Folhapress

Terça, 10 de Setembro de 2019 - 08:20


Carlos Bolsonaro diz que país não terá transformação rápida por vias democráticas
Foto: Divulgação
O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), escreveu nesta segunda-feira (9) em seu perfil no Twitter que, por "vias democráticas", não haverá as mudanças rápidas desejadas no país. "Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos... e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!", escreveu Carlos. 

Apontado como responsável pela estratégia do presidente nas redes sociais, Carlos provocou turbulências no primeiro semestre após ataques a integrantes do governo do pai, mas vinha evitando polêmicas nos últimos meses. O presidente Jair Bolsonaro está internado em um hospital de São Paulo após passar por cirurgia no domingo (8), a quarta decorrente da facada que levou há um ano durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). O vice-presidente, general Hamilton Mourão, ficará no comando da Presidência até quinta-feira (12). 

Antes de escrever que não haverá transformações rápidas no país por vias democráticas, Carlos afirmou que o atual governo tenta colocar o Brasil "nos eixos", mas que os "avanços são ignorados, e os malfeitores esquecidos". A postagem de Carlos repercutiu rapidamente entre seus seguidores. Parte dos internautas encarou a manifestação como um apoio a um modo autoritário de governo. 

A influência de Carlos no governo Bolsonaro foi motivo de críticas no começo do ano de políticos e de alguns militares ligados à administração federal. Em um dos episódios mais ruidosos, em meio à crise das candidatas laranjas do PSL reveladas pela Folha de S.Paulo, Carlos divulgou em seu perfil no Twitter uma gravação de seu pai indicando que o presidente não havia conversado com o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, diferentemente do que este havia dito.

Chamado de mentiroso por Carlos e depois pelo próprio presidente, Bebianno acabou demitido. Ligado ideologicamente ao escritor Olavo de Carvalho, Carlos também centrou ataques a Mourão e ao general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo que foi demitido em junho. Jair Bolsonaro chegou a defender seu filho em março, afirmando que há pessoas que querem afastá-los, mas "não conseguirão".

Junto com a mensagem, na ocasião, publicou uma foto em que é amparado por Carlos no corredor de hospital. "Algumas pessoas foram muito importantes em minha campanha. Porém, uma se destacou à frente das mídias sociais, com sugestões e conteúdos: Carlos Bolsonaro, meu filho. Não por acaso muitos, que nada ou nunca fizeram para o Brasil, querem afastá-lo de mim", escreveu Bolsonaro.

"Não conseguirão: estando ou não em Brasília continuarei ouvindo suas sugestões, não por ser um filho que criei, mas por ser também alguém que aprendi a admirar e respeitar pelo seu trabalho e dedicação", concluiu.

Sesab lança capacitação para profissionais de 64 municípios para tratamento de pé diabético


Sesab lança capacitação para profissionais de 64 municípios para tratamento de pé diabético
Foto: Divulgação
Um programa de treinamento para prevenção e tratamento do pé diabético foi lançado nesta segunda-feira (9) pelo secretário Estadual da Saúde Fa?bio Vilas-Boas. A expectativa da Sesab é de que até o final do ano sejam implantadas 200 centros em toda a Bahia, a maior parte distribuída em municípios com menos de 100 mil habitantes.

Para que o objetivo seja concretizado, a pasta, por meio da Escola de Saúde Pública (ESPBA) e do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), deu início a um programa de treinamento com profissionais da assistência de 64 cidades, visando qualificar este cuidado, prevenindo lesões e internações associadas ao pé diabético.

Na avaliação de Vilas-Boas, as amputações decorrentes de complicações do pé diabético constituem um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo, levando em conta as elevadas taxas de internação hospitalar. "Além do impacto social na vida do usuário e da alta mortalidade associada, as amputações estão relacionadas a altos custos diretos e indiretos para o sistema de saúde”, disse.

“Dados do Sistema de Pactuação dos Indicadores (Sispacto) apontam que 25% das internações de pacientes na capital, por exemplo, poderiam ser prevenidas por serem condições sensíveis à Atenção Básica. Sem o adequado acompanhamento, o paciente diabético não realiza exames, não toma os medicamentos e acaba por ir a uma emergência de um hospital com o pé infectado que levará, possivelmente, à amputação de um dos membros”, afirma Vilas-Boas.

Ainda de acordo com o secretário, a estimativa é de que na Bahia, de 40% a 60% de todas as amputações não-traumáticas de membros inferiores são realizadas entre pacientes portadores de Diabetes Mellitus. Destas amputações, 85% são precedidas de feridas com úlceras. “O objetivo é reduzir o número de amputações decorrentes da falta de controle do diabetes, que entre 2010 e 2018, ocasionou mais de 6 mil amputações”, ressaltou o secretário de Saúde.

Durante o curso serão ministradas aulas teóricas e práticas ao longo de dois dias. Serão seis módulos: I Aprendendo a reconhecer e intervir no pé diabético; II Manejo de calosidades; III O auto cuidado dos pés da pessoa com diabetes; IV Contextualizando as lesões ulcerativas em pé diabético; V A importância do movimento para o pé diabético; VI Vinculando redes no cuidado ao pé. Durante as aulas, os alunos farão a discussão de casos clínicos, aprenderão a utilizar um doppler portátil, bem como identificarão tipos diferentes de lesões, dentre outros temas.
Bahia Notícias

Filha de Nélson Werneck Sodré teme mau uso do nacionalismo e da soberania


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Olga Sodré faz um apelo pela conciliação nacional
Carlos Newton
Faz sucesso na internet e nas redes sociais uma carta-aberta de Olga Sodré, filha de Yolanda e Nélson Werneck Sodré, um dos mais respeitados oficiais das Forças Armadas brasileiras. Psicóloga clínica, doutora em Filosofia e diretora do Instituto Cultural de Itu, Olga Sodré teme que governo e oposição usem de forma equivocada as teses do nacionalismo e da soberania, fazendo um apelo para que a defesa dos interesses do país seja feita sem os brasileiros serem arrastados no rumo da destruição e do ódio.
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O QUE APRENDI COM NELSON WERNECK SODRÉ
Olga Sodré
Fui educada por meu pai, Nelson Werneck Sodré, no amor pela Pátria e afirmação da Soberania Nacional, mas, ao mesmo tempo, ele me alertou sobre as distorções e perigos históricos dessas palavras.
Assim sendo, no momento atual, em que elas estão sendo alçadas como bandeiras, no cenário político nacional, quero partilhar com vocês o que escutei do historiador e militar Nelson Werneck Sodré, que escreveu a “História Militar do Brasil” e foi professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), estabelecimento de mais alto nível de ensino do Exército, no Rio de Janeiro.
A foto logo abaixo marca um momento de grande reviravolta na luta política e cultural de Nelson Werneck Sodré, como ele próprio relata no tópico “Intensificação da atividade cultural” do livro “Desenvolvimento Brasileiro e Luta pela Cultura Nacional” (Parte IV – pág. 288), em que descreve as circunstâncias históricas nas quais foi desligado do ensino da Eceme por suas posições na Diretoria Cultural do Clube Militar, e enviado para o comando do quartel de Cruz Alta no sul do Brasil, em julho de 1951.
LUCIDEZ E AMOR –Eu ainda criança, naquela época, ele me ensinava a amar e respeitar o Exército, a Nação brasileira – nossa Pátria, e a importância de defender a Soberania Nacional. Lembro-me muito bem das explicações que me transmitia, e que aprofundei posteriormente lendo seus livros, como o amor da Pátria e a defesa da Soberania foram muitas vezes utilizados para embotar as multidões e arrastá-las para a guerra e para a perseguição cruel de grupos sociais, narrando, por exemplo, o que aconteceu na Alemanha, na Itália e em outros países, com as instalações de ditaduras.
Para ele, a noção de Pátria e de Soberania Nacional implicavam o respeito dos Povos e a fraternidade humana e internacional, sem a qual essas palavras serviam apenas para a dominação e o ódio aos que são considerados diferentes e estrangeiros, para o fechamento dos países, o isolamento das nações e o acirramento dos conflitos e das guerras.
Desejo a todos vocês lucidez e amor ao próximo para que cultivem o patriotismo e a defesa da soberania nacional sem serem arrastados em direções de destruição e ódio.
(Carta-aberta enviada pelo jornalistas Sergio Caldieri)

Servidores se mobilizam contra a redução da jornada de trabalho e de vencimentos

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Charge reproduzida do Arquivo Google
Pedro do Coutto
Reportagem de Eduardo Rodrigues e de Lorenna Rodrigues, em O Estado de São Paulo de domingo, revela que os funcionários públicos federais já iniciaram mobilização, da qual fazem parte deputados federais e senadores, contra o projeto de reforma administrativa do governo Bolsonaro, que inclui a diminuição da carga horária e a correspondente redução percentual de seus vencimentos.
O coordenador da Câmara Federal que apoia a mobilização é o deputado Israel Batista e o movimento já conseguiu a adesão de 233 deputados e 6 senadores. A reforma administrativa tem como principal proponente o ministro Paulo Guedes, com apoio do deputado Rodrigo Maia.
IMPOSSIBILIDADE – Os funcionários sustentam que o Supremo Tribunal Federal já determinou a impossibilidade constitucional de reduzir os salários do funcionalismo público. Portanto, acreditam os adversários do projeto do governo na impossibilidade de também ser diminuída a jornada de trabalho, como meio de promover a redução salarial.
Os funcionários movimentam-se também para impedir a aprovação de emenda constitucional que retire a estabilidade do serviço público.
Rodinei Marques, presidente do Forum que defende as carreiras de estado, afirma que, além disso, o Palácio do Planalto volta-se igualmente para não reajustar o funcionalismo como sempre ocorre no mês de janeiro.
AUDITORES – Por seu turno, o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, Kleber Cabral, disse que o congelamento salarial faz parte de um projeto que conduz ao desmonte do serviço público, uma vez que o estacionamento de vencimentos transforma-se em fator de desestímulo para o funcionalismo em geral.
Kleber Cabral acrescenta que os auditores fiscais encontram-se fora do reajuste dede o final de 2017, uma vez que seus vencimentos não foram atualizados nem em 2018 nem em 2019. Portanto o exercício de 2020 também não traz consigo qualquer reposição das perdas inflacionárias.
Essas perdas atualmente elevam-se a 8%. Isso, na realidade, representa uma redução concreta no poder aquisitivo do funcionalismo. Em consequência reduz a presença dos funcionários no sistema de consumo, o que traduz para o Tesouro uma perda da receita tributária.
PARCERIAS – No Valor de segunda-feira, Carla Araujo e Daniel Rittner sustentam a necessidade de uma ampliação de projetos de parcerias público-privadas para proporcionar mais velocidade ao processo de privatização das empresas estatais, cujos servidores são regidos pela CLT.
Os servidores das estatais tentam resistir às privatizações, sobretudo as que partem dos projetos público-privados.  Isso porque, se os dirigentes, como está acontecendo, se alinham a favor da privatização, fica claro que não estão dispostos a fortalecer as próprias estatais que dirigem, como é o caso dos presidentes da Eletrobrás, Petrobrás e dos Correios.

Governo vai recorrer a emendas e negociará com parlamentares para fechar as contas


Charge do Ivan Cabral (www.ivancabral.com)
Eduardo Rodrigues e
Amanda Pupo
Estadão
O Orçamento apertado de 2020 vai obrigar o governo a negociar com deputados e senadores para fechar as contas. As emendas parlamentares passaram a responder por uma parcela maior do dinheiro disponível, já que houve um achatamento nas verbas direcionadas paras despesas com o custeio da máquina pública e investimentos.  O valor previsto para emendas individuais e de bancada crescerá dos atuais R$ 10,7 bilhões, no Orçamento de 2019, para R$ 16,2 bilhões, segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2020. Por outro lado, a quantia reservada para custeio e investimento (as chamadas verbas discricionárias, cujo gasto não é obrigatório) vai cair de R$ 102 bilhões para R$ 89 bilhões. Com isso, no ano que vem, os valores para emendas equivalerão a 18,1% das verbas discricionárias – bem mais do que os 13,4% de 2019.
CAMINHO INVERSO – Emendas parlamentares são dispositivos pelos quais deputados e senadores podem alocar recursos do Orçamento em projetos de sua escolha. Geralmente, as indicações são feitas para obras em seus redutos eleitorais. Atualmente, o pagamento é obrigatório apenas para as emendas individuais dos congressistas. Mas o Congresso aprovou neste ano também a obrigatoriedade no pagamento das chamadas emendas de bancada. Com isso, o caminho do dinheiro se inverteu em Brasília. Se antes os congressistas buscavam o governo para pedir investimentos em suas regiões e recursos para suas principais “bandeiras”, agora é o Executivo que terá de procurá-los para negociar a alocação das emendas.
O drama da falta de recursos já está sendo avaliado por parlamentares que integram a comissão mista de Orçamento do Congresso. “É uma questão de utilizar recursos muito escassos nas áreas mais delicadas”, disse o deputado Vicentinho Júnior (PL-TO). “Saneamento é uma delas, questão da segurança, incentivo à tecnologia.” O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, afirmou ter “esperanças” de que mais recursos cheguem à pasta por meio das emendas parlamentares. A ideia é a de que a verba seja destinada para o pagamento de ações na atenção primária de saúde e também para as de média e alta complexidade.
DEPENDÊNCIA DE REFORÇO – Integrante do partido do presidente Jair Bolsonaro e também membro da comissão de orçamento, o deputado Filipe Barros (PSL-PR) contou que já teve conversas sobre o assunto nos ministérios da Educação e da Saúde. O pagamento de bolsas do CNPq, por exemplo, dependerá de reforço orçamentário que pode vir pelas emendas. “O Ministério da Educação sabidamente precisa de mais recursos”, disse Barros. “Estive também com o ministro (da Saúde, Luiz Henrique) Mandetta nesta semana, que também me fez esse pedido, de que o ministério precisa de mais orçamento.”
O aperto também chegou ao Censo Demográfico 2020, o maior levantamento estatístico do País. O governo pretende buscar R$ 300 milhões em emendas parlamentares para complementar o orçamento do censo, que tem até agora apenas R$ 2 bilhões reservados para levar a pesquisa a campo em todos os lares brasileiros. Relator da proposta orçamentária, Domingos Neto (PSD-CE) já se reuniu com a presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Susana Cordeiro Guerra, para tratar do assunto. Da oposição, Beto Faro (PT-PA) pontuou que o reforço aos ministérios “depende muito” da característica da base de cada parlamentar. O cuidado para que o destino escolhido não fique em segundo plano pelo governo também é pesado na conta. “Nós vamos dialogar muito com governo e ministérios sobre a aplicação desses recursos, porque não dá para fazer e depois só liberar para quem é da base”, disse Beto, também da comissão de Orçamento.
ACHATAMENTO –  De acordo com o diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Felipe Salto, o nível dos investimentos do governo federal em 2020 será o menor da história. Pela proposta orçamentária, a União terá apenas R$ 19,36 bilhões para investir, já que os R$ 69,8 bilhões restantes para despesas discricionárias servirão para o custeio da máquina pública. Enquanto isso, só as emendas têm R$ 16,2 bilhões. “Com o crescimento das despesas obrigatórias, o grau de liberdade para a alocação do gasto discricionário tem diminuído.” Um dos motivos para o aumento do volume das emendas parlamentares para 2020 foi a aprovação, neste ano, da PEC do Orçamento impositivo. Desde 2017, as emendas de bancada correspondiam a 0,6% da Receita Corrente Líquida (RCL) prevista para o ano, mas esse porcentual subirá para 0,8% em 2020 e 1% a partir de 2021.
O analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, avalia que as eleições municipais de 2020 devem ter peso significativo na escolha do destino dos recursos de emendas de deputados e senadores. “Anos eleitorais sempre levam à focalização dos esforços dos parlamentares para que as emendas sejam concentradas em suas regiões de origem, mas isso também depende da existência de projetos e políticas que, muitas vezes, são definidos pelo próprio governo”, diz. Para Cortez, o aumento do poder das emendas parlamentares reforça o protagonismo que o Congresso passou a ter no governo Bolsonaro. “O desgaste político criado pelo governo com as reiteradas críticas à chamada ‘velha política’ acabou reduzindo o poder institucional do Executivo. O Parlamento aumentou bastante o seu poder de agenda e agora terá ainda mais poder na alocação dos recursos.”
SAÚDE – A Constituição já obriga que pelo menos a metade do valor das emendas parlamentares seja destinada à Saúde, mas a visibilidade política dos investimentos na área faz com que, tradicionalmente, a destinação supere esse porcentual. A Saúde ficou com 52,11% dos R$ 13,723 bilhões originalmente previstos para as emendas parlamentares neste ano. Ministérios com atuações mais “genéricas”, sem contato direto com a população dos grandes centros, acabam preteridos.

Em atos contra indicação à PGR, procuradores discutem boicote a cargos em futura gestão

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Associação diz Aras não tem liderança para comandar MPFJosé Marques
Reynaldo Turollo Jr.
Folha
Em referência a Augusto Aras, indicado por Jair Bolsonaro (PSL) para a Procuradoria-Geral da República (PGR ) por fora da lista tríplice, procuradores disseram nesta segunda-feira, dia 9, em atos pelo país, que não aceitarão um procurador-geral que seja identificado com o Poder Executivo. Entre as propostas contra Aras, integrantes do Ministério Público Federal têm discutido fazer um boicote aos cargos caso o indicado tenha seu nome referendado pelo Senado. “Há uma mobilização, proposta pela associação de procuradores, com a possibilidade de que nenhum procurador, de qualquer instância, assuma cargos na atual gestão uma vez que ela não se submeteu ao processo democrático de escolha”, disse Thiago Lacerda Nobre, procurador-chefe do MPF em São Paulo, no protesto da capital paulista.
Ele é integrante e ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato paulista. Outros membros do grupo também participaram do ato de São Paulo além de responsáveis por grandes operações do estado, como a Descarte, que prendeu suspeitos de operar repasses a políticos. A escolha do novo PGR vinha sendo precedida de uma eleição da  Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) para definir quem os membros da categoria mais querem no cargo. Os três candidatos mais votados compõem uma lista enviada ao presidente da República, que vinha seguindo desde 2003 a tradição de indicar um dos nomes. Pela Constituição Federal, porém, Bolsonaro não é obrigado a indicar alguém da lista tríplice. Aras correu por fora e, com indicação do presidente, precisa agora ter seu nome aprovado pelo Senado.
PLATAFORMA – “Essa escolha sem nenhum ato democrático, sem nem sabermos o que pensa essa pessoa indicada a procurador-geral, sem que ele tenha sequer sinalizado aos procuradores do Brasil o que ele pensa, quais são seus projetos, nos faz ter receio do que virá por adiante”, disse Nobre. Pedro Machado, diretor da ANPR, disse que “nem a sociedade nem os pares tiveram acesso” à plataforma de campanha de Aras nem a quais compromissos ele assumiu. Em Brasília, apesar de afirmarem que a mobilização não é “fulanizada” nem contrária à indicação de Aras, mas em favor da autonomia do Ministério Público Federal e da independência de seus membros, não faltaram críticas indiretas ao nome escolhido por Bolsonaro.
Sem citar nominalmente Aras, presentes disseram que procuradores não devem advogar, não devem se alinhar ao governo e têm a obrigação constitucional de defender minorias e meio ambiente e de investigar criminalmente quem quer que seja suspeito, independentemente de relações familiares ou de amizade. Participaram do ato os dois primeiros colocados na eleição interna da categoria, Mario Bonsaglia e Luiza Frischeisen (que foram preteridos por Bolsonaro), o presidente da ANPR , Fábio George da Nóbrega, o ex-procurador-geral Claudio Fonteles e outros membros do MPF.
MANIFESTAÇÕES – Além de Brasília, segundo a ANPR, procuradores realizaram atos em 15 estados nesta segunda-feira. O terceiro colocado na lista tríplice, Blal Dalloul, não participou do ato na capital federal porque compareceu à mobilização no Rio de Janeiro.“Jamais aceitaremos um procurador-geral que seja identificado com o Poder Executivo”, afirmou Luiza Frischeisen. Para ela, a função da instituição é defender a sociedade, “e é por isso que não podemos advogar, é por isso que pregamos igualdade entre homens e mulheres, é por isso que defendemos o Estado laico”.
Aras ingressou no MPF antes da Constituição de 1988 e, legalmente, pode advogar em algumas causas. O subprocurador-geral se autodeclara católico e conservador nos costumes — na reta final da campanha, afirmou ser contra a criminalização da homofobia e o reconhecimento das uniões homoafetivas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). “A Constituição prevê um Ministério Público autônomo, não a serviço do Poder Executivo. Preocupa essa visão de que o PGR precisaria ter um programa alinhado ao do governo”, disse Bonsaglia, conclamando os colegas a se manterem vigilantes.
DEBATES – “Precisamos estar atentos aos rumos que a instituição tomará. Não podemos imaginar o Ministério Público virando as costas para a defesa dos direitos sociais, do meio ambiente, dos direitos indígenas, do combate à corrupção”, completou Bonsaglia. Nóbrega, presidente da associação da categoria, destacou que os ali presentes, que disputaram a eleição interna e figuraram na lista tríplice, expuseram suas ideias publicamente e participaram de debates. “É impossível que alguém que deseja exercer essa função participe apenas de conversas reservadas”, disse, sem mencionar o nome de Aras.
A associação divulgou uma carta que diz que Bolsonaro pareceu não compreender bem o funcionamento das instituições quando declarou que escolheria um procurador-geral por “afinidade de pensamento”, “alinhamento”. A carta lembra que o presidente chegou a comparar o chefe do MPF a uma “dama em tabuleiro de xadrez, em que o presidente seria o rei”. “[Esses são] Termos absolutamente incompatíveis com uma instituição que foi lapidada pelo constituinte para ser independente, para servir tão somente à sociedade, para desempenhar funções de fiscalização, contestação e investigação dos atos emanados do Poder Executivo ou do próprio presidente”, diz o texto divulgado.
INDEPENDÊNCIA – Todos os presentes no ato desta segunda-feira rebateram a argumentação de Aras segundo a qual a eleição interna para a formação da lista tríplice é fruto de um corporativismo sindicalista. Para eles, a lista é instrumento que ajuda a assegurar a independência do MPF e coloca freios no poder ilimitado do chefe do Executivo. Em abril, quando se lançou candidato por fora da lista, Aras disse, em entrevista à Folha: “O MPF, quando se submete ao princípio da maioria através de eleições internas, atrai para seu âmbito os vícios naturais da política partidária, a exemplo do clientelismo, do fisiologismo, da política do toma lá dá cá”.
Apesar da reação da categoria, o subprocurador-geral recebeu nesta segunda-feira o apoio do Ministério Público Militar e da Associação dos Servidores do MPF (ASMPF ). Em nota, o Ministério Público Militar disse que Aras conta com “experiência bastante para o exercício” da PGR. O órgão disse estar “confiante na disposição do indicado de garantir a harmonia e a equanimidade entre os quatro ramos do MPU (Ministério Público da União)”
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PRÓXIMOS PASSOS
Sabatina – Para ser oficializado no cargo, Aras precisa ser sabatinado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, formada por 27 senadores. A sessão ainda não foi marcada
Votação na CCJ – Após a sabatina de Aras, os 27 senadores da comissão votam para decidir se aprovam seu nome para a PGR
Votação no plenário – O parecer da CCJ é encaminhado ao plenário, onde Aras precisará de maioria absoluta (41 senadores) para ser aprovado
Prazo – Não há prazo para o Senado iniciar a análise do nome de Aras. Se ele não for aprovado pelo plenário até 17.set, quando termina o mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge, assume a PGR interinamente o vice-presidente do Conselho Superior do MPF, Alcides Martins
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Apesar da coesão entre grande parte dos procuradores, a aposta é que Aras, após aprovação do Senado, monte a sua equipe com antigos integrantes da Procuradoria, de perfil conservador. Entre esses, alguns mais chegados e até admiradores. Segundo rola nos bastidores, alguns colegas têm enviado mensagens no grupo de correio eletrônico dos procuradores, a “Rede Membros”, sugerindo indicações. Adversários, entretanto, apostam que esses procuradores mais velhos ou sem experiência em operações policiais podem vir a esvaziar o combate à corrupção. (Marcelo Copelli)

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