domingo, setembro 08, 2019

Mentiras do governo Bolsonaro afastam novos investimentos Enquanto economistas se perguntam como o país pode atrair investimento internacional em um curto prazo, ministros do governo Jair Bolsonaro (PSL) convidados para falar a investidores demonstram não estar em total sintonia sobre o tema. Pelo contrário. Pareciam destoar nas leituras de cenário,


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Enquanto economistas se perguntam como o país pode atrair investimento internacional em um curto prazo, ministros do governo Jair Bolsonaro (PSL) convidados para falar a investidores demonstram não estar em total sintonia sobre o tema. Pelo contrário. Pareciam destoar nas leituras de cenário,

Apoiadores criticam interferências de Bolsonaro e o acusam de abandonar a agenda anticorrupção


Caso Queiroz provoca acusações de movimento lavajatista
Ricardo Galhardo e
Ricardo Brandt
Estadão
As interferências do presidente Jair Bolsonaro em órgãos como a Polícia Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Procuradoria-Geral da República fizeram movimentos e personalidades que apoiaram sua eleição e foram às ruas em defesa do combate à corrupção, como MBL e Vem Pra Rua, se afastarem do governo. Estes movimentos e personalidades acusam Bolsonaro de abandonar a agenda anticorrupção para proteger seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), investigado pelo Ministério Público do Rio em função de movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor, Fabrício Queiroz.
Nitidamente ele (Bolsonaro) está abandonando o discurso de campanha para utilizar uma prática nova e isso tem a ver com o Flávio”, disse Renan Santos, da coordenação do MBL. O caso Queiroz voltou a incomodar o governo depois da revelação de que o ex-assessor do senador mandou uma mensagem na qual demite do gabinete de Flávio, então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a ex-mulher de Adriano da Nóbrega, ex-PM acusado de chefiar uma milícia. As investigações sobre o suposto esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Alerj estão paradas desde 16 de julho, por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que aumentou a desconfiança dos movimentos.
ACUSAÇÕES  – Bolsonaro a fez crescer ainda mais ao mudar a direção do Coaf, órgão responsável por identificar as transações suspeitas de Queiroz, e ao mandar trocar o superintendente da PF no Rio. Agora, a insatisfação é pela escolha de um nome de fora da lista tríplice elaborada pelos procuradores para o comando o Ministério Público Federal (MPF). Essa sequência de fatos levou figuras centrais na defesa da Lava Jato a abandonar Bolsonaro e acusar o presidente de agir em defesa do filho mais velho. “(Bolsonaro tem) a pior postura possível. A simples concordância com a absurda decisão do presidente do STF já demonstra a incapacidade de compreender a posição que ocupa. Agrava ainda seu desejo em interferir na PF do Rio, indicador de que pretende subordinar o interesse público ao seu interesse particular, compreensível, mas irrelevante, de proteger o filho”, disse o procurador aposentado Carlos Fernando dos Santos Lima, que integrou a Lava Jato.
Movimentos como MBL e o Vem Pra Rua, que surgiram durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, hoje fazem críticas ao presidente. Para o Vem Pra Rua, o combate à corrupção vive hoje um momento mais ameaçador até do que durante os governos do PT. Segundo Adelaide Oliveira, porta-voz do movimento, não é possível vincular as interferências de Bolsonaro à defesa de Flávio, mas o comportamento do presidente diante das suspeitas sobre o filho é “impróprio”. “Se fosse qualquer pai em qualquer cidade do Brasil a gente poderia dizer que pai é pai. Acontece que este pai tem poder”, disse ela.
BLINDAGEM – Estas críticas ao comportamento do presidente em relação ao filho têm sido mal recebidas pela parcela mais radical do bolsonarismo. No dia 25, o humorista Marcelo Madureira precisou sair escoltado de um ato na praia de Copacabana depois de criticar o presidente. “Os fatos das últimas semanas parecem claros. São várias atitudes onde você percebe que houve uma espécie de acordo para blindar o Flávio”, disse o humorista. Segundo ele, por enquanto a “maioria silenciosa” está se manifestando nas pesquisas de opinião que mostram mês a mês a corrosão do apoio ao presidente. “Mas elas foram para a rua e podem voltar”, diz.
O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, afirmou que “com certeza” a fase atual é a pior em ataques à operação. “Identifico um enfraquecimento no combate à corrupção vindo de vários pontos”, afirmou. O entorno do presidente já percebeu que parte do eleitorado bolsonarista está descontente com as interferências nos órgãos de combate à corrupção, e Bolsonaro tenta reagir. Posou para fotos sorridente ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, e vetou parcialmente o projeto de lei aprovado pela Câmara sobre o crime de Abuso de Autoridade. A medida agradou a parte de sua base, mas foi considerada insuficiente por outra parte, que esperava o veto total.
“PT VOLTA” – Na quinta-feira, dia 5, Bolsonaro admitiu ter desagradado ao eleitorado ao falar com populares. “Estou recebendo muita crítica de gente que votou em mim. Se não acredita em mim, e continua fazendo esse trabalho de não acreditar, eu caio mais cedo, e mais cedo o PT volta.” “O governo está se afastando do que foi uma linha extremamente importante na campanha, o combate à corrupção”, disse o cientista político José Álvaro Moisés, da USP. Para o também cientista político Marco Aurélio Nogueira, da Unesp, a situação pode piorar se Moro deixar o governo. “O cenário para mim é muito claro. O próximo peão a rodar é o Moro. Se ele sair, leva junto o lavajatismo.”
Segundo o cantor Lobão, alvo de fortes ataques quando passou a criticar o presidente, Bolsonaro está a cada dia mais isolado junto ao núcleo duro do bolsonarismo e a tendência é que as pessoas que o apoiaram por rejeição ao PT pulem do barco sob o risco de ficarem estigmatizadas. “As pessoas de boa vontade que ainda se retardam em não se indignar publicamente vão se amargurar profundamente. Porque isso vai dar um carma, um peso, vai ser a mesma coisa que ter sido integralista.”
DEFESA – O advogado Frederick Wassef, responsável pela defesa do senador Flávio Bolsonaro, negou de forma enfática que o presidente Jair Bolsonaro use o cargo para proteger o filho mais velho. “É leviano afirmar isso. O presidente jamais ajudou. Atuo sozinho na defesa. Trabalho apenas com o que existe nos autos, no regular exercício da advocacia. Atuo sem qualquer interferência”, disse. “O cumprimento da lei jamais vai ser impeditivo de qualquer investigação. Meu cliente foi vítima de quebra de sigilo bancário e fiscal sem autorização da Justiça. Não é porque é o filho do presidente”, afirmou. Ele disse ainda que sempre foi a favor da Lava Jato. O advogado de Fabrício Queiroz, Paulo Klein, afirmou que “as suspensões foram determinadas em razão das várias ilegalidades na investigação”. Segundo ele, “o fator político “é determinante nesse caso”. Procurados, Flávio e o Planalto não quiseram se pronunciar.

Operação de Bolsonaro durou duas horas a mais do que o previsto


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Hospital diz que tudo correu bem e estado é estável
Dimitrius DantasO Globo
A cirurgia do presidente Jair Bolsonaro acabou por volta de 12h40, após mais de cinco horas, no Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul de São Paulo. O procedimento, que começou às 7h35, foi finalizado às 12h40, segundo a Presidência da República. A cirurgia durou duas horas a mais do que o previsto.
O primeiro boletim médico divulgado pela Presidência e pelo hospital diz que o procedimento foi bem-sucedido. O documento segue com a afirmação de que “o paciente fará sua recuperação no apartamento e apresenta quadro clínico estável”.
SEM VISITAS – Por orientação médica, explicam os médicos no boletim, Bolsonaro estará com visitas restritas no momento. A partir de segunda-feira, a alimentação dele deverá seguir dieta líquida, conforme afirmou o cirurgião Antônio Luiz Macedo em coletiva de imprensa concedida após o procedimento junto ao porta-voz da Presidência Otávio Rêgo Barros.
Esse é a quarta operação à qual Bolsonaro é submetido após o atentado a faca sofrido há um ano e dois dias, em 6 de setembro de 2018, antes do primeiro turno da eleição. Dessa vez, Bolsonaro deu entrada no hospital na noite de sábado. Três filhos dele (Flávio, Carlos e Eduardo) estão na unidade de saúde para acompanhá-lo neste domingo.
O vice-presidente Hamilton Mourão assume a Presidência pelos próximos cinco dias. A expectativa é que Bolsonaro fique internado por até dez dias, mas seus médicos admitem que o ele pode deixar o hospital antes dessa estimativa. Rêgo Barros afirmou que o hospital dispõe da estrutura adequada para que o presidente possa improvisar um gabinete para despachar ainda durante a internação.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Repete-se a paranoia de sempre. Bolsonaro só foi operado porque houve fortes pressão dos médicos de São Paulo. Na operação anterior, com medo de sua atuação ser comparada à do vice Mourão, o presidente só deixou que ele assumisse por 48 horas, mas seu estado de saúde era muito precário e ele ficou mais 15 dias internado, fingindo que despachava com os ministros. Desta vez, Bolsonaro dificilmente terá alta antes de dez dias. E ninguém sabe se deverá ser autorizado a viajar a Nova York no dia 19, para discursar na sessão de ONU no dia seguinte. (C.N.)     

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