domingo, junho 16, 2019

Não é só Moro: mais 18 nomes ligados à Lava Jato estão no governo Bolsonaro


Andre Coelho/Folhapress
O ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o presidente, Jair BolsonaroImagem: Andre Coelho/Folhapress
Vinicius Konchinski*

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem, pelo menos, 19 integrantes com histórico profissional ligado à Lava Jato. Além do ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, outras 18 pessoas nomeadas para cargos de confiança no governo federal já trabalharam em repartições vinculadas à operação de combate à corrupção.
Moro e outros integrantes da Lava Jato estão hoje envolvidos em uma crise deflagrada pela divulgação de conversas sobre a operação mantidas pelo então juiz quando ele ainda julgava ações propostas pela força-tarefa (veja mais abaixo).
Dentre os integrantes do governo ligados à Lava Jato, há delegados da Polícia Federal (PF) e auditores da Receita Federal que já atuaram em investigações da operação. Há também servidores da Justiça Federal do Paraná que trabalharam junto com o ministro Moro. Há até uma ex-subprocuradora-geral da República, Maria Hilda Marsiaj Pinto, que pediu exoneração de seu cargo no MPF (Ministério Público Federal) para virar secretária nacional de Justiça.
Marsiaj Pinto fez parte da força-tarefa montada pelo MPF para a Lava Jato. De 2015 a 2018, ela atuou em recursos referentes a processos da operação que tramitaram no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Hoje, ela é subordinada a Moro no Ministério da Justiça.
Procurado pelo UOL na quarta e na quinta-feira para comentar a lista de profissionais ligados à Lava Jato que hoje estão no governo, o Ministério da Justiça não quis se pronunciar.

Os 18 nomes

Foi Sergio Moro quem trouxe os 18 profissionais ligados à Lava Jato ao governo. O ministro nomeou todos eles para exercer cargos de confiança vinculados à sua pasta.
No último dia 28, entretanto, o Congresso Nacional decidiu transferir o comando do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. Com isso, três auditores da Receita que haviam sido nomeados por Moro para trabalhar no conselho agora estão subordinados ao ministro Paulo Guedes.
A lista dos profissionais ligados à Lava Jato hoje trabalhando no governo federal foi elaborada com base em dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça.

Ex-integrantes da Lava Jato no governo Bolsonaro

Sergio Moro, ministro da Justiça
Foi juiz da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, onde tramitam processos da operação Lava Jato. Condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo caso do triplex do Guarujá (SP).
Flávia Blanco, chefe de gabinete de Moro
É analista judiciária da Justiça Federal do Paraná. Foi diretora da secretaria da 13ª Vara da Justiça Federal durante a operação Lava Jato.
Elias José Pudeulko, assessor da chefe de gabinete
É técnico judiciário da Justiça Federal do Paraná. Trabalhou na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná com Moro.
Andrezza Cristina Cardos de Oliveira Klug, assessora da chefe de gabinete
É analista judiciária da Justiça Federal do Paraná. Foi supervisora da seção de assessoria jurídica e assessora da direção do foro durante a Lava Jato.
Marcos Koren, assessor especial do ministro
É agente da PF e trabalhou na comunicação da superintendência do órgão em Curitiba durante a operação Lava Jato, incluindo durante a prisão de Lula.
Flávia Rutyna Heidemann, assessora especial 
É analista judiciária da Justiça Federal do Paraná. Foi oficial do gabinete de Moro quando ele ainda julgava casos da Lava Jato no Paraná.
Maria Hilda Marsiaj Pinto, secretária nacional de Justiça
Foi subprocuradora geral da República. Integrou a força-tarefa da Lava Jato de 2015 ao fim de 2018. Atuou em recursos que tramitaram no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Georgia Renata Sanchez Diogo, assessora especial internacional do Ministério da Justiça
Foi assessora-chefe da Secretaria de Cooperação Internacional da PGR (Procuradoria-Geral da República). Trabalhou em acordos de cooperação internacional da Lava Jato.
Annalina Cavicchiolo Trigo, diretora do Departamento de Promoção de Políticas de Justiça
Trabalhou na AGU (Advocacia-Geral da União) e atuou em discussões sobre acordos de leniência fechados com empresas investigadas na Lava Jato.
Rosalvo Ferreira Franco, chefe da Secretaria de Operações Policiais Integrada
É delegado da PF aposentado. Era superintendente da PF no Paraná quando a Lava Jato foi deflagrada. Antes de assumir um cargo no Ministério da Justiça, Franco já havia integrado o governo de transição, em 2018.
Erika Mialik Marena, diretora de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional
É delegada da PF. Integrou a força-tarefa da Lava Jato e participou das primeiras fases da operação. Foi ela, aliás, quem deu o nome Lava Jato à operação.
Eduardo Mauat da Silva, coordenador-geral de articulação institucional do DRCI
(Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional)

É delegado da PF. Integrou o grupo de trabalho da operação Lava Jato de 2014 a 2016.
Mauricio Leite Valeixo, diretor-geral da PF
É delegado da PF. Foi superintendente da PF no Paraná durante a Lava Jato. Chefiava o órgão quando Lula foi preso.
Igor de Paula Romário, diretor de investigação e combate ao crime organizado da PF
É delegado da PF. Coordenou o trabalho de investigações da Lava Jato em Curitiba, inclusive em inquéritos relacionados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Roberval Ré Vicalvi, diretor de administração e logística policial da PF
É delegado da PF. Foi o segundo da hierarquia da Superintendência da PF no Paraná durante a gestão de Valeixo.
Fabio Salvador, diretor técnico-científico da PF
É perito da PF. Foi chefe da equipe de perícia da Lava Jato.
Roberto Leonel de Oliveira Lima, presidente do Coaf
É auditor da Receita Federal. Foi chefe do Espei (Escritório de Pesquisa e Investigação) da Receita em Curitiba, que colaborou com a Lava Jato.
Ana Amélia Olczewski, diretora de inteligência financeira do Coaf
É auditora da Receita na Lava Jato. Foi chefe do Espei (Escritório de Pesquisa e Investigação) da Receita em Porto Alegre e enviou informações para investigações da Lava Jato.
Marcelo Renato Lingerfelt, chefe de gabinete do Coaf
É auditor da Receita. Foi chefe da divisão de pesquisa e, depois, coordenador de assuntos estratégicos da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita durante a Lava Jato.
Nova conversa entre Moro e Dallagnol é divulgada; ministro do STF é citado

Histórico pesou nas nomeações

A ligação de integrantes do governo com a Lava Jato sempre foi vista como positiva por Moro. Quando o ministro anunciou que o então superintendente da PF no Paraná, o delegado Maurício Valeixo, seria elevado a diretor-geral da corporação, por exemplo, ele exaltou a experiência do subordinado no combate à corrupção e ao crime organizado.
Moro também afirmou que a delegada Erika Marena, que trabalhou no início da operação Lava Jato, tinha sua “plena confiança” quando a escolheu para ser chefe do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional).
Após deixar a Lava Jato e antes de assumir seu posto no Ministério da Justiça, Marena comandou uma operação de investigação sobre supostas irregularidades na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O então reitor da universidade Luiz Carlos Cancellier de Olivo foi preso preventivamente e se suicidou. Nada contra ele foi comprovado.
Moro disse que o episódio foi um “imprevisto no âmbito de uma investigação” e que Marena não tinha responsabilidade alguma sobre o fato.
No próprio Ministério da Justiça, sabe-se que Moro cedeu espaço a pessoas ligadas à Lava Jato por confiar no trabalho dos envolvidos na operação e pela proximidade que manteve com os nomeados.

Crise das conversas vazadas

O The Intercept Brasil divulgou diálogos que mostram Sergio Moro, quando ainda era juiz, orientando ações dos procuradores da Lava Jato e debatendo decisões judiciais que ainda não haviam sido divulgadas.
O The Intercept Brasil informou que obteve as conversas, trocadas pelo aplicativo Telegram, por meio de uma fonte anônima. Divulgou trechos de material que obteve no domingo passado e na última quarta.
Moro é o atual membro do governo federal mais citado no material divulgado. Um auditor da Receita Federal chamado de Leonel também é citado num diálogo. O nome pode fazer referência a Roberto Leonel de Oliveira Lima, atual presidente do Coaf.
Numa conversa em 16 de março de 2016, Moro avisa o chefe da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol, que daria uma palestra no dia seguinte a auditores da Receita num congresso realizado no Hotel Bourbon, em Curitiba. “Leonel sabe detalhes”, disse o ex-juiz.
Nesta palestra, Moro defendeu a divulgação de interceptações de ligações telefônicas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a então presidente Dilma Rousseff. Na época, a presidente queria que Lula assumisse um ministério em seu governo e chegou a nomeá-lo.
Essas ligações foram divulgadas no final da tarde do dia 16. Horas antes, de acordo com os diálogos, Moro e Dallagnol conversaram sobre a posição do MPF a respeito do assunto.
A divulgação das conversas entre Dilma e Lula foi considerada ilegal pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Lula, porém, teve sua nomeação suspensa pelo ministro do mesmo STF Gilmar Mendes, que entendeu que a mesma seria uma forma de Lula escapar de uma possível ordem de prisão.
A Constituição de 1988 determina que não haja vínculos entre o juiz e as partes em um processo judicial. Para que haja isenção, o juiz e a parte acusadora –neste caso, o Ministério Público– não devem trocar informações nem atuar fora de audiências.
O Ministério Público Federal do Paraná informou em comunicado que as mensagens não mostram nenhuma ilegalidade na conduta de seus membros. Apesar de ter assumido um “descuido”, o ministro Moro afirmou que está “absolutamente tranquilo” em relação à troca de mensagens com Dallagnol.
* Colaborou Leandro Prazeres; com informações da Agência Brasil

Não existe confiança 100%, afirma Bolsonaro sobre Moro


por Folhapress
Não existe confiança 100%, afirma Bolsonaro sobre Moro
Foto: Reprodução / G1
Um dia após a divulgação de novos trechos de conversas privadas nas quais o então juiz Sergio Moro passa orientações a procuradores da Lava Jata, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu o legado de seu ministro da Justiça mas disse que não existe confiança 100%.

"Eu não sei das particularidades da vida do Moro. Eu não frequento a casa dele. Ele não frequenta a minha casa por questão até de local onde moram nossas famílias. Mas, mesmo assim, meu pai dizia para mim: Confie 100% só em mim e minha mãe", disse Bolsonaro, em rápida conversa com jornalistas na porta do Palácio do Alvorada, em Brasília.

Questionado se os diálogos não representariam irregularidades, o presidente fez questão de ressaltar os resultados da atuação de Moro no combate à corrupção.

"Tem um crime de invadir o celular do caboclo lá. E outra, tem programa que eu tive acesso de você forjar conversa e ponto final. O que interessa? O Moro foi responsável, não por botar um ponto final, mas por buscar uma inflexão na questão da corrupção e mais importante: livrou o Brasil de mergulhar em uma situação semelhante a da Venezuela. Onde estaria em jogo não o nosso patrimônio, mas a nossa liberdade", disse.

Neste sábado, Bolsonaro indicou que ninguém é inabalável no cargo e citou a situação do general Santo Cruz, demitido na última semana da Secretaria Geral de Governo. 

"Todo mundo pode ser [demitido]. Muita gente se surpreendeu com a saída do general Santos Cruz. Isso pode acontecer. Muitas vezes, a separação de um casal você se surpreende: 'mas viviam tão bem!'. Mas a gente nunca sabe qual a razão daquilo. E é bom não saber. Que cada um seja feliz da sua maneira". O presidente não deu detalhes sobre o que motivou a saída de Santos Cruz.

Mensagens divulgadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil mostram que Moro e Deltan trocavam colaborações quando integravam a força-tarefa da Lava Jato. Segundo as mensagens, Moro sugeriu ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. 

O pacote de diálogos que veio à tona inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram de 2015 a 2018.

Para advogados e professores, a maneira como inicialmente o atual ministro da Justiça e o procurador reagiram à divulgação das conversas, sem contestar o teor das afirmações e defendendo o comportamento adotado na época, aponta que o conteúdo é fidedigno e que ele pode servir de base para reverter decisões da Lava Jato, por exemplo, contra o ex-presidente Lula.

Por esse raciocínio, o fato de o material ter sido provavelmente obtido por meio de um crime faz com que ele não tenha como ser utilizado para acusar um suspeito, mas possa servir para absolver um acusado. 

Em um segundo momento, tanto Moro como Deltan passaram não apenas a atacar o crime do vazamento como também colocar em dúvida a integralidade das mensagens divulgadas, ao não afastar a possibilidade de distorções. 

Segundo a legislação, é papel do juiz se manter imparcial diante da acusação e da defesa. Juízes que estão de alguma forma comprometidos com uma das partes devem se considerar suspeitos e, portanto, impedidos de julgar a ação. Quando isso acontece, o caso é enviado para outro magistrado.

RESUMO DOS DIÁLOGOS EM 3 PONTOS

1. Troca de colaborações entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato

2. Dúvidas de Deltan a respeito da solidez das provas que sustentaram a primeira denúncia apresentada contra o ex-presidente Lula

3. Conversas em um grupo em que procuradores comentam a solicitação feita pela Folha de S.Paulo para entrevistar Lula na cadeia

Nas conversas privadas, membros da força-tarefa fazem referências a casos como o processo que culminou com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por causa do tríplex de Guarujá (SP), no qual o petista é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina da empreiteira OAS em decorrência de contratos da empresa com a Petrobras.

O valor, apontou a acusação, se referia à cessão pela OAS do apartamento tríplex ao ex-presidente, a reformas feitas pela construtora nesse imóvel e ao transporte e armazenamento de seu acervo presidencial. Ele foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 

Preso em decorrência da sentença de Moro, Lula foi impedido de concorrer à Presidência na eleição do ano passado. A sentença de Moro foi confirmada em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e depois chancelada também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que reduziu a pena para oito anos, 10 meses e 20 dias de prisão.

Segundo a reportagem do The Intercept Brasil, Moro sugeriu ao MPF (Ministério Público Federal) trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobrou a realização de novas operações, deu conselhos e pistas e antecipou ao menos uma decisão judicial. 

Bahia Notícias

Tenho orgulho da minha carreira, diz pivô de crise entre Levy e Bolsonaro


por Folhapress
Tenho orgulho da minha carreira, diz pivô de crise entre Levy e Bolsonaro
Foto: Reprodução/ Agência Brasil
Pivô da crise entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socia (BNDES), Joaquim Levy, o advogado Marcos Barbosa Pinto apresentou neste sábado (15) uma carta de renúncia.

Ele ocuparia, a convite de Levy, a Diretoria de Mercado de Capitais do banco de fomento. Mais cedo, Bolsonaro disse que demitiria Levy na segunda-feira (17) se a nomeação fosse mantida.

Bolsonaro ficou incomodado com o fato de Barbosa ter atuado em gestão petista. Levy também em governos do PT --no de Lula como secretário do Tesouro e no do Dilma como ministro da Fazenda.

A Folha de S.Paulo teve acesso a carta de Barbosa Pinto a Levy. Ele tentou falar com Levy ao longo do dia, mas não obteve retorno.

"É com pesar que entrego esta carta, logo após ter tomado posse, mas não quero continuar no cargo diante do descontentamento manifestado pelo presidente da República", escreveu o advogado.

Ele tomou posse na quarta-feira (12) e começaria a trabalhar na diretoria nesta segunda.

"Tenho muito orgulho da carreira que construí ao longo dos anos, seja no governo, seja na academia, seja no mercado financeiro", afirmou.

Barbosa Pinto foi sócio durante sete anos de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, na Gávea Investimentos.

Segundo ele, em razão de sua experiência acreditava que poderia contribuir na implementação de reformas econômicas importantes para o país.

Barbosa Pinto destacou a relevância do banco para o país. Segundo ele, seu desejo era ajudar no seu fortalecimento. "Infelizmente, isso não será possível."

Ele disse admirar o trabalho de Levy e agradeceu o corpo técnico do BNDES. 

Advogados relatam que nunca tiveram acesso a número de celular de Moro

Advogados relatam que nunca tiveram acesso a número de celular de Moro
Foto: Reprodução / Montagem / Catraca Livre
Oito advogados que atuaram em casos relevantes da Lava Jato de Curitiba relatam um modelo de relação com o ex-juiz Sergio Moro muito diferente do que aparece em mensagens trocadas entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, segundo o The Intercept. Nenhum dos juristas jamais teve o telefone do então juiz - por óbvio, tampouco trocou mensagens com ele. 

O ministro da Justiça e Segurança Pública teve conversas vazadas e uma relação próxima com Dallagnol exposta (veja aqui). 

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, despachos com Moro só eram possíveis previamente agendados por escrito com a Secretaria da 13ª Vara. A coluna Painel conversou com advogados de renome, ligados a réus ou delatores, com significativa atuação na 13ª Vara. Um dos ouvidos fez defesa da atuação de Moro. Disse que manteve por anos relação impessoal com o ex-juiz e que considerava o trabalho dele sério. No fim, emendou: “Agora, que houve erro na condução da Lava Jato, houve”.

Moro disse em recente entrevista ao Estado de S. Paulo que “ aplicativos de mensagens apenas aceleram a comunicação”. Em entrevista, o ministro também emendou: “juiz receber procuradores, delegados (…), de juiz receber advogados, acontece o tempo todo”. À Folha, Moro disse que pode ter cometido um 'descuido formal' em conversas com Dallagnol (veja aqui)

Entretanto, relatos de advogados dizem que ele nunca se mostrou acessível. Não era sujeito de sorrisos. As respostas eram secas e evasivas.” 

Bahia Notícias

Joaquim Levy pede demissão da presidência do BNDES após atrito com Bolsonaro

Joaquim Levy pede demissão da presidência do BNDES após atrito com Bolsonaro
Foto: Reprodução / Marcelo Camargo / Agência Brasil
O economista Joaquim Levy renunciou à presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste domingo (16). Neste sábado (15), o presidente Jair Bolsonaro declarou que Levy estava “com a cabeça prêmio” havia algum tempo.

O estopim da nova crise do governo, segundo Bolsonaro, teria sido a  indicação de Marcos Barbosa Pinto para a diretoria de Mercado de Capitais do banco. Ele integrou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) (saiba mais aqui).

Levy solicitou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, o desligamento do BNDES. “Minha expectativa é que ele aceite”, disse. O economista afirmou que agradece a lealdade, dedicação e determinação de sua diretoria. “Agradeço ao ministro o convite para servir ao País e desejo sucesso nas reformas.”

A resistência de Bolsonaro a Levy vem desde o governo de transição. Presidente eleito, em novembro de 2018, Bolsonaro disse que, ao aceitar a indicação do ex-ministro de Dilma Rousseff, precisava “acreditar em Guedes”. O economista foi ministro da Fazenda no primeiro ano do segundo mandato da petista, mas saiu do governo ao enfrentar obstáculos para ajustar as contas públicas. 

Levy chegou ao comando do banco a convite de Guedes. Ele trabalhou em dois governos petistas. Primeiro foi secretário do Tesouro Nacional de Lula. 

Pivô da crise entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socia (BNDES), Joaquim Levy, o advogado Marcos Barbosa Pinto apresentou neste sábado (15) uma carta de renúncia. Ele ocuparia, a convite de Levy, a Diretoria de Mercado de Capitais do banco de fomento. Mais cedo, Bolsonaro disse que demitiria Levy na segunda-feira (17) se a nomeação fosse mantida. Marcos Barbosa Pinto é um dos responsáveis pela elaboração Prouni.  

Bahia Notícias

Diretor do BNDES renuncia após Bolsonaro dizer que Levy está com ‘cabeça a prêmio’

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Marcos Pinto havia trabalhado no BNDES no governo de Lula
Por G1 Brasília
O diretor de Mercado de Capitais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcos Barbosa Pinto, enviou neste sábado (15) uma carta de renúncia ao presidente da instituição, Joaquim Levy. Na carta, Marcos Pinto afirmou que decidiu deixar o cargo em razão do “descontentamento manifestado” pelo presidente Jair Bolsonaro.
Neste sábado (15), o presidente deu rápida entrevista ao sair do Palácio da Alvorada e afirmou que Joaquim Levy estava com a “cabeça a prêmio” e que, se não demitisse o diretor, ele seria demitido.
A CARTA – “Escrevo para apresentar minha renúncia ao cargo de diretor do BNDES. É com pesar que entrego essa carta, logo após ter tomado posse, mas não quero continuar no cargo diante do descontentamento manifestado pelo presidente da República com minha nomeação”, escreveu Marcos Pinto, ao se demitir, acrescentando:
“Tenho muito orgulho da carreira que construí ao longo dos anos, seja na academia, no governo ou no mercado financeiro. Dada minha experiência, achei que poderia contribuir para implementar as reformas econômicas de que o país precisa”, acrescentou.
DIZ GUEDES – Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Bolsonaro ficou “angustiado” porque Levy optou por “nomes ligados ao PT” para cargos no banco.
De acordo com o jornal “Valor Econômico”, Marcos Pinto é mestre em direito pela Universidade de Yale (EUA) e doutor pela Universidade de São Paulo (USP). Marcos Pinto foi também diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Marcos Pinto foi chefe de gabinete de Demian Fiocca na presidência do BNDES (2006-2007). Fiocca era considerado, no governo federal, um homem de confiança de Guido Mantega, ministro da Fazenda nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A demissão de Marcos Pinto foi apenas o motivo aparente, a chamada “gota d’água” da canção de Chico Buarque e Paulo Pontes. Na verdade, Bolsonaro tem muitos outros motivos, de maior gravidade, para colocar a cabeça de Joaquim Levy a prêmio. O assunto é importantíssimo, e vamos voltar a ele, com informações absolutamente exclusivas sobre a inesperada e surpreendente demissão do presidente do BNDES. (C.N.)

Parte da mídia apoia o esquema para desmoralizar Moro e destruir a Lava Jato

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Charge da Myrria (A Críitica)
Carlos Newton
Em todo o material já divulgado pelo site “The Intercept”, até agora não surgiu nenhuma prova de que o então juiz Sérgio Moro “chefiava” a investigação da Lava Jato, realidade que desmente o que alega no Supremo o intrometido ministro Gilmar Mendes, que é ardoroso amigo e defensor de corruptos notórios, como Michel Temer, Aécio Neves e Lula da Silva. Na verdade, não há qualquer indicação de que houve fraudes ou manipulação de provas, prejuízo às partes ou perseguição política a Lula, conforme alega a defesa do ex-presidente petista, que até à ONU já recorreu.
Nas mensagens do ‘The Intercept”, fica comprovado é que o juiz não se comunicava frequentemente com os procuradores, ao contrário do que é praxe na chamada “fase de instrução”, especialmente em um inquérito de tamanha importância, que  comprovou crimes cometidos pelo político mais importante do país.  O que se constata, sem dúvida alguma, é que Moro fazia raríssimos contatos com o Ministério Público.
ABSOLUTAMENTE NADA – Os diligentes jornalistas do “The Intercept” vasculharam dois anos de gravações de celulares e no entanto somente conseguiram encontrar meia de dúzia de diálogos em que aparece o então juiz Moro, nos quais ele não diz nada, absolutamente nada que indique conluio, fabricação de provas ou perseguição política a Lula.
Até agora, os diálogos exibidos provam justamente o contrário, porque demonstram que Moro nem tinha influência no grupo de procuradores. No caso das mensagens trocadas na fase de instrução, por exemplo, o juiz sugeriu uma nota oficial contra mentiras e manipulações da defesa de Lula, mas os procuradores não aceitaram. Além disso, havia muita discordância entre Moro e a força-tarefa, tanto assim que nos seus julgamentos o juiz inocentou 54 réus denunciados pelo Ministério Público.
DIFICULDADES – Em duas ocasiões, segundo as mensagens divulgadas pelo The Intercept, Moro expressou a Dallagnol preocupação com as dificuldades que o Judiciário teria para investigar e julgar tantos casos, o que se confirmou mais tarde com a lentidão do andamento dos processos no STF.
“Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina […] segundo gravidade e qualidade da prova”, opinou o juiz em junho, diz The Intercept. “(Há) muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do MP e Judiciário”, observou em dezembro de 2016.
Moro tinha razão, porque a grande maioria dos políticos e boa parte da mídia apoiavam Lula e eram contra a Lava Jato. Moro e a força-tarefa lutaram o bom combate, enfrentando boicote dos governos Dilma e Temer, que reduziram as verbas da Polícia Federal. Mesmo assim, a Lava Jato foi em frente.
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P.S. 1 – Boa parte da mídia agora dá força às denúncias manipuladas do Intercept. A última falsa acusação foi de que o procurador Dallagnol repassou a Moro  informações sigilosas fornecidas pelos delatores da Odebrecht. Ora, na fase de instrução (investigação), o Ministério Público é obrigado a encaminhar as informações ao juiz, para que decida sobre quebras de sigilo, operações, prisões preventivas e provisórias, buscas e apreensões.
P.S. 2 – É assim que funciona no Brasil a “instrução” do inquérito. Não se pode culpar Moro e Dallagnol por trabalharem juntos para desbaratar a maior quadrilha do mundo, especializada em corrupção e lavagem de dinheiro. Temos é que agradecer a eles. (C.N.)

As perguntas que estão sem respostas sobre o ex-assessor de Flávio Bolsonaro

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Charge do Iotti (Zero Hora)
Caio Sartori, Fabio Leite, Marcelo Godoy e Matheus LaraEstadão
O cientista político Carlos Melo, do Insper, afirma que eleitores de Jair Bolsonaro se ressentem de explicação sobre as movimentações atípicas de ex-assessor do filho Flávio Bolsonaro, ao tempo em que era deputado estadual na Assembleia do Rio, antes de ser eleito senador em 2018, pelo PSL.
“Enquanto as respostas não vêm a público de maneira satisfatória, o caso Queiroz representa uma mácula na imagem de Jair Bolsonaro e para o contexto que o ascendeu à Presidência”, assinala Melo.
SEM EXPLICAÇÃO – “Isso desgasta. Os eleitores de Bolsonaro no segundo turno se ressentem de uma boa explicação”, afirma o cientista político do Insper, acrescentando: “Bolsonaro falava contra o PT e o PSDB quando essas questões apareciam. Agora é a vez demonstrar que aquele discurso é crível e sério. São seis meses, poucas respostas”:
Nesta reportagem, vamos lembrar os importantes fatos deste caso e as principais perguntas ainda sem respostas consistentes, a principal delas é “Cadê o Queiroz?”.
Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz já esteve na mídia, já apareceu dançando feliz em um quarto de hospital, já falou com a Justiça por carta, e depois sumiu.
TRATAMENTO? – O advogado Paulo Klein afirma que Fabrício Queiroz está em São Paulo com a família fazendo tratamento de recuperação em decorrência da cirurgia para retirada de um tumor maligno no intestino, realizada no dia 1º de janeiro deste ano no Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Segundo registro da unidade, ele deu entrada no dia 30 de dezembro de 2018 e teve alta no dia 8 de janeiro. A reportagem pediu uma entrevista com Queiroz, mas Klein disse que ele ainda está em recuperação e que assim que tiver condições vai falar antes com o Ministério Público do Rio.
POR QUE SÓ UM ASSESSOR ATÉ HOJE FOI OUVIDO? – Além de Queiroz, outros nove ex-assessores de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativo do Rio foram chamados para prestar depoimento no Ministério Público fluminense, entre eles as filhas e a mulher do pivô da crise envolvendo a família Bolsonaro. Todos aparecem no relatório do Coaf depositando dinheiro na conta de Queiroz. Porém, apenas o policial militar Agostinho Moraes da Silva compareceu, no dia 11 de janeiro.
Aos promotores, ele afirmou que dava cerca de dois terços do salário para Queiroz investir em compra e venda de veículos e que Queiroz devolvia um valor, em média, 12% maior, referente ao lucro da transação. Em seu depoimento, Agostinho Silva não menciona a devolução de parte do salário para pagamento de assessores externos, versão apresentada por Queiroz aos promotores no dia 28 de fevereiro.
Os demais assessores ignoraram as intimações do Ministério Público do Rio.
O QUE QUEIROZ PRECISA ESCLARECER? – Os promotores afirmam que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro admitiu que recolhia parte do salário dos demais funcionários do gabinete na Assembleia Legislativa do Rio na manifestação encaminhada por escrito, mas não apresentou a relação dos tais assessores informais que teriam sido contratados por fora, sem vínculo com a Alerj, para ajudar a alavancar o desempenho eleitoral do ex-deputado e atual senador.
Queiroz também não apresentou documentos que comprovem as transações de compra e venda de veículos e outros produtos que ele também diz ter feito com o dinheiro arrecadado de outros assessores.
E AS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS ATÍPICAS? – Para os promotores, até agora Queiroz não conseguiu esclarecer as movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão detectadas pelo Coaf entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017 na conta bancária dele e existem indícios robustos de que o ex-assessor tenha participado de uma organização criminosa montada no gabinete de Flávio na Alerj para desviar recursos públicos por meio da prática conhecida como “rachadinha”, que consiste na devolução de parte do salário de um assessor ao parlamentar.
Segundo o MP do Rio, Queiroz fez saques em dinheiro no valor de R$ 661 mil em apenas 18 meses, entre janeiro de 2016 e junho de 2018
O QUE FLÁVIO BOLSONARO TEM DE ESCLARECER? – Os promotores querem que o ex-deputado e atual senador explique as nomeações de funcionários suspeitos de serem fantasmas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, como policiais militares e parentes de Queiroz, os 48 depósitos fracionados de R$ 2 mil feitos no período de um mês em sua conta bancária, totalizando R$ 96 mil, e as transações imobiliárias com alto valor de lucro declarado em certidões de imóveis, como a compra de um apartamento em Copacabana por R$ 140 mil em novembro de 2012 e a venda da unidade por R$ 550 mil em fevereiro de 2014 – lucro de 292% ante uma valorização imobiliária média de 11% na mesma região.
Os investigadores sustentam que não tinha como Flávio Bolsonaro não saber da captação de recursos feita por Queiroz dentro de seu gabinete e apontam o ex-deputado como líder da suposta organização criminosa.
QUEM ESCOLHIA OS SERVIDORES DO GABINETE DE FLÁVIO? –Tanto Flávio Bolsonaro quanto Fabrício Queiroz afirmam que o ex-assessor tinha autonomia para nomear os assessores do gabinete do ex-deputado na Alerj, incluindo sua mulher, duas filhas, uma enteada e até o marido da ex-mulher.
Mas oito servidores empregados no gabinete de Flávio que também tiveram seus sigilos bancário e fiscal levantados pela Justiça do Rio também foram lotados no gabinete de Jair Bolsonaro quando ele era deputado federal e outros dois no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PSC) na Câmara Municipal do Rio.
Para os promotores, as nomeações de servidores considerados fantasmas, porque não davam expediente no gabinete ou tinham outras ocupações simultâneas, eram feitas com o conhecimento de Flávio com o objetivo de desviar o salário dos servidores.
POR QUE BOLSONARO EMPRESTARIA DINHEIRO A QUEIROZ? – Se ele movimentava tanto dinheiro, por que o então deputado lhe emprestou dinheiro? Uma das movimentações na conta de Queiroz citadas como atípicas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Após a revelação do fato pelo Estadão, em dezembro, o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou dizendo que a transação se referia ao pagamento de uma parte de um empréstimo de R$ 40 mil que ele próprio havia feito a Queiroz.
Na única vez em que falou sobre o assunto, em entrevista ao SBT, o ex-assessor confirmou a versão de Bolsonaro, de quem era amigo, e disse ter quitado o empréstimo em dez parcelas de R$ 4 mil. E o relatório do Coaf mostrou que Queiroz movimentou no período de um ano, R$ 1,2 milhão em sua conta, entre créditos e débitos. Não precisaria pedir R$ 24 mil a ninguém.

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