sábado, janeiro 19, 2019

Palocci diz que Lula recebia dinheiro vivo da Odebrecht, oculto em caixas de uísque


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Palocci entregou Lula e Dilma, e os motoristas confirmaram
José Carlos Werneck
O ex-ministro Antonio Palocci, em delação premiada na Operação Lava Jato, contou sobre as entregas de dinheiro em espécie, de propina paga pela Odebrecht ao ex-presidente Lula. As informações fazem parte de um termo da primeira delação fechada por Palocci com a Polícia Federal de Curitiba. Palocci prestou o depoimento em 13 de abril de 2018, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e a delação foi homologada pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região em junho do ano passado.
Nesta quinta-feira, o depoimento foi juntado ao inquérito sobre a Usina de Belo Monte, que corre em sigilo.
SIGILO ABSOLUTO – No depoimento, Palocci declara que entregou ao ex-presidente, “em oportunidades diversas”, dinheiro vivo, em remessas que chegaram a até R$ 80 mil e segundo ele, Lula pedia que não dissesse nada a ninguém sobre o assunto.
De acordo com Palocci, Lula recebeu propina pela obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. A Odebrecht destinou ao ex-presidente R$ 15 milhões, e a Andrade Gutierrez igualmente é citada pelo ex-ministro.
Palocci disse também que Dilma Rousseff, quando ainda era candidata, soube dos pagamentos da Andrade Gutierrez ao PMDB e autorizou que prosseguissem. Ele declarou que em encontro com Dilma no Palácio do Planalto, no início de 2011, quando ela já era presidente, não autorizou pagamentos da Andrade Gutierrez ao PT, mas apenas a Lula.
DIVERSOS VALORES – Em trecho da primeira delação, o ex-ministro diz: ” Também se recorda que, dos recursos em espécie recebidos da Odebrecht e retirados por Branislav Kontic, levou em oportunidades diversas cerca de trinta, quarenta, cinquenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio Lula”.
Palocci declara, por exemplo, ter entregue R$ 50 mil a Lula, dentro de uma caixa de celular, no Terminal da Aeronáutica em Brasília, na campanha de 2010 e que um ex-motorista de Palocci chamado Claudio Souza Gouveia, que foi ouvido pela Polícia Federal em agosto de 2018 no inquérito sobre a Usina de Belo Monte, afirma ter presenciado o encontro.
E LULA COBRAVA… – Em outro trecho da delação, diz Palocci: “Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega”.
Segundo ele, essa cobrança de Lula a caminho do aeroporto foi presenciada por outro motorista, chamado Carlos Pocente, que ironizou, indagando se toda aquela cobrança de Lula era apenas por causa da garrafa de uísque.
Palocci disse que “era óbvio que a insistência de Lula não era por bebida, e sim pelo dinheiro; que o motorista afirmou ao colaborador que estava brincando e que sabia que se tratava de dinheiro em espécie”. Pocente foi ouvido pela PF no inquérito e confirmou ter presenciado o encontro.
PROPINA – Sobre a propina que Lula teria recebido pela obra de Belo Monte, o ex-ministro declarou que a empreiteira a Andrade Gutierrez pagou despesas ao Vox Populi e que, em favor de Lula, além de fazer doações ao Instituto Lula e pagar por palestras ao ex-presidente, enquanto a Odebrecht destinou R$ 15 milhões a Lula.
O pagamento foi efetuado a pedido de Emílio Odebrecht, e operacionalizado por Palocci e por Marcelo Odebrecht. Do total, Palocci soube que R$ 4 milhões foram pagos por meio de doação oficial e o restante sacado em várias outras oportunidades pelo assessor Branislav.
Palocci afirmou ter informado Dilma Rousseff, na época em que era candidata à presidência, quanto aos “vultosos pagamentos que a Andrade Gutierrez estava fazendo ao PMDB em razão da obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte” e que “a então candidata tomou ciência e efetivamente autorizou que se continuasse a agir daquela forma”.
ANDRADE GUTIERREZ – Palocci disse que, “em relação a pagamentos ao Partido dos Trabalhadores, esclarece que a Andrade Gutierrez, na pessoa de Otávio de Azevedo, ex-presidente da empreiteira, continuava a manifestar explicitamente ao colaborador a vontade de colaborar financeiramente com sua agremiação política, o PT; e que, em razão disso, em encontro que teve com Dilma Rousseff posteriormente, o colaborador a indagou se havia necessidade de autorizar que a Andrade Gutierrez fizesse pagamentos específicos e atrelados a sua participação na Usina de Belo Monte; que o encontro ocorreu no início de 2011 no Palácio do Planalto; que, segundo o colaborador, Dilma Rousseff não autorizou os pagamentos pela Andrade Gutierrez”.
DIZEM OS MOTORISTAS – Nos depoimentos à Polícia Federal no mês de agosto de 2018, os ex-motoristas citados por Palocci declararam ter testemunhado as entregas do ex-ministro a Lula.
Claudio Souza Gouveia afirmou que por diversas vezes levou Palocci até o Terminal da Aeronáutica em Brasília para levar a Lula presentes e outros objetos. Ele disse que, entre os presentes, estavam caixas de uísque, celulares e canetas. Elas eram entregues por Palocci, que voltava minutos depois ao carro. O motorista disse que nunca soube se as caixas continham efetivamente os produtos.
Ele declarou ter visto o ex-ministro carregando grandes quantidades de dinheiro em espécie e que, em algumas oportunidades, Palocci teria afirmado serem documentos, mas fazia um gesto com os dedos que indicavam ser dinheiro e o ex-ministro tinha pressa ao fazer esses deslocamentos.
MUITA PRESSA – Carlos Alberto Pocente, que foi motorista do ex-ministro por 30 anos, declarou se recordar de um episódio, entre os que envolviam dinheiro, no qual Palocci estava com muita pressa para levar uma caixa de uísque até Lula, no Aeroporto de Congonhas.
Ele disse que certa vez, em que ele levou o ex-ministro, que estava com uma maleta vazia, a um banco. Na volta, a maleta estava visivelmente cheia e em seguida, eles foram para a sede do Instituto Lula.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Como se vê, Lula era um corrupto vulgar e Dilma Rousseff também estava no esquema, embora tentasse interpretar o papel de “Soninha Toda Pura”, personagem criada pelo dramaturgo Ilclemar Nunes. (C.N.)

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sexta-feira, janeiro 18, 2019

Leia a delação de Palocci que detona Lula em Belo Monte

Ex-ministro dos governos do PT revelou à Polícia Federal, em depoimentos prestados em abril e em agosto de 2018, propinas em dinheiro vivo para ex-presidente

Bolsonaro e o filho Flávio se consideravam “cidadãos acima de qualquer suspeita”


Em vídeo de 21 de março de 2017, o presidente Jair Bolsonaro, que na época era deputado federal, diz que não quer foro privilegiado — Foto: Reprodução/YouTube/Eduardo Bolsonaro
Em 2017, pai e filho gravaram vídeo contra o foro privilegiado
Por G1
Faz sucesso na internet um vídeo publicado em 21 de março de 2017 no canal do deputado Eduardo Bolsonaro no YouTube, no qual o presidente Jair Bolsonaro, que na época era deputado federal e réu no Supremo Tribunal Federal (STF), disse que não queria foro privilegiado. Nas imagens, ele aparece ao lado de outro filho, o deputado estadual e agora senador eleito pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro.
O vídeo, cujo título é “Quem precisa de foro privilegiado?”, voltou a circular nas redes sociais nesta quinta-feira (17) depois da notícia de que Flávio entrou no STF com pedido para que uma investigação do Rio de Janeiro seja levada ao Supremo com base no foro privilegiado, que ele adquiriu ao ser eleito senador.
ESSA PORCARIA – No vídeo de 2017, Bolsonaro diz: “Dos 503 deputados, uns 450 vão ser reeleitos. Por que eles têm que ser reeleitos? Para continuar com foro privilegiado. O único prejudicado com foro privilegiado, no momento, sou eu. Eu não quero essa porcaria de foro privilegiado. Eu sou o único deputado federal prejudicado com esse foro privilegiado. É essa questão, né? Eu sou réu no Supremo, pra quem sabe da história. Muita gente tá de saco cheio de saber da história”.
Mais adiante no vídeo, o atual presidente afirma: “Mas eu tenho que ficar ligado agora por quê? Na iminência de votar isso daí, olha o que é que eu tenho que fazer, hein! Eles já sabem disso, se é que eles vão tomar providência antes. Eu vou ter que renunciar [ao] meu mandato pra poder disputar as eleições no ano que vem. Porque, eu renunciando, o meu processo vai pra primeira instância. Daí, não dá tempo de eu ser condenado em primeira e em segunda instância, até por ocasião das eleições. Daí, eu posso disputar as eleições do ano que vem”.
UM PROBLEMA – No encerramento, completa: “Olha o problema que eu tenho pela frente. Lamentavelmente – minha assessoria pede pra eu falar isso, né? –, por um ministro que está a serviço do PT. Porque ele mesmo tem jurisprudência dizendo que tudo que acontece na Câmara, no tocante a palavras, opiniões e votos, o Supremo não tem nada a ver com isso”.
O comentário de Bolsonaro no vídeo de 2017 refere-se às duas ações penais que o STF abriu contra ele no ano anterior, tornando-o réu na Corte por suposta prática de apologia ao crime e por injúria. Isso porque, em 2014, o então deputado havia afirmado, na Câmara e em entrevista a um jornal, que a deputada Maria do Rosário não merecia ser estuprada por considerá-la “muito feia” e nem fazer seu “tipo”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O vídeo de pai e filho fez um sucesso enorme nesta quinta-feira, no Jornal Nacional, confirmando o velho ditado: “quem fala demais dá bom dia a cavalo…”. (C.N.)

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