terça-feira, maio 17, 2011

Mensalão: não há risco de prescrição, mas de absolvição - Parte I

“A situação dos réus do mensalão vai complicar e muito se o ex-presidente Lula for denunciado. Aí, a possibilidade deles serem condenados é grande”

Manoel Pastana*

A denúncia que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão o descreve como “uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude”. Considerando que, para fomentar o esquema criminoso com vultosos aportes financeiros, além da utilização da estrutura administrativa, foram editados atos normativos e legislativos, como uma medida provisória, dois decretos presidenciais e duas leis, não há como negar que o esquema criminoso é gigantesco, sendo verdadeira, portanto, a afirmação.

Dizem que a representação que fiz para que o ex-Presidente Lula seja incluído na ação penal que tramita na Suprema Corte atrasaria o processo e levaria à prescrição. Isso não é verdade. Consoante o artigo 117, inciso I, do Código Penal, o recebimento da denúncia interrompe a prescrição. Como se trata de causa de interrupção e não de suspensão, o prazo prescricional zera e começa a correr novamente pela totalidade. Assim, uma vez aditada a denúncia para incluir o ex-Presidente Lula, o recebimento da peça acusatória pela Suprema Corte interrompe a prescrição quanto a ele (Lula). E não haverá prejuízo em relação aos demais acusados. Explico a seguir.

Segundo a acusação que está no STF, os fatos delituosos iniciaram no ano de 2002, veja-se o que consta à fl. 11 da denúncia do mensalão: “Com efeito, todos os graves delitos que serão imputados aos denunciados ao longo da presente peça têm início com a vitória eleitoral de 2002 do Partido dos Trabalhadores no plano nacional (...)”. Considerando que a denúncia foi recebida em agosto de 2007, a próxima data importante para aferição prescricional será agosto de 2011. Nesta data, quatro anos terão passados da causa interruptiva (recebimento da denúncia), o que levará à prescrição os crimes punidos com pena máxima de até dois anos. No caso, apenas o crime de quadrilha que possui reprimenda cominada de um a três anos poderá ser abrangido pelo lapso prescricional.

Depois de agosto de 2011, a próxima data importante para a prescrição será agosto de 2015, quando terão passados oito anos do recebimento da denúncia. É que nos termos do artigo 109 do Código Penal, o cálculo do lapso prescricional acima de quatro anos é feito de quatro em quatro anos. Por exemplo, prescrevem em quatro anos os crimes com pena superior a um e que não ultrapassem dois anos; prescrevem em oito anos os crimes com pena superior a dois e que não excedam quatro anos; prescrevem em doze anos os crimes com pena superior a quatro e não superior a oito anos; prescrevem em dezesseis anos os crimes com pena superior a oito e que não extrapolem doze anos; prescrevem em vinte anos (maior prazo prescricional) os crimes com pena máxima superior a doze anos.

Com efeito, como até agosto próximo não há tempo para julgar e publicar o acórdão, os crimes com pena máxima de até dois anos fatalmente serão abrangidos pela prescrição, no caso, provavelmente será alcançado o crime de quadrilha (pena de 1 a 3 anos), pois dificilmente seria aplicada a pena máxima. A partir de agosto de 2011, a próxima data importante será agosto de 2015, quando o lapso prescricional de oito anos atingirá os crimes punidos com pena superior a dois e não superior a quatro anos. Ressalte-se que os demais delitos imputados aos acusados têm penas elevadas como, por exemplo, a corrupção ativa tem pena de 2 a 12 anos; lavagem de dinheiro, reclusão de 3 a 10 anos; peculato, 2 a 12 anos etc.

Assim, caso seja aditada a denúncia para incluir Lula no processo, interrompe-se a prescrição em relação a ele e pouca influência terá quanto a outros acusados, pois a próxima data relevante para estes, com ou sem Lula, será 2015, quando a prescrição alcança os crimes punidos com pena não superior a quatro anos e até tal data (2015) há tempo suficiente para concluir a instrução processual, pois, caso Lula seja denunciado, será necessário praticar apenas atos processuais complementares em relação aos outros acusados.

Por outro lado, sem a presença do ex-Presidente Luiz Inácio na ação penal que corre no STF, a absolvição dos apontados como líderes da organização criminosa é certa. No meu livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República, antecipo a absolvição de José Dirceu e de outros apontados como líderes, justamente porque não se tem como chegar neles, uma vez que não praticaram atos materiais (tudo indica que são autores intelectuais). Quem praticou atos materiais foi o ex-Presidente Lula, mas, como ele não foi acusado, não se tem como alcançar os prováveis autores intelectuais do engenhoso esquema criminoso, pois estes não deixaram rastros. Assim, apenas integrantes braçais da quadrilha que deixaram pistas serão punidos, brandamente.

Se antes eu estava convencido de que o ex-presidente Lula deveria ser denunciado, agora o meu convencimento é ainda maior. Isso se deve à ação de improbidade administrativa, ajuizada no dia 15 de janeiro deste ano, cujo processo (nº 7807-08.2011.4.01.3400) tramita na 13ª Vara Federal, Seção Judiciária do Distrito Federal e tem o ex-presidente Lula e o ex-ministro da Previdência Amir Lando como réus.

Fiz a representação com base nos elementos probatórios presentes na ação de improbidade, que expressamente mostram fatos delituosos que teriam sido praticados pelo ex-presidente e que têm conexão (relação direta) com os fatos apurados na ação penal do mensalão. Por isso, deve ser apurada a responsabilidade criminal (a responsabilidade civil e administrativa está sendo apurada na ação de improbidade) na ação penal que tramita no STF para que a prova não seja pulverizada e resulte em impunidade.

Há quem diga que a defesa seria beneficiada com a demora do processo em decorrência do aditamento da denúncia para incluir Lula na ação penal. Ocorre que, como dito antes, a inclusão não trará benefício aos demais acusados, quanto à prescrição. De mais a mais, mormente as defesas dos apontados como líderes, sabem que a absolvição deles é certa, pois não deixaram vestígios probatórios; logo, quanto mais rápido julgar o processo, melhor para eles, inclusive, já comemoravam antecipadamente. A situação deles vai complicar e muito se o ex-presidente Lula for denunciado. Aí, a possibilidade de serem condenados é grande; caso contrário, a absolvição é certa.

Leia também:

Procurador gaúcho responsabiliza Lula por mensalão

Leia a representação contra Lula na íntegra

*Procurador da República no Rio Grande do Sul, autor do livro
De Faxineiro a Procurador da República, autor da representação contra o ex-presidente Lula para incluí-lo como um dos réus no processo do mensalão

Fonte: Congressoemfoco

STF nega pedido de liberdade de Cesare Battisti

Agência Estado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes negou nesta segunda-feira, 16, o pedido de liberdade do ex-ativista italiano Cesare Battisti. Preso desde março de 2007, Battisti aguarda na penitenciária da Papuda, em Brasília, o fim dos embates jurídicos em torno do pedido de sua extradição para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua por envolvimento em quatro assassinatos na década de 1970.

Battisti permanecerá preso até que o STF julgue a reclamação da Itália feita após a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia de seu mandato, de não entregar o ex-ativista para as autoridades italianas. O STF havia anulado o ato do governo brasileiro de reconhecer o status de refugiado de Battisti e, depois disso, autorizou sua extradição.

Essa decisão do STF, no entanto, deixava para o presidente da República a última palavra sobre a entrega de Battisti. O governo italiano contesta a decisão de Lula, argumentando que violaria o julgamento do STF e o tratado de extradição firmado entre o Brasil e a Itália. Até que esse assunto não seja julgado, Battisti permanecerá preso.

Na semana passada, a defesa de Battisti voltou a pedir sua liberdade depois que o Ministério Público encaminhou parecer ao STF contrário ao pedido feito pelo governo italiano. Por um erro na distribuição do pedido, Battisti ficou mais próximo de ser solto. A petição foi distribuída para o ministro Marco Aurélio Mello. Internamente, o ministro critica a manutenção de Battisti na prisão. A expectativa na semana passada, em razão dessas críticas, era de que Marco Aurélio soltaria Battisti.
Fonte: A Tarde

Atentado põe juízes e promotores em alerta

Franco Adailton e Valmar Hupsel Filho

O atentado ao promotor de Justiça, Paulo Gomes Júnior, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais (Gaeco), do Ministério Público da Bahia (MP-BA) acendeu alerta para a insegurança a que são submetidos promotores, procuradores e juízes que atuam no combate ao crime.

Após ter o carro alvejado por quatro disparos, na noite do último dia 7, nas proximidades do Hospital Sarah, Gomes está em local mantido sob sigilo e incomunicável.

Não há estatísticas oficiais sobre números de ataques sofridos por estas categorias, mas, de acordo com a presidente da Associação dos Magistrados da Bahia, Natir Dantas, entre cinco e 10 casos de ameaças a magistrados são registrados por ano no Estado. “A situação é mais preocupante para quem trabalha com questões criminais e nas comarcas do interior”, disse.

O cenário também é complicado para os juízes federais, de acordo com o presidente da Associação Nacional (Ajufe), Gabriel Wedy. Segundo ele, os números oficiais, de que pelo menos 50 juízes federais registraram ameaças nos últimos três anos, não refletem a realidade. “Todos os juízes federais no Brasil, são cerca de 500, correm risco porque não há segurança específica”, afirma.

Polícia Judiciária - Diante do cenário, a Ajufe se empenha na aprovação do PL3/2006, projeto de lei que prevê a criação da Polícia Judiciária e a implantação de um órgão colegiado, formado por três magistrados, para diluir a responsabilidade por sentenças contra o crime organizado e quadrilhas de traficantes de drogas.

Convênio - Em entrevista a A TARDE, na tarde de segunda-feira, 16, o titular da 2ª Vara Sumariante do Júri, Ernani Garcia Rosa, e o promotor de justiça David Gallo Barouh foram unânimes: não existe programa especial de proteção para a categoria.

“Embora haja esforços da atual gestão do Tribunal de Justiça, que está a cargo da desembargadora Telma Brito, nós, magistrados, dependemos de um convênio com a Polícia Militar, que não é o suficiente para garantir a segurança do nosso local de trabalho”, disse o juiz.

“Infelizmente, a desembargadora encontra-se no limite prudencial da responsabilidade fiscal”, lamentou Ernani Garcia Rosa ao se referir às restrições orçamentárias da instituição.

Já o promotor David Gallo é enfático quanto à inexistência de segurança pessoal para os magistrados. “Nossas instituições não dão proteção nenhuma”, disparou. “Quando acontece alguma coisa, o Estado providencia um paliativo que dura, no máximo, dois meses. Vai ser preciso morrer gente para tomarem uma medida mais eficaz”, acrescentou.

Com apenas um policial militar, na entrada do Fórum Rui Barbosa, em Nazaré, na segunda, à tarde, o juiz dirigiu-se até a porta do gabinete dele, para mostrar o corredor, onde ele afirma transitar parentes de vítimas e de acusados em dias de julgamento. “Não tenho banheiro na sala. Para ir ao sanitário, preciso passar entre eles. O que já é um risco, por que, a qualquer hora, posso sofrer um atentado”, reclamou. “Aqui, eu lido com crimes de mando, crimes passionais, crimes envolvendo policiais”, enumerou.

Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde desta terça-feira, 17

Concursos públicos à vista!

Thiago Pereira

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), Alan Botelho não pensou duas vezes antes de se afastar de uma carreira na área de comunicação para tentar a vida como servidor público. Em pouco mais de um ano, participou de oito concursos.

O último foi o dos Correios, realizado no domingo passado e que contou com 1.120.393 inscritos, média de 121 concorrentes para cada uma das 9.190 vagas de nível médio e superior.

Somente na Bahia, foram quase 100 mil pessoas na disputa por pouco mais de 300 vagas. Uma equação assustadora que comprova o número cada vez maior de interessados na estabilidade oferecida pela carreira pública.

“Fiz concursos para trabalhar na UFBa, na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e agora nos Correios. Escolhi a vida pública porque ela oferece segurança e muitos benefícios.

Não descartei voltar ao jornalismo, mas nesse momento o mercado de comunicação não me parece atraente. Hoje, acho os concursos públicos a melhor opção”, disse Botelho, que atualmente é concursado da Caixa.

Segundo Jossílvio Pena, professor de matemática e proprietário do Curso Opção, esse é o caminho natural não só para quem conclui o nível superior, mas também para quem possui nível médio e já está empregado. “No comércio, se enfrenta o risco do desemprego que não existe na carreira pública. Por isso ela é cada vez mais procurada pela classe C.

O salário mais baixo oferecido no concurso dos Correios é de R$ 807,29 mais um vale alimentação de R$600 e benefícios como um plano de saúde que engloba toda a família. Qual o funcionário de loja que tem isso hoje? Por essa razão a vida pública é cada vez mais procurada”, afirmou.

Conforme Pena, além de salário, benefícios e estabilidade, a carreira pública proporciona a possibilidade de crescimento educacional e profissional, o que a torna ainda mais atrativa. “Quem trabalha na Guarda Municipal tem grandes descontos nas universidades particulares de Salvador.

Muita gente faz o concurso só por causa disso. Quem passa na seleção, geralmente trabalha durante um tempo, faz uma faculdade e migra para outra área. Por isso é que vão abrir um concurso para 1200 novos guardas. Quem trabalhava lá saiu porque passou em outros concursos ou porque achou oportunidade melhor em outra profissão.

Acho que nos Correios vai ser a mesma coisa. Uma espécie de trampolim para quem quer participar de seleções públicas com salários melhores” pontuou o professor.

Outra questão que torna o serviço público encantador para boa parte da população brasileira é que muitos editais não exigem experiência anterior, assim como aceitam candidatos de idade avançada e não diferenciam os concorrentes por sexo.

Eventualmente, alguns concursos exigem a realização de provas de habilidades específicas ou testes físicos. No entanto, mesmo essas seleções possuem grande procura, principalmente por jovens que nunca trabalharam e por pessoas mais velhas que já não encontram espaço no mercado de trabalho.

Dicas

De acordo com Pena, um dos melhores conselhos que podem ser dados para quem planeja fazer concurso público é focar em uma só área.

“Não adianta estudar direito constitucional, matemática financeira e vários outros assuntos para sair fazendo todos os concursos que aparecerem pela frente. Sempre recomendo aos meus alunos a, primeiro, estudar muito português e matemática, porque é fundamental em qualquer prova. Depois, eles devem escolher no que querem trabalhar para montar um plano de estudos. Se especializar.

Não adianta o cara devorar livros sobre conhecimentos bancários e fazer provas para o Tribunal Regional Eleitoral. Vai ser um desperdício de dinheiro e tempo.

É como eu digo, não há como ser um bom goleiro quando se treina para jogar como zagueiro ou atacante”. Outra dica é começar a preparação antes mesmo do anúncio do concurso.

“Não é bom que o candidato deixe para estudar quando lançam o edital. O tempo é muito curto. Ele deve sempre se preparar antecipadamente”, pontuou Jossílvio Pena.

Principais concursos abertos na Bahia

Polícia Militar - O concurso oferece 120 vagas em cargos de nível médio, das quais 108 são para candidatos do sexo masculino e 12 para o sexo feminino.

As inscrições serão realizadas exclusivamente pela internet, por meio do endereço eletrônico www.concursopm.uneb.br e www.consultec.com.br até o próximo domingo. A taxa de inscrição será de R$ 95 e a prova será aplicada no dia 03 de julho.

Universidade Federal da Bahia - O concurso oferece 42 vagas de nível médio para o cargo de Assistente em Administração. O salário é de até R$ 1.821,94.

As inscrições estarão abertas no período entre 24 de maio e 08 de junho de 2011, no site www.concursos.ufba.br. A taxa de inscrição é de R$ 45. As provas serão realizados na UFBa, no dia 17de julho de 2011.

Dataprev – A empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social abriu concurso público para formação de cadastro de reserva.

A seleção oferece 2007 vagas em todo país para cargos de nível superior. O salário é de até R$ 4.880,50, com carga horária de 30 a 40 horas semanais. As inscrições poderão ser realizadas via internet, no endereço eletrônico www.quadrix.org.br até o dia 06 de junho de 2011. O valor da taxa de inscrição é de R$ 60,00.

Escola Naval da Marinha - O concurso da Marinha oferece 30 vagas de nível médio. As inscrições poderão ser feitas pelo site www.ensino.mar.mil.br, entre os dias 30 de maio e 28 de junho. A taxa de inscrição é de R$ 55,00. As provas serão realizadas nos dias 24 e 25 de setembro.

Fonte: Tribuna da Bahia

A necessidade da transparência

Carlos C hagas

Prestar consultoria não é crime. Pelo contrário, trata-se de um dos pilares do capitalismo. Empresas interessadas em ampliar seus negócios recorrem rotineiramente a consultores especializados nos meandros das novas atividades a que pretendem dedicar-se. Ou na sedimentação das velhas.

Depois de deixar o ministério da Fazenda e mesmo antes de reeleger-se deputado, Antônio Palocci dedicou-se a prestar consultoria a quem procurasse sua recém-criada firma. José Dirceu fez a mesma coisa, até viajando ao exterior para atender clientes.

Ganharam muito dinheiro, os dois. Só eles? Nem pensar. O que há de consultores faturando pelo país inteiro daria para lotar um estádio de futebol em dia de clássico.

Torna-se necessário, porém, para os consultores e seus contratantes, praticar a transparência. Se é um negócio lícito como qualquer outro, convém não misturar passado e presente, para não turvar o futuro.

Nos tempos do regime militar, era comum empresas grandes e pequenas contratarem um general, almirante ou brigadeiro recém-transferidos para a reserva para ajudá-los em suas relações com o poder. Criaram-se as figuras dos “abridores de porta”, que por suas relações anteriores com os governantes obtinham rapidez e facilidades para os pleitos de seus empregadores. Coisa feia que gerou até a cassação de um senador, pelo general Ernesto Geisel, só porque o indigitado representante de Pernambuco aconselhou um amigo a “contratar também o seu general”.

No universo dos negócios a moda envolveu antigos ministros e altos funcionários do governo que, passado seu tempo na administração pública, logo fundavam bancos e financeiras, muitos para faturar relacionamentos anteriores e informações privilegiadas que traziam, como aconteceu nos anos do sociólogo.

No governo Lula, as coisas ficaram mais objetivas, como demonstram os casos de Palocci e Dirceu. Desligados de antigas funções na Fazenda e na Casa Civil, a lei não os impediu de prestar serviços a empresas e empresários. Enriqueceram. O problema é saber a quem serviram, num caso, e ainda servem, no outro. E como. A que tipo de consultoria dedicaram-se ou se dedicam? Abrir portas ou colocar sua experiência e capacidade à disposição de quem delas necessite? Não se trata de terem agido assim enquanto ministros. A ninguém será dado supor comportamento tão distorcido.

Só que tendo em vista a proximidade entre as duas atividades, de conduzir a administração, antes, e de orientar iniciativas junto a atuais administradores, depois, o natural é que os dois consultores e a infinidade de outros espalhados pelo país abram seus contratos. Demonstrem haver trabalhado com ética nas novas funções, sem entrelaçar relacionamentos e conhecimento privilegiado de que dispunham para embasar negócios atuais de que vão dispor seus clientes. Feito isso, tudo bem. Caso contrário, melhor tomar cuidado…

FUSÃO INVIÁVEL

O senador Aécio Neves não confirma a informação de que pretende reunir PSDB, DEM e PPS num só partido. Deseja, é claro, que essas três legendas, e outras possíveis, venham a embasar sua candidatura à presidência da República em 2014. Mas reuni-las numa sigla única equivaleria a criar mais problemas do que a encontrar soluções. Tome-se o PPS, por exemplo.

Já não foi fácil trocar a histórica denominação de Partido Comunista Brasileiro pela de Partido Popular Socialista. Misturar-se à social-democracia já constitui milagre digno da santificação de João Paulo II, pois de socialista o PSDB só possui o “S”, mergulhado que anda no neoliberalismo. Mas conviver num Diretório Nacional com o DEM equivaleria a convocar Glauber Rocha para a segunda fase do “Deus e o Diabo na Terra do Sol”.�

Quanto aos hoje liderados pelo senador José Agripino, a mesma coisa. Artífices da Frente Liberal, depois de cultores da ditadura militar, precisam manter sua identidade a qualquer custo.�

Acresce que o PSDB entra nessa fusão como o leão que repartia uma carcaça com seus aliados. A sigla tem que continuar, isto é, fusão não será a proposta, mas incorporação. Da mesma forma, a direção do novo partido terá que permanecer em mãos de seus líderes atuais. Em suma, faz bem o ex-governador de Minas em saltar de banda diante da falsa simbiose.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Alguém conseguiu assistir até o final o programa “Canal Livre”, que entrevistou o general Augusto Heleno?

Carlos Newton

O comentarista Carlo Germani enviou uma mensagem à Tribuna da Imprensa, criticando durante a tão esperada entrevista do General Augusto Heleno, o único chefe militar que nos últimos anos teve coragem de defender as Forças Armadas brasileiras, que estão num processo de flagrante decadência, sem recursos e sem equipamentos para desempenhar a contento suas obrigações.

Disse Germani: “Tratando-se da Band, a incompetência é a marca principal. Quem viu o Canal Livre de domingo, com o General Heleno, percebeu que se tivesse um time de entrevistadores competentes, muito poderia dizer o entrevistado. A vaidade de Fernando Mitre não tem limites. Nunca deixa o entrevistado expressar a sua fala, é insistente em interrupções. Não é à toa que o tradicional programa só dá “traço” em audiência.”

Quanto a mim, que anunciei entusiasticamente aqui no blog a realização do programa, quero confessar que não aguentei. Depois dos primeiros 15 minutos, em que nada foi perguntado e nada foi respondido, caí no sono com a televisão ligada e tudo o mais.

Se alguém conseguiu assistir até o final, por favor nos informe se perguntaram alguma coisa que prestasse ao general e se ele disse alguma coisa que prestasse.

Fonte: Tribuna da Imprensa

PF prende 58 por desvios na saúde; 6 são presos no PR

Além do Paraná, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia são alvo da ação da Polícia Federal

16/05/2011 | 10:01 | Fernanda Leitóles e Agência Estado atualizado em 16/05/2011 às 18:27

Seis pessoas foram presas no Paraná em uma operação contra fraudes em licitações para a compra de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), na manhã desta segunda-feira (16). A ação foi desencadeada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Os mandados de prisão no estado foram cumpridos em Santa Helena, São Mateus do Sul, Agudos do Sul e Ventania. A PF cumpriu ainda um mandado de busca e apreensão na sede da prefeitura de Matinhos, no litoral do Paraná. Todos os mandados no Paraná já foram cumpridos.

Além do Paraná, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia são alvo da operação da PF. No total, são 64 mandados de prisão e 58 deles foram cumpridos, de acordo com informações do balanço da PF divulgado no fim da tarde desta segunda. Foram 25 no Rio Grande do Sul, seis no Paraná, três em Santa Catarina, 18 no Mato Grosso, seis no Mato Grosso do Sul e uma em Rondônia. Dentre os investigados, 30 servidores públicos municipais já foram presos e três estão foragidos. Outros três investigados ligados às empresas também estão sendo procurados. Todos os 70 mandados de busca emitidos foram cumpridos.

Segundo a PF, os investigados atuavam no desvio de verbas públicas destinadas pelo Governo Federal para a compra de medicamentos por prefeituras. Os remédios deveriam ser distribuídos entre as populações carentes.

A assessoria de imprensa da prefeitura de Matinhos informou que os documentos apreendidos estavam relacionados com a compra de medicamentos e as licitações feitas no município. As primeiras informações da prefeitura davam conta de que a PF apreendeu documentação da gestão de 2005-2009 e também da atual.

Esquema

Empresas suspeitas de participar do esquema venciam licitações para a compra de medicamentos e insumos oferecendo preços baixos e cometiam irregularidades na entrega dos produtos.

Entre as irregularidades constatadas nas investigações da PF e da CGU estavam a entrega de quantidade menor do que a descrita na nota fiscal, entrega de medicamentos com a data de validade quase esgotando e a emissão de notas ficais que depois eram anuladas. Essas notas estavam sem os carimbos dos postos fiscais e com preços superfaturados, de acordo com a CGU.

As investigações demonstraram que havia servidores municipais envolvidos no esquema e que, em muitas vezes, não houve controle do estoque nas farmácias das prefeituras. Segundo a PF, entre os presos, 12 eram secretários municipais (fazenda, finanças e saúde) e, no total, 34 servidores públicos municipais. Eles devem responder pelos crimes de corrupção ativa, passiva, fraude de licitações, formação de quadrilha e peculato, e possível lavagem de dinheiro. Segundo a PF, foram desmontadas três organizações criminosas que concentravam sua atuação no município gaúcho de Barão de Cotegipe e mais de 15 empresas estabelecidas no ramo de distribuição de medicamentos.

Em 22 municípios foram constatadas irregularidades, em 2009 e 2010, porém não foram citados quais eram eles. O prejuízo aos cofres públicos chega a R$ 3 milhões. Apenas um dos grupos investigados, movimentou, em verbas federais, R$ 40 milhões em 2009 e R$ 70 milhões em 2010.
Fonte: Gazeta do Povo

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Ações até 2009 têm atrasados maiores

Carolina Rangel e Luciana Lazarini
do Agora

Os segurados que entraram com uma ação contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) até 30 de junho de 2009 terão direito a receber atrasados (diferenças não pagas nos últimos cinco anos) com correção e juros maiores se o pedido for aceito na Justiça. Em 2009, uma lei diminuiu a correção e os juros dos atrasados, afetando quem recebeu a grana após essa data.

O aumento foi garantido pelo TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), que atende São Paulo e Mato Grosso do Sul, em decisões publicadas neste mês. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) tem o mesmo entendimento.

Para os juízes, quem entrou com uma ação até 2009 não deve ser prejudicado por uma nova lei, mesmo se receber os atrasados após a mudança. A decisão da Justiça de São Paulo beneficia os segurados que ainda não tiveram a sua ação finalizada. Ou seja, quem já recebeu os atrasados não terá direito a receber as diferenças, segundo especialistas.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça,

segunda-feira, maio 16, 2011

Náufrago da Utopia: A ENTREVISTA COM CESARE NA "PAPUDA", DOIS ANOS DEPOIS

Náufrago da Utopia: A ENTREVISTA COM CESARE NA "PAPUDA", DOIS ANOS DEPOIS: "– Enviado usando a Barra de Ferramentas Google"

Manchetes dos jornais: Palocci multiplica seu patrimônio por 20 em 4 anos

FOLHA DE S. PAULO

Palocci multiplica seu patrimônio por 20 em 4 anos
Semanas antes de assumir o cargo mais importante do governo Dilma Rousseff, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) comprou um apartamento de luxo em São Paulo por R$ 6,6 milhões.
Um ano antes, Palocci adquiriu um escritório na cidade por R$ 882 mil. Os dois imóveis foram comprados por uma empresa da qual ele possui 99,9% do capital.
Em 2006, quando se elegeu deputado federal, Palocci declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio estimado em R$ 375 mil, em valores corrigidos pela inflação. Ele tinha uma casa, um terreno e três carros, entre outros bens.
Com o apartamento e o escritório, Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio nos quatro anos em que esteve na Câmara -período imediatamente posterior à sua passagem pelo Ministério da Fazenda, no governo Lula.
Nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado, Palocci recebeu em salários R$ 974 mil, brutos.
A quantia é insuficiente para pagar os dois imóveis que ele adquiriu. Os dois já foram quitados, de acordo com documentos aos quais a Folha teve acesso.
Procurado pela reportagem, Palocci disse que as compras foram feitas com recursos da sua empresa, a Projeto Administração de Imóveis. O ministro da Casa Civil não quis identificar seus clientes nem informou o faturamento da empresa.
Palocci abriu a Projeto com sua mulher, Margareth, no dia 21 de julho de 2006, duas semanas depois de encerrado o prazo que tinha para entregar sua relação de bens à Justiça Eleitoral. Por esse motivo, a empresa não apareceu na declaração.
Segundo os registros da Junta Comercial, a Projeto foi criada como consultoria e virou administradora de imóveis dois dias antes de Palocci chegar à Casa Civil. O ministro disse que os dois imóveis que comprou são os únicos que a Projeto administra.
A empresa tem como sede o escritório que Palocci comprou antes do apartamento.
Ele foi adquirido em 11 de dezembro de 2009 e fica num prédio na região da avenida Paulista, uma das áreas mais valorizadas da capital.
O apartamento fica perto dali, nos Jardins, bairro nobre da zona sul. Ocupa um andar inteiro do edifício, tem quatro suítes e 502 metros quadrados de área útil, mais cinco vagas na garagem.
Palocci comprou o apartamento direto da construtora e pagou o imóvel em duas parcelas, uma de R$ 3,6 milhões e outra de R$ 3 milhões.
A propriedade foi registrada no nome de sua empresa em 16 de novembro de 2010.
Segundo vizinhos, Palocci mora atualmente no apartamento. Os moradores do prédio pagam taxa de condomínio de R$ 3.800 mensais.

Funcionária diz não saber o que empresa faz
A empresa que o ministro Antonio Palocci usou para registrar as duas propriedades que adquiriu nos últimos dois anos é hoje, no papel e segundo o próprio ministro, uma administradora de imóveis. Mas nem a única pessoa que atende o telefone diz saber a atividade do escritório.
A Folha foi duas vezes à sede da Projeto, na região da avenida Paulista, em São Paulo. Mas encontrou a sala fechada, sem placa na porta nem identificação na recepção do edifício onde fica.
A reportagem também telefonou para a empresa em duas oportunidades. Na primeira, uma funcionária que se identificou apenas como Rita disse que não saberia explicar o que a empresa faz nem o que fez no passado.
Na segunda vez, a mesma mulher disse que a empresa ""não faz administração de imóveis" e acrescentou: "No momento, a gente não está trabalhando com essa prestação de serviço". Indagada sobre qual seria então a atividade da empresa, ela afirmou que não poderia ajudar.

Rendimento de consultoria pagou imóveis, diz Palocci
O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, disse que os dois imóveis registrados em nome da Projeto foram adquiridos com recursos que sua empresa recebeu no período em que atuou como consultoria, quando ele exercia o mandato de deputado.
Em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa, o ministro disse que informou a existência da empresa e das suas propriedades ao órgão de controle interno da Presidência da República.
"Tais informações foram registradas junto à Comissão de Ética Pública da Presidência quando da nomeação do ministro", afirma a nota.
Com o fim das atividades de consultoria, a atribuição da Projeto passou a ser "a administração dos dois imóveis registrados na Junta Comercial", diz a nota do ministro.

Somos aliados, não subservientes ao PT, diz Eduardo Campos
Neto do governador Miguel Arraes (1916-2005), o governador pernambucano Eduardo Campos tem um discurso calculado e conciliador. Aos 45 anos, preside o Partido Socialista Brasileiro, o que mais cresceu nas últimas eleições. Reeleito com 83% dos votos, ele agora está nos comerciais do partido em rede nacional.
Diz que não está em campanha para a Presidência. Promete apoiar Dilma Rousseff em 2014 e afirma não está se descolando do PT. "Não há como descolar o que não está colado."
Nesta entrevista ele se declara preocupado com a economia e faz uma avaliação da cena política.
O sr. é candidato à Presidência em 2014?
Eduardo Campos - Não. O cenário para 2014 aponta como natural a candidatura à reeleição da presidente Dilma. Estamos no projeto dela. Fizemos uma aliança estratégica com o PT, mantendo nossa identidade. Nunca tivemos uma posição subserviente. Essa posição fez o PSB crescer. Fomos o partido que mais cresceu nas últimas eleições. Não temos por que alterar esse rumo estratégico. Na política não tem fila.
Mas há a avaliação de que a sua campanha que está no ar significa um descolamento da presidente. O sr. fala em novo caminho pra o país.
Não há como descolar o que não está colado. Temos uma aliança política, mas temos identidades próprias. O Brasil foi caminhando, conquistamos a democracia, a Constituição, direito a ter regras estáveis, a estabilidade econômica, agora a causa da sustentabilidade, a responsabilidade fiscal. O governo do PSDB ajudou com a estabilidade fiscal. O governo Lula ajudou colocando o dedo na desigualdade. No PSB queremos ser uma opção para governar cidades, Estados.

Marcos Nobre: PT se torna 'síndico' de condomínio do PMDB
Herança da polarização criada pela ditadura militar, o PMDB fez de sua eterna permanência no poder a condição da política brasileira na era democrática. Antigo eixo de transformações sociais, o PT aderiu a essa lógica com o escândalo do mensalão, tornando-se "síndico" do condomínio peemedebista, essencialmente conservador.

PSDB quer candidatura própria no Rio
Depois de perder representatividade no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa, nas prefeituras e câmaras municipais entre 1994 e 2010, o PSDB decidiu que o caminho para a recuperação passa por uma candidatura própria à Prefeitura do Rio no ano que vem.
Apesar de viver uma crise em São Paulo, o partido detém a hegemonia no poder do maior Estado do país. Nacionalmente, discute o melhor modelo de oposição, mas não vê ameaçada sua posição de polo anti-PT.
No Rio, no entanto, terceiro maior colégio eleitoral do país, o partido está muitas casas atrás: luta para recuperar a relevância que teve na época do ex-governador Marcello Alencar (1995-1998).

Petrobras ignora lei que regula gastos com publicidade
Dona do maior orçamento de publicidade do governo, a Petrobras ignora lei que estabelece transparência com esse tipo de gasto.
Com R$ 375 milhões neste ano para aplicar em propaganda, a estatal não cumpre a lei 12.232/2010, que determina a divulgação mensal das despesas e dos veículos beneficiados.
Essa lei, aprovada em abril de 2010, estabelece que cada órgão do Poder Executivo divulgue na internet dados relativos à execução contratual, com a publicação dos nomes dos fornecedores e veículos beneficiados com as verbas de publicidade.
Em nota, a Petrobras disse que "a página com as informações sobre os contratos de publicidade está em elaboração e em breve estará acessível", mas não esclareceu o motivo da demora.
Na Esplanada dos Ministérios, a prática também é recorrente. Os contratos somam R$ 479,5 milhões, mas apenas Educação e Turismo -com orçamentos anuais de R$ 18,5 milhões e R$ 40 milhões, respectivamente- cumprem a regra. O valor dos contratos de conhecimento público equivale, assim, a apenas 12% do total.
O valor desses contratos não considera os convênios da Secom (R$ 150 milhões), que coordena as ações de publicidade de todo o governo e que vem cumprindo a lei, nem as verbas publicitárias das estatais.

'Se eu tivesse matado, sairia antes', diz Rocha Mattos
Ex-policial, ex-procurador, ex-juiz e ex-preso, João Carlos da Rocha Mattos, 62, completa hoje 43 dias em regime aberto. Processado na Operação Anaconda sob acusação de venda de sentenças, cumpriu pena de cinco anos no regime fechado e dois no semiaberto. Pai de cinco filhos, está no quarto casamento. Trabalha em escritório de advocacia e quer um novo registro na OAB.
“A prisão me prejudicou, mas não me matou. Nela, aprendi a conviver com as limitações e tive uma experiência que ninguém tira.”
“É difícil esquecer, não passei por lavagem cerebral e meus juízos estão intactos.”
“Mas cumpri o que foi determinado pela Justiça e lutei para diminuir a pena.”
“Agora a gente tem que ir para frente, não adianta ficar com raiva. Não vou dizer que você fica contente na prisão, amigo de todo mundo.”
“A situação do processo me fez criar inimigos, mas foram de momento. Obviamente não frequento festas com as pessoas da magistratura. Não seria bem-vindo e não me sentiria bem.”

Espionagem rouba por ano R$ 1,5 bilhão das empresas
Dois empresários se encontram para uma reunião. Esvaziam os bolsos, deixam iPads e iPods num armário, passam por uma espécie de raio-X e entram numa sala sem janelas e com isolamento térmico e acústico.
O que parece roteiro de ficção ganha sentido quando se revela que as empresas do país perdem por ano quase R$ 1,5 bilhão com espionagem empresarial. Em 2010, a atividade movimentou R$ 1,1 bilhão.

O ESTADO DE S. PAULO

BNDES já liberou R$ 1,9 bi para Copa
Mais da metade dos financiamentos programados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para reforma ou construção de estádios da Copa do Mundo de 2014 já foi contratada, apesar de denúncias de irregularidades nos projetos.
A assinatura dos contratos representa a conclusão da última fase de análise dos pedidos de financiamento. Mas, no caso dos financiamentos da Copa, alguns foram assinados sob condição de saneamento de irregularidades.
Até agora, o banco público assinou contratos para liberar R$ 1,9 bilhão dos R$ 3,7 bilhões previstos na carteira de financiamentos batizada de ProCopa Arenas.
A Arena Amazônia, em Manaus, por exemplo, teve as obras iniciadas em julho do ano passado, com a demolição da estrutura de concreto do antigo estádio.
Na ocasião, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) constatou deficiências no projeto básico. Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou problemas na licitação e preços acima dos de mercado.
O empréstimo foi aprovado, mas a liberação de dinheiro do BNDES para a obra está suspensa, informou o procurador Athayde Ribeiro Costa, que participa do grupo de trabalho do Ministério Público Federal (MPF) encarregado de acompanhar as obras da Copa. "O BNDES vem trabalhando em sintonia com a orientação do Ministério Público e, se houver irregularidade grave, vamos bloquear os repasses", disse Costa.
De acordo com o banco, trata-se de uma praxe nas operações impor condições para a liberação dos recursos.

Obras enfrentam atrasos e aumentos pesados nos custos
Os preços das arenas da Copa do Mundo já aumentaram, em comparação aos custos previstos em documento assinado pelos responsáveis pela realização do evento, em janeiro de 2010. Em um dos casos, o preço das obras mais do que dobrou, de acordo com análise do Tribunal de Contas da União (TCU).
A Arena Fonte Nova, em Salvador, custaria R$ 591,7 milhões, segundo a previsão original. Mas o contrato de parceria público privada (PPP) assinado prevê que o governo do Estado da Bahia pagará prestação anual de R$ 107 milhões durante 15 anos aos parceiros privados - OAS e Odebrecht -, o que equivaleria a R$ 1,6 bilhão.
Essa foi uma das irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas do Estado antes da contratação do financiamento de R$ 323,7 milhões do BNDES para o empreendimento.

Fifa dá ultimato a São Paulo para receber abertura
A abertura da Copa do Mundo de 2014, prevista para o Itaquerão, está a um passo de ser realizada no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Seria assim a terceira derrota de São Paulo nos últimos meses, relacionada ao evento: já perdeu o Morumbi e a Copa das Confederações (evento-teste para o Mundial). Uma alta fonte do governo federal revelou ao Estado que a situação da cidade é crítica no que diz respeito à pretensão de abrigar o jogo inaugural do Mundial de 2014. A Fifa, por sua vez, não se conforma com os sucessivos adiamentos do início das obras no futuro estádio do Corinthians e já fez chegar ao governo do Estado que não vai tolerar novos atrasos no Itaquerão.
Primeiro, as obras na arena corintiana começariam em janeiro. Depois, o prazo pulou para março, duas datas diferentes em abril, maio, e, agora, a última promessa é de que sejam iniciadas em junho.

O ''guia'' da presidente para decifrar o PT
Eram 21 horas de quarta-feira quando o estridente celular de um dirigente do PT tocou forte, no Salão Verde da Câmara dos Deputados.
O assunto em discussão era o polêmico Código Florestal, mas o dono do telefone estava interessado em outro tipo de ocupação.
"Você conversou com o Gilberto?", perguntou o petista ao interlocutor. "Conseguiu passar a nossa insatisfação com essa questão dos cargos?"
O "Gilberto" mencionado na conversa reservada era o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. No Palácio do Planalto, ele é conhecido como "nosso guia", o homem do "freio de arrumação".
Nos últimos dias, Carvalho atuou para acalmar a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, enquadrou companheiros de partido e distribuiu broncas.
Ex-seminarista que largou tudo para viver a experiência de Jesus entre os pobres, ele morou dez anos numa favela de Curitiba - onde se casou em festa regada a Ki-Suco - e hoje é o ministro que faz a ponte entre o governo de Dilma Rousseff e o PT.

Rebeldes do PMDB se unem para tomar o poder de Sarney e Renan
Antes reduzida a três rebeldes geralmente ignorados pela cúpula do PMDB no Senado - Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Mão Santa (PI), que não foi reeleito -, a bancada dos contrariados da sigla ganhou adeptos com a posse do novo Congresso e não parou de crescer. Ela se amplia a cada dia, por conta de questões regionais e dos problemas na relação com o governo e com o PT, embora o alvo principal seja a cúpula do Senado.
Hoje, os insatisfeitos e independentes são majoritários no PMDB. Somam uma dezena entre os 18 senadores peemedebistas, o que pode complicar a vida do Palácio do Planalto, mesmo estando a mira voltada para a dupla que comanda a Casa e a liderança do partido: José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). A atuação desse grupo deve ficar mais clara a partir da votação do Código Florestal, que terá como relator no Senado o independente Luiz Henrique da Silveira (SC).

Projeto de Temer frustra plano de Kassab em SP
Os movimentos de reconstrução do PMDB paulista feitos pelo vice-presidente da República, Michel Temer, na semana passada, causaram um revés nos projetos do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
A caminho da fundação de seu PSD, Kassab não contava com o pré-lançamento do deputado Gabriel Chalita, recém-anunciado no PMDB, para concorrer à Prefeitura de São Paulo. O plano do prefeito era atrair o partido de Temer para uma aliança com o PSD. Por isso, no mês passado ele incorporou Bebeto Haddad, presidente do PMDB paulistano, ao seu secretariado, à frente do Esporte. Em 2008, os peemedebistas estiveram com Kassab.

''Partidos e ideologia não andam juntos''
O empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ingressou na semana passada no PMDB com a missão de ajudar a reconstruir o partido no principal Estado da União. Com a ficha de filiação abonada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, ele diz: "O PMDB deve buscar, sim, a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado."
O projeto de Skaf é ser novamente candidato ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. No ano passado, o empresário, que dá expediente todos os dias na imponente sede da Fiesp na Paulista, avenida que é espécie de medula cervical do capitalismo brasileiro, concorreu pelo "socialista" PSB. Agora no PMDB, símbolo do centrismo político, Skaf afirma que "partidos e ideologia não andam juntos no Brasil".

PSDB nacional age para evitar nova crise
Discretamente, o PSDB começou a costurar a composição da nova direção nacional do partido com o objetivo de evitar que o embate entre serristas e aecistas, atualmente silencioso, cresça a ponto de se tornar um racha, a exemplo da disputa entre os tucanos paulistanos há cerca de um mês.
Na semana passada, sem alarde, o PSDB fechou uma chapa única para concorrer ao diretório nacional, na qual foram contemplados os grupos ligados ao senador Aécio Neves (MG), ao ex-governador José Serra (SP) e ao governador Geraldo Alckmin (SP). Os 213 nomes escolhidos elegerão na convenção nacional, no dia 28, em Brasília, os 23 tucanos da Executiva, a nata do partido responsável por conduzir a eleição presidencial de 2014.

Advogados se unem contra 'via rápida' judicial
A ‘PEC do Peluso’ está na mira da comunidade jurídica. Os maiores e mais importantes advogados do País, e até as bancas menos afamadas, abriram guerra contra a Proposta de Emenda à Constituição que altera os artigos 102 e 105 da Carta para transformar os recursos extraordinário e especial em ações rescisórias - a execução do trânsito em julgado da sentença se dará já na segunda instância, antecipando decisões, inclusive criminais, sem que se esgotem todas as possibilidades de recursos.
A PEC foi apresentada pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), mas seu criador é o ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Peluso vê na PEC caminho para reduzir o excepcional acúmulo de ações na corte. Apresentou sua ideia ao abrir o debate para o III Pacto Republicano.
Contra a meta do ministro a advocacia faz barulho. É a maior mobilização dos causídicos em tempos recentes. A última manifestação importante foi em 2005, quando reagiram categoricamente contra a onda de invasões dos escritórios de advocacia, alvos de operações da Polícia Federal. Aquela batalha eles venceram. Querem vencer de novo, com o peso e a tradição da classe, pondo abaixo a iniciativa da mais alta autoridade da toga.

Ativismo togado
Em defesa da proposta de execução de sentenças em segunda instância, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, nega que a medida levaria a injustiças em processos criminais e que o habeas corpus seja afetado pelas mudanças. A PEC que está tirando o sono da advocacia, na avaliação de Peluso, é uma "resposta à sociedade" para dar mais eficiência ao Poder Judiciário.
"O Supremo funciona como quarta instância e os tribunais superiores, como terceira. E o acúmulo de serviço é responsável pela demora dos processos e pela sensação de impunidade contra a qual a sociedade reclama há muitos anos", destaca Peluso.
O ministro cita um estudo do STF que mostrou que, de 64.185 recursos extraordinários e agravos de instrumento interpostos em 2009 e 2010, 5.307 tratavam de processos criminais e, desse total, só 9 foram acolhidos em favor dos réus antes do trânsito em julgado. "A partir de nove casos, alega-se que há um grande dano e um risco à liberdade individual e injustiça na área criminal. É concebível termos um sistema que prejudica toda a sociedade, para não correr o risco de nove injustiças? Quantos milhões são prejudicados?"

Marinha quer supernavio de ataque anfíbio
A Marinha do Brasil vai ter ao menos dois Navios de Múltiplos Propósitos, um conceito novo de navio autossuficiente. Cada um desses gigantes, grandes como dois campos de futebol e feitos para projetar poder naval, leva uma força completa de intervenção: soldados, tanques, helicópteros, lanchas, mísseis e hospital, mais um sofisticado centro de inteligência.
Cada unidade, de alta tecnologia, custa hoje entre US$ 600 milhões e US$ 750 milhões, no mercado internacional. É um programa ambicioso, contemplado no Plano de Articulação e Equipamento da Marinha (Paemb), ainda sem prazo definido. Em nota, o comandante da Força, almirante Júlio Moura Neto, disse que "o processo de aquisição depende da disponibilidade de recursos orçamentários, não tendo sido ainda selecionado um projeto específico".

Educação, sonho de consumo
No sobrado alugado, a aula de jazz acontece na garagem. A quadra foi construída no quintal, onde ficavam os pés de frutas. Nos quartos, uns maiores e outros bem pequenos, funcionam as salas de aula. Essa é a escola Oliveira Ferreira, em Perus, a 30 quilômetros do centro de São Paulo.
A mensalidade do 1.º ano do ensino fundamental custa R$ 190, mais baixa do que um curso de inglês em um bairro paulistano de classe média, mas do tamanho que cabe no bolso dos moradores da região. Uma clientela que inclui filhos de faxineiras e frentistas.
Depois da ascensão da classe C, é a vez da D investir na escola particular. Pesquisa recente do Ibope Inteligência mostra que as classes D e E representam hoje 1,6% nas estatísticas de gastos com educação no País. Uma outra tabulação, do Instituto Data Popular, especializado em baixa renda, mostra que 21% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio da rede privada pertencem às classes D e E.

Lentos, trens de carga pararam no tempo
Enquanto as atenções estão voltadas para a concessão do primeiro trem-bala brasileiro, que atingirá a velocidade de 300 km/h, as ferrovias de carga pararam no tempo no quesito velocidade. Em mais de uma década, desde a privatização, o Brasil não conseguiu sair da média de 29 km/h - bem abaixo de indicadores nos mercados concorrentes. Mais rapidez elevaria a capacidade da malha nacional.
Os trens brasileiros são 34% mais lentos que os americanos e 62% menos velozes na comparação com os chineses, segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Há casos no País em que as composições (locomotivas e vagões) não superaram a média de 15 km/h. É o caso, por exemplo, da Transnordestina, administrada pela Companhia Siderúrgica Nacional (esse é o trecho antigo que pertencia à Rede Ferroviária).

O GLOBO

Congresso abdica do poder e deixa de votar 30 mil leis
Para zerar a pilha de projetos à espera de votação, o Congresso brasileiro precisaria de um século. Existem hoje na Câmara e no Senado cerca de 30 mil propostas em tramitação, constatou o repórter José Casado. Pela média histórica, só uma em cada dez tem chance de virar lei. O resto irá para o arquivo, mas, até lá, ajudará o Congresso a abdicar de sua função primordial, que é votar as leis do país. Nesse processo de asfixia legislativa, há 2.180 vetos presidenciais à espera da apreciação parlamentar, alguns na fila há uma década. Na análise das contas presidenciais, mais atraso: há contas pendentes de 12 exercícios financeiros. A mais antiga já está na lista de espera há 21 anos e é de 1990, ainda do governo Collor. O Código Florestal, motivo de polêmica na última semana, já está na pauta há 12 anos.
Há duas semanas o Senado aprovou a Convenção sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas, um dos pilares jurídicos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre direitos humanos. Tornou-se crime no Brasil um agente do Estado usar as desculpasde “seguir ordens” ou “em missão militar” como razão para não ser punido por prender uma pessoa, não comunicar essa prisão e ainda privá-la de qualquer tipo de ajuda legal. As regras valem para todos os agentes públicos, mesmo em tempo de guerra. É fato relevante num país que há
três décadas convive com a busca de desaparecidos durante a ditadura militar. Mas passaram-se 17 anos desde a assinatura desse acordo, em 1994, até a sua aprovação no Congresso. Foram mais de 6.000 dias “em tramitação” legislativa. Estreante no Senado, Pedro Taques (PDT-MT) participou da votação, perplexo:
— O nosso processo legislativo é do século XIX.
Mais tarde, fez as contas e levou um susto: se os 81 senadores e 513 deputados federais decidissemvotar todos os projetos que estão pendentes no Congresso—semapresentar nenhum novo e mantendo o atual ritmo de trabalho —, atravessariam um século trancados em sessões de votação. Há quase três dezenas de milhares de propostas “em tramitação”. Pela
média histórica, somente uma em cada dez tem chance real de virar lei. As demais têm destino certo: o arquivo. Esse processo de asfixia legislativa se agrava a cada semana, principalmente porque o Congresso adotou apolítica de não decidir nas áreas definidas pela Constituição como de sua competência exclusiva. Simples e óbvia, a Carta manda o Legislativo legislar e fiscalizar ,o Executivo executar , eo Judiciário julgar . Não tem sido assim eo resultado é um visível desequilíbrio entre poderes, inédita desde a redemocratização há 26 anos: a supremacia do Executivo e um gradativo avanço do Judiciário no vácuo deixado por um Congresso cada vez mais enfraquecido. As evidências se multiplicam na pauta de pendências da Câmara e do Senado. Ocaso dos vetos presidenciais é exemplar. A Constituição permite ao presidente da República vetar projetos do Legislativo até 15 dias depois da aprovação. Eimpõe ao Congresso odever de decidir se mantém ou derruba oveto presidencial no prazo de 30 dias. Existem 2.180 vetos presidenciais à espera de decisão dos parlamentares. Alguns estão na fila há uma década. Abandonou-se também o julgamento de contas de governo. O Legislativo tem o poder , o dever e a competência exclusiva na análise e decisão sobre as contas do presidente da República. Mas permanecem contas presidenciais pendentes de 12 exercícios financeiros. A mais antiga é de 1990, do governo Fernando Collor .Passaram-se 21 anos e ainda não foi votada.
— O Parlamento não cumpre a ordem constitucional — constata o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). — E aqui se revela uma das mais expressivas, discretas e proveitosas formas de poder político: o de não decidir .

Leia também a série “Projetos nas gavetas”, do Congresso em Foco: 2.400 propostas só nos plenários
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia_list.asp?ct=102

A loura de língua afiada que dispara números em defesa de Dilma e Lula
Ela é muito bela, mas achar que essa ésua única qualidade costuma ser umerro.” A advertência parte de quem conhece bem essa mulher que, apesar de estar no seu primeiro mandato, começa a ganhar destaque no Senado por ter sempre uma resposta na ponta da língua para rebater qualquer ataque da oposição ao governo e já ofusca colegas de bancada mais experientes: o ministrodas Comunicações, Paulo Bernardo, que não disfarça o orgulho diante do desempenho da mulher, Gleisi Hoffmann (PT-PR).
— Gleisi é inteligente, disciplinada, flexÍvel e extremamente leal. Além disso, é boa oradora. Assim, é difícil debater com ela. Especialmente para quem a subestima — acrescenta o apaixonado ministro. De fato, não são as feições delicadas, o cabelo sempre bem penteado ou as roupas finas que mais têm chamado a atenção dos colegas da senadora Gleisi. Mas sua incansável disposição de defender o governo Dilma Rousseffe olegado deixado pelo ex-presidente Lula. Para isso, ela não mede esforços. Aplicada e comassessoria in- formal do marido, a senadora do Paraná quase sempre apresenta números para embasar seus pronunciamentos ou rebater críticas da oposição.
Ela não se intimida nem diante de nomes consagrados da política. Um de seus alvos preferidos tem sido o líder do PSDB e seu adversário na política paranaense, o senador Álvaro Dias (PR). Ele, no entanto, preferenão polemizar com a petista. Poucos, aliás, falam mal dela publicamente.
— A senadora Gleisi está fazendo um esforço enorme para se afirmar.O governo ganhou nova Ideli Salvatti — alfineta o líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO). Formada em Direito e com especialização em Administração Financeira, Gleisi já foi secretária estadual e diretora da Itaipu. Embora este seja seu primeiro mandato, ela conhece bem o Congresso. Trabalhou muitos anos como assessora parlamentar da bancada petista na Comissão de Orçamento, quando se aproximou de Paulo Bernardo, já deputado na época.

Câmara dividida sobre adoção gay
A Câmara dos Deputados apoia aunião estável entre homossexuais, mas está dividida em relação ao direito desses casais de adotar crianças. Levantamento feito pelo
GLOBO na última semana mostra ainda que associar a palavra “casamento” àunião entre gays é um tabu, mas os deputados reconhecem que a homofobia deve ser considerada um crime.
Entre segunda e sexta-feira, o GLOBO ouviu 320 dos 513 deputados. Desses, 228 cravaram voto a favor da união estável, 86 foram contra, 30 não se manifestaram. Os votos foram registrados em cédula, por telefone e e-mail. Integrantes de todos os partidos foram consultados. A ampla maioria que aprova a união estável, direito reconhecido em última instância pelo Supremo Tribunal Federal há uma semana, não se repetiu quando o assunto é adoção. Indagados se casais gays devem ter direito a adotar crianças, 145 disseram “não”. Outros 154 apoiam a ideia. Hoje, os homossexuais conseguem na Justiça autorização para adotar crianças, mas o nome de apenas um dos parceiros pode aparecer na certidão da criança.

Urubus impedem voos em 18 aeroportos
Enquanto o dia está claro, o urubu é soberano no espaço aéreo de 18 aeroportos da Amazônia. A Aeronáutica impôs restrições ao pouso e à decolagem diurnos nesses lugares em decorrência do risco aviário. O problema reflete o avanço da degradação ambiental no coração da floresta, pois a maior parte dos aeroportos está localizada no interior e convive com lixões improvisados. E os dejetos, da maneira como são lançados, oferecem um banquete farto à proliferação de urubus.
Consumidores de carcaças de animais, os urubus-de-cabeça- preta (Coragyps atratus), comuns nos céus amazônicos, voam a grandes alturas, durante o processo de digestão, de dia. Pelo perigo que representam, deveriam ser considerados os vilões da segurança aérea. Mas, ao contrário, eles próprios são também vítimas do fenômeno. Ironicamente, essa ave que não tinha predadores passou a ter um: as turbinas e as fuselagens dos aviões, em situações de alto risco para os passageiros.

CORREIO BRAZILIENSE

Brasília mais cara que Nova York ou Paris
Segundo os empresários locais, a culpa é da carga tributária, mas em tempo de economia aquecida e de alto poder aquisitivo, muitos jogam os preços para cima. Enquanto uma bolsa de luxo, por exemplo, custa R$ 2,3 mil na capital francesa, aqui ela sai por R$ 6 mil.

Eleições: Às empreiteiras, com gratidão
As principais empresas doadoras da campanha de 2010, a eleição mais cara da história do país, já receberam de volta do governo o dinheiro que desembolsaram, segundo levantamento realizado pelo Correio. As maiores doações do setor privado vieram de empreiteiras, seguidas pelos bancos. Todas têm grandes contratos com o governo, incluindo os empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
As cinco empreiteiras com os maiores contratos receberam R$ 227 milhões neste ano. Entre os grandes empreendimentos estão a construção da Ferrovia Norte-Sul e a transposição do Rio São Francisco, duas das principais obras do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixadas para a gestão de Dilma Rousseff, a manutenção de rodovias federais, principalmente da BR-101 em diversos estados do país, e a implantação de sistemas de irrigação em municípios em regiões áridas. No ano passado, as cinco construtoras doaram R$ 220 milhões para campanhas eleitorais de candidatos a deputado, senador, governador, presidente da República de diferentes partidos políticos e para comitês e diretórios das siglas.
As construtoras Queiroz Galvão, OAS e Odebrecht figuram entre as que já superaram, em faturamento do governo, o que doaram em 2010. As empreiteiras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa, ainda em “deficit”, deverão em breve recuperar o que gastaram com as eleições. Isso porque a primeira toca trechos da Ferrovia Norte-Sul, que deverá ter, quando pronta, extensão de 1.980km cortando os estados de Goiás, Maranhão, Pará e Tocantins. A Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes, é a responsável pelo empreendimento.

Alerta: Óxi, a droga da morte, chega ao DF
Três vezes mais letal que o crack, o entorpecente, que é uma mistura de pasta base de cocaína, cal virgem, querosene ou gasolina e solução de bateria, começa a ser consumido por usuários da cidade, apesar de a polícia ainda não registrar nenhum caso de apreensão do oxidado, como também é chamado.

IML conclui que loucura de Deborah Guerner é teatro
Fonte: Congressoemfoco

Brasil, o país do futuro?

"Sérias reformas terão que ser feitas para ficarmos no time de países com chances de ser desenvolvidos, como Chile, Coréia do Sul e China. Caso contrário, nosso destino será como o da Venezuela, Rússia ou Grécia, que deixaram a oportunidade escapar"


Aviso: usarei este espaço para falar sobre empreendedorismo e inovação. Nesta primeira coluna, deixo clara minha visão macro sobre o atual estágio do Brasil.

O Brasil é o país do futuro! Esse era o mantra entoado pela maioria dos brasileiros nas décadas de 60 e 70. Tínhamos tudo para realizar a profecia: 1) Uma população enorme, jovem e criativa. 2) Um sistema educacional de qualidade. 3) Muita terra produtiva adequada à agricultura e pecuária. 4) Água, minerais e biodiversidade abundantes. 5) Uma industrialização precoce (comparada à da China e Índia). 6) Infraestrutura bastante decente para um país terceiro-mundista. A cada ano, todos ficavam cheios de otimismo e expectativa, mas o Brasil continuava decepcionando um governo após o outro, seja pela inflação galopante ou pela restrição às liberdades civis.

Avancemos para 2011. Depois de passar cinco anos fora, mas com visitas trimestrais, estou convencido de que profundas mudanças estão ocorrendo no país e, principalmente, na mentalidade das pessoas. Então, depois de quase 40 anos de promessas, teria o Brasil realmente amadurecido e convertido o sonho em realidade? Não exatamente, e me parece que há ainda muito trabalho a ser feito. Inflação controlada, política econômica racional, ascensão da classe média e a explosão do mercado de commodities, estimulado pelo crescimento da China, têm colocado o Brasil nos holofotes do mundo, e ao mesmo tempo, mascarado os problemas estruturais. Sérias reformas terão que ser feitas nos próximos dez anos para que nos orgulhemos de estar no time de países com chances de ser desenvolvidos, como Chile, Coréia do Sul e até mesmo China. Caso contrário, nosso destino poderá ser o da Venezuela, Rússia ou Grécia, que fizeram bonito um dia, mas deixaram a oportunidade escapar por entre os dedos.

Abaixo, listo as principais reformas necessárias para destravar o crescimento do Brasil e deixá-lo em ponto de bala para realmente prosperar:

Educação – no ensino fundamental, o nosso nível de conhecimento de ciências, matémática e português é um dos mais baixos do mundo. No recente teste Pisa aplicado pela OCDE, o Brasil aparece em quinquagésimo terceiro lugar. Os estudantes de Xangai foram os primeiros. Em termos de ensino superior, o Brasil forma hoje muito mais jovens que antigamente. Incrivelmente, mais advogados saem de nossas universidades que em todos os EUA. E mais médicos que em toda a Europa Ocidental. Embora quantitativamente tenhamos tido progresso, percebo que a qualidade do ensino caiu vertiginosamente.

Nossas universidades estão sucateadas pela incompetência e ideologia equivocada. A maioria dos professores que temos, mesmo os doutores, são acomodados e são contra a iniciativa privada. Estão ultrapassados pela velocidade da informação na era da internet e do capitalismo. Por se sentirem ameaçados, lutam para continuar com o modelo arcaico vigente, prejudicando milhares de estudantes todos os anos. Temos gente competente, mas muitos precisam ir ao exterior para brilhar. Há algo errado no sistema e basta dar um pequeno giro em universidades dos EUA, Chile, Cingapura ou China para vermos o quanto perdemos o bonde em termos de qualidade de ensino e pesquisa. Dinheiro só não resolverá o problema, é preciso uma mudança de mentalidade rumo à meritocracia e a aceitação da iniciativa privada para financiar projetos importantes. Caso isso não aconteça urgentemente, o Brasil não terá talentos suficientes para gerir o país a partir de 2030 e aí teremos desperdiçado uma geração inteira de jovens talentos.

Visão – os brasileiros ainda sofrem de um complexo de inferioridade e falta de visão em relação ao futuro. Alimentados por referências de políticos incompetentes e muita corrupção no setor público e privado, a convenção vigente é que devemos pensar a curto prazo. Aeroportos são feitos para durar e suprir a demanda por cinco anos e não 50. As estradas duram apenas um ano, pois assim reparos de emergência alimentados por interesses escusos podem prosperar no negócio da "manutenção".

Não há incentivos e nenhum plano de longo prazo para reverter a saída de cérebros para empresas privadas e universidades em outros lugares do mundo, como se passou nas décadas de 80 e 90. Nossos maiores cientistas estão fora do Brasil. Querem voltar, mas ainda é dificílimo fazer ciência de qualidade no Brasil.

Se essa mentalidade superficial e colonial persistir, perderemos a oportunidade novamente. Precisamos de um líder para mostrar o caminho de como se fazer muito com pouco, e mudar a mentalidade da classe política e empresarial. Mesmo assim, qualquer trabalho nesse sentido demorará uma geração para chegar a um nível aceitável, como ocorreu na China, Chile ou Cingapura. Não há como fazer milagres.

Infraestrutura – vivi na China por quase dois anos e fui testemunha da dramática mudança na infraestrutura do país. A China era bem menos industrializada que o Brasil em 1980, com 80% da população vivendo no campo. Hoje em dia, como pode ser ilustrado pela foto abaixo de Xangai em 1990 e 2010, a infraestrutura do país se transformou rapidamente.

Enquanto discutimos a aprovação do trem-bala RJ-SP para, quem sabe, ser concluído em 2020, a China constrói desde 2008 uma rede de trem-bala de 16.000 km para ficar pronta em 2014. Esta semana, já será possível ir de Xanghai a Pequim (mais de mil km de distância) de trem-bala, dois anos antes do prazo estimado. Sem falar no metrô da cidade, que já se tornou o maior do mundo em apenas 15 anos, e é dez vezes maior que o de São Paulo, que tem 35 anos. Quando se trata de aeroportos, aí a balança pende 100% para o lado chinês. Quem já viajou pelo país sabe do que estou falando. Os aeroportos são maravilhas arquitetônicas construídas pensando-se nos próximos 50 anos. E mais 56 deles serão construídos até 2016 nas principais cidades chinesas. E nem comecei a falar de estradas e portos.

Os políticos, claro, dirão que a culpa é da ditadura chinesa, que pode desalojar pessoas num piscar de olhos e passar por cima de trâmites democráticos. Isso é parcialmente verdade, mas já pensaram que os chineses podem ser realmente competentes e visionários? Que outra semi-ditadura do mundo foi tão eficiente como a chinesa no último século? Competência não tem ideologia. Basta comparar a infraestrutura de países democráticos e emergentes como Taiwan, Coréia do Sul e Chile com a brasileira. Não há desculpas, nem mesmo a de que o Brasil é pobre e tem dimensões continentais (neste caso, SP, que é rico e pequeno, deveria se orgulhar de sua infra, o que não é o caso). A falta de infraestrutura encarece o país e o faz perder oportunidades, tempo e dinheiro. Não é uma questão de recursos, é uma questão de mentalidade e eficiência.

Código tributário – como falar de problemas brasileiros sem citar o escalafobético código tributário. Um país emergente que paga 36% do seu Produto Interno Bruto em impostos deve ter algo bastante desafinado na máquina pública. Aqui, a produção é taxada, não o consumo. Não é possível companhias multinacionais serem geradas aqui organicamente em setores de alta tecnologia e valor agregado. Um Google, com alcance mundial, não seria possível em solo nacional, seja por falta de mão de obra qualificada ou por que teríamos custos proibitivos. Hoje, contratar engenheiros de software no Canadá e no miolo dos EUA, com mais experiência, é mais barato do que contratá-lo em São Paulo, devido aos impostos que incidem sobre a folha de pagamento, que podem chegar a 80%, 100% do salário. Então, alguém que ganha R$ 10 mil custaria R$ 20 mil para a empresa. Isso são US$ 12 mil ao mês.

Como desenvolver nossa indústria dessa maneira? Estaremos destinados a ser exportadores de commodities para sempre? Impostos altos mascaram e financiam a incompetência de nossos administradores e a passividade do povo.

Sistema jurídico – todos sabem que o sistema legal brasileiro é um misto de caos, plutocracia e subjetividade. Pergunte a qualquer homem de negócios para lhe contar histórias de horror relativas ao sistema jurídico. Geralmente, elas findam com uma dose de corrupção. Criminosos confessos fora da cadeia e processos que demoram 20 anos não ajudam a saciar a sensação de impunidade. E isso está custando caro ao país. Por exemplo: há enorme interesse pelo setor de internet e alta tecnologia brasileiro por investidores estrangeiros, mas a maioria deles só investirá se a matriz da empresa tiver sede nos EUA, onde a Justiça funciona e protege os investidores. Perdem-se anualmente diversas Apples, Facebooks e Googles por conta do custo Brasil e do arcaico sistema jurídico.

É fato que estamos mais evoluídos nesse terreno que a China, a Índia e a Rússia, mas isso não é o suficiente para deixar o país numa posição confortável quanto às condições para conduzir negócios. Atualmente, o Brasil ocupa a 129a posição (dados de 2010). Não é falta de leis, o Brasil tem algumas das melhores do mundo. O problema é o cumprimento delas e o draconiano sistema de recursos de advogados bem pagos que exploram as fraquezas do sistema. Está na hora de sermos mais eficientes. E temos urgência.

E para terminar, claro, vale dizer que tudo isso só acontecerá depois de uma reforma no sistema político. Precisamos de melhores líderes, compromissados com o país. Como diria Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas chinesas em 1979: "Mantenha a cabeça fria e não busque os holofotes. Nunca tome a liderança, mas planeje fazer algo grandioso". O resto, como sabemos, é história.


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Desenvolvimento: o caminho para o Brasil chegar lá

* Empreendedor brasileiro, de 35 anos, radicado no Vale do Silício e apaixonado por tecnologia. Sua última companhia recebeu investimentos da gigante das telecomunicações Qualcomm, na Califórnia. Natural de Belo Horizonte, na última década morou em São Paulo, Cidade do México, San Diego e Xangai. Fluente em cinco idiomas, possui ampla experiência cultural e de negócios em países como China, EUA, Filipinas, Índia e Japão. É formado em Administração, com MBA em Gestão em Telecomunicações pela Fundação Getúlio Vargas e cursos executivos em Stanford e UC Berkeley. Mantém conta no Twitter. Mais informações: About.me/normand.
Outros textos do colunista Reinaldo Normand*
Fonte: Congressoemfoco

Reeleição caiu no gosto da sociedade

Pelo menos é o que apontam duas pesquisas publicadas pelo Congresso em Foco, uma do instituto Dados em Brasília e outra feita por telefone pelo Senado. Apesar disso, tendência do Congresso é acabar com a possibilidade

Nelson Jr/TSE
Duas pesquisas apontam que a sociedade apoia a reeleição, um instituto que tende a acabar com a reforma política

Mário Coelho

As comissões especiais de reforma política, instaladas na Câmara e no Senado, correm na contramão da opinião pública quanto à possibilidade de presidente da República, governadores e prefeitos concorrerem a um novo mandato. É isso que revela pesquisa inédita feita pela Dados Pesquisa, Opinião e Mercado no Distrito Federal. O levantamento aponta que seis em cada dez moradores da capital da República são favoráveis à reeleição de chefes do Executivo.

A pesquisa, publicada com excluvidade ao Congresso em Foco, foi realizada no período de 2 a 6 de abril de 2011 e ouviu 1,5 mil do Distrito Federal. A amostra foi distribuída por cotas de sexo, faixa etária e renda da população, obedecendo dados secundários do IBGE e da PNAD. A margem de erro desta pesquisa é de 2,53% e o intervalo de confiança de 95%. “É um dado que deve se refletir no Brasil, se for feita pesquisa nacional”, acredita o diretor de marketing da Dados, Renato Riella.

De acordo com os números da pesquisa, 61,5% dos entrevistados são favoráveis à reeleição, 23% se disseram contra e 11,1% não são nem a favor nem contra. “Isso mostra que o povo está satisfeito com os mandatários, especialmente se analisarmos a quantidade que se reelegeu”, disse Riella. Ele acrescenta também que a falta de perspectiva de renovação e a falta de opções ajudam no sentimento de que a reeleição é válida.

Apesar da pesquisa ter sido feita apenas no Distrito Federal, outro levantamento tem número muito parecido. Divulgado no mês passado, levantamento do Instituto DataSenado aponta que 58% da população concorda com a atual duração dos mandatos e o direito a uma reeleição, para os ocupantes de cargos de governo (prefeitos, governadores e presidente da República).

A pesquisa foi feita por meio de entrevistas telefônicas, usando um questionário estruturado com respostas estimuladas e levantamento por amostragem. A margem de erro admitida é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança utilizado é de 90%.
Os dados foram coletados no período de 21 a 29 de março de 2011, totalizando 797 entrevistas.

Porém, mesmo com os números mostrando que a maior parte da população é favorável à reeleição, os integrantes das duas comissões de reforma eleitoral que discutem o tema na Câmara e no Senado se colocam contra a possibilidade. No Senado, a discussão já está encerrada. Em março, os senadores aprovaram a elaboração de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), ainda não redigida, que proíbe a reeleição e aumenta o mandato no Executivo de quatro para cinco anos.

Durante a discussão na Casa, a maioria do colegiado se colocou contra a possibilidade de reeleição. Inclusive senadores que foram reeleitos quando eram governadores de estado, casos de Luiz Henrique (PMDB-SC), Aécio Neves (PSDB-MG) e Wellington Dias (PT-PI). A tese formada pela maioria é que fica difícil separar o candidato do chefe do Executivo, mesmo que ele se desencompatibilize do cargo. O peemedebista catarinense, por exemplo, chegou a renunciar ao mandato para concorrer a mais quatro anos no governo de Santa Catarina.

Marcada por suspeitas

A emenda constitucional número 16, que possibilitou a reeleição no Executivo, foi aprovada em 1997 pelo Congresso. O processo ficou marcado por suspeitas de corrupção.

Gravações publicadas na época pelo jornal Folha de S. Paulo revelaram conversas entre o então deputado Ronivon Santiago (PFL-AC) e outra pessoa, na época identificada como “Senhor X”. Nas conversas, o pefelista afirmou que ele e mais quatro deputados receberam 200 mil reais para votar a favor da reeleição, pagos pelo então governador do Acre, Orleir Cameli.

“Com reeleição, nós não temos o mesmo ponto de largada, porque aquele que vai disputar a reeleição vai abusar, politicamente, do exercício desse cargo. Nós temos acompanhado, na nossa história recente, que isso tem, efetivamente, ocorrido”, argumentou o senador Pedro Taques (PDT-MT), na reunião que decidiu pela proibição da reeleição. Ele não aceita o argumento da continuidade administrativa. “Sou contrário à reeleição, uma vez que ela viola a igualdade dos concorrentes naquela eleição, disse.

Para Wellington Dias, que governou o Piauí por dois mandatos, é “impossível” separar o governante do candidato. “Nem o candidato consegue isso, quanto mais a lei, quanto mais a Justiça Eleitoral”, disse. “Além do que, as regras para poder colocar isso paralisam o país, porque o governante que vai concorrer à reeleição fica impedido de fazer convênio, fica impedido de começar uma obra, enfim, acho que essa [o fim da reeleição] é uma medida em favor do povo”, comentou, na mesma sessão.

Somente dois dos 15 senadores da comissão especial se colocaram a favor da manutenção do atual sistema. A maior parte quer o fim da reeleição com mandato de cinco anos. Um dos que ficaram favoráveis à reeleição foi o presidente do colegiado, Francisco Dornelles (PP-RJ). “Eu sou totalmente favorável à reeleição, sou favorável ao mandato de quatro anos com reeleição. Na realidade, temos um mandato de oito anos e, no final de quatro anos, o povo se manifesta, se deseja mudar ou continuar”, afirmou.

Câmara

Com prazo maior de funcionamento do que a do Senado – 120 dias contra 45 – a comissão instalada na Câmara ainda não discutiu o tema. Até o momento, o relator do colegiado, deputado Henrique Fontana (PT-RS), tem se debruçado sobre outros temas. Na quinta-feira (12), ele disse que vai propor a criação de um fundo nacional administrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para receber recursos de empresas interessadas em financiar as campanhas eleitorais.

Apesar de o colegiado ainda não ter discutido o assunto, deputados já se movimentam para acabar com a reeleição. No fim de abril, o deputado Roberto Freire (PPS-SP) entregou ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) uma série de propostas sobre a reforma política. Entre elas, o fim da reeleição. Pela proposta da legenda, fica proibida a reeleição para os cargos de presidente, governador e prefeito. O mandato permanece em quatro anos. Para o partido, a reeleição para o Executivo foi uma experiência que não deu certo.

Fonte: Congressoemfoco

Inflação atinge 6,5; aluguéis e casa própria sobem 10,6%

Pedro do Coutto

Os índices encontram-se diariamente nas páginas de O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, os três principais jornais do país. Enquanto o IBGE aponta, para os últimos doze meses, de abril de 2010 a abril deste ano, portanto, uma taxa inflacionária de 6,5%, o IGPM da Fundação Getúlio Vargas, indexador automático dos aluguéis e das prestações da casa própria, acusa oscilação da ordem de 10,6% sobre o mesmo período. Estes 10,6%, assim, incidem sobre os contratos anuais de aluguel e também atualizam as prestações dos financiamentos imobiliários, os que estão dentro do Sistema Nacional de Habitação. Para os que estão fora do programa do governo, as correções são ainda mais elevadas.

Como os reajustes salariais, a partir do governo Lula, regra mantida pela presidente Dilma Roussef, acompanham a inflação oficial, vê-se que a tarefa insubstituível de morar torna-se cada vez mais difícil. Uma aventura, um risco. Basta confrontar os indicadores. E necessário que os inquilinos e mutuários consigam obter mais um outro emprego ou outra atividade adicional, dentro da lei, é claro. Pois mantido o desequilíbrio que estou apontando, no espaço de dois a três anos, a inadimplência, que já é sensível, vai subir mais.

Não há outra hipótese. O governo Dilma deve mudar o esquema em vigor. E restabelecer o critério da equivalência salarial. Tem que levar em conta que não é mais Delfim Neto, com os expurgos inflacionários, quem se encontra no Ministério da Fazenda. Ele hoje escreve artigos semanais na Folha de São Paulo sobre o universo econômico propondo soluções que colidem frontalmente com sua atuação nos governos Costa e Silva e Médici. Mas esta é outra questão.

O fato predominante é a impossibilidade que se coloca para grande parte dos locatários e mutuários de poderem manter em dia o pagamento das obrigações em face da defasagem de seus salários diante do nível do IGPM da Fundação Getúlio Vargas. Tanto assim que em reportagem publicada em O Globo de quinta-feira 12, Rafael Galdo e Rogério Daflon focalizam a elevação da inadimplência nos conjuntos residenciais do programa habitacional para os grupos sociais de menor renda. A grande maioria dos mutuários, portanto.

Diante dessa realidade, para onde foi a classe média descoberta pelo professor Marcelo Neri, cuja remuneração mensal é de 3 salários mínimos? Não é real, como há pouco meses acentuaram Miriam Leitão, em O Globo, e Clovis Rossi na Folha de São Paulo. A contestação que faço ao critério de Neri, colocada também por Miriam e Rossi, tem suas raízes confirmadas no trabalho da jornalista Marcia de Chiara, O Estado de São Paulo, edição do dia 10. Com base em pesquisa feita pela empresa Kantar Wordpanel, sob encomenda da Associação Paulista de Supermercados, ela destaca que metade das famílias brasileiras gasta mais do que ganha mensalmente.

A explicação encontra-se na flexibilidade do crédito que mantém aquecido o nível de consumo. No ano passado, foram realizadas compras no montante de 201,6 bilhões de reais em todos os supermercados brasileiros, não só nos de São Paulo. Duzentos e um bilhões são praticamente 23% da massa salarial do país no período de doze meses.

A média de remuneração das 58 milhões das famílias brasileiras, em 2010, alcançou 2 mil e 146 reais por mês. A despesa foi além: 2 mil 171 reais. As classes A e B tiveram superávit da ordem de 2%. A classe C, apontada como emergente, acusou déficit de menos 2%. Ficou no prejuízo. Sua média salarial foi de 1.840 reais para uma despesa de 1.883. O déficit das classes D/E foi de 6%: 1.150 contra 1.222 reais. Como na bela poesia de Vinicius de Moraes, quem vive em déficit mensal precisa de vento sem parar.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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