quarta-feira, maio 11, 2011

Nelson Jobim confessou ter falsificado a Constituição. Expulso do Supremo, fardado de oficial do Exército. Não pagará pela afronta ao Legislativo, Judiciário e Executivo?

Helio Fernandes

Não conheço, pelo menos no momento, cidadão (?) que tenha mais sem credibilidade do que o personagem citado no titulo destas notas. Foi Legislativo, Judiciário e Executivo, e em todos os Poderes deixou a marca indelével da desfiguração da vida pública.

No Brasil de hoje e de quase sempre, cuidam apenas da corrupção em dinheiro, esquecem ou não tratam de fatos, fatos, fatos, muito mais desmoralizantes, degradantes, revoltantes. Só escreverei sobre o que o próprio personagem praticou ou confessou, o resto ficará para outra oportunidade.

Legislativo – Foi constituinte eleito em 1986, participando da elaboração da Constituinte de 1988. Sua atuação ostensiva não foi destacada, a falta de importância ainda não se concretizara. Mas nos subterrâneos da Constituinte, agiu inescrupulosamente (ou melhor, criminosamente), falsificando o que havia sido aprovado pelas Comissões e pelo plenário.

Foi então, à noite, e na Comissão de Redação, onde estava o que fora decidido, só faltava o texto final a ser redigido. E alterou partes do que seria conhecido como a “Constituição Cidadã” (Ulisses Guimarães). E ninguém saberia, se o próprio Nelson Jobim não confessasse em entrevista a falsificação.

Por que essa confissão inédita e extravagante? Dois motivos. 1 – Cometera o chamado “crime perfeito”, e através da História, mesmo que seja ato criminal, o tormento do criminoso é que ninguém saiba da sua “perfeição”. Então, pode ser surpreendente, ele confessa. Foi o caso de Nelson Jobim.

2 – Sabia que nada lhe aconteceria, presidia o Supremo, não seria denunciado pelos seus “pares”, embora fosse impar.

Judiciário – Como é um espantoso cavador de cargos, conquistando sempre o que pretende, foi para o Supremo Tribunal Federal. E chegou rapidamente a presidente. Além da confissão do “crime” praticado contra a Constituição, desmoralizou de tal maneira seu dia-a-dia, que foi impossível se manter no mais alto tribunal do país.

A legitimação do decreto 9078 (de FHC, contra a Petrobras) foi a menor das falsificações ou deslizes. Suas incongruências, que palavra, foram de tal ordem que a revolta contra ele foi dominando todos, sua atuação era estarrecedora.

Até que o advogado Ivan Nunes Ferreira protestou perante o próprio Supremo. E sua intervenção teve tal repercussão, que a OAB do Rio Grande do Sul e centenas de advogados e juízes do seu próprio estado, pediram a saída dele do tribunal.

Os ministros do Supremo permanecem na ativa até os 70 anos. Saem no que é chamado de “expulsória”. Concordaram que Jobim, estando com 60, teria que sair imediatamente. Trocaram então a “expulsória pela expulsão”, só que deram a chance que o Ministro aproveitou imediatamente.

A “solução” menos traumática: como já acumulara tempo para aposentadoria, sabendo que não havia nenhuma possibilidade de continuar, saiu pela porta degradante da “expulsão”, jogando fora 10 anos de permanência.

Além do mais, tinha certeza de que “arranjaria” um novo cargo. Poderia demorar algum tempo, mas não ficaria no ostracismo. Embora nunca tenha visto ou falado com Jobim (fico longe de Brasília, sempre, falo com meus informantes por telefone ou fax), acredito que o cargo “conquistado” jamais entrara nos seus cálculos.

Ministro da Defesa – Sem intermediários, sem consultá-lo, sem temor de uma recusa, o presidente Lula chamou-o ao Planalto. E disparou: “Estou nomeando você para o Ministério da Defesa”. Cínico, confiando no passado e no futuro, Jobim considerou que esse presente (palavra com duplo sentido, principalmente no caso) merecia um pouco de silêncio.

Aí perguntou, sabendo a resposta: “Presidente, e os militares?” Lula respondeu prontamente, como o constitucionalista que sempre foi: “Eu sou o Comandante em Chefe das Forças Armadas, ninguém vai questionar ou recusar a nomeação”.

Foi o que aconteceu. Assim que notificados do fato, consideraram que era ofensivo e negativo para eles. Mas alguns, conhecendo o passado e as fragilidades de Jobim, “abriram champanhe”. Na verdade, o novo ministro, para os generais, “caíra do céu”, (desculpem), mesmo que de paraquedas.

A “lua de mel” Jobim/oficiais generais, durou e dura, embora completamente inútil para o país. Como o ministro é falastrão e adora holofotes, está sempre na televisão, logicamente “mostrando” o excelente relacionamento entre eles.

Só que agora, os próprios oficiais-generais acharam (e conversaram entre eles) que Jobim exagerou em dois episódios.

1 – Falou na televisão, depois da decisão do Supremo sobre os “homoafetivos”, como chamam agora. Jornalistas perguntaram ao ministro, “qual seria a reação dos militares diante do que fora votado por unanimidade”.

Resposta do ministro: “Os militares cumprirão o que foi decidido, não haverá contestação” Não gostaram, esperavam que o ministro pelo menos conversasse com eles antes. Mas mantiveram o silêncio, não admitem, de jeito algum, a demissão de Nelson Jobim. Igual a ele não existe, não quiseram arriscar.

2 – Palhaçada completa e desrespeito à Constituição: o Ministério da Defesa foi criado para ser comandado por civis. (Epitácio Pessoa nomeou civis para o Ministério da Guerra e da Marinha. Não havia ainda o Ministério da Aeronáutica, só seria criado em 1941, e ocupado também por um civil. Foram essas as únicas exceções, nenhum protesto. Epitácio não aceitava restrições, a família Pessoa tinha fama de violenta. Até 1941 não havia nenhum brigadeiro, a Aeronáutica se dividia em “aviação embarcada” (Marinha) e “aviação militar” (Exercito).

FHC, que criou esse Ministério da Defesa, logicamente nomeou um civil, Elcio Álvares, seriíssimo, não fazia concessões (não era nenhum Jobim), pediu demissão. Foram nomeados outros, até que veio a palhaçada (desculpem a repetição, não existe palavra tão apropriada) de Jobim aparecendo em público daquela maneira esdrúxula e vergonhosa.

De que maneira? Fardado da cabeça aos pés, botas e boina. Incrível, pois os oficiais generais só andam fardados nos quartéis, ele apareceu em público, chamando as televisões para mostrá-lo.

***

PS – Dona Dilma marcaria pontos, em grande quantidade, se demitisse esse “civil fardado”. Não vai demiti-lo, nunca praticaria um ato como esse.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Duas vacas, cem galinhas e Al-Qaeda: bem-vindos à “granja Bin Laden”

Carlos Newton

Quando a Al-Qaeda enfim resolve se manifestar e denuncia que a foto de Bin Laden assistindo à televisão é falsa, (como muita coisa sobre esse eletrizante caso também é falsa), um dos melhores artigos publicados na imprensa internacional a respeito da morte do terrorista levou o singelo título de “Duas vacas, cem galinhas e Al-Qaeda: bem-vindos à “granja Bin Laden”.

Escrito por Emmanuel Duparcq e distribuído pela agência de notícias France Press, o texto exibe a verdade sobre Osama Bin Laden e seu dia a dia, mostrando que o perigoso terrorista (trucidado pelos militares norte-americanos com tamanha violência que nem as fotos podem ser exibidas) não passava de um guerrilheiro aposentado, que já não representava perigo algum.

Duparcq se baseia nas imagens de um video feito por um soldado paquistanês e nos chama atenção para a realidade da vida de um ancião doente e decrépito, um tigre desdentado que já não tinha forças para nada. Na realidade, a única força de que Bin Laden ainda dispunha era a imagem do passado, que agora está sendo usada para reeleger o presidente Barack Obama.

***

Cercado por três mulheres, uma dezena de crianças, uma centena de galinhas, duas vacas e coelhos, o chefe da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, desfrutava de uma vida tranquila, ritmada pelas colheitas de sua pequena granja paquistanesa em Abbottabad.

Em um vídeo gravado com a câmera de um celular por um soldado paquistanês, é possível ver uma dúzia de ovos em cima da pia da cozinha, possivelmente recém-chegados do galinheiro mantido pela família Bin Laden em sua casa, situada no sopé do Himalaia paquistanês.

Na casa branca de três andares, cerca de 20 pessoas viviam em torno do homem mais procurado do mundo.

Cinco delas morreram durante o ataque das forças americanas do último domingo: Bin Laden, um de seus filhos, seus dois guarda-costas – apelidados de “kwuaitianos” – e uma mulher, segundo fontes da segurança paquistanesa.

Os sobreviventes, as três mulheres de Bin Laden e seus filhos, foram detidos pelo exército paquistanês. Durante o interrogatório, Amal Ahmed Adbulfata, uma iemenita de 29 anos, esposa mais jovem do terrorista, afirmou que seu marido vivia naquela casa há cinco anos.

Segundo Washington, os documentos apreendidos na residência de Bin Laden durante a operação que o matou mostram que ele era “o líder ativo da Al-Qaeda”.

O vídeo do soldado paquistanês, gravado na última terça-feira antes que o exército paquistanês esvaziasse por completo a casa, dão uma ideia do dia-a-dia da família e seus agregados, cuja organização ficava a cargo de “Tariq” e “Arshad”, dois irmãos paquistaneses nascidos no Kwuait (daí o apelido), onde seu pai conheceu e tornou-se amigo de Bin Laden.

Ao contrário do que dizem os americanos, a casa de três andares não era luxuosa; mais que uma mansão, o lugar parece uma pequena clínica, um tanto sinistra.

Seu interior é espartano: azulejos cinza, paredes e escadas de concreto nu, móveis rústicos de madeira, colchões de espuma e televisões velhas. O quarto do chefe da Al-Qaeda, cuja família ocupava os dois andares superiores, não é uma exceção.

No jardim, à sombra de altos muros de concreto e grandes choupos, os Bin Laden tinham “duas vacas, dois cachorros e mais de cem galinhas”, enumera Qasim Mohamad, que mora na casa vizinha.

O jovem Zarar, de 14 anos, que também vive ali perto, afirma ter entrado na casa uma vez.

“Vi duas mulheres que falavam em árabe e me deram de presente dois coelhos”, conta.

Apenas um homem era autorizado a entrar de vez em quando nos jardins: Shamrez Mohamad, pai de Qasim, um agricultor que dava de comer aos animais e ajudava a plantar batatas, couve-flor e feijões.

Preso pelo exército paquistanês depois do ataque americano, Mohamad – considerado uma testemunha crucial – foi libertado na sexta-feira. Segundo seu filho, ele deixou Abbottabad.

As vacas, por outro lado, foram levadas pelo exército, e provavelmente acabarão servindo aos soldados de algum quartel.

Na manhã de segunda-feira, Mohammad Kareem, um agente imobiliário, contou ter visto “soldados correndo atrás de galinhas” ao redor da casa.

“Certamente vão comê-las com suas famílias”, comentou.

O que aconteceu com os coelhos, entretanto, ainda é um mistério.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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Escolha o melhor financiamento no Feirão

Victor Amaro
do Agora

Quem está de olho na casa própria vai encontrar no Feirão da Caixa Econômica Federal uma oportunidade de comprar um imóvel, seja novo ou usado. Ao todo, 195.320 unidades estarão à venda. Dessas, 68.599 custam até R$ 170 mil.

O evento tem entrada gratuita e começa nesta sexta-feira, no Centro de Exposições Imigrantes (zona sul da capital). Para comprar uma casa, os visitantes poderão escolher entre três tipos de financiamento (as condições variam de acordo com o valor do imóvel e a faixa de renda).

O Minha Casa, Minha Vida é o mais indicado para famílias que procuram imóveis de, no máximo, R$ 170 mil, e que têm renda de até R$ 4.900. No programa, os juros variam de 4,5% a 8,16%.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta quarta

STJ dá nova revisão para pensões de 95 a 97

Gisele Lobato
do Agora

Quem começou a receber uma pensão por morte do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) entre 29 de abril de 1995 e 9 de dezembro de 1997 pode ter direito a um aumento no benefício.

A revisão vale para pensões concedidas a partir de uma aposentadoria proporcional. Nesses casos, é possível conseguir, com ação na Justiça, o direito à pensão integral, ou seja, sem o desconto de 30% da aposentadoria proporcional. A revisão foi concedida pela Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Tradicionalmente, a pensão é calculada sobre o valor do benefício. Porém, uma lei de 1995 disse que o pagamento deveria ser igual a 100% do salário de benefício do segurado, que é a média das contribuições ao INSS.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta quarta

terça-feira, maio 10, 2011

Jornais: ministra autorizou sobrinha a captar R$ 1,9 milhão

FOLHA DE S.PAULO

Ministra autorizou sobrinha cantora a captar R$ 1,9 milhões
O Ministério da Cultura autorizou a captação de R$ 1,9 milhão para a primeira turnê no Brasil da cantora Bebel Gilberto, sobrinha da titular da pasta, Ana de Hollanda. O projeto "Bebel Gilberto – Sem Contenção" foi apresentado em dezembro passado pela empresa Super Amigos e prevê shows em 11 cidades, além da gravação de um DVD da cantora, que é filha de João Gilberto e Miúcha – irmã da ministra.

Na última sexta-feira, o ministério, que nega irregularidade, autorizou a captação dos recursos em empresas em troca de isenção fiscal. O projeto foi aprovado em março. Andréa Ferraz, dona da Super Amigos, afirmou que "tem alguns projetos aprovados na Lei Rouanet e nunca precisou de ministro algum para aprová-los dentro das exigências legais". A Folha não localizou a cantora.

A Lei Rouanet é o principal mecanismo de financiamento da cultura no país e permite que produtores culturais apresentem projetos para buscar patrocínio na iniciativa privada. As empresas podem abater até 100% do valor patrocinado no Imposto de Renda. O projeto de Bebel Gilberto foi apresentado em 20 de dezembro, mesmo dia em que a presidente Dilma Rousseff formalizou o convite para Ana de Hollanda assumir o Ministério da Cultura.

Planalto intervém para conter crise na pasta da Cultura
O governo decidiu intervir no Ministério da Cultura para tentar controlar o bombardeio sofrido pela titular da pasta, Ana de Hollanda. Com o apoio do PT, escalou uma "interventora" para o órgão com o objetivo de represar a disputa política e evitar que a situação chegue ao ponto em que a presidente Dilma Rousseff se veja obrigada a demitir a ministra.

A secretária nacional de Cultura do PT, Morgana Eneile, foi nomeada assessora especial da ministra com a missão expressa de ajudá-la a debelar a crise e construir uma agenda positiva. Eneile apoiou a indicação de Hollanda para o ministério, em dezembro passado. A ministra tornou-se alvo de críticas por várias razões. Ela quis rever a reforma na lei de direitos autorais prometida por seu antecessor, Juca Ferreira, e suspendeu o pagamento de convênios com indícios de irregularidades.

Também eliminou do site do ministério o selo "Creative Commons", licença para uso livre de conteúdo na internet. Em outra frente, fragilizou-se entre os petistas. Provocou isso ao cancelar a nomeação do sociólogo Emir Sader para presidir a Fundação Casa de Rui Barbosa, depois que ele declarou em entrevista à Folha que a ministra era "meio autista". Todos esses episódios, somados ao uso de diárias de viagem em finais de semana sem agenda oficial, transformaram Ana de Hollanda na mais frágil residente da Esplanada dos Ministérios.

Governo diz que passaportes dos filhos de Lula são legais
O Itamaraty defendeu ontem a decisão de manter a validade dos passaportes diplomáticos dos quatro filhos e três netos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de não ter cumprido o pedido formal de cancelamento do Ministério Público Federal no Distrito Federal.

Em nota, o Itamaraty disse que "todos os passaportes diplomáticos expedidos pelo Ministério das Relações Exteriores até 24 de janeiro de 2011 foram concedidos em estrito cumprimento às regras do decreto 5.978/2006". Para o ministério, não existem "quaisquer elementos que justifiquem questionamentos à motivação ou à legalidade" da concessão dos superpassaportes aos familiares do ex-presidente.

Ontem, o Ministério Público Federal confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que "tomará as medidas judiciais cabíveis" para cancelar os documentos, como a Folha havia antecipado na semana passada. A ação, segundo a Folha apurou, pedirá que a Justiça cancele os benefícios, em caráter de emergência.

Na TV, PSB "lança" Campos e se descola de aliança com PT
O PSB leva ao ar a partir de hoje cinco inserções de rádio e TV voltadas para lançar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como político de expressão nacional, se descolar da aliança com o PT e vender um certo "jeito pessebista" de governar. Os filmes, dirigidos pelo jornalista e publicitário Edson Barbosa, da Link, apresentam o slogan "Um novo caminho para um novo Brasil", que propõe um claro descolamento do PT. Não há nas inserções menção ao governo Dilma Rousseff.

Três dos cinco filmes aos quais a Folha teve acesso são estrelados por Campos. Numa clara tentativa de apresentar o governador ao resto do país, ele aparece defendendo a reforma política. Em outra das peças, louva o que chama de "novo Brasil" e, por fim, defende que o PSB representa o "novo caminho" do slogan.

Serra lança site com críticas ao governo Dilma
O ex-governador de São Paulo e ex-presidenciável tucano José Serra, 69, lançou ontem um site (www.joseserra.com.br) em que pretende fazer um contraponto ao governo e apresentar suas opiniões sobre economia, política e outros assuntos. O site abriga um blog. Foram ao ar três posts, com críticas à política econômica e à estratégia antidrogas do governo Dilma Rousseff. Há ainda uma biografia e área para artigos. O site incentiva compartilhar textos por Twitter, Facebook e e-mail. Os comentários são moderados. Na estreia, a página ficou fora do ar, e o próprio Serra reclamou no Twitter: "Haja paciência".

Cortes na Secretaria de Direitos Humanos chegam a R$ 13,5 milhões
Apesar de o tema de direitos humanos ser uma das prioridades do governo federal, em 2011 os projetos do órgão responsável pelas principais políticas da área receberão R$ 13,5 milhões a menos do que no ano passado. A Lei Orçamentária Anual, aprovada em fevereiro, estabeleceu que a Secretaria Especial de Direitos Humanos terá orçamento de R$ 228 milhões, sendo cerca de R$ 15 milhões em reserva de contingência – verba que é liberada de acordo com a arrecadação. As verbas distribuídas entre os programas e ações da secretaria vão alcançar, assim, R$ 213,1 milhões – ante os R$ 226,6 milhões de 2010.

Cid Gomes diz que o ministro dos Transportes é "inepto e desonesto"
O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), disse em um evento no sábado que o ministro Alfredo Nascimento (Transportes) é "inepto, incompetente e desonesto", ao criticar a situação das estradas federais no Estado. "É um ministro inepto, incompetente e desonesto, que, à frente desse ministério já há vários anos, tem discriminado o Estado do Ceará e feito com que as nossas BRs tenham características absolutamente diferentes", disse em Sobral (CE). O áudio foi publicado pelo site Jangadeiro Online.

Cid Gomes ainda chamou o Departamento de Nacional de Infraestrutura de Transportes de "antro de roubalheira" e convocou a população para um "rally de protesto" na BR-222, considerada a estrada federal em pior estado no Ceará. A Folha tentou ouvir o ministro, mas não achou ninguém do ministério para falar.

PT manterá Delúbio "sob observação", afirma Tarso Genro
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, afirmou ontem à TV Folha que o PT manterá "sob observação" seu ex-tesoureiro Delúbio Soares, readmitido na legenda no último dia 30. "Não estou dizendo que o Delúbio é corrupto. Estou dizendo que é nítido que ele cometeu ilegalidades", disse. Delúbio é réu por corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão.

General Heleno volta a defender o golpe de 64 ao passar para a reserva
Ao passar para a reserva ontem, em solenidade no Quartel-General do Exército, o general Augusto Heleno recorreu à memória do pai, que foi coronel e morreu quando ele era tenente, para defender a ação das Forças Armadas em 1964 "contra a comunização do país". Dirigindo-se ao pai, disse: "Lutastes, em 1964, contra a comunização do país e me ensinastes a identificar e repudiar os que se valem das liberdades democráticas para tentar impor um regime totalitário, de qualquer matiz".

Polêmico e respeitado entre os militares, Heleno foi o primeiro comandante brasileiro da Força de Paz da ONU no Haiti e comandante do Exército na Amazônia, uma das vagas mais disputadas.

Analistas agora preveem inflação menor
Depois de oito semanas seguidas apostando em uma taxa de inflação cada vez mais alta para o ano, economistas ouvidos pelo Banco Central cederam e, pela primeira vez, reduziram suas estimativas para o índice. Segundo a pesquisa Focus, feita semanalmente, a maior parte dos agentes do mercado espera que a inflação ficará em 6,33% no ano, contra estimativa de 6,37% na semana anterior.

O resultado se deve ao fato de que a inflação de abril ficou abaixo da esperada. Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,77%. Economistas previam uma variação de 0,81% no período, e tiveram que ajustar suas estimativas.

O ESTADO DE S. PAULO

Prefeitos apresentam a Dilma conta de quase R$ 28 bilhões na 14ª Marcha
No ano em que antecede as eleições municipais, mais de quatro mil prefeitos desembarcam nesta terça-feira, 10, em Brasília com uma lista de desejos que alcança pelo menos R$ 27,9 bilhões. Participantes da 14.ªMarcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que começa nesta terça e termina na quinta-feira, os prefeitos pretendem pressionar a presidente Dilma Rousseff e o Congresso Nacional.

Do governo federal, os prefeitos querem sobretudo impedir o cancelamento de recursos para obras e dividir a arrecadação das chamadas contribuições com a União. No caso dos restos a pagar (verbas que o governo ainda não liberou), segundo estudo preliminar divulgado na segunda-feira, 9, pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), pelo menos R$ 1,24 bilhão em compromissos assumidos dos anos de 2007 a 2009 será cancelado por decisão do governo federal.

Os ministérios do Planejamento e da Fazenda preferiram não comentar as reivindicações dos prefeitos. A presidente Dilma Rousseff, no entanto, realizou nesta segunda uma reunião com o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, para avaliar os pedidos dos prefeitos. Os municípios não abrem mão do pagamento integral dos restos a pagar, que é de R$ 7,9 bilhões, e vão atuar no Planalto para que haja mudanças nas regras estabelecidas em abril. A estimativa foi elaborada com base em levantamento feito em 9.963 dos 22.835 processos de empenhos feitos entre 2007 e 2009.

Pressionado, Planalto acelera pagamentos de emendas neste mês
O governo pagou na primeira semana de maio R$ 44 milhões de gastos autorizados por meio de emendas parlamentares. A maior parte desse dinheiro (93,5%) refere-se a gastos autorizados até 2010, cujo pagamento havia sido deixado pendente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os chamados "restos a pagar". O valor liberado em apenas uma semana equivale a quase a metade do que foi liberado em abril, a mais de 60% do que foi pago em março e a mais de 90% dos pagamentos de emendas parlamentares em fevereiro.

O levantamento sobre os pagamentos de emendas parlamentares foi feito pela liderança do DEM a pedido do Estado, com base em registros do Siafi, o sistema de acompanhamento de gastos da União. Foram considerados os pagamentos feitos até 6 de maio, dos saldos de emendas parlamentares acumulados desde 2007.

O Estado questionou o ministro Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, sobre o aumento do ritmo de pagamentos de emendas parlamentares em maio, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. A assessoria do ministro informou que ele dedicou a segunda-feira, 9, aos preparativos para a 14.ª marcha dos prefeitos, prevista para esta terça-feira, 10.

PMDB deveria ocupar 'mais cargos no governo', diz presidente do partido
O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), defendeu nesta segunda-feira, 9, o apetite de seu partido por cargos na máquina estatal, mas negou que a agremiação tenha a intenção de romper com o governo por conta de eventuais insatisfações. Na opinião de Raupp, cinco meses após a posse de Dilma Rousseff, o PMDB continua sub-representado no governo. Ele ressaltou, no entanto, que a situação caminha para a normalidade.

"Todo partido que ajuda a ganhar o governo, em qualquer democracia do mundo, deve ajudar a governar também. Eu acho até que o PMDB ocupa menos cargos do que o tamanho que ele tem. Deveria até estar ocupando mais cargos no governo do que está ocupando hoje. Mas acho que isso está próximo de acabar", disse Raupp à TV Estadão.

A entrevista vem três dias depois de o senador, que ocupa o cargo interinamente no lugar do vice-presidente da República, Michel Temer, declarar que o PMDB não descarta romper, em 2014, a aliança que levou Dilma à vitória em 2010. Segundo Raupp, a defesa da candidatura própria não é reflexo de insatisfações com o governo, mas o caminho natural para um partido "do tamanho do PMDB".

Ministra Ana de Hollanda vai devolver diárias que recebeu sem trabalhar
A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, terá de devolver as diárias recebidas por dias de folga no Rio de Janeiro, onde tem imóvel próprio. O pedido foi feito nesta segunda-feira pela Controladoria-Geral da União (CGU) e, segundo a assessoria do Ministério da Cultura, será acatado pela ministra. “Chegou-se ao entendimento conjunto de que seria mais conveniente a devolução dos valores correspondentes às diárias recebidas naqueles dias em que não houve compromissos oficiais”, disse a CGU, em nota.

Segundo a CGU, serão devolvidas nos próximos dias as diárias dos dias 9 e 16 de janeiro, 10, 16 e 17 de abril. O Estado revelou no domingo que a ministra da Cultura tem o hábito de marcar compromissos oficiais fora de Brasília, principalmente no Rio, às sextas e segundas-feiras, e receber a ajuda financeira não só pelos dias de trabalho fora da capital federal como pelos sábados e domingos de folga. Em quatro meses, Ana recebeu cerca de R$ 35,5 mil por 65 diárias, sendo que a agenda não registra compromisso oficial em, no mínimo, 16 desses dias. O custo em passagens aéreas foi de R$ 17,3 mil. A ministra ficou em Brasília em no máximo 4 dos 17 fins de semana desde a posse. As datas mencionadas pela CGU correspondem a, pelo menos, cerca de R$ 3 mil em diárias.

Na nota, a CGU diz “que o número de viagens realizadas pela Ministra da Cultura é plenamente justificado, tendo em vista a localização, no Rio de Janeiro, de um grande número de entidades vinculadas ao Ministério da Cultura”. A devolução das diárias é necessária, segundo a CGU, "tendo em vista, entretanto, que em algumas das viagens a ministra permaneceu no Rio de Janeiro nos finais de semana a fim de atender a compromissos oficiais na segunda-feira".

STF leva aos EUA a 'primeira-dama'
Uma viagem oficial do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, aos Estados Unidos revelou que a Corte conta oficialmente com um posto de primeira-dama. A mulher de Peluso, Lúcia de Toledo Piza Peluso, vai acompanhar o marido e terá passagem aérea de primeira classe bancada pelo tribunal.

Nos EUA, sua missão oficial será estar ao lado de Peluso no jantar oferecido pela embaixada brasileira em Washington para os ministros do STF e da Suprema. O pagamento das despesas de parentes dos ministros em viagem oficial está amparado numa resolução interna do tribunal de setembro de 2010. A resolução segue uma orientação da Corte firmada em outubro de 1995 pelo então presidente, Sepúlveda Pertence.

Os ministros embarcam para os Estados Unidos hoje, após a sessão das turmas do tribunal. Eles só voltam a Brasília no final de semana. Além de Peluso, os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Ellen Gracie vão para Washington participar do mesmo evento, batizado de US-Brazil Judicial Dialogue. O encontro, que deverá reunir magistrados brasileiros e norte-americanos, está marcado para ocorrer de amanhã até sexta-feira na capital norte-americana. Todos eles deverão receber diárias de US$ 485, conforme estabelece a resolução do STF. Esse dinheiro deverá servir para cobrir gastos com hospedagem, transporte e alimentação.

Petrobrás contratou empresa doadora de líder do governo
A Imetame Metalmecânica Ltda., empresa cujo fundador doou na campanha do ano passado R$ 1 milhão a mais que o autorizado pela legislação eleitoral para o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), fechou pelo menos dois contratos milionários com a Petrobrás em 2010. Os acordos somam US$ 145 milhões.

Os contratos são referentes às obras de um terminal industrial em Barra do Sahy, junto ao estaleiro Jurong, em Aracruz (ES). A Imetame foi anunciada vencedora de duas licitações da estatal para construção de estruturas para plataformas de exploração de petróleo. Um contrato é de US$ 65 milhões e o outro, de US$ 80 milhões.

A Imetame é dirigida pelo empresário Étore Selvatici Cavallieri, que mantém relações de amizade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ex-torneiro mecânico da Aracruz Florestal, Étore fundou a Imetame em 1980, em sociedade com José Carlos Guastti, soldador de profissão.

Cid Gomes ataca ministro dos Transportes: 'inepto e desonesto'
Usando um estilo que mais lembra o irmão Ciro Gomes, o governador do Ceará, Cid Gomes, ambos do PSB, desferiu duras críticas ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Cid Gomes responsabilizou os dois órgãos federais pelas péssimas condições nas BRs que cortam o Ceará. Chamou o ministro de "inepto, incompetente e desonesto", classificou o ministério de "laia" e o Dnit de "quadrilha" e propôs aos cearenses um "rally" pelos buracos da BR-222, que está marcado para o dia 16 deste mês. Com isso, o socialista pretende chamar a atenção para o problema.

"O Ministério dos Transportes tem tratado o Ceará de forma desigual e descompromissada. Nenhum outro Estado da Federação tem uma situação tão caótica, principalmente em se tratando da BR-222", disse Cid Gomes, neste sábado, 7, em Sobral. O governador deu as declarações durante passagem do "Governo do Ceará na Minha Cidade", programa no qual ele percorre cidades do interior para ouvir a demanda dos cearenses. Cid disse que iria levar essa questão das estradas, pessoalmente, à presidente Dilma Rousseff (PT).

Os ataques do governador cearense ao ministro dos transportes foram gravados pelo radialista Walter Lessa, da Rede Jangadeiro FM Sobral. No áudio, que foi parar na internet, Cid chama Alfredo Nascimento de "ministro inepto, incompetente e desonesto".

Novo secretário de Parceria de Kassab tem seis condenações judiciais
O prefeito Gilberto Kassab (PSD) nomeou para a Secretaria de Participação e Parceria Uebe Rezeck, ex-prefeito de Barretos que tem contra si seis condenações judiciais, uma delas confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Na capital, Rezeck vai comandar neste ano um orçamento de R$ 96 milhões. Réu em 93 ações nos últimos 14 anos, ele é primeiro suplente a deputado estadual pelo PMDB e afirma que recorreu de todas as decisões. Também alega ser vítima de perseguição política na cidade que comandou por três mandatos.

Os motivos que levaram Rezeck a ser condenado pela Justiça são atribuir ilegalmente vencimentos por férias vencidas e 13.º salário a si mesmo e ao então vice-prefeito de Barretos, Afonso Celso das Neves, entre 1997 e 2004, nomear a sobrinha como funcionária fantasma da Secretaria Municipal da Saúde, alugar imóvel de mulher de vereador sem licitação, promover publicidade indevida em cartões de Natal e placas pela cidade, cortar repasse de verbas à Câmara e nomear chefe de setor indevidamente para órgão municipal. São duas ações por improbidade administrativa, três ações civis públicas e uma ação popular.

'Se pagar mensalinho aqui, mensalão ali, ninguém denuncia', diz Rezeck (trecho de entrevista)
O secretário municipal de Participação e Parceria, Uebe Rezeck, atribuiu as seis condenações e outras ações na Justiça aos desafetos feitos em mais de 40 anos de vida pública. Ele falou ao Estado na sexta-feira acompanhado da assessora jurídica da pasta.

Por que receber férias vencidas e 13º sem previsão legal?

Desembargador, governador, deputado, senador, secretários, todos os assessores da prefeitura recebem férias e 13.º. O prefeito, dizem que não. O Tribunal de Contas decidiu que cabe ao prefeito receber. Eu recebi. Onde há improbidade? Está em Brasília e vou ganhar, com a graça de Deus.

E sobre a contratação da sobrinha, como funcionária fantasma?

Essa moça atuou na Secretaria Municipal da Saúde (de Barretos), que recebeu recurso do governo federal para um projeto. Ela trabalhou, mas, como era projeto, não era funcionária pública de ninguém. Não tinha ponto assinado. A diretora da Regional de Saúde e o secretário diziam que ela trabalhava. O dinheiro não era da prefeitura, o prefeito não pagou, não dependia de nomeação. Não tem pé nem cabeça (a acusação).

A Justiça o condenou por ter alugado o imóvel da mulher de um vereador sem licitação.

Prefeito não aluga imóvel. A secretaria foi quem procurou o imóvel mais barato, com acesso a portador de deficiência. Não passou pelo prefeito, mas não teria problema nenhum se passasse. Onde é que tinha improbidade, meu Deus do céu? Como vai promover concorrência para alugar uma casa? É preciso buscar o lugar necessário. Essa moça atuou na Secretaria Municipal da Saúde (de Barretos), que recebeu recurso do governo federal para um projeto. Ela trabalhou, mas, como era projeto, não era funcionária pública de ninguém. Não tinha ponto assinado. A diretora da Regional de Saúde e o secretário diziam que ela trabalhava. O dinheiro não era da prefeitura, o prefeito não pagou, não dependia de nomeação. Não tem pé nem cabeça (a acusação).

Juízes federais também querem ter 'bolsa-aluguel'
A exemplo dos Ministérios Públicos Estaduais, juízes federais querem receber auxílio-moradia. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) tenta, desde o ano passado no Supremo Tribunal Federal (STF), garantir o pagamento do benefício que está previsto na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

O relator da ação, ministro Joaquim Barbosa, negou o pedido de liminar da Ajufe para que o pagamento começasse a ser feito imediatamente. Na decisão, o ministro lembrou que os juízes são pagos por sistema de subsídio, uma parcela única que não admite outros benefícios adicionais. "É fato notório que os magistrados federais são atualmente remunerados por meio de subsídio, que, por natureza, indica o englobamento em valor único de parcelas anteriormente pagas em separado", afirmou Barbosa em sua decisão. Assim como os juízes, os integrantes do Ministério Público também recebem subsídios.

Outros benefícios pagos para integrantes do Ministério Público estão também por trás da recente paralisação e da greve que os juízes federais ameaçam fazer nos próximos meses. Dentre as reivindicações dos magistrados para não pararem de trabalhar estão os benefícios que são reservados para os funcionários do Ministério Público: possibilidade de vender parte das férias de 60 dias, auxílio-alimentação e licença-prêmio (três meses de licença a cada cinco anos de trabalho).

Brasil pode integrar grupo de países contra o tráfico de armas e drogas
O Brasil será convidado a participar de um grupo de países que desenvolverá ações conjuntas contra o crime organizado, em especial o tráfico de drogas e de armas. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 9, em Paris, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A criação do grupo será discutida nesta terça-feira, 10, em uma reunião de ministros de Justiça e Segurança dos países-membros do G-8, mais governos convidados.

O objetivo do grupo seria integrar ações de inteligência e de repressão em diferentes países, organizando o trabalho de polícias nacionais, caso da Polícia Federal no Brasil. A proposta de criação do grupo foi feita pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, aos demais membros do G-8 - Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e Rússia. Para discutir detalhes do projeto, uma reunião de ministros foi programada para hoje, em Paris, com a participação de países convidados, entre os quais o Brasil.

"É uma discussão muito saudável, porque é um problema que transcende fronteiras", afirmou Cardozo. "A ideia da troca de informações é chave, sem que você venha a perder a sua identidade e a sua soberania." Segundo o ministro, o Brasil foi convidado a participar por suas dimensões geográficas e econômicas e pelo fato de fazer fronteira com grandes produtores de cocaína, como Colômbia e Peru, e maconha, caso do Paraguai.

CORREIO BRAZILIENSE

Planalto dribla deputados
Submersos no clima de negociações em torno do Código Florestal, os deputados aprovaram, na semana passada, quase que sem perceber, uma medida provisória na qual o governo dribla o Legislativo, reformulando o destino de bilhões de reais previstos no Orçamento de 2010 e referendando, a toque de caixa, uma lista de projetos de lei apresentados ao Congresso no ano passado e que não foi adiante por falta de consenso. Na prática, os parlamentares permitiram que o Executivo tirasse dinheiro das emendas apresentadas por eles mesmos para aplicar diretamente em outros programas.

A aprovação da MP n° 515/2010 na última terça-feira foi decidida durante uma reunião de lideranças marcada para discutir as mudanças na legislação ambiental. Diante das dificuldades em encontrar um acordo para o projeto na pauta, o líder governista, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), propôs que a medida provisória entrasse na pauta para que algo fosse votado naquele dia. A ideia foi aceita rapidamente e as assessorias correram para distribuir o texto da proposta, que destinou R$ 26 bilhões para diversos órgãos do governo e do Judiciário. O resumo na mensagem palaciana dizia apenas tratar-se da concessão de créditos para a “Justiça do Trabalho e diversos órgãos do Executivo”.

No plenário, parte dos líderes se baseou no relatório do deputado Fabio Trad (PMDB-MS) para orientar as bancadas. No texto do relator, no entanto, havia pouca informação sobre a origem do dinheiro e nenhuma referência ao fato de que parte dos remanejamentos feitos pelo Executivo nos programas dos ministérios teriam sido objeto de emendas parlamentares que não foram liberadas. Questionado sobre a possibilidade de a medida representar um drible no Legislativo, o relator foi evasivo. “Sei que esse dinheiro virá de recursos contingenciados no ano passado. Eles não iriam ser liberados. Agora, serão destinados a outros programas, diferentes dos previstos inicialmente, ainda que dentro dos mesmos ministérios. Mas se me perguntar se nesse bolo há dinheiro previsto para emendas parlamentares, diria que é possível, sim, mas não fiz esse levantamento meu relatório”, comenta Trad.

“Eu chamei a atenção dos colegas para a manobra do governo. Mas as pessoas estavam com muita pressa para aprovar a matéria e não me deram ouvidos. Com essa proposta, o Executivo não apenas mudou o destino do dinheiro que o Congresso tinha aprovado no Orçamento, como impôs sua vontade mais uma vez”, comentou o líder do PSol, deputado Chico Alencar (RJ).

Recuo em dois pontos do Código Florestal
Os dois lados que verdadeiramente se enfrentam na definição do novo Código Florestal Brasileiro passaram a segunda-feira — véspera do dia marcado para a votação da proposta na Câmara — em frentes opostas, distantes de uma negociação conjunta e de um acordo político. Os líderes ruralistas se reúnem em Brasília desde a tarde de domingo para afinar as estratégias que possam garantir a votação hoje em plenário, conforme agendado. A bancada quer o texto do relator Aldo Rebelo (PCdoB-SP) aprovado na íntegra. Para hoje, está previsto um encontro com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, numa tentativa de fazer valer os pontos mais polêmicos do projeto. Já o governo bate cabeça e admite adiar a votação. Na tarde de ontem, o Ministério do Meio Ambiente definiu um recuo parcial nos dois pontos que impediram a votação do novo código até agora, mas a pasta foi excluída das negociações comandadas pela Casa Civil. “Esse é um momento bem delicado, de decisão”, diz um dos integrantes do governo que participam das negociações. “Estamos apreensivos (com a falta de contato da Casa Civil)”, afirma um integrante do ministério.

À noite, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), reuniu-se com o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e com o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio. As articulações do governo foram paralelas à movimentação dos deputados ruralistas. “A nossa ideia é não criar arestas. E manter o quanto for possível os entendimentos de Aldo no relatório”, afirma o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Moreira Mendes (PPS-RO). Diante da resistência de Aldo Rebelo em recuar sobre a isenção de recomposição de reserva legal em propriedades de até quatro módulos fiscais e sobre a permanência de terrenos consolidados em áreas de preservação permanente (APPs), o governo decidiu fazer concessões nos dois pontos, pelo menos no âmbito do Ministério do Meio Ambiente. Só não se sabe se a Casa Civil vai incorporar os recuos e tentar um acordo com o relator, o que torna imprevisível a ocorrência da votação do relatório na noite de hoje.

Prefeitos miram "restos" de R$ 1,3 bi
Os representantes de 4,2 mil municípios começam hoje a sua XIV Marcha dispostos a abrir uma guerra com o governo em quatro frentes: a derrubada do veto sobre a distribuição dos royalties do petróleo; a votação da Emenda 29, que turbina os recursos da Saúde; a retomada dos restos a pagar e a redistribuição do bolo tributário. Sem esperanças quanto à partilha das contribuições que são de arrecadação exclusiva da União, a ideia é centrar fogo nos royalties e nos restos a pagar.

A presidente Dilma Rousseff, preocupada com a aprovação da Emenda 29 sem acréscimo de receita para cumpri-la e com o veto dos royalties, vai marcar presença na abertura do evento, hoje no fim da tarde, e pediu que todos os ministros envolvidos com questões municipais compareçam à marcha. O governo apresentará aos prefeitos o pacote de projetos do programa de combate à miséria e falará do empenho em reduzir a burocracia dos convênios para acelerar a liberação de recursos. Quanto aos tópicos da pauta, antecipados ontem pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, o governo pedirá prazo.

A justificativa é a de que não há recursos para atender a todos os pedidos, em especial a retomada de restos a pagar. Embora tivessem sido separados para pagamento futuro (empenhados), muitos nem sequer tiveram as obras contratadas. “Antigamente, o empenho era um compromisso que o governo honrava. Hoje, não vale nada. O governo empenha e depois simplesmente cancela, mesmo quando a prefeitura já gastou com projetos e outros pontos”, criticou Ziulkoski.

Presentes, mas descrentes
Ano após ano, prefeitos de todo o Brasil se reúnem na capital com duas expectativas: resolver pendências antigas que beneficiariam os municípios e voltar com a notícia de repasses imediatos de verba para suas cidades. A esperança, no entanto, não tem saído do imaginário deles: questionados sobre as conquistas de marchas anteriores, prefeitos só conseguiram se lembrar de três retornos de maior impacto. São eles: a reposição de parte das perdas do FPM depois de a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); o adicional de 1% do FPM para ajudar as prefeituras a pagar o 13º salário; e o aumento do repasse para merenda escolar.

Diante da pauta extensa e repetitiva, chefes de Executivo não depositam muita expectativa no encontro. “Há um cansaço entre os prefeitos. Sentimos que nada sai do lugar. Queremos apresentar uma pauta mais clara e objetiva”, diz o presidente da Associação Mineira de Municípios, Ângelo Roncalli (PR), prefeito de São Gonçalo do Pará, que leva como sugestão inédita o fim das emendas parlamentares. A impressão é compartilhada pelo ex-presidente da mesma associação José Milton de Carvalho (PSDB), que comanda Conselheiro Lafaiete: “Acredito que 90% da pauta da marcha é repetida”.

Licitações de volta à pauta
O governo fará hoje nova tentativa de aprovar a proposta que flexibiliza as regras de licitação para obras de infraestrutura nas cidades que receberão os jogos da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O Palácio do Planalto já havia tentado, sem sucesso, votar a matéria em março. Agora, o projeto elaborado em conjunto pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e técnicos do governo será inserido no corpo da Medida Provisória n° 521, que trata do aumento da bolsa para médicos residentes. A oposição critica o que chama de “contrabando” dentro do texto original da MP.

Em busca de acordo, oposicionistas chegaram a entregar ao líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), seis pedidos de alterações na iniciativa. Caso os pontos não sejam incorporados ao texto, PSDB e DEM anunciaram que vão obstruir a votação em plenário. “O governo pretende aprovar um projeto como esse sem deixar digitais, por meio de uma MP que trata de bolsas para médicos. A proposta ainda tem vários absurdos, como a possibilidade de uma construtora fazer um alojamento sem que o contratante, no caso a União ou os estados, possa escolher portas, janelas, tipo de piso e as especificações da obra”, reclama o líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP).

A oposição também critica a possibilidade de abertura de licitação sem projeto básico e a prerrogativa de o segundo colocado no certame poder tocar a obra em caso de desistência do vencedor, sem necessidade de se adequar ao preço mais baixo. “Não queremos prejudicar a Copa, mas faz três anos e meio que sabemos que haverá o Mundial. O governo teve tempo para se mexer, mas não se mobilizou porque é mal gerenciado”, critica Nogueira.

Brasileiro já deve mais do que ganha
Os brasileiros levaram à risca os conselhos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para consumir, foram às compras em 2010 e perderam o controle. Pela primeira vez em cinco anos, 53% das famílias estão gastando mais do que recebem. Estudo elaborado pelas empresas de pesquisa Nielsen e Kantar Worldpane, a pedido da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), mostra que a renda média subiu 13% no ano passado e atingiu R$ 2.146, mas as despesas foram maiores (R$ 2.171). Dados do Banco Central (BC) revelam que as pessoas devem R$ 806 bilhões a bancos e cooperativas de crédito.

Em 2010, os trabalhadores destinaram R$ 192 bilhões para pagar juros de empréstimos, segundo levantamento feito pela Federação do Comércio de São Paulo, com base em estatísticas do BC. Nos primeiros quatro meses do ano, os trabalhadores desembolsaram R$ 54,4 bilhões em juros, um quarto de todos os recursos que o governo quer usar com o programa Bolsa Família em 2011. Desse total, R$ 4 bilhões foram decorrentes da pressão da retomada de alta da taxa Selic pelo BC desde janeiro. Ou seja, com orçamento deficitário, o brasileiro tem que gastar mais em juros para equilibrar as contas.

Ministro condena cartel
A concorrência de preço entre os postos de combustíveis do Distrito Federal está cada vez menor. De acordo com o mais recente levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço mínimo da gasolina na capital federal saltou R$ 0,10 nas últimas três semanas: de R$ 2,83 para R$ 2,93. As poucas opções que os consumidores tinham para pagar menos na hora de abastecer sumiram. Nas bombas, os valores são praticamente idênticos, com variação de apenas R$ 0,01, segundo o levantamento oficial, ou seja, nos postos pesquisados pela agência, o litro do combustível varia de R$ 2,93 a R$ 2,94.

Ontem, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, voltou falar na existência de um cartel de combustíveis no DF. “Está havendo aqui em Brasília e em São Luís, nitidamente, um cartel. Pedi que a ANP fosse ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que esse descalabro fosse resolvido”, afirmou, ao sair de uma cerimônia na Câmara dos Deputados. O Cade é vinculado ao Ministério da Justiça.

De acordo com Lobão, o combustível sai das refinarias com o mesmo preço há nove anos. O aumento, acrescentou ele, tem ocorrido nas distribuidoras e nos postos. O ministro avisou que as punições para os revendedores serão severas daqui para frente. No mês passado, a pedido de Lobão, a ANP concluiu estudo em que considerou “inaceitável” o comportamento dos preços na capital do país. Os números foram enviados à Secretaria de Direito Econômico (SDE), ligada ao Ministério da Justiça, que investiga as denúncias contra o setor de Brasília desde 2009. O ministro afirmou ainda que, a partir de agora, as punições para os donos de postos que combinarem preços serão mais rigorosas, incluindo a cobrança de multa e até mesmo o fechamento dos estabelecimentos.

Sabatina define três ministros
Os juristas indicados pela presidente Dilma Rousseff para as três vagas de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) serão sabatinados hoje, às 10h, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Advogados de carreira, Antônio Carlos Ferreira, 54 anos, Ricardo Villas Bôas Cuêva, 48, e Sebastião Alves dos Reis Júnior, 46, foram escolhidos após um longo processo de seleção, que incluiu eleições na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e no STJ, além de entrevista com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Após a sabatina, as indicações dos futuros ministros serão apreciadas em plenário.

O GLOBO

A banalização das CPIs
Um levantamento feito pelo GLOBO nos principais estados brasileiros para conferir o uso que as Assembleias Legislativas têm feito do seu mais poderoso instrumento de investigação, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), revelou um cenário preocupante. Criados para fiscalizar prioritariamente ações governamentais, esses colegiados estão tendo sua função deturpada. O desvio, muitas vezes, é patrocinado pelos governos estaduais e visa a impedir investigações sobre a administração pública.

São inúmeros os exemplos de CPIs que, nos últimos anos, preferiram se debruçar sobre os assuntos mais variados do que focar em questões de responsabilidade dos governos. Deputados fazem CPI para tudo, da qualidade do serviço de TV a cabo e de operadora de celular ao preço do leite e do café. Em pelo menos sete estados, O GLOBO encontrou CPIs questionáveis. O caso mais emblemático do desvirtuamento das CPIs está em São Paulo, o maior Legislativo estadual, que custará neste ano R$680 milhões aos cofres públicos. As cinco CPIs previstas para este ano vão apurar: 1) a qualidade dos serviços de TV por assinatura; 2) a qualidade do ensino superior privado; 3) a qualidade dos serviços odontológicos por planos de saúde; 4) a remuneração paga aos médicos pelos planos de saúde; 5) as causas do consumo abusivo de álcool.

Todas são de autoria de deputados governistas e, estrategicamente, miram na iniciativa privada. São alvos das CPIs o serviço de TV por assinatura, setor regulado pelo governo federal por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e os planos de saúde, por meio da Agência Nacional de Saúde (ANS). O caso foi parar na Justiça, que concedeu este mês liminar suspendendo temporariamente a instalação das comissões. O pedido foi da oposição, que viu parar no último lugar de uma fila de 13 proposições sua CPI que investigaria se o preço das tarifas de pedágio nas rodovias paulistas estão de acordo com os contratos assinados com o governo. Já na lista de CPIs da bancada governista há pedido de apuração sobre o consumo de gordura trans pela população e o abuso do telemarketing.

“Não houve mudança legal oriunda de CPI” (trecho de entrevista)
Fundador do Instituto CPI Brasil e autor do livro que leva o nome da ONG, o cientista político e advogado Wellington de Oliveira vê mau uso das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) por todos os Legislativos brasileiros e diz que esse é mais um indício de que os parlamentares estão fugindo da sua obrigação de fiscalizar a administração pública.

Qual é o papel de uma CPI?

WELLINGTON DE OLIVEIRA: CPI é um colegiado instituído para investigar desmandos na administração pública. Ela deve se debruçar sobre assuntos de Estado. O artigo 49, inciso X da Constituição, é claro quando diz que é de competência do Congresso Nacional fiscalizar e controlar diretamente, por qualquer uma de suas casas, os atos do Poder Executivo.

É legítimo usar CPI para investigar assuntos referentes a relações privadas, como tem acontecido em muitos Legislativos estaduais?

WELLINGTON: Em princípio, a instalação dessas comissões sobre TV a cabo ou universidades privadas não tem o foco desejado pela lei. Além disso, o que eu tenho visto é que elas também não têm um objeto de investigação definido, como é obrigatório em toda CPI. É como se uma delegacia abrisse um inquérito para apurar, de forma genérica, arrombamentos de lojas em São Paulo. Não pode. Mas os Legislativos, não só os estaduais, como o Congresso Nacional, fazem isso, deturpando um instituto de grande importância para a democracia.

É de sua autoria o livro "CPI-Brasil, a real efetividade de uma investigação parlamentar". A que conclusão chegou sobre os resultados das CPIs?

WELLINGTON: Eu investiguei todas as CPIs abertas no último mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso e no primeiro mandato do presidente Lula. Foram 29 comissões instaladas na Câmara. Para analisar a efetividades delas, eu pesquisei quantos projetos de lei recomendados em seus relatórios finais foram, de fato, votados. Foram apresentados quase 70 projetos de lei, nenhum foi sequer votado em plenário até hoje. Ou seja, recursos e tempo foram consumidos, e não houve nenhuma mudança legal oriunda de uma CPI. Iniciei neste ano um levantamento deste tipo nas 27 Assembleias Legislativas e, pelo que estou vendo, não tenho dúvida de que a situação será bem parecida.

Em SC e MG, jejum de comissões
A situação é típica de parlamentos onde a bancada governista é muito superior à da oposição. Mesmo sendo definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um instrumento das minorias no parlamento, na Assembleia mineira, por exemplo, os deputados oposicionistas não conseguiram arregimentar, nos últimos anos, assinaturas suficientes - 26 de 77 deputados - para apresentar um pedido de CPI. As últimas comissões instauradas foram em 2004 e 2005. A primeira tinha como foco o desaparecimento de milhares de sacas de café. A outra foi aberta para investigar o processo de licenciamento ambiental das atividades da mineradora MBR.

- Como não tínhamos nem um terço das assinaturas, eles nem tiveram o trabalho de protocolar pedidos de CPI para eventualmente barrar comissões que não interessassem ao governo. Agora passamos a ter perto de um terço. As coisas devem mudar - disse o líder da oposição na Assembleia mineira, Rogério Correia (PT). Na semana passada, nova tentativa terminou fracassada. Por falta de assinaturas, foi arquivado o pedido de CPI sobre repasses de verbas à rádio Arco-Íris, ligada à família do ex-governador e atual senador Aécio Neves (PSDB-MG). Para a oposição, a emissora foi privilegiada nos repasses.

Delta: Dirceu assessorava negócios do exterior
O presidente da Delta Construções, Fernando Cavendish, negou ontem que tenha contratado o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu como lobista para obter facilidades no governo federal. Ele atribuiu a denúncia de seus ex-sócios à contenda jurídica entre a Delta e os engenheiros José Augusto Quintella Freire e Romênio Machado. Os dois engenheiros acusaram Cavendish de contratar, em 2009, a JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu, para se aproximar do governo petista.

A Delta e Dirceu confirmam a contratação, mas com o objetivo de assessorar a empresa em negócios no exterior. Dirceu recebeu, segundo a empreiteira, quatro pagamentos mensais de R$20 mil. O contrato, com validade de um semestre, teria sido suspenso no quarto mês. Quintella e Machado eram donos da Sigma Engenharia, especialista em construções do setor de óleo e gás. A companhia foi comprada pela Delta em 2008 e transformada em Delta Engenharia e Montagem Industrial Ltda. A Delta informou que "tomou a iniciativa de desfazer o negócio". O caso está em julgamento.

Partidos receberão este ano R$265 milhões
Instrumento que ajuda a engordar as finanças partidárias e a pagar dívidas de campanha, o fundo partidário continuará existindo mesmo que o Congresso aprove o financiamento público de campanhas eleitorais. De acordo com as propostas de reforma política, seriam dois fundos, um eleitoral e o partidário, ambos com recursos públicos orçamentários. O fundo eleitoral seria formado por mais de R$800 milhões. Este ano, os 27 partidos registrados vão receber R$265,3 milhões do fundo partidário, R$105 milhões a mais que o montante pago em 2010. Desde 2001, os partidos foram beneficiados com mais de R$1,4 bilhão em recursos públicos, via fundo.

As verbas extras deste ano, autorizadas no Orçamento da União, podem ajudar as siglas a saldar dívidas. Só com o que recebeu entre janeiro e abril deste ano do fundo partidário - R$14,4 milhões -, o PT já paga quase a totalidade da dívida que acumulou na eleição de 2010, cerca de R$16 milhões. O PSDB anunciou déficit de R$11,4 milhões. Mas, entre janeiro e abril deste ano, já recebeu do fundo quase R$10 milhões. Já o PV fechou as contas de campanha com déficit de R$2,4 milhões. Nestes primeiros quatro meses, o repasse do fundo partidário ao PV foi de R$3,3 milhões.

Governo negocia abrir mão de reflorestar 23 milhões de hectares
Em nome de um acordo para votar a reforma do Código Florestal ainda hoje ou amanhã, o governo está disposto a abrir mão de reflorestar 23 milhões de hectares de reserva legal desmatada ilegalmente. A área corresponde a quase o total do tamanho de Rondônia ou mais do que cinco vezes o Estado do Rio. A conta foi feita pelo Ministério do Meio Ambiente, que considerou o atual passivo ambiental de reservas legais desmatadas (43 milhões de hectares) e subtraiu o montante que deixará de ser recuperado pelos novos critérios previstos no projeto que muda o código.

O texto autoriza produtores a somarem Área de Preservação Permanente (APP) com reserva legal. Também está na mesa de negociação, com aval do governo, a isenção aos agricultores familiares. O relator da matéria na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), quer ampliar ainda mais a concessão, livrando todos os agricultores com até quatro módulos fiscais (de 20 a 400 hectares) da obrigação de reflorestar. O governo não aceita isso, mas sinalizou que aceita incluir também os pequenos agricultores que fazem parte de cooperativas. Se o texto for aprovado desta forma, uma parcela ainda menor do passivo ambiental será recuperada.

No entanto, diminuiu a distância entre a proposta do relator e a do governo, que haviam chegado a um impasse no fim da semana passada. O Meio Ambiente enviou à Casa Civil sua contraproposta à última versão do relatório de Aldo, apresentado no último dia 2. A sugestão do governo inclui ainda a fixação de limites mínimos de recuperação de matas ciliares (às margens de rios), possibilitando que algumas plantações, e até pasto, sejam mantidos em áreas demarcadas como APP.

Batalha por acesso a royalties do petróleo une prefeitos em Brasília
Diferentemente do ano passado, quando, no calor da pré-campanha eleitoral, os candidatos a presidente disputaram espaço na plenária dos prefeitos, este ano os líderes da XIV Marcha em Defesa dos Municípios, que começa hoje, em Brasília, já sabem que podem voltar para casa de mãos abanando. A principal bandeira este ano é a derrubada, pelo Congresso, do veto do ex-presidente Lula à distribuição dos royalties sobre a exploração de petróleo para todos os estados, o que acrescentaria aos cofres das prefeituras cerca de R$8 bilhões ao ano. Uma batalha difícil.

Hoje, a maior parte da arrecadação com os royalties fica basicamente com a União e com os estados do Rio e do Espírito Santo. A presidente Dilma prestigiará hoje, no fim da tarde, a abertura do evento. Mas o governo não está disposto a derrubar o veto presidencial. Ainda assim, a intenção é levar milhares de prefeitos ao Congresso para pressionar deputados e senadores. – O mais importante para a Marcha é a votação da derrubada do veto dos royalties - disse Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios.

Maciel cuidará de trânsito em SP
Com um olho no PSD e outro nos companheiros de alto escalão do DEM, seu ex-partido, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, convidou o ex-senador e ex-vice-presidente da República Marco Maciel para o cargo de conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da SPTuris, empresas que administram o trânsito em São Paulo. Maciel receberá R$12 mil mensais para participar de uma reunião por mês em cada órgão da prefeitura.

Kassab não conseguiu detalhar a função de Maciel no cargo. Caberá ao ex-vice-presidente dar sugestões sobre o trânsito paulistano. Maciel não soube explicar sua missão na prefeitura: - Só participei até agora de uma reunião, e nem foi na CET, mas na SPTuris - disse ele, nomeado no último dia 27.

Indagado se o convite fora feito por Kassab, Maciel foi de poucas palavras: - Acho que sim. Para explicar a contratação, Kassab disse que era uma homenagem a um "importante homem público". Depois afirmou que Maciel, que não conseguiu se reeleger senador, pode contribuir com a administração.

Serra amplia arsenal digital contra Dilma
Depois de usar o Twitter para criticar o governo federal, o tucano José Serra resolveu ampliar sua rede virtual em oposição aos governos de Dilma Rousseff e de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva. O tucano estreou ontem um blog com críticas generalizadas sobre a política antidroga do governo, geração de emprego e gargalos de infraestrutura, além de carências em saneamento, educação e saúde.

Serra ironizou o lançamento, no Rio, da campanha de desarmamento, pois, segundo ele, trata-se de uma cidade a 1.500 quilômetros da fronteira por onde entram as armas que vão parar nas mãos dos traficantes. O Ministério da Justiça informou que se trata de uma campanha para todo o país e que o Rio foi escolhido por ter sido palco de um massacre nunca antes registrado no Brasil. No artigo "A prática desmente o discurso", Serra atacou a falta de investimento no combate ao tráfico de armas. "Sem recursos básicos nem efetivo suficiente na fronteira, a polícia não tem como conter a entrada da cocaína pelo estado", diz ele, citando problemas nas fronteiras do Acre.
Fonte: Congressoemfoco

Um quinto dos deputados responde a processo no STF

Atualmente 114 deputados são alvos de 243 inquéritos e ações penais no Supremo. Crimes eleitorais, contra as Leis de Licitações e de responsabilidade são as acusações mais comuns. Os números cresceram muito em comparação ao mesmo período na legislatura passada

114 deputados respondem a processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal

Edson Sardinha e Fábio Góis

Um em cada cinco deputados responde a algum tipo de processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Dos 566 deputados que assumiram mandato este ano, entre titulares, suplentes e licenciados, 114 são alvos de investigação na mais alta corte do país. Esses parlamentares acumulam 243 inquéritos e ações penais, de acordo com levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco.

Veja a relação dos deputados com pendências no STF

Veja o que dizem os deputados em sua defesa

Em 78 casos, a Justiça encontrou elementos para transformar 51 deputados em réus, acolhendo parecer do Ministério Público Federal por entender que há fortes indícios de envolvimento dos acusados nos crimes atribuídos a eles. Os demais 165 procedimentos estão na fase de inquérito, ou seja, investigação preliminar que pode resultar no pedido de abertura de uma ação penal. Nessa etapa, os parlamentares são considerados apenas suspeitos.

As investigações contra parlamentares cresceram, significativamente, em comparação com igual período - ou seja, nos quatro primeiros meses - da legislatura passada. Em abril de 2007, havia 197 processos contra 101 deputados e senadores. Hoje 136 congressistas (22 deles senadores) acumulam 293 processos (50 envolvendo senadores) no STF. Ou seja, de lá pra cá, houve um aumento de 35% no número de congressistas investigados e de 48% na quantidade de procedimentos em andamento na corte contra parlamentares.

Veja a relação dos senadores com pendências no STF

Veja o que dizem os senadores em sua defesa

Mais de 30 crimes

As acusações contra os deputados alcançam aproximadamente 35 tipos de crime. Seis deles se repetem mais de dez vezes. As denúncias mais comuns são por crimes eleitorais e contra a Lei de Licitações, que aparecem 38 e 37 vezes, respectivamente. Depois, vêm os crimes de responsabilidade, geralmente decorrentes de contestações de atos cometidos em outros cargos públicos, com 33 ocorrências. Também são frequentes as investigações por desvio de recursos públicos (peculato), que surgem 19 vezes, por crimes contra a ordem tributária, com 14 registros, e pelos chamados crimes de opinião, como calúnia, injúria e difamação, que somam 13 casos.

Entre as demais acusações, há de tudo um pouco: trabalho escravo, corrupção passiva e ativa, estelionato, crime contra o sistema financeiro e a ordem tributária, coação, lesões corporais, crime contra a liberdade pessoal e até homicídio qualificado, como revelou o Congresso em Foco na semana passada.

Ao todo, 14 deputados são réus em mais de um caso. Marco Tebaldi (PSDB-SC), com cinco, Lira Maia (DEM-PA), Abelardo Camarinha (PSB-SP) e João Paulo Lima (PT-PE), com quatro cada, são os que têm mais ações penais contra si. Quando são somados os inquéritos, as duas primeiras colocações ficam com Lira Maia, com 14 procedimentos, e Camarinha, com 12.

PMDB e PP na frente

A relação dos deputados sob investigação reúne representantes de 14 partidos políticos e todas as unidades federativas. As legendas com mais deputados investigados são o PMDB, com 21; o PP, com 17; o PT, com 13, e o PSDB, o DEM e o PR, com 12 nomes cada. Dono da maior bancada, São Paulo tem o maior número de representantes investigados. São 18 deputados paulistas. A segunda representação mais numerosa, a de Minas Gerais, vem a seguir, com 15 investigados. Rio de Janeiro e Bahia, com sete, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso, com seis, aparecem na sequência.

Cinco dos parlamentares com pendências judiciais fazem parte do Conselho de Ética da Câmara, como titular ou suplente: Assis Carvalho (PT-PI), Wladimir Costa (PMDB-PA), Édio Lopes (PMDB-RR), Marcos Medrado (PDT-BA) e Abelardo Camarinha. Além das quatro ações penais, Camarinha acumula outros oito inquéritos. Dois investigados fazem parte da Mesa Diretora: o primeiro-secretário, Eduardo Gomes (PSDB-TO), que tem um inquérito, e o quarto suplente, Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele que disse se “lixar” para a opinião pública, réu em duas ações penais por crime de responsabilidade. Uma delas tem parecer da Procuradoria Geral da República pela condenação.

Outros três parlamentares sob investigação no STF são líderes partidários: Lincoln Portela (PR-MG), Fábio Faria (PMN-RN) e Vitor Paulo (PRB-RJ). E seis presidem comissões permanentes. Entre elas, a mais importante da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), comandada por João Paulo Cunha (PT-SP), um dos réus do mensalão.

STF esconde

O número de parlamentares sob investigação pode ser ainda maior. É possível que outras investigações em andamento nos estados antes da diplomação dos parlamentares ainda não tenham subido para a mais alta corte do país. Isso porque não há prazo para que outras instâncias da Justiça mandem para o STF os processos em curso contra os parlamentares.

Por conta do chamado foro privilegiado, congressistas e outras autoridades federais só podem ser investigadas e julgadas com o aval dos ministros do Supremo. Em algumas situações, o relator do caso no STF pode determinar o sigilo do inquérito de modo que ele sequer apareça nos registros da consulta processual. A medida, polêmica, foi implantada pelo presidente da corte, Cezar Peluso, no final do ano passado.

Questionado no início do ano se não era um privilégio conceder a autoridades com foro privilegiado a possibilidade de não serem identificadas, o STF reforçou que não. “O objetivo da orientação é justamente garantir o direito do jurisdicionado de ter preservada a sua privacidade caso o inquérito resulte na não abertura de ação processual ou na hipótese de vir a ser indicado pelo relator a necessidade do segredo de justiça”, disse a assessoria.

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Fonte: Congressoemfoco

Procurador gaúcho responsabiliza Lula por mensalão

No último dia 17 de abril, o procurador da República Manoel Pastana encaminhou ao procurador geral da República representação em que responsabiliza o ex-presidente pela existência do mensalão

Roberto Stuckert/Presidência da República
Exclusivo: procurador Manoel Pastana entra com representação responsabilizando Lula pelo mensalão

Rudolfo Lago

Ao fazer a investigação e elaborar a peça acusatória que baseia a ação penal sobre o mensalão, que tramita no Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República livrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de responsabilidade sobre os fatos que marcaram o seu primeiro mandato. O procurador da República no Rio Grande do Sul Manoel Pastana, no entanto, agora quer modificar essa situação. No dia 17 de abril, ele encaminhou ao procurador geral da República, Roberto Gurgel, uma representação em que pede a responsabilização criminal de Lula pela existência do mensalão. O Congresso em Foco teve acesso exclusivo à representação.

Para Pastana, há provas da responsabilidade do ex-presidente na montagem do esquema de captação e distribuição de recursos para aliados que ficou conhecido como mensalão. A assessoria de Lula foi procurada, mas não prestou nenhum esclarecimento à reportagem do Congresso em Foco.

As provas, segundo Pastana, vêm de um conjunto de acontecimentos e atos do governo Lula iniciados em setembro de 2003, que se estenderam até setembro de 2004. Nesse período, o governo criou as condições para o BMG – banco por onde circulou o dinheiro do mensalão, pelas contas do publicitário Marcos Valério de Souza – administrar crédito consignado para aposentados da Previdência, faturando R$ 3 bilhões.

Clique aqui para ler a representação de Manoel Pastana na íntegra

O procurador baseia-se no conteúdo de duas tomadas de contas do Tribunal de Contas da União (TC nº 012.633/2005-8 e TC nº 014.276/2005-2) e do Inquérito Civil Público nº 1.16.000.001672/2004-59, da Procuradoria da República no Distrito Federal. Esses documentos deram origem, no dia 15 de janeiro de 2011, a uma ação de improbidade administrativa ajuizada contra Lula e o ex-ministro da Previdência Amir Lando.

“O objetivo da presente representação é instar a promoção da responsabilidade criminal do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que as responsabilidades civil e administrativa são objeto da ação de improbidade há pouco ajuizada”, diz Pastana, na representação.

Para ele, os dados constantes dos documentos do Tribunal de Contas e do Inquérito Civil Público trazem “fatos gravíssimos” ligados ao mensalão. “Foi o ex-Presidente Lula quem praticou atos materiais que fomentaram esse gigantesco esquema criminoso, e sem a presença dele na ação penal, o STF não terá elementos para condenar os líderes, mormente os autores intelectuais do esquema criminoso, pois estes não praticaram atos materiais e não deixaram rastros. Do jeito que está, apenas os integrantes braçais da “sofisticada organização criminosa” (o mensalão no dizer da denúncia levada ao STF) serão condenados” continua.

Cartas da Previdência

De acordo com Pastana, as provas que responsabilizam Lula vêm do conjunto de atitudes do governo que culminaram com o envio, em setembro de 2004, de mais de dez milhões de cartas a aposentados do INSS. As cartas, com timbre da Presidência e assinadas pelo próprio Lula e por Amir Lando, informavam sobre a existência do sistema de crédito consignado administrado pelo BMG. Como consequência, o banco, com apenas dez agências no país, faturou mais de R$ 3 bilhões em contratos de empréstimos com os aposentados. Além do BMG, o único banco habilitado a também operar tais empréstimos era a Caixa Econômica Federal, que tem mais de duas mil agências espalhadas pelo país. Graças à carta de Lula, o BMG obteve lucro maior que a Caixa.

O benefício ao BMG no processo já estava anotado na denúncia inicial do mensalão. “Ficou comprovado que o Banco BMG foi flagrantemente beneficiado por ações do núcleo político-partidário, que lhe garantiram lucros bilionários na operacionalização de empréstimos consignados de servidores públicos, pensionistas e aposentados do INSS, partir de 2003, quando foi editada a Medida Provisória nº 130, de 17.09.03, dispondo sobre o desconto de prestações em folha de pagamento dos servidores públicos e também autorizando o INSS a regulamentar o desconto de empréstimos bancários a seus segurados”, diz a Ação 470, em trâmite no STF.

“O que a denúncia do mensalão não apontou e agora está categoricamente demonstrada, mediante provas robustas, é a participação decisiva do ex-Presidente Lula na trama arquitetada para favorecer o banco BMG com tais empréstimos”, diz Pastana agora, na representação.

Para que o BMG conseguisse operar o crédito consignado, diz o procurador gaúcho, “violaram-se regras elementares que norteiam a Administração Pública”. O primeiro ato relativo ao crédito consignado foi a Medida Provisória 130, de 17 de setembro de 2003. Ela permite a criação da modalidade de empréstimos descontados em folha de pagamento a segurados do INSS. Para Pastana, a concessão de empréstimos bancários não caberia nos critérios de urgência e relevância que devem nortear a edição de uma MP.

Parecer da Procuradoria Federal do INSS, logo depois da edição da MP 130 determinava que a concessão de empréstimos só poderia ser feita por instituições que fossem pagadoras dos benefícios. “ Tal exigência jogou por terra a pretensão do banco BMG, pois ele não é pagador de benefício”, descreve Pastana.

O presidente Lula baixa, então, o decreto nº 5.180/2004, que permitia a qualquer instituição financeira conceder o empréstimo, “independentemente de ser ou não responsável pelo pagamento do benefício”. Estava aberto o caminho para o BMC, que, logo depois, requereu a sua habilitação.

No dia 29 de setembro de 2004, é enviada aos aposentados a carta assinada por Lula e Amir Lando. Na carta, o presidente e o ministro informam que o Congresso Nacional havia aprovado a lei do empréstimo consignado e que Lula a sancionava. “Com isso, você e milhões de outros beneficiários (as) passam a ter o direito de obter empréstimos cujo valor da prestação pode ser de até 30% do seu benefício mensal. Você poderá pagar o empréstimo com juros entre 1,75% e 2,9% ao mês”, informava a correspondência.Ocorre, porém, destaca Pastana na representação, que o crédito consignado já vinha sendo concedido pela Caixa Econômica Federal desde a edição da medida provisória, um ano antes. Na prática, só havia uma diferença com relação à situação de 2003: o BMG passara a emprestar também.

A intenção inicial era enviar 17 milhões de cartas aos segurados. Efetivamente, foram postadas 10.657.233 cartas, até dezembro de 2004, quando o INSS suspendeu a operação. O custo de produção e de postagem ficou em R$ 9526.070,54. “Por considerar a conduta ilegal, pois teria a finalidade de fazer promoção pessoal do ex-Presidente da República e de favorecer o banco BMG, a Procuradoria da República no Distrito Federal aviou ação de improbidade administrativa contra o ex-Presidente Lula e o ex-Ministro da Previdência Amir Lando, objetivando a responsabilização administrativa e o ressarcimento ao erário do valor utilizado na produção e remessa das cartas”, aponta Pastana.

Banco do mensalão

O procurador gaúcho relaciona tais denúncias com o fato de ser o BMG um dos bancos por onde circulou o dinheiro do mensalão. Ele lembra que o último relatório da Polícia Federal sobre o caso mostra que o BMG não apenas fez os empréstimos ao PT, que são a base do mensalão, mas emprestou também a três empresas que também teriam envolvimento com o esquema.

Essa sequência de fatos fez com que fosse instaurado o inquérito civil público contra Lula e Amir Lando. Ele, porém, só apura a responsabilidade administrativa e civil do ex-presidente. Pastana quer também responsabilizá-lo criminalmente, daí sua representação. Para ele, o inquérito civil pública, pela primeira vez aponta oficialmente Lula “como envolvido em trama que está relacionada diretamente ao esquema do mensalão”.

“Com efeito, considerando que a ação de improbidade busca a responsabilidade civil-administrativa do ex-Presidente Lula, faz-se necessário perquirir a responsabilidade penal. Esta até com maior razão, pois, sem a presença do ex-presidente na ação penal do mensalão, fica impossível responsabilizar os líderes (autores intelectuais) do maior esquema criminoso de todos os tempos”, argumenta.

Embora Lula não seja mais Presidente da República, a atribuição é do Procurador-Geral da República (promotor natural do Presidente da República), porque os fatos estão diretamente ligados ao processo criminal do mensalão, que está em curso no Supremo Tribunal Federal, onde só o procurador-geral da República pode agir, explica Pastana.

Colaborou Eduardo Militão

Fonte: Congressoemfoco

Prefeitos na frigideira

Carlos Chagas

Pelo menos mil dos 5.590 prefeitos de todo o país estarão hoje em Brasília, de chapéu na mão, para mais um apelo ao governo federal. Estão, com raras exceções, com a corda no pescoço, especialmente os do PT e do PMDB, aqueles que ostensivamente apoiam a presidente Dilma Rousseff. Dentro de poucos meses abrir-se-á em seus municípios a temporada para as eleições do ano que vem e, pelas informações de que os prefeitos dispõem, as coisas vão mal.

Os alcaides andam na baixa, em termos de popularidade. Pouco puderam fazer, desde que empossados, para cumprir suas promessas de campanha, prevendo-se sensíveis derrotas tanto para os candidatos à reeleição quanto para os dispostos a fazer o sucessor. Ainda haverá tempo para virarem o jogo, desde que ajudados financeiramente pelo poder central.

Os oposicionistas pegarão carona no lamento dos governistas, daí a idéia da Marcha Sobre Brasília. Estão atentos aos rumores de que o palácio do Planalto lançará nova campanha social, desta vez “Água para Todos”, iniciativa capaz de beneficiá-los, já que as obras ficarão a cargo dos municípios, desde que irrigados com recursos federais.

Dizia o dr. Ulysses que ninguém mora na União nem nos estados. O cidadão mora no município, para onde volta suas necessidades e suas críticas. À exceção das grandes capitais, conhece o prefeito, é vizinho dele e recebeu de viva voz apelos para elegê-lo. Por isso, detém a prerrogativa da cobrança direta. Pela lógica, os prefeitos dependem dos governadores, mas faz séculos que fora alguns privilegiados, a maioria não recebe as atenções devidas. Assim, de quando em quando, eles decidem queimar etapas, dirigindo-se diretamente ao presidente da República.

***

AGUARDA-SE O CONTRA-ATAQUE

Poucas paróquias iniciaram o contra-ataque nas missas de domingo. A maioria ainda espera instruções da CNBB e da alta hierarquia da Igreja Católica. Fala-se da reação diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, semana passada, de diminuir a discriminação dos homossexuais, reconhecendo direitos para as uniões estáveis entre cidadãos do mesmo sexo. E mais, da possibilidade de o Congresso ampliar direitos da categoria, descriminalizando a homofobia. Fora algumas exceções, insurge-se o clero contra a aceitação dessa tendência universal, combatida rigidamente pelo Vaticano.

Só que fica difícil sustentar mais uma forma de intolerância, depois do desgaste causado pela rejeição dos filhos ditos naturais, da pílula, das camisinhas, do divórcio, da ordenação de mulheres e da quebra do celibato. Párocos e curas aguardam uma palavra de ordem, pois o silêncio pode muito bem transformar-se na pior das soluções.

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FALTA CORAGEM

Continuamos o país dos jeitinhos. A mais recente Assembléia Nacional Constituinte instalou-se em 1987 e decorrido um ano e meio inexistiam sinais de estar próxima a promulgação do texto final. Muito tempo se perdeu com os trabalhos das Comissões Temáticas que produziam seus projetos sem olhar para o lado, quer dizer, uma não sabia o que a outra fazia, resultando não raro em capítulos redundantes, senão conflitantes, até que por decisão do relator, Bernardo Cabral, criou-se a Comissão de Sistematização, encarregada de compatibilizar as variadas contribuições.

Mesmo assim, o processo andava a passos de tartaruga, ou em muitos aspectos nem andava, dada a divisão dos constituintes em dois grupos.

De um lado os que se intitulavam o Centro Democrático, apelidado de “Centrão”, na verdade os conservadores, para não dizer os reacionários, infensos a qualquer tipo de reformas, precursores do chamado neoliberalismo.

No reverso da medalha pontificavam os ditos “progressistas”, em grande parte ingênuos imaginando mudar o Brasil através de folhas de papel, iludidos de que bastava escrever milagres sociais e políticos para eles tornarem-se realidade.

O resultado foi o impasse, pois nenhum dos lados dispunha de maioria para fazer prevalecer seus pontos de vista. O tempo ia passando e mais de cem princípios maiores permaneciam indefinidos e sem solução, como em matéria de reformas sociais, econômicas, monopólios, propriedade estatal e atribuições do poder público.

Como estamos no Brasil, quem deu a solução foi o dr. Ulysses, presidente da Assembléia, mesmo invertendo a mais lógica das regras do Direito Constitucional. Porque desde que surgiram as Constituições, estabeleceu-se deverem elas conter as definições fundamentais, as mais importantes. A lei ordinária se encarregaria de detalhar o que a lei maior dispunha. Por conta do confronto, o saudoso mestre determinou que ficariam para a lei ordinária os princípios onde inexistia consenso, quer dizer, a Constituição foi promulgada com vazios monumentais. Caso contrário, estaríamos até hoje sem Constituição.

Um desses vazios, até hoje à vista de todos, reside no artigo 220, da Comunicação Social. Num de seus parágrafos lê-se que “compete à lei federal (…) estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e de televisão que contrariem o respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.”

Pois bem. Passados 23 anos da promulgação da Constituição, onde estão esses meios legais? Em que caverna se esconde a garantia da defesa contra o lixo que flui cada dia mais intensamente das telinhas e microfones do país?

Nenhum partido, nenhuma bancada, nenhum parlamentar dispôs-se até hoje de encontrar mecanismos para nos defender. Nenhum governo, já que também cabe aos governos a iniciativa de projetos de lei.

Seria simples, caso não faltasse coragem. Nada de censura, pois em diversos artigos a Constituição a proíbe. De jeito nenhum estabelecer restrições à liberdade. Mas por que não dispor penalidades a posteriori, quer dizer, depois da divulgação de baixarias, de incentivos ao crime e ao tóxico, de pornografia explícita e de tanta coisa a mais, seria simples a lei determinar admoestações públicas, multas, suspensão de concessões e até cassação das próprias.

Por que até hoje nada se fez? Porque tanto os governos quanto deputados e senadores temem desagradar os barões televisivos. Morrem de medo se, como represália, sofrerem campanhas por parte dos meios de comunicação. Ou, mesmo, se forem banidos do noticiário, ante-sala do fim de suas carreiras políticas. Tanto pior para a pessoa e para a família…

Fonte: Tribuna da Imprensa

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Bin Laden morreu vítima de doença, diz Irã

Agências

O ministro iraniano de Inteligência, Heydar Moslehí, anunciou que seu país teria "informação fidedigna" de que o terrorista Osama bin Laden, 54 anos, teria morrido "há muito tempo por causa de uma doença".

Em declarações divulgadas ontem pela imprensa estatal, o chefe dos serviços secretos do Irã afirmou duvidar da operação norte-americana que teria matado Bin Laden, de acordo com a versão oficial apresentada pelos Estados Unidos, e desafiou o governo de Barack Obama a mostrar o corpo do saudita.

A Casa Branca diz ter lançado o corpo de Bin Laden ao mar, após colher material para a realização de exame de DNA, e com direito às cerimônias religiosas correspondentes à tradição islâmica. O governo americano também diz ter fotos da operação, mas decidiu não tornar as imagens públicas.

"Temos informação fidedigna de que Bin Ladem morreu há muito tempo por causa de uma doença", rebateu Moslehí em declarações à imprensa local, após a reunião dominical do Conselho de Ministros.

"Se os aparelhos de segurança e de inteligência de fato prenderam ou mataram Bin Laden, porque não mostram o cadáver? Por que o jogariam ao mar?", questionou o ministro iraniano.

De acordo com Moslehí, o interesse de Washington é "obscurecer o despertar islâmico na região". Ele não informou qual doença teria matado o terrorista saudita.

Na sexta, a agência Ansa divulgou que o jornalista Jamal Ismail, especializado em cobrir as ações de Bin Laden, declarou que o terrorista teria morrido dias antes da ação militar dos EUA em decorrência de uma doença.

Fonte: Agora

STF confirma acúmulo de aposentadoria e auxílio

Gisele Lobato
do Agora

O STF (Supremo Tribunal Federal) negou novo recurso do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) contra o acúmulo do auxílio-acidente anterior a 1997 com a aposentadoria.

O Supremo disse que não julgará a questão. Com isso, prevalece a palavra do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que garante ao segurado o direito de receber os dois benefícios após se aposentar.

O INSS havia entrado com novo recurso, comparando o acúmulo a outras revisões que foram julgadas --e negadas-- pelo Supremo. O STF, porém, reforçou que o assunto não envolve a Constituição e, portanto, que não irá analisá-lo. O julgamento da Segunda Turma ocorreu no mês passado.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça,

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