sábado, maio 07, 2011

Bandidos levam R$ 150 mil em assalto a banco em Santa Brígida

Ladrões aproveitaram a calmaria da manhã desta sexta-feira (6) para realizar um assalto ao Banco Bradesco, em Santa Brígida, distante 451 km de Salvador. O cálculo da polícia aponta que o prejuízo chegou aos R$ 150 mil.

Segundo testemunhas, três homens armados desceram de um Eco Sport, entraram na agência e anunciaram o assalto. Durante a ação, o gerente, o caixa e o vigilante foram rendidos.

O bando conseguiu escapar levando reféns. Eles foram liberados no meio da estrada. Ninguém ficou ferido.
Fonte: Tribuna da Bahia

Mantega afirma que gasolina e etanol devem ficar mais baratos este mês

Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, divulgado hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda está alto, mas destacou que o resultado mostra tendência de queda da inflação. No mês passado, o IPCA ficou em 0,77%, ante 0,79% em março.

Segundo ele, embora o vilão da inflação em abril ainda tenha sido o combustível, tanto a gasolina quanto o etanol, a boa notícia é que, este mês, os preços desses produtos já mostram queda. “Começou a safra, o preço do etanol ao produtor já caiu bastante e logo mais chegará à bomba de gasolina. Portanto, já teremos uma queda da gasolina e do etanol a partir de maio”, disse.

Outra boa notícia, lembrou o ministro, é que os preços das commodities no mercado internacional estão caindo fortemente. Ele destacou que essa queda vinha sendo registrada nos últimos quatro dias e ontem (5) houve uma queda redução no caso do petróleo, de 8,5%.

“O petróleo é um dos itens que mais inflacionam o índice de commodities mundial. A notícia é boa porque o conjunto de commodities, incluindo as metálicas e alimentares, caiu 4,5% só no dia de ontem”, comemorou.

Além da desaceleração do preço das commodities, consideradas uma das principais causas da inflação mundial e da brasileira, Mantega destacou o começo da safra no Brasil, que repercute no preço dos alimentos, como outro bom sinal para a queda da inflação.

“Os preços estão caindo e aparecem no IPCA de abril. Daqui para a frente vão cair mais ainda”, afirmou.

Fonte: Tribuna da Bahia

Delegados são presos em operação policial no interior da Bahia

A Operação Monte Santo, realizada em parceria da Polícia Civil com o Ministério Público Estadual, já prendeu seis pessoas no interior da Bahia, entre elas dois delegados, na manhã desta sexta-feira (6). De acordo com Ediene Lousado, coordenadora do Grupo de Atuação contra o Crime Organizado (Gaeco), eles são suspeitos de cometer crimes de extorsão, concussão – em que funcionário público exige pagamento para si ou outro em razão da função -, formação de quadrilha e porte ilegal de arma.

Um advogado e ex-procurador do município de Cansanção, a 248 km de Salvador, além do delegado titular da cidade, foram detidos.

Ainda no município, foi preso um soldado da PM, lotado na cidade de Senhor do Bomfim, mas que atuava em Cansanção, segundo a coordenadora da Gaeco. Outros dois, um escrivão nomeado da delegacia local e um civil, ambos tidos como 'X-9', foram capturados.

O MP informa que os 'X-9' tinham livre acesso no Fórum e promoviam vazamento de informações. Eles ainda se passavam por falsos agentes e realizavam abordagens de veículos que, de acordo com Ediene, eram apreendidos e só devolvidos mediante pagamento. Diversos veículos foram encontrados com chassi adulterado.

Em uma residência investigada em Cansanção, a polícia encontrou armas clandestinas, de uso restrito das Forças Armadas, além de US$ 7 mil e 57 pássaros silvestres. A pessoa que estava guardando a mercadoria afirmou à polícia que elas são de propriedade do escrivão apreendido. O delegado Felipe Néri, da 19ª Coorpin de Senhor do Bonfim/BA, que integra a Operação, afirma que indícios levam a acreditar que a mercadoria é do advogado e não do escrivão. Estes indícios estão sendo investigados.

Além deles, o delegado titular do município de Monte Santo, a 352 km de Salvador, considerado o comandante da quadrilha, foi preso e já está na Corregedoria da Polícia Civil, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.

Monte Santo

A operação cumpre dez mandados de busca e apreensão, além de seis de prisão, expedidos pela Justiça contra corrupção nas delegacias dos municípios de Monte Santo e Cansanção. Inquérito policial descobriu que o delegado de Monte Santo comandava o esquema nas delegacias dos dois municípios, em que todos os suspeitos estão envolvidos. (G1)
Fonte: Tribuna da Bahia

O que a morte de Bin Laden tem a ver com a morte de Chico Mendes? Quase nada, mas são duas histórias muito estranhas e mal-contadas, com um jornal no meio.

Carlos Newton

Quando Chico Mendes foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988 (parece que foi ontem) a história foi muito mal-contada. Tratava-se de uma “morte anunciada”, várias pessoas sabiam, não só em Xapuri, onde o líder seringueiro morava, mas também na capital, Rio Branco, o assunto foi até levantado numa mesa de poquer no principal clube da cidade.

Na época, denunciei insistentemente essa “morte anunciada”, mostrando que os editores do principal jornal de Rio Branco tinham sido previamente informados do assassinato, nada fizeram para impedi-lo e até prepararam uma cobertura especial para noticiar o crime.

Xapuri fica muito distante de Rio Branco, a rodovia é de terra e em dezembro chove todo dia. Demoram-se horas e horas para fazer o percurso na temporada das chuvas torrenciais, especialmente à noite. E Chico Mendes foi assassinado exatamente à noite, quando saiu de casa para ir ao banheiro (que lá é chamado de “casinha”, porque fica fora da casa, no fundo do quintal).

Como é que na manhã seguinte, bem cedo, o jornal já estava sendo distribuído não só com a manchete do assassinato, mas com a foto do corpo de Chico Mendes?

É um exemplo de missão impossível. Jamais o jornal poderia ter essa foto. A notícia, sim, poderia ser passada por telefone, mas a foto, não. Na explicação do editores, teriam recebido um telefonema informando o crime, imediatamente enviaram um repórter a Xapuri, de carro. Lá, ele fez a cobertura do fato, depois fotografou o corpo (que até já havia sido levado do local), voltou a Rio Branco, redigiu a reportagem, o filme foi revelado, a matéria foi diagramada e incluída na edição. As páginas foram passadas para fotolito, depois transformadas em metal, enfim adicionadas à rotativa, e o jornal foi rodado com a notícia sensacional, tudo isso a tempo de estar cedinho nas bancas.

Era impossível. Só haveria um repórter capaz de fazê-lo, o famoso Clark Kent. Como Kent ainda trabalha no velho Planeta Diário, ficou provado o seguinte: o editor ou editores do jornal foram informado previamente que Chico Mendes ia ser assassinado naquela noite, mandaram o repórter para Xapuri e lá ele ficou esperando, fez a cobertura do crime, fotografou o corpo e voltou a Rio Branco. E deu tempo para publicar na edição do dia.

Na época, fiz uma série de reportagens a respeito na Ultima Hora, mas as chamadas autoridades não tomaram a menor providência, não se interessaram em colher o depoimento do repórter ultraveloz e do editor do jornal, que com certeza era o homem que sabia demais, como no filme de Hitchcock.

Teria sido muito mais fácil se chegar aos mandantes, mas as chamadas autoridades não quiseram incomodar os jornalistas. Até hoje tenho dúvidas de que chegaram aos verdadeiros mandantes. Será que o fazendeiro-seringalista Darli Alves da Silva e seu filho Darcy foram os únicos responsáveis?

Agora, na morte de Bin Laden, também aparece um jornal com informações privilegiadas. Foi o ultrapoderoso The New York Times que deu o furo, anunciando que o corpo de Bin Laden fora sepultado no mar. E deu a notícia no início da madrugada de segunda-feira, pouco depois do pronunciamento de Obama. Isso significa que o corpo de Bin Laden teria sido atirado ao mar assim que o helicóptero retornou ao navio da Marinha, no litoral do Paquistão. Mas quem é que pode acreditar nisso? O corpo do homem mais procurado do mundo sendo desovado assim, às pressas, como se os marines fossem criminosos tentando se livrar logo das provas, fazendo sumir o cadáver da vítima?

O pior é que ainda nem teria dado tempo para se livrar do corpo, como veremos a seguir. Segundo o New York Times, o corpo do terrorista foi levado para o Afeganistão e depois sepultado no mar, seguindo as tradições muçulmanas. Quer dizer que o mais importante jornal do mundo publica uma bobagem dessas e ninguém contesta? A versão do NYT é tão furada quanto a cobertura do jornal do Acre sobre a morte de Chico Mendes. Ora, por que os helicópteros da Marinha saíram do Paquistão e levaram o corpo de Bin Laden para o Afeganistão, se ele ia ser atirado ao mar?

É incrível que a Casa Branca desconheça que o Afeganistão é um país sem litoral, que fica centenas de quilômetros distante do mar. Por que os helicópteros sairiam do Paquistão e, ao invés de seguirem para o mar (ponto do “sepultamento”), fariam caminho inverso, indo para o Afeganistão, para só depois voarem mais centenas de quilômetros, até desovarem o corpo no Mar Arábico. É como se estivessem em São Paulo, precisassem jogar um corpo ao mar, mas antes foram para Mato Grosso. Quem acredita nisso?

É sabido que nos Estados Unidos não se dá muita importância ao ensino de geografia nas escolas, mas assim também é demais. Os estrategistas dessa operação para matar Bin Laden fizeram o corpo dele passear de helicóptero para quê? Não sabiam que a menor distância entre dois pontos é uma linha reta? Ou preferem uma curva delirante e vadia, como uma onda no mar? O pior é que, se os helicópteros realmente fizeram esse delirante percurso noticiado pelo NYT, não daria tempo. Portanto, o jornal teria anunciado a desova do corpo antes mesmo disso ter acontecido.

A história da morte de Bin Laden, contada pela Casa Branca e pela CIA, é totalmente furada, representa uma afronta à inteligência alheia. O presidente Barack Obama tem todo direito de disputar a reeleição. Mas tentar ganhá-la desse jeito é uma bestial insensatez. Se Bin Laden está morto, ótimo, é motivo de alívio, menos um. Mas por que não contar a história da forma como realmente aconteceu?

Tudo isso é incrível e decepcionante. Amanhã a gente volta ao assunto, com novas provas que desmontam essa versão de Casa Branca e da CIA.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Lambança no festival de contradições


Carlos Chagas

À medida em que o tempo passa, mais se avolumam as contradições do governo dos Estados Unidos diante da operação que eliminou Osama Bin Laden. Depois de informarem que o abominável criminoso defendeu-se de armas na mão e por isso foi morto em combate, a Casa Branca volta atrás e confessa que Bin Laden estava desarmado. Viu-se, então, assassinado, em vez de ser preso e levado a julgamento.

Confirmou um dos chefes da CIA a prática de torturas em presos políticos, inclusive a simulação de afogamento. Até filmes já haviam sido mostrados sobre o horror verificado na prisão de Guantanamo, mas, agora, é o próprio governo que reconhece a barbárie.

As Nações Unidas exigem a divulgação de fotos do cadáver de Bin Laden, mas a Casa Branca hesita porque as imagens mostrarão ter sido ele desfigurado com vários tiros.

Desmentida também foi a primeira versão, de que o terrorista havia usado sua mulher como escudo. Aliás, ela não morreu, mas levou um tiro na perna, ironicamente quando se encontrava no andar de baixo, não no aposento de Bin Laden.

Saber o que foi feito com o cadáver é outra dúvida. A versão oficial é de que foi jogado no mar, depois de cumpridos os rituais fúnebres islâmicos, mas imagens não foram divulgadas a respeito.

Também permanece um mistério o teste de DNA, para provar a identidade do morto: onde aconteceu? Em que laboratório? Utilizando que parte de seu corpo?

Por último, de quem partiu a ordem para executar Bin Laden, à revelia da Constituição americana, sem prendê-lo nem submetê-lo a julgamento? De tudo, emerge uma conclusão: caíram as máscaras.�

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BRASIL ANDA PARA A FRENTE�

Getúlio Vargas quebrou a perna duas vezes. A primeira, quando na rodovia Rio-Petrópolis, sofreu um atentado. Uma pedra rolou sobre o carro que o conduzia, matando um ajudante de ordens. A outra, já em seu governo constitucional, aconteceu quando escorregou no banheiro. Ninguém soube de nada.

Também no exercício do poder, Juscelino Kubitschek sofreu um enfarte, convalescendo dez dias sem despachar, sob a total ignorância do país. João Goulart desmaiou, em viagem ao México, por problemas cardíacos, mas a causa não foi revelada. Costa e Silva sofreu um derrame cerebral, que o Gabinete Militar, por três dias, tentou simular como gripe. João Figueiredo foi para os Estados Unidos para colocar pontes-safena no coração mas a informação era de que se submeteria a exames de rotina. Durante duas semanas inventou-se que Tancredo Neves tivera uma crise de apendicite, depois diverticulite, em seguida um tumor benigno, quando na verdade o câncer já se havia espalhado pelo seu organismo.

A moda era esconder as doenças dos presidentes, como se eles fossem super-homens imunes ao que atinge todos os mortais. Pois quando o câncer linfático foi detectado em Dilma Rousseff, a imprensa viu-se logo informada, acompanhando seu tratamento. Agora, já empossada, uma gripe transformou-se em pneumonia, podendo todo mundo saber de sua passagem por um hospital em São Paulo, de seu retorno a Brasília e dos cuidados que ainda agora recebe. Realmente, avançamos.

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BRIGA DE FOICE EM QUARTO ESCURO

Está longe de arrefecer a crise no PT. Ficamos sabendo, agora, que para impedir a eleição de Humberto Costa para presidente do partido, o ex-deputado José Dirceu ameaçou candidatar-se. Dispondo de maioria no Diretório Nacional, seria eleito, numa obvia contestação ao ex-presidente Lula e à presidente Dilma Rousseff, comprometidos com o senador por Pernambuco. Para evitar o desgaste que seria a ascensão de Dirceu junto com a reintegração de Delúbio Soares, a solução foi manter Rui Falcão, interino, na presidência do partido.

O antecessor e a sucessora engoliram, mas não querem conversa com a ala paulista do partido, responsável por toda a trapalhada. Se não acontecer antes, o próximo round envolverá a escolha do candidato ou candidata à prefeitura de São Paulo, nas eleições do ano que vem. Se insistirem em Marta Suplicy, assistiremos muitos companheiros pedindo inscrição no PSD de Gilberto Kassab.�

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O ERRO DE FAVORECER AS IMPORTAÇÕES.

Tanto faz o motivo, se é para compensar os estados de perdas de investimentos federais ou de quedas na arrecadação do ICMS, mas não poderia ser pior a compensação defendida pela equipe econômica. Estão os gestores da política econômica prometendo reduzir ou até extinguir impostos de produtos de importação. Argumentam que muitos governadores gostariam de oferecer mais vantagens a empresas estrangeiras dispostas a se instalar no Brasil. Assim, fábricas multinacionais, muitas delas sucata pura, poderiam entrar de graça em alguns estados. Ótimo para a Nordeste, por exemplo, mas péssimo para a economia nacional.

Fonte: Tribuna da Imprensa

A política vive uma fase “Big Brother”, ninguém sabe se vai piorar ou não com candidatos tipo Luciano Huck. As pessoas não se interessam por política, acham normal que haja corrupção. “Político é assim mesmo”, é o que todos pensam.

Carlos Newton

O mundo mudou muito rapidamente, com a migração da população rural para as cidades e a consequente criação das megalópolis. Que aqui no Brasil chamamos de região administrativa ou Grande São Paulo, Grande Rio, Grande Belo Horizonte. E é um fenômeno que parece não ter fim, vejam o que acontece hoje com Brasília, Salvador e Recife.

Tudo mudou, as pessoas perdem horas se deslocando entre a casa e o trabalho, não há tempo para nada e têm medo de tudo, porque o inchaço das cidades, o desemprego e as drogas fizeram explodir a violência urbana, com a impunidade facilitada pelo anonimato dos rostos na multidão, onde ninguém se conhece ou reconhece.

As relações humanas também vêm se modificando completamente. Nos bairros verticais perde-se cada vez mais a noção da vizinhança, não há um relacionamento estreito com o vizinho que vive no apartamento ao lado, é muito diferente da época em que as pessoas moravam em casas, com jardins e quintais, as crianças crescendo e brincando juntas.

Salvo as sempre honrosas exceções, os relacionamentos se fazem de maneira distante, através dos meios de comunicação, e agora migram para as chamadas redes sociais, como Orkut e Facebook. Perde-se (ou ganha-se, depende da ótica) cada vez mais tempo diante da televisão e do computador, namoros e casamentos surgem a partir de diálogos via monitor, as pessoas só vão se conhecer realmente depois, quando enfim se encontrarem. Pode dar certo ou não. Tudo é mesmo relativo, à moda de Einstein.

Nesse quadro de mudanças sociais, que atingem não só o Brasil, mas o mundo inteiro, fazem surpreendente sucesso os programas de “reality show”, como “Big Brother”, “A Fazenda” e “Casa dos Artistas”? Os espectadores se identificam com as pessoas que estão lá. Todos sabem que os participantes não têm nenhum grande predicado, são pessoas comuns, algumas bonitas, outras mais ou menos e até feias, uma ou outra inteligente, a maioria completamente tapada, quase todos da classe média baixa.

O telespectador se identifica mesmo, porque pensa que também poderia ter sido escolhido e estar lá, disputando. A cada novo programa, milhões de pessoas se inscrevem, enviam vídeos, vivem o sonho de serem selecionados para participar. Mas como diz a Bíblia, muitos são chamados, poucos os escolhidos. Quando o programa enfim começa, o telespectador então se identifica com algum participante e passa a torcer por ele, manda mensagens e torpedos, vota no paredão, é tudo pago, e as emissoras então enchem as burras às custas da ignorância alheia. É assim no Brasil e no mundo, vejam só a que ponto de civilização chegamos.

No Brasil e no mundo (o primeiro “reality show” foi criado na Holanda), essas mudanças sociais marcam o fosso existente entre o cidadão comum, que não perde o “Big Brother”, e as pessoas que têm alguma coisa na cabeça e antigamente compunham o que se chamava de opinião pública. Hoje, a opinião pública influi cada vez menos.

Não foi por mera coincidência que o então presidente Lula, no auge da campanha eleitoral para eleger Dilma Rousseff, em 18 de setembro, fez a seguinte afirmação: “Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”.

Com sua impressionante intuição, Lula estava acertando na mosca. A opinião pública e os formadores de opinião parecem não ter grande importância nos dias de hoje, em que a sociedade se divide flagrantemente entre uma minoria que tem alguma opinião e uma esmagadora maioria que não têm opinião alguma, salvo as sempre honrosas exceções. O desabafo de Cazuza, “ideologia, eu quero uma para viver”, é cada vez mais atual para quem enxerga um palmo adiante do nariz.

Essas mudanças sociais, é claro, têm reflexos enormes na política. O crescimento absurdo das cidades, a luta pela sobrevivência, o consumismo desvairado, acabando com as matérias-primas e destruindo o meio ambiente, tudo colabora para o enfraquecimento da política. Cada um que cuide de si, este parece ser o lema geral desta sociedade cada vez mais estranha e neurótica, que considera a corrupção como algo rotineiro, comum a todos. Se você toca no assunto, logo alguém diz que “os políticos são mesmo assim”. O conformismo é geral.

Nesse contexto absurdo, a disputa eleitoral hoje é encarada como uma espécie de Big Brother político, um cenário feito sob medida para um líder como Lula, que veio de baixo, cuja formação é semelhante à da esmagadora maioria dos brasileiros. O povo gosta dele, identifica-se com ele, torce por ele. Por isso, enquanto existir Lula, a política brasileira estará “dominada”, no melhor estilo Big Brother, como se estivéssemos em regime de partido único.

Na fase atual de nossa política, tudo depende de Lula. Se ele for o candidato do PT em 2014, é uma realidade. Se for a presidente Dilma, tentando a reeleição, é outra realidade. Se os dois ainda estiverem unidos, é uma realidade. Se até lá os dois tiverem rompido e Dilma enfrentar Lula nas urnas, é outra realidade, porque abre a possibilidade de surgir uma Terceira Via.

Por isso, quando falam na candidatura do apresentador Luciano Huck, não parece ser brincadeira. Pelo contrário, é apenas mais uma etapa de nosso “Big Brother” político. O apresentador de TV Wagner Montes sempre lidera as pesquisas para governador no Estado do Rio. Só não se elege, porque nunca se interessou. Prefere ser deputado.

Fonte: Tribuna da Imprensa

O Supremo, se antecipando ao Congresso, acabou a violenta-violação dos direitos dos homoafetivos. Mas os 10 ministros reconheceram: “O Legislativo pode e deve regulamentar a decisão”.

Helio Fernandes

Ninguém esperava, admitia ou acreditava que o Supremo examinasse a Ação Direta de Inconstitucionalidade, na questão dos “gays”, chamados pelos 10 ministros de “homoafetivos”. Geralmente a ADIN é impetrada contra um ato ou fato considerado inconstitucional.

Mas desta vez, no que chamei ontem de decisão histórica, o Supremo aceitou a ADIN, examinou o mérito, e por unanimidade fez a inversão de Julgamento. Considerou que os direitos das minorias deveriam ter sido preservados, resguardados e estabelecidos formalmente por decisão do Congresso.

Há 15 anos está no Congresso, “dormitando” por ser um assunto polêmico e altamente controverso, projeto estabelecendo o que o Supremo garantiu ontem. Alguns ministros chamaram a não-votação pelo Congresso de “inércia, omissão e negligência”. Mas também reconheceram, corajosamente, duas questões.

1 – Como os parlamentares precisam do voto, são representantes, vá lá, da opinião pública, e não conseguiram identificar a tendência do cidadão-contribuinte-eleitor, não se manifestavam. O projeto não saía das gavetas, nem mesmo por decisão dos que votariam a favor dos direitos dos que eram tendenciosamente chamados de “gays”.

2 – Vários ministros, nos votos, consideraram estranha a posição do Supremo, decidindo antes do Legislativo. Mas faziam questão de deixar bem claro que a vez “agora” é do Legislativo, que deve votar sobre o assunto, regulamentar o que o Supremo referendou.

Mas ficou bem claro, sem qualquer restrição, que a intolerância, o privilégio e a discriminação, foram completamente derrotados, isso está valendo a partir de agora. Nenhuma dúvida, ficou bem esclarecido nos votos dos 10 ministros.

Comentaristas de jornais, televisões e em blogs, disseram ontem, examinando o julgamento: “Não ficou estabelecido quais DIREITOS DOS HOMOAFETIVOS FORAM CONSAGRADOS E GARANTIDOS”. Ora, os ministros votaram abertamente, relacionaram todos os direitos, o que se continha nos votos que proferiram.

Quatro ministros, (sem falar no voto do relator, Ayres Brito, que chamei de maravilhoso, mas reconheço que o presidente Peluso definiu melhor, usando a palavra ILUMINADO) esclareceram: “A partir de hoje, os DIREITOS DOS HOMOAFETIVOS SÃO RIGOROSAMENTE IGUAIS AOS DOS HETEROAFETIVOS”.

Fora do Supremo, tentaram diminuir a importância do que estava sendo julgado, dizendo: “São apenas 60 mil casais”. Esse número é falso, hipócrita e naturalmente preconceituoso e discriminador. Não existem cálculos efetivos e afetivos para contaminar o número como restrição e “perda de tempo do Supremo”.

Dois exames. No mundo inteiro, os gays ou homoafetivos, sofrem com a intolerância. Por isso, foi transformada em rotina habitual, a definição deles. Dizem: “Saíram do armário”.

Outro fato importante: todas as chamadas “passeatas gays”, têm no mínimo 1 milhão de pessoas, quando se realizam em cidades como o Rio e São Paulo, de grande população. São simpatizantes? Ou o número cresce com a presença dos que não admitem violência, seja contra quem for?

Um fato que dever ser citado a respeito da “redução” do número dos homoafetivos. Há dias, um jogador de vôlei, publicamente identificou a sua condição. Caiu em cima dele um temporal, mas foi também muito aplaudido.

Imediatamente, Giovani (campeão olímpico de vôlei e agora vencendo a Superliga como treinador), importantíssimo, elogiou o comportamento do jogador. E deixou implícito e explicito: “Não pensem que é apenas um gay. No vôlei, são muito mais”. Isso mostra a falsidade dos que “garantem” que os homoafetivos dos dois sexos, representam apenas um número irrisório.

Posso citar todos os ministros, (como fiz ontem), mas hoje quero resumir tudo o que foi dito, com o voto do decano Celso de Mello. Relacionou um por um, todos os direitos que estavam conquistando, sem esquecer nenhum.

E para que ficasse sem qualquer dúvida, questionamento ou restrição, concluiu: “E se os heteroafetivos ganharem algum PRIVILÉGIO, ELE DEVE SER TAMBÉM ATRIBUÍDO AOS HOMOAFETIVOS”. Portanto, como dizer que os ministros não foram claros? Deixaram dúvidas sobre as conquistas de agora?

Pode ser que essas “dúvidas” tenham surgido do fato do próprio Supremo reconhecer que o Legislativo precisa e DEVE se manifestar. Isso foi, digamos, generosidade dos ministros, mas reconheciam e reconheceram: “O Legislativo devia ter se manifestado antes, preenchemos uma lacuna”. (Não gosto da palavra, mas foi usada por quase todos).

Naturalmente ainda não houve tempo para a decisão ser entendida, aceita ou assimilada. Foi ontem, vem o fim de semana, se a discriminação era tão violenta (patrocinada por católicos e evangélicos) que ficam na expectativa de conseguirem ANULAR O QUE SUPREMO DECIDIU”. Os próprios ministros acharam estranho mas histórico, o que estavam votando e decidindo. E reconheceram a importância do Legislativo, mas não para EXCLUIR alguns dos DIREITOS reconhecidos.

Fiquei, na quinta-feira, 5 horas assistindo a sessão do Supremo, como faço habitualmente. Ninguém escreve tanto sobre decisões do Supremo, criticando ou aplaudindo, como este repórter. Um dos grandes elogios que reservei para o Supremo: a UNANIMIDADE. O que deu à conquista um valor irreversível e incontestável. Não é elogio e sim reconhecimento.

Do julgamento, dois fatos inesquecíveis. 1 – O parecer extraordinário do Procurador Geral. O Supremo não pode votar sem ouvir antes o Procurador Geral. Podem até votar contra, mas têm que ouvi-lo. Só que todos os ministros elogiaram nominalmente Roberto Gurgel, que a cada momento ou julgamento mais se inscreve entre os grandes Procuradores da República.

2 – O voto do ministro relator, Ayres Brito. Afirmei ontem, e reafirmo agora: foi uma sorte enorme (sem desfazer de ninguém) que Ayres Brito fosse o relator.

***

PS – Nas 49 laudas do seu voto, a constatação: o homem pode se realizar de muitas formas. Mas é escrevendo que atinge o ponto mais alto da vida. Ainda mais quando o conteúdo dessas 49 laudas destrói um preconceito, que muitos acreditavam que ficaria para sempre.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Poder de polícia sob suspeição

Marcelo Prates/Jornal Hoje em Dia

Marcelo Prates/Jornal Hoje em Dia / Em Belo Horizonte, os guardas municipais assumiram a fiscalização depois da decisão do STJ Em Belo Horizonte, os guardas municipais assumiram a fiscalização depois da decisão do STJ
Trâns

Decisão da Justiça reconhecendo que a Urbs não tem poder para aplicar multas abre precedente para ações semelhantes em outras cidades

Publicado em 07/05/2011 | Vinicius Boreki

A decisão da 1.ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça (TJ-PR) que reconhece que a Urbs não tem poder de polícia para aplicar multas em Curitiba pode ser estendida a todo estado. Em Londrina, por exemplo, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tem constituição legal semelhante: empresa de economia mista, com capital público e privado, que não pode exercer papel de polícia.

A ação que resultou na decisão do TJ-PR, movida pelo advogado Reginaldo Koga, diz respeito apenas às multas de trânsito aplicadas contra ele. Os demais interessados deverão ingressar com ação. Em Be­­lo Horizonte (MG), a BHTrans, que também é uma empresa de eco­­nomia mista, foi impedida de aplicar multas e a decisão valeu pa­­ra todos, já que a ação foi movida pelo Ministério Público de Minas Gerais. A prefeitura de Belo Ho­­rizonte recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o caso ainda não foi analisado.

O professor de Direito Admi­nis­­trativo Romeu Felipe Bacellar Fi­­lho diz que, apesar de valer apenas en­­tre as partes, a decisão do TJ-PR abre jurisprudência. “É um precedente para outras ações”, explica. O presidente da Comissão de Trân­­sito da seção pa­­ranaense da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Araújo, considera que os ór­­gãos de natureza jurídica parecidos com a Urbs estão su­­­­jeitos a questionamentos. “Se a cons­­tituição jurídica for igual, o risco é o mesmo.”

Questionamentos

Tire suas dúvidas sobre a decisão que retirou o poder de polícia da Urbs.

O que aconteceu em Belo Horizonte?

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça proibiu a BHTrans, uma espécie de Urbs da capital mineira, de fiscalizar o trânsito. O Ministério Público mineiro ingressou com a ação, válida para todos. A prefeitura de Belo Horizonte recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça (STF), mas, como ainda não houve decisão final, fez convênio com a Polícia Militar e colocou a Guarda Municipal como agente de trânsito. Os aparelhos eletrônicos, como radares e lombadas, estão sob a guarida da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos.

A decisão da 1ª Turma Recursal do TJ-PR vale para todos, assim como em BH?

Não, vale apenas para quem ingressou com a ação, o advogado Reginaldo Koga. Contudo, os especialistas afirmam que a decisão abre jurisprudência para outras pessoas questionarem suas infrações.

Nesse período, como fica a fiscalização?

A fiscalização continua acontecendo normalmente. A discussão judicial diz respeito apenas a Koga e à Urbs. Os demais condutores da capital estão sujeitos às regras estabelecidas pela empresa.

Araújo ressalta que a Urbs passou nos últimos meses por situações que comprometem sua credibilidade. “O sistema tem recebido du­­ras pancadas, como a questão dos radares e agora do questionamento para fiscalizar. Isso gera instabilidade e a tendência de ha­­ver desobediência das regras”, opina. A Urbs divulgou números para mostrar que o sistema é eficiente: segundo a empresa, em 1998, com 650 mil veículos, a capital teve 24.350 acidentes, contra 25.109 no ano passado, com frota de quase 1,2 milhão de veículos.

Em nota divulgada em seu site, a prefeitura de Curitiba anunciou que vai recorrer da decisão, informando que desde 1997 a Urbs fiscaliza o trânsito. Em 14 anos, a empresa teria obtido decisões favoráveis. Segundo o comunicado, a Urbs “não tem fim lucrativo”.

Belo Horizonte

A situação em Curitiba segue um roteiro vivido em Belo Horizonte. No fim de 2009, a Empresa de Trans­­porte de Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) foi impedida de aplicar multas. O ministro Herman Benjamim, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entendeu que as sociedades de economia mista têm interesse econômico. “É temerário afirmar que o trânsito de uma metrópole possa ser considerado atividade econômica”, afirmou em seu voto. A BHTrans recorreu, mas o processo ainda não foi analisado pelo STF.

Desde então, cerca de 115 guardas municipais e 180 policiais militares respondem pela fiscalização do trânsito na capital mineira. An­­tes, havia outros 350 agentes. Os 50 radares fixos e três estáticos (que ficam dentro de viaturas), além das lombadas eletrônicas, são administrados pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos.

Em um ano e meio sem fiscalização da BHTrans, motoristas entraram com ações para cancelar suas multas. Mas, segundo a procuradoria-geral de Belo Horizonte, ninguém reverteu o processo. Enquanto a questão permanece sob disputa, o diretor regional da Associação Nacional de Transporte Público em Minas Gerais, Ricardo Meda­nha, diz que o trânsito na capital mineira piorou. Segundo o jornal O Estado de Minas, o número de acidentes subiu 17% em uma comparação entre os dez primeiros meses do ano passado com o mesmo período de 2009.

Fonte azeta do Povo

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Gio Mendes
do Agora

A aeromoça Elisângela Oliveira, 30 anos, impediu que uma menina de seis meses morresse engasgada com a papinha durante um voo da companhia aérea Gol. A comissária pegou o bebê do colo da mãe e aplicou nela a manobra Heimlich (método de desobstrução das vias aéreas pressionando o abdome). A bebê vomitou após a intervenção da aeromoça, que foi aplaudida pelos passageiros.

O bebê foi salvo por Elisângela no dia 6 de abril, mas o caso só se tornou público um mês depois, após o comandante do voo comunicar o ocorrido dentro da empresa. Por isso, a aeromoça foi homenageada pelo presidente da Gol, Constantino Júnior, durante um almoço na última quarta-feira. "Fiquei lisonjeada com a homenagem, mas só fiz o meu trabalho", disse Elisângela ao Agora.

Os pais da bebê embarcaram num voo que saiu de Salvador com destino à Brasília. Elisângela lembrou que a criança chorou bastante durante a viagem, pois sentia dores na barriga. "Os pais admitiram que exageraram na alimentação da criança, dando chá e papinha para ela", disse a aeromoça.

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Al Qaeda reconhece a morte de Bin Laden

Folha de S.Paulo

Cinco dias após o anúncio feito pelo presidente Barack Obama, a rede terrorista Al Qaeda confirmou ontem a morte de seu líder, Osama bin Laden, 54 anos, e prometeu novos ataques contra os Estados Unidos e seus aliados.

A mensagem de 11 parágrafos, publicada em sites islamitas na internet e assinada pelo "comando da Al Qaeda", é o primeiro pronunciamento do grupo terrorista desde a operação militar norte-americana que matou Osama bin Laden no Paquistão.

Embora sua autenticidade não tenha sido comprovada por meios independentes, a mensagem foi atribuída à Al Qaeda pelo Grupo de Inteligência Site, órgão especializado no monitoramento de extremistas islâmicos.

A longa declaração data de 3 de maio, dois dias após a morte de Bin Laden ter sido anunciada, mas segundo o Site, só ontem foi publicada.

A mensagem reitera que a morte de Bin Laden não significa o fim da Al Qaeda e que o sangue de seu líder "não foi derramado em vão".

A declaração alerta ainda os americanos a não expor o corpo de Bin Laden a "tratamento indecente". Segundo os EUA, o corpo do líder terrorista foi lançado no mar. O governo americano decidiu que não vai mostrar as fotos do terrorista morto.

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INSS deve pagar revisão pelo teto para 130 mil

Gisele Lobato
do Agora

O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Mauro Hauschild, disse que a revisão pelo teto deverá ser paga no posto apenas para 130 mil segurados.

Segundo Hauschild, 650 mil beneficiários teriam direito à revisão, mas alguns aposentados podem não ter aumento após o cálculo da revisão --ou seja, o benefício revisado seria igual ao atual. Além disso, de acordo com o presidente do INSS, não teria direito quem deixou de receber o benefício antes de 2006.

Por exemplo, se o aposentado morreu antes de 2006 e não deixou pensão, os herdeiros não terão correção a receber. Isso porque a legislação afirma que o INSS só paga atrasados dos cinco anos anteriores ao pedido de revisão.

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sexta-feira, maio 06, 2011

A vitória do terror











Escrito por Léo Lince
06-Mai-2011

A morte, na sua condição de mistério profundo, transporta qualquer cadáver para o território do sagrado. Não se trata, apenas, do sentimento de familiares, entes queridos, adeptos, mas do espanto geral diante do destino comum da condição humana. Todos haveremos de morrer e, pelo menos para o santo de cada qual, ninguém é "qualquer um". Por isso mesmo, tripudiar, comemorar, sapatear sobre os restos mortais até do pior inimigo é uma atitude infamante.

Obama mandou matar Osama e, depois do anúncio oficial do sucesso da empreitada, o espírito de vingança que habita o senso comum produziu aquilo que Zuenir Ventura chamou de "celebrações com um toque de necrofilia". Pegou muito mal. Tanto assim que houve uma mudança de eixo na cobertura jornalística do segundo dia. A euforia laudatória começou a ceder espaço para a cautela na avaliação do sentido e das múltiplas implicações do acontecido. Onde se afirmavam certezas, agora proliferam dúvidas.

Informações oriundas dos serviços secretos serão sempre interessadas e duvidosas. Mas, para o caso, não se dispõe por enquanto de outras fontes. Logo, tão cedo não se saberá o que realmente aconteceu, a não ser o que já se sabe. Tropas especiais americanas, treinadas para fazer o que fizeram, invadiram sem prévio aviso um país aliado, atacaram na calada da noite a residência onde supostamente vivia o fundador da Al-Qaeda.

Desarmado, ele foi morto e teve o seu corpo lançado em algum lugar do mar sem fim.

Local secreto para evitar romarias. Fotografias e filmes dizem ter feito, mas não mostraram. O diretor da CIA, Leon Panetta, afirmou que são imagens "horrendas", agridem sensibilidades, rosto "desfigurado" por tiros de grosso calibre, peças potencialmente "incendiárias". Os executores são sempre mais grosseiros do que os mandantes.

Retalhos de informações recolhidos nos jornais dão a entender que o serviço secreto americano já conhecia, pelo menos deste o fim do ano passado, a localização do mais procurado "inimigo da América". Os militares aliados paquistaneses, que recebem dos americanos bilhões de dólares para a "luta contra o terror", na certa, não podiam desconhecer aquele confinamento entre quartéis. Podiam ter agido antes e de outra forma. A escolha da data e o formato da operação espetacular, que superou em mídia o casamento real e a beatificação do Papa Pop, talvez encontrem explicação nos meandros trevosos da política interna americana.

As primeiras pesquisas atestam o crescimento exponencial da popularidade do postulante à reeleição. A oposição republicana ultra-reacionária que antes acuava o presidente, cobrando dele provas de sua nacionalidade, agora o elogia. O atestado de óbito de Osama substituiu com vantagem a certidão de nascimento de Obama. A história política americana, tão farta em armações e assassinatos, produz um novo giro. Nele, Osama e Obama são, na verdade, agregados de projeções simbólicas que se acumulam sobre o pêndulo enigmático da história.

Na grafia do nome, apenas uma letra os separa. Além da sonoridade comum, carregam no restante da assinatura marcas de famílias estranhas ao ocidente saxão. Barack Hussein e Bin Laden, nomes estrangeiros, são as duas personalidades de maior destaque na história recente do Império americano. Sobre o corpo agora estraçalhado de Bin Laden, o "eixo do mal" foi construído. O estrangeiro como inimigo absoluto, que está em toda parte e deve ser caçado sem dó nem piedade. O outro "estrangeiro", aquele que teria vindo para redimir os pecados do Império, fornece feição nova na qual se restaura o antes tão execrado "eixo do Bush".

Ao contrário do que se alardeia, a operação americana no Paquistão não foi uma vitória contra terrorismo. Quando um Estado se concede licença para matar, se vangloria do uso da tortura para obter resultados, viola a legislação internacional, atropela a soberania alheia, sem dúvida, pratica uma fieira de crimes que alimenta o ciclo do terror. A execução sumária de inimigos, a profanação e o desaparecimento de cadáveres nunca foram marcos positivos do processo civilizatório. É doloroso constatar, mas o que aconteceu no Paquistão foi, por todos os títulos, um exemplo modelar do pior e mais perigoso tipo de terrorismo: o terrorismo de Estado.

Léo Lince é sociólogo.


Fonte: Correio da Cidadania

CMI Brasil - REFLEXÕES DE FIDEL O assassinato de Osama Bin Laden

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