sábado, agosto 16, 2025

Cúpula entre Trump e Putin acaba sem trégua na Ucrânia

Foto: Reprodução/Instagram
Putin e Trump se cumprimentam na cúpula do Alasca15 de agosto de 2025 | 21:01

Cúpula entre Trump e Putin acaba sem trégua na Ucrânia

mundo

A esperada cúpula entre Donald Trump e Vladimir Putin nesta sexta-feira (15) gerou o que ambos os presidentes chamaram de concordâncias acerca da Guerra da Ucrânia, mas a palavra cessar-fogo não surgiu nos comunicados feitos por ambos após 2 horas e 40 de conversas.

“Não há um acordo até haver um acordo. Grande progresso hoje, mas não chegamos lá ainda”, disse Trump ante repórteres a quem a palavra não foi passada, após terem interpelado Putin de forma incisiva na hora da foto de abertura do evento.

“Eu vou fazer algumas ligações. Vou ligar para os aliados da Otan, para [o presidente ucraniano Volodimir] Zelenski, para ver se ele concorda”, completou, cobrindo Putin de elogios por sua relação “fantástica” ao longo de anos difíceis. “Nós concordamos em vários pontos, faltam alguns. Talvez o mais importante”, disse, com o palco com as palavras “Buscando a Paz” ao fundo.

No avião a caminho de Anchorage, no Alasca, onde o primeiro encontro desde 2021 entre presidentes das duas maiores potências nucleares ocorreu, Trump havia dito que “ficaria triste” se o cessar-fogo que buscava arrancar de Putin não saísse do encontro.

Ao que parece, as horas com o russo arrefeceram seu ímpeto. Nenhuma palavra na entrevista sobre as “severas consequências” que ele novamente prometeu impor aos russos, na forma de sanções econômicas que atinjam parceiros de Moscou como China e Brasil.

Isso não quer dizer que elas não estejam prontas para serem aplicadas, é claro, mas nada transpareceu ainda. Ainda assim, Putin reforçou seus pontos usuais, falando que a guerra é uma “tragédia” entre povos “com a mesma raiz”, mas que é preciso trabalhar nas razões do conflito —sob sua perspectiva.

Putin manteve o semblante fechado em sua fala, e buscou inserir a Ucrânia em um contexto maior, equivalendo a posição da Rússia à dos Estados Unidos como grande potência. Nisso, a cúpula entregou um grande presente de imagem para o russo. É provável que acordos comerciais e negociações com armas nucleares já estejam no cardápio.

Dizendo que a relação entre EUA e Rússia estava “no pior nível desde a Guerra Fria” na gestão do antecessor de Trump, Joe Biden, afirmou que “precisamos ir do confronto ao diálogo”. “Eu e o presidente Trump temos um contato direto muito bom, nos falamos de forma franca”, disse.

Ao falar de Ucrânia, apenas disse que Trump e ele “chegaram a um acordo para pavimentar o caminho para a paz na Ucrânia”. “O presidente tem uma visão clara do que nós queremos atingir. Espero que os acordos de hoje sejam o início da solução”, disse, afirmando esperar que “Kiev e a Europa não torpedeiem os esforços”.

O fato de que nem Zelenski, nem europeus estavam presentes não foi citado, assim como a principal demanda de Putin, já colocada por escrito: a tomada de cerca de 20% da Ucrânia e a neutralidade militar do vizinho, que quer entrar na Otan, a aliança militar liderada pelos EUA.

Antes do encontro, Trump havia dito concordar que seria necessário haver “troca territorial” entre os rivais, embora isso só implique a Putin devolver algo que não é seu, tomado desde o início gda guerra que mudou o desenho da segurança global, em fevereiro de 2022.

Trump também havia condenado as ofensivas recentes de Putin, dizendo que elas não lhe trariam vantagem à mesa de negociação. Nada disso transpareceu nas anódinas declaração de ambos. Trump sugeriu que mais está por vir e que deverá se encontrar novamente com Putin, mas não citou a vontade de juntar Zelenski ao grupo que expressara antes.

“Nos vemos em Moscou”, brincou Putin.

A maratona de conversas começou às 11h32 (16h32 em Brasília). Trump pediu para ampliar o primeiro encontro com o russo, que seria a sós com intérpretes, incluindo o secretário Marco Rubio (Estado) e o negociador Steve Witkoff. Putin então levou o chanceler Serguei Lavrov e o assessor Iuri Uchakov.

Duas horas e 40 minutos depois, o fórum seria ampliado com os ministros russos Andrei Belousov (Defesa), Anton Siluanov (Finanças) e o czar de investimentos Kirill Dmitriev do lado russo. Já Trump trouxe também Pete Hegseth (Defesa), Scott Bessent (Tesouro) e Howard Lutnick (Comécio), além do diretor da CIA, John Ratcliff.

Mas o Kremlin então anunciou que haveria a entrevista coletiva dos presidentes.

A reunião foi a primeira entre os líderes entre os líderes desde 2019, quando Trump ainda estava em seu primeiro mandato e ambos se encontraram às margens da cúpula do G20 em Osaka. Ao todo, eles tiveram seis encontros antes de o republicano deixar a Casa Branca.

A visita em si foi uma vitória de Putin, que desde a invasão há três anos e meio é visto como um pária em boa parte do Ocidente. Em 123 países que reconhecem o Tribunal Penal Internacional, o russo não pode pisar sob risco de ser preso devido a uma ordem da corte, que o acusa de crime de guerra. EUA, Rússia e Ucrânia não estão na lista.

Trump, que alternou aproximações e ameaças a Putin desde que voltou ao poder em janeiro, não vendeu o ingresso do show de forma barata.

Putin teve de obedecer a um peculiar ritual para descer de seu avião ao mesmo tempo que o americano, atravessou uma alameda de caças avançados do rival e viu um bombardeiro desenhado para atacar a Rússia com armas nucleares sobrevoar a pista em Anchorage.

Com a memória da cúpula de 2018 com Putin, quando Trump humilhou-se publicamente ao curvar-se ao relato do russo acerca da suposta interferência no pleito americano de 2016, o republicano buscou blindar-se.

Ao cumprimentar Putin na pista, após aplaudi-lo, puxou-o com força para si, uma linguagem corporal de controle. Abandonou também o encontro a sós, com intérpretes, que o exporia a rumores de ser influenciado por Trump, adicionando mais duas testemunhas de cada lado.

Mas deu uma carona a Putin em sua limusine, algo inédito para ambos e a única oportunidade em que ficaram sozinhos em ambiente fechado ao longo do dia.

Os russos, de todo modo, aparentavam satisfação antes do encontro. Lavrov fez uma provocação pública a Kiev, vestindo uma malha com as iniciais em cirílico da União Soviética, país que englobava a Ucrânia até 1991 sob o comando de Moscou.

Igor Gielow/Folhapress 

Voto de Moraes sobre Bolsonaro é esperado no STF para segunda semana de julgamento

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), interroga o ex-presidente Jair Bolsonaro15 de agosto de 2025 | 21:30

Voto de Moraes sobre Bolsonaro é esperado no STF para segunda semana de julgamento

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O presidente da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Cristiano Zanin, marcou para o dia 2 de setembro o início do julgamento do núcleo central da trama golpista. A expectativa é que os ministros da Turma só discutam o mérito das acusações na segunda semana de julgamento.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar, e outros sete são réus sob a acusação de crimes contra a democracia.

Foram marcadas sessões para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. O julgamento começa com a leitura do relatório do ministro Alexandre de Moraes —espera-se que a leitura e a sustentação oral da PGR (Procuradoria-Geral da República) e das defesas dos acusado ocupem os dois primeiros dias do julgamento.

Isso porque o relatório de Moraes deve ser extenso e detalhar todas as fases do processo, com os argumentos da PGR para acusar os réus e da defesa para absolvê-los.

Depois, a acusação e os advogados de defesa terão 1 hora cada para as sustentações orais –fase do julgamento que pode durar cerca de 9 horas

Moraes só apresentará o seu voto final após a fala de cada uma das partes do processo. Ele deve trazer suas conclusões pela condenação ou absolvição de cada um dos réus separadamente.

As datas do julgamento foram definidas nesta sexta-feira (15) após Moraes comunicar a Zanin que está pronto para levar o processo da trama golpista a julgamento.

O calendário de julgamento prevê sessões em horários diferentes dependendo do dia:

  • 2.set.25
    as 9h às 19h
  • 3.set.25
    das 9h às 12h
  • 9.set.25
    das 9h às 19h
  • 10.set.25
    das 9h às 12h
  • 12.set.25
    das 9h às 19h

Além de Bolsonaro, são réus o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-chefe do GSI Augusto Heleno, o tenente-coronel Mauro Cid, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e o ex-chefe da Casa Civil Walter Braga Netto.

O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) também faz parte do grupo, mas o processo contra ele foi parcialmente paralisado por determinação da Câmara.

Os oitos réus foram acusados pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado do patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

As penas máximas somadas superam 40 anos de prisão.

No relatório do processo, Moraes vai contar com detalhes de como foi cada etapa da ação penal, quais decisões o Supremo tomou e o que alegam a PGR e as defesas dos réus. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá duas horas para fazer sua sustentação oral.

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso, será a próxima a se manifestar pelo mesmo período. Depois, cada uma das defesas dos réus terá tempo igual para advogar pela absolvição dos acusados. Os advogados serão chamados por ordem alfabética dos denunciados.

Isso porque o ministro Alexandre de Moraes só apresentará o seu voto após a fala de cada uma das partes do processo. Ele deve apresentar suas conclusões pela condenação ou absolvição de cada um dos réus separadamente.

A sequência dos votos é definida pelo critério de antiguidade. Será esta ordem: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin —último a falar por presidir o colegiado.

A condenação depende da maioria dos votos dos ministros da Primeira Turma.

A jurisprudência no Supremo define que os condenados só devem passar a cumprir suas penas após o trânsito em julgado (encerramento) do processo. Isso significa que mesmo se os réus forem considerados culpados, uma eventual prisão só deve ocorrer após o fim da análise de recursos das defesas.

A quantidade de recursos a serem apresentados depende da votação dos ministros no julgamento. Se houver divergência, as defesas podem explorá-las em mais recursos. Em caso de unanimidade de condenação e dosimetria das penas, os réus têm menor margem de manobra.

A expectativa no Supremo é que os recursos devem ser julgados até o fim de outubro. Nesse cenário, eventuais condenados devem passar a cumprir a pena ainda este ano.

Parte das defesas dos réus acredita, porém, que Luiz Fux pode pedir vistas do processo e adiar o julgamento da trama golpista em até 90 dias. Esse mecanismo é utilizado quando o ministro quer mais tempo para analisar o caso antes de apresentar seu voto.

Folhapress

Governo acha que Trump quer mudança de regime no Brasil e prevê ações para além de Bolsonaro

 Foto: Reprodução/Instagram

O presidente dos EUA, Donald Trump15 de agosto de 2025 | 22:00

Governo acha que Trump quer mudança de regime no Brasil e prevê ações para além de Bolsonaro

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O governo brasileiro encara o tarifaço e as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil como uma tentativa de “mudança de regime” e acredita que as ações de presidente Donald Trump não se restringem a pressão sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal), marcado para setembro.

Para uma fonte do Planalto, as ações de Trump visam a influenciar o processo eleitoral brasileiro. Nessa visão, a ideia do governo americano é garantir que exista um candidato com afinidade ideológica com Trump na cédula eleitoral da eleição presidencial do Brasil em 2026.

O governo brasileiro também acredita que, caso haja vitória do presidente Lula (PT) no ano que vem, haverá questionamento da legitimidade da disputa no Brasil por parte de Trump. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vem afirmando há meses que, se Bolsonaro não estiver na cédula, os EUA não vão reconhecer a eleição no Brasil.

O Planalto vê um movimento dos EUA de reafirmar a América Latina como seu quintal. Além de pressionar pela absolvição de Bolsonaro no julgamento do STF e criticar a prisão do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe (de direita), Washington manifestou apoio à prisão da ex-presidente Cristina Kirchner (de esquerda) na Argentina.

No final de julho, o nomeado de Trump para ser o próximo embaixador americano na Argentina, Peter Lamelas, afirmou que Cristina deveria “receber a justiça que merece”. “Se ela não fosse política, estaria na prisão. Ela está em prisão domiciliar por algum tipo de favoritismo político”, afirmou.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, saiu em defesa de Uribe, dizendo que seu único crime foi “lutar e defender incansavelmente sua pátria” e acusou o Judiciário de ser “instrumentalizado” por “juízes radicais”.

Uma das estratégias para não ficar isolado na América do Sul, para evitar um “grupo de Lima” contra o Brasil, como afirmam integrantes do governo, é criar vínculos com governos de direita na região. O grupo de Lima foi formado em 2017 com chanceleres de países com governos de direita e centro-direita da região que pressionavam pela saída do ditador Nicolás Maduro do poder na Venezuela e apoiavam o opositor Juan Guaidó.

Fontes apontam para a visita do presidente de centro-direita do Equador, Daniel Noboa, a Brasília na segunda-feira (18), onde se reúne com Lula, como parte dessa aproximação com a direita. No caso da Argentina, apesar de não haver aproximação com Javier Milei, o Brasil está comprando gás do país.

Com a Unasul extinta e a Celac bloqueada, o Brasil quer usar o Mercosul e a OTCA para discutir temas que podem unir a região, como mudança do clima e cooperação energética.

Além disso, Lula vai continuar com seu movimento de aproximação com países afetados pelas tarifas de Trump. Nesta semana, ele irá conversar por telefone com o presidente da França, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

Sanções financeiras

Integrantes do governo não acham provável os EUA imporem sanções contra os bancos brasileiros, por potencialmente estarem desrespeitando a Lei Magnitsky ao manter operações do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Eduardo Bolsonaro tem discutido a questão com autoridades americanas. Mas uma fonte do governo acha que isso seria uma ação temerária, pois poderia gerar instabilidade no sistema financeiro. E apontam que sanções financeiras iriam atingir em cheio a Faria Lima, um eleitorado fiel de Bolsonaro.

Eles acham, no entanto, que há chances de sanções da Lei Magnitsky contra outros membros do Judiciário, antes ou depois do julgamento de Bolsonaro.

Patrícia Campos Mello/Folhapress

Entenda como é a sucessão na presidência do STF; Fachin assume posto de Barroso

 Foto: Antonio Augusto / STF

Ministro Edson Fachin16 de agosto de 2025 | 07:58

Entenda como é a sucessão na presidência do STF; Fachin assume posto de Barroso

brasil

O ministro Edson Fachin foi eleito para assumir a presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), sucedendo Luís Roberto Barroso. A posse está marcada para ocorrer em 29 de setembro, e o mandato é de dois anos, sem possibilidade de reeleição imediata.

A sucessão na presidência do STF segue uma tradição interna: a corte elege o ministro mais antigo (há mais tempo no tribunal) que ainda não tenha exercido a função. O vice é o segundo mais antigo.

No caso de Fachin e Moraes, a escolha ocorreu por meio de votação por sistema eletrônico realizada na última quarta-feira (13).

O voto, nesse caso, é secreto, como prevê o regimento interno do tribunal. A corte também estabelece quórum mínimo de oito ministros para a eleição, veda a recondução imediata para os cargos e estabelece que o plenário deve eleger os novos ocupantes dos dois cargos na segunda sessão do mês anterior ao fim do mandato do presidente em exercício.

Fachin completou, no último mês, dez anos de Supremo. A expectativa no tribunal é que o ministro deva impor seu perfil discreto e conciliador na gestão da presidência do STF, com mais previsibilidade da pauta de julgamento no plenário.

Nascido em 1958 em Rondinha, no Rio Grande do Sul, ele se formou em direito na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e possui mestrado e doutorado em direito civil pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). O ministro integra o Supremo desde 2015, indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT).

Nesses dez anos, ficou responsável por mais de 53 mil processos sobre temas diversos. Alguns dos mais espinhosos eram recursos e ações oriundas da Lava Jato –Fachin herdou os processos sobre a operação após a morte do ministro Teori Zavascki, em 2017.

O ministro assume o comando do tribunal em um cenário de pressão política e institucional marcado por sanções impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Alexandre de Moraes e outros ministros.

O Supremo também é alvo críticas públicas de autoridades e setores organizados e está sob escrutínio sobre o papel do tribunal em processos de grande repercussão, incluindo as ações da trama golpista de 2022, cujo início do julgamento está agendado para 2 de setembro.
Além de presidir as sessões do plenário, o presidente do STF organiza a pauta de julgamentos, representa institucionalmente a corte e comanda o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão responsável pelo controle e pela transparência do Judiciário.

O vice, por sua vez, substitui o presidente quando necessário e auxilia na condução administrativa e institucional do STF. O eleito para o posto foi Moraes, que também deve ser o próximo a assumir a presidência após o término do mandato de Fachin.

Moraes nasceu em 1968 em São Paulo. Formou-se na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), pela qual obteve o título de doutor e livre-docente. Atualmente ainda leciona na instituição.

Começou a carreira jurídica como promotor de Justiça em São Paulo. Deixou o Ministério Público em 2002 para ser secretário da Justiça do então governo Geraldo Alckmin.

Passou por outros cargos, como secretário municipal de Transportes e estadual da Segurança, além de advogar, até ser indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer (PMDB). Tomou posse no tribunal em 2017.

No âmbito das Turmas do STF, a sucessão no comando gera uma troca. Fachin atualmente integra a Segunda Turma. Ele vai deixar a vaga ao assumir a presidência da corte. A posição será ocupada por Barroso.

Moraes permanece na Primeira Turma, responsável pela relatoria da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo que apura trama golpista em 2022. A mudança no comando da corte, portanto, não deve afetar o julgamento.

A Primeira Turma é presidida por Cristiano Zanin e composta por Cármen Lúcia, Luiz Fux, Moraes e Flávio Dino. A Segunda Turma é presidida por Gilmar Mendes e formada por Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Fachin, cuja vaga passará para Barroso.

Arthur Guimarães de Oliveira / Folhapress

STF concentra julgamento de Bolsonaro para evitar risco de adiamento para 2026

 Foto: Felipe Sampaio / STF

Ex-presidente Jair Bolsonaro16 de agosto de 2025 | 08:52

STF concentra julgamento de Bolsonaro para evitar risco de adiamento para 2026

brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou o rito célere das ações penais do golpe e estabeleceu nesta sexta-feira, 15, as datas do julgamento do “núcleo crucial”, composto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os outros sete réus. Os acusados começarão a ser julgados no dia 2 de setembro na Primeira Turma da Corte. A previsão é que a análise seja concluída até o dia 12 do próximo mês. As datas foram definidas para evitar o risco de o julgamento avançar para o ano eleitoral de 2026 na hipótese de um pedido de vista.

As sessões extraordinárias foram marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. Inicialmente, ministros concordaram que seriam reservadas as cinco terças-feiras de setembro, o que levaria o julgamento até o dia 30. As datas foram definidas ontem pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, após o processo ter sido liberado para julgamento por Alexandre de Moraes, o relator do caso.

Nos bastidores do STF, se avaliava a possibilidade de Luiz Fux pedir vista. A interlocutores, o ministro negou essa intenção. Ainda assim, para fazer um “hedge” – uma espécie de seguro -, optou-se por antecipar o fim do julgamento.

Isso porque, segundo o Regimento Interno do tribunal, o prazo para devolução de um pedido de vista é de até 90 dias. Portanto, se houvesse vista a partir do dia 22 de setembro, ela poderia ser devolvida somente em fevereiro, porque o prazo terminaria durante o recesso do tribunal, que começa no dia 20 de dezembro e vai até 2 de fevereiro de 2026.

A maioria dos ministros do STF considera importante encerrar o julgamento ainda neste ano, para que o assunto penal respingue o menos possível no processo eleitoral de 2026. O tribunal poderá convocar novas sessões ao longo de setembro para examinar o processo se as datas agendadas não foram suficientes para concluir as discussões.

O trâmite do processo segue um ritmo ágil. A ação penal que trata do “núcleo crucial” – conforme definição da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) – foi instaurada em 26 de março deste ano, quando Bolsonaro e mais sete acusados do núcleo crucial viram réus.

Além de Bolsonaro, também respondem ao processo os generais Walter Braga Netto (ex-ministro da Defesa e Casa Civil), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa), o almirante Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), o tenente-coronel Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), o deputado federal do PL Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), e Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defende a condenação dos sete réus por todos os crimes listados na denúncia – tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Também compõem o colegiado os ministros Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

Operação especial

A decisão do colegiado de montar uma operação especial para o julgamento, com sessões adicionais e consecutivas ao longo do mês de setembro, repete o que ocorreu no recebimento da denúncia Normalmente, as turmas do STF se reúnem quinzenalmente, mas o cronograma pode ser alternado em função da pauta. Em todas as datas, as sessões serão realizadas das 9h às 12h. Nos dias 2, 9 e 12 haverá também sessões das 14h às 19h. Novas sessões podem ser agendadas se o julgamento não for concluído até a data final reservada.

Os réus terminaram de enviar os últimos argumentos na quarta-feira. As defesas pediram a absolvição por questões processuais e falta de provas. Com isso, a chamada “fase de instrução” do processo foi concluída, abrindo caminho para o julgamento. Durante a instrução, testemunhas e réus foram ouvidos, inclusive em acareações para confrontar suas versões.

Defesas

Entre qualificar a acusação como “absurda”, minimizar a participação na trama golpista e até afirmar que agiu contra a conspiração, todos os réus no chamado “núcleo crucial” que respondem à ação penal do golpe pediram absolvição no caso por questões processuais e falta de provas. Bolsonaro, apontado pela PGR como líder da organização criminosa, é acusado de cinco crimes que, somados, podem render 43 anos de prisão, se consideradas as penas máximas e os agravantes de cada um deles.

Os advogados do ex-presidente chamaram de “absurda” a denúncia e pedem a absolvição dele sob o argumento de que não há provas, inclusive para ligá-lo ao ato golpista de 8 de Janeiro e ao plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de autoridades brasileiras. Ao final, também requisitam que o julgamento seja imparcial.

A defesa diz que o processo é “tão histórico quanto inusitado” e descreve um quadro na qual Bolsonaro é vítima de um “massacre” da imprensa, deixando implícito que ele seria vítima de julgamento prévio pela mídia.

Carolina Brígido e Rayssa Motta / Estado de S. Paulo

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