segunda-feira, julho 21, 2025

Romeu Kiihl, “pai da soja”, ajudou o Brasil a se tornar o maior produtor


O engenheiro agronômo Romeu Afonso de Souza Kiihl desenvolveu mais de 150 variedades de sementes adaptadas às diferentes condições de produção do Brasil

Romeu Kiihl desenvolveu 150 variedades de sementes

Márcia de Chiara
Estadão

O engenheiro agrônomo Romeu Afonso de Souza Kiihl, considerado o “pai da soja tropical”, foi trabalhar com soja por acaso. Natural de Caconde, município localizado no noroeste do Estado de São Paulo e maior produtor paulista de café, ele queria se dedicar à pesquisa sobre esse grão, a sua paixão de infância. Mas, pelas circunstâncias, foi parar na soja, inexpressiva no País nos anos 1960.

Formado pela USP, com mestrado e doutorado em melhoramento genético pela Mississippi State University, dos EUA, Kiihl, hoje com 83 anos, desenvolveu durante 60 anos de profissão mais de 150 variedades de sementes de soja adaptadas a várias regiões do País, que transformaram o País no maior produtor e exportador de soja do mundo.

PRINCIPAL PRODUTO – Na safra 2024/2025, a produção brasileira bateu o recorde de 168,3 milhões de toneladas. Isoladamente, a soja é hoje o principal produto de exportação do agronegócio brasileiro em volume e receita e um dos pilares do saldo da balança comercial do País.

Apesar de ter conseguido, por meio da pesquisa científica sobre melhoramento genético, espalhar a produção de soja pelo País, Kiihl, é modesto.

Para ele, o pulo do gato para sucesso da soja no Brasil central foi a combinação de três fatores: a genética do grão, a correção do solo e o agricultor brasileiro.

Por que o sr. decidiu ser agrônomo?
Fui fazer agronomia porque eu fiquei muito interessado em ser pesquisador na área de tecnologia de alimentos, e engenharia de alimentos fazia parte da agronomia. Em 1960, li uma notícia no jornal que o recém-criado Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) havia contratado alguns agrônomos recém-formados e os estava enviando para os Estados Unidos para fazer pós-graduação. Aquilo me deixou extremamente entusiasmado, e falei: ‘É isso que eu vou querer fazer’. Além do mais, em Caconde, cidade onde nasci, nós tínhamos uma bolsa de estudos para quem terminasse o colegial em primeiro lugar e quisesse fazer agronomia ou medicina veterinária. Fui fazer agronomia com essa intenção de me especializar em tecnologia de alimentos. No segundo ano da escola, quando cursei a disciplina de genética, descobri o que eu realmente gostava. Decidi que iria ser melhorista de plantas.

Com qual planta o sr. queria trabalhar?
Decidi pelo café, a planta da minha cidade. Quando eu era criança, nas férias na fazenda do meu tio, eu gostava muito de café. Mas, no quinto ano da faculdade, optei pelas plantas anuais, não plantas perenes, como o café. Trabalhando com as anuais, achava que as coisas seriam muito demoradas. Escolhi arroz. Eu nem conhecia a soja.

E como o sr. foi parar na soja?
Quando eu me formei, tive muitas propostas de trabalho. Uma delas foi para trabalhar com soja, na seção leguminosas do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Queria trabalhar com arroz. Mas, como um jovem meio, assim, eu diria meio convencido, queria ser convidado. E, como eu não recebia esse convite, terminei aceitando trabalhar com soja.

Foi por acaso que o sr. foi trabalhar com a soja?
Sim. Um colega, uma vez, encontrou-se comigo e falou: ‘Poxa vida, você foi tão bom aluno, e a gente imaginava que fosse ter um futuro brilhante em pesquisa’. Isso porque eu iria trabalhar com soja, uma cultura sem expressão alguma. Naquele ano, 1965, o Estado de São Paulo inteiro plantava 20 mil hectares de soja, e o Brasil produzia 490 mil toneladas. Mas a soja logo me entusiasmou porque é uma leguminosa que fixa o nitrogênio no solo por meio de uma simbiose com uma bactéria. Não é preciso usar adubo nitrogenado no cultivo, é uma coisa maravilhosa.

E como o sr. foi fazer pós-graduação nos EUA?
Eu aguardava nomeação no IAC. Fazia dois anos que o então governador de São Paulo, Adhemar de Barros (governou São Paulo entre 1947–1951 e 1963 –1966), não liberava os recursos. Aceitei uma bolsa de estudos no Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, que tinha uma parceria com a Fundação Rockefeller. Por meio de um convênio com a seção de leguminosas, a fundação norte-americana mantinha um centro de pesquisas espetacular em Mattoon, no Estado de Wisconsin (EUA), que fazia pesquisas no Cerrado. Mas conheci o doutor Edgard Emerson Hartwig, que era o melhorista de soja da Universidade do Mississippi (EUA). Ele estava de passagem pelo Brasil, acompanhado pelo doutor Francisco de Jesus Vernetti, que foi fundamental na minha vida. Vernetti me aconselhou a ir para o Mississippi trabalhar com Hartwig, que estava desenvolvendo o tipo de soja de que o Brasil precisava, a adaptada ao Sul do País. É para lá que você tem de ir, disse ele.

O sr. saiu do Brasil já focado a estudar melhoramento genético de soja?
Saí do Brasil pra fazer o mestrado em melhoramento de soja. Hartwig me preparou para entender a importância da latitude na adaptação da soja. Estudei alguns cruzamentos nas condições de Stoneville (EUA), a 33 graus de latitude. Simulamos as condições de Campinas, onde eu ia trabalhar, que era 23 graus de latitude. Então, era um trabalho de chinês. Todo dia ia a campo: de tardezinha cobria as plantas, nove horas da noite ia lá e descobria, mas aprendi muito. Voltei para o Brasil, trabalhei por oito anos no IAC e depois fui para o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Voltei para os Estados Unidos para fazer PhD (o mais alto grau acadêmico).

Quando retornou?
Voltei para o Brasil em 1977. Tínhamos montado um programa de pesquisa de melhoramento de soja no Iapar, muito bonito, muito bem organizado. O programa de soja do Iapar foi absorvido pela Embrapa, onde fiquei por 25 anos. Embrapa é o sonho do sonho. O Centro Nacional de Pesquisa de Soja hoje deve ter ao redor de 70 pesquisadores, todos com PhD nas melhores universidades do mundo. Não existe lugar nenhum no mundo um grupo tão grande, tão bem treinado como nós temos aqui no Brasil. Na Embrapa fizemos variedades de soja adaptadas para o Brasil inteiro. Quando a soja entra numa região, leva muita coisa além dela: tecnologia, progresso e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)

Na sua avaliação, qual foi o pulo do gato que houve na soja para se ter variedades que possam ser cultivadas praticamente no País todo?
O sucesso da soja no Brasil central é a combinação de três coisas. A genética, que fez a soja com o período juvenil longo; os solos, que foram corrigidos através de calagem e fertilização; e o agricultor brasileiro. Eu sou admirador do agricultor brasileiro porque a coragem que esse pessoal tem, eu acho incrível.

Como assim?
O pessoal que saiu do Rio Grande do Sul e foi para um lugar que não tinha condição alguma, que ficou morando sob lonas amarradas no caminhão. Bem no começo da minha vida, passei por um lugar chamado Chapadão dos Gaúchos. Era um posto de gasolina. Hoje é a cidade Chapadão do Sul, no norte de Mato Grosso do Sul. É uma cidade enorme, com grande progresso. Quando a soja entra numa região, leva muita coisa além dela: tecnologia, progresso e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para a região. Pode pegar as cidades do Brasil central, vai para Sinop (MT), vai para Lucas do Rio Verde (MT), Primavera do Leste (MT), Chapadão do Sul. É uma maravilha. Sou um admirador desse pessoal.

Quando começou a vida como pesquisador de soja, o sr. acreditava que o Brasil teria esse desempenho na produção do grão? Acreditava que o País seria o celeiro do mundo?
É engraçado, acho que era uma coisa de sonho, sim. Bem no começo da minha vida, achava que, como nós não tínhamos nem fósforo nem potássio, deveríamos comprar o máximo que houvesse desses elementos e fazer montanhas e montanhas de adubos, guardados no Cerrado para poder recuperar o solo. Sempre quis recuperar o Cerrado.

E a questão de ser o celeiro do mundo?
Acontece o seguinte na produção de grãos. Os Estados Unidos praticamente já utilizaram o que tinham de utilizar da área. Para plantar mais soja, têm de plantar menos milho. E milho é muito importante para eles. Então, quem vai produzir soja para o mundo é Brasil, Argentina, Paraguai, um pouco do Uruguai. Tem gente que fala que a China pode crescer muito, mas eu não acredito. Se eu fosse um chinês e tivesse uma área para produzir, plantaria arroz, trigo ou milho. A produtividade dessas lavouras é muito maior por hectare comparada à produtividade da soja. Onde você produz cinco toneladas de soja por hectare, você produz 12,5 toneladas de milho. E é muito mais barato transportar, por navio, uma tonelada de soja do que uma de milho. Então, todos os outros países que puderem produzir soja e milho, darão preferência para milho. A soja pode estar em rotação, mas não vai ser a grande cultura. O Brasil, ao contrário, consegue produzir soja e milho no mesmo ano. Isso é um negócio que ninguém tem. É só a América do Sul. Imagino que parte da África poderia fazer isso, mas as dificuldades da África seriam muito grandes.

Atualmente é possível plantar soja em todas as regiões Brasil, praticamente. Qual é o próximo desafio para soja na sua opinião?
Eu não diria desafio, mas diria oportunidade. Hoje a edição de genes é uma ferramenta muito poderosa que vai permitir que gente faça muitas modificações. Então, por exemplo, o óleo de soja pode ser modificado para ficar um óleo tão bom quanto o óleo de canola, por exemplo, ou tão bom quanto o óleo de oliva. Hoje é mais fácil manipular esses genes por meio da edição do que seria por meio de um melhoramento tradicional. Não digo que não se possa fazer por melhoramento tradicional, mas a edição facilita, acelera. Acho que vamos ter muito avanço.

Como é que o senhor vê a evolução da agricultura e a preservação do meio ambiente? É compatível ter uma agricultura de larga escala com preservação do meio ambiente?
Totalmente compatível. O agricultor não quer destruir o meio ambiente, não. O agricultor quer preservar. Precisamos usar a expressão agricultura regenerativa. A ideia é você entregar para a próxima geração algo melhor do que você recebeu. O sistema de plantio direto, mantendo a cobertura vegetal do solo o tempo todo, é uma coisa maravilhosa. E, além do mais, nós temos vários casos caminhando para a integração da lavoura com a pecuária, da lavoura, com a pecuária e a floresta. O Brasil é modelo para o mundo. O pessoal fala mal da gente, mais por questões comerciais, na minha opinião. No caso da soja, você consegue produzir o grão sem precisar de nenhum nitrogênio vindo do petróleo. O Brasil resolve e é eficiente para produzir. Então, ecologicamente, a soja é uma cultura que está a favor do meio ambiente.

Qual é a nova fronteira agrícola da soja?
A grande expansão mesmo é Matopiba (região formada pelos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Além da expansão para área de renovação de pastagem. Se você recuperar a pastagem com soja, a produção de soja paga a recuperação da pastagem e a pastagem dura mais do que duraria se não tivesse soja no sistema. A soja é vantajosa na recuperação de pastagens.

A expansão da soja para a África pode ser uma ameaça para o Brasil?
Não, só se levar o produtor brasileiro para lá. O agricultor brasileiro é o exemplo do empreendedorismo corajoso. Nós demos sorte. Os imigrantes, principalmente alemães e italianos, que vieram para cá, eram de origem agrícola. E as propriedades se tornaram muito pequenas, porque as famílias eram grandes. Então, a única solução que tinham era sair do Rio Grande do Sul e procurar áreas maiores. O pessoal cresceu bem para o oeste do Paraná, depois foi para Mato Grosso do Sul e foi subindo. Hoje a soja está no Brasil todo.

Qual seria o conselho que o sr. daria para os novos agrônomos que estão chegando à profissão?
Estudar o máximo possível. Hoje as escolas oferecem muitas opções de estudo. Acompanho muito o pessoal de Mato Grosso e fico impressionado com o bom nível da nova geração que está chegando ao mercado, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os agricultores estão envelhecendo. E a nova geração não está querendo estudar agronomia. Acompanho bastante os trabalhos científicos. Uma parte dos trabalhos tem um ou dois americanos e meia dúzia de chineses. Uma parte da universidade está infestada de chineses que foram para lá e se tornaram professores.

Por que eles estão ocupando esses cargos?
Porque não tem americano. E aqui no Brasil tem muito brasileiro fazendo bom trabalho. Alguns, espetaculares.

A escalada antidemocrática nas relações Brasil-EUA é preocupante

Publicado em 21 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Aroeira (brasil247.com)

Pedro do Coutto

O gesto do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro representa um dos episódios mais graves e inéditos na história das relações diplomáticas entre duas das maiores democracias do hemisfério ocidental. Ao denunciar com firmeza essa afronta, o presidente Lula da Silva faz não apenas a defesa da soberania nacional, mas também do princípio da separação dos poderes — um alicerce das democracias modernas e do pacto constitucional brasileiro.

Segundo informações confirmadas por veículos como a BBC Brasil e o The New York Times, a administração Trump tem atuado com viés ideológico explícito ao acolher e incentivar pressões vindas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que busca minar instituições democráticas brasileiras por meio de articulações que ultrapassam todos os limites da razoabilidade diplomática.

ESTRATÉGIA – Não se trata apenas de uma ingerência externa, mas de uma tentativa deliberada de deslegitimar decisões de um tribunal supremo soberano, com o objetivo de alimentar tensões políticas internas no Brasil, forçando o país a responder não apenas com firmeza, mas com inteligência estratégica.

Ao sancionar magistrados que representam o mais alto tribunal do país, a Casa Branca rompe com a prática diplomática consagrada, colocando em xeque sua própria credibilidade internacional. Tais ações só são cabíveis — e mesmo assim sob forte debate jurídico e político — em contextos extremos, como em tempos de guerra ou em resposta a regimes de exceção que cometem violações sistemáticas dos direitos humanos.

O Brasil, por mais que enfrente turbulências políticas, permanece uma democracia funcional, com Judiciário ativo, eleições regulares e liberdades garantidas constitucionalmente. O gesto norte-americano, portanto, beira a ilegalidade e o arbítrio, e pode, inclusive, configurar abuso de poder de natureza extraterritorial.

DESCOMPROMISSO – No centro dessa crise está Eduardo Bolsonaro. Sua atuação, à margem do Itamaraty e em flagrante oposição ao governo legitimamente eleito, escancara o descompromisso de parte da extrema direita com os fundamentos republicanos. Trata-se de um comportamento que pode configurar “traição à pátria”, ainda mais grave por envolver conluios com potências estrangeiras em detrimento do interesse nacional.

Ao instrumentalizar seu sobrenome e a herança política do pai para pressionar uma potência estrangeira a intervir nas instituições brasileiras, Eduardo Bolsonaro ultrapassa os limites da liberdade parlamentar e entra no terreno pantanoso das ações antinacionais.

O pano de fundo disso tudo é ainda mais tenso. A política tarifária de Donald Trump contra o Brasil — o chamado “tarifaço” — impõe sérias restrições a setores estratégicos da economia brasileira, como o aço, o alumínio e os produtos agrícolas. Recuar agora, para Trump, significaria um sinal de fraqueza junto a sua base ultranacionalista.

RISCO – Avançar, por outro lado, representa um risco geopolítico de alta intensidade. É nesse contexto que Lula ganha pontos: ao se posicionar de forma firme, articulada e serena, reforça sua imagem de estadista diante de um cenário internacional polarizado e de um presidente norte-americano imprevisível.

Para além das disputas momentâneas, o que está em jogo é a soberania do Brasil e a integridade de suas instituições. Permitir que sanções arbitrárias vindas de Washington determinem os rumos da política interna brasileira seria um retrocesso histórico — e um grave precedente para o continente latino-americano, já marcado por ciclos de interferência e tutelagem estrangeira.

DESCONFORTO –  A comunidade internacional observa com atenção. Organismos como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o próprio Conselho de Direitos Humanos da ONU já demonstraram, em outras ocasiões, desconforto com atitudes semelhantes.

Cabe agora ao Brasil se unir em torno de suas instituições — independentemente de filiação partidária — para rejeitar qualquer tentativa de desestabilização promovida por interesses que não dialogam com os valores democráticos nem com o respeito ao direito internacional.

O futuro dessa crise dependerá não apenas da resposta do governo brasileiro, mas também da postura da sociedade civil, da mídia responsável e do Congresso Nacional. Afinal, não se trata apenas de política externa. Trata-se da preservação da nossa soberania, da integridade do sistema de Justiça e, sobretudo, da dignidade institucional do Brasil como nação.

Moraes poderia ter esperado um pouco, mas ele também não mede suas ações

Publicado em 21 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Governo vê ato como 'ingerência' e avalia chamar embaixadora em protesto

Moraes e Trump não têm paciência e estão se atropelando

Merval Pereira
O Globo

Nós aqui quebrando a cabeça, tentando entender o que provocou a ira trumpista contra o Brasil, buscando um pouco de bom-senso nas decisões estapafúrdias tomadas, e tudo pode se resumir a uma questão pessoal.

O BRICS certamente irrita Trump, volta e meia ele bate nessa tecla, especialmente na questão da moeda que substituiria o dólar no comércio internacional. Mas Trump sabe também que o BRICS não é uma ameaça iminente, se é que será ameaça algum dia. Há as big techs, que não querem se responsabilizar pelo que transmitem. Essas são influentes no círculo trumpista e têm poder de fogo. Se equivocam, porém, se consideram que o Brasil não tem força política para regulamentá-las.

EM DÉFICIT – O comércio internacional não pode ser, pois ainda estamos em déficit com os Estados Unidos. Há quem ainda acredite que Bush filho só invadiu o Iraque para vingar o pai, que anos antes havia entrado em guerra com aquele país para defender o Kuwait de uma invasão. Pois Freud está novamente em campo, desta vez influenciando Trump a defender seu avatar brasileiro, como se defendesse a si próprio.

A confusão entre Bolsonaro, Trump e o Brasil piorou e está longe de terminar. É uma mistura de decisões políticas com pessoais, difíceis de negociar. Muitos fatores estão envolvidos, mas nada de concreto além da tentativa de criar um ambiente que propicie uma rendição do governo brasileiro.

Trump está cada vez mais apostando na liberação do ex-presidente Bolsonaro, e fez questão de demonstrar seu apreço ao mandar-lhe uma carta pessoal, enquanto não responde à carta institucional que o governo brasileiro enviou através do Itamaraty.

REAÇÃO DE MORAES – Está claro que as restrições do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes impostas a Bolsonaro vieram em resposta a esta tentativa de Trump de pressionar o STF, especialmente o próprio Moraes e demais ministros.

Acredito que Moraes poderia ter esperado um pouco, mas ele também não mede as reações. Tomar esta decisão em cima da carta de Trump para Bolsonaro deixa muito evidente que ele está participando desta disputa com o presidente americano. E se sentindo perseguido, dobra a aposta.

A tornozeleira era previsível, porque há muito tempo Bolsonaro deveria estar sendo acompanhado. Todas as razões alegadas para as medidas restritivas ao ex-presidente brasileiro existem há muito tempo.

PRISÃO PREVENTIVA – Poderia até mesmo ser decretada uma prisão preventiva. Que pode sair a qualquer momento, dependendo do que acharem no tal pendrive descoberto no banheiro da casa dos Bolsonaro. Ou do desenrolar do episódio, pois os bolsonaristas garantem que outras medidas virão, além da proibição de 8 ministros do STF de viajar para os Estados Unidos.

 Ainda teremos Paris, lembrou sarcasticamente um deles (Barroso?), repetindo a famosa frase de Humphrey Bogart no filme Casablanca.

Eduardo Bolsonaro e seus cupinchas estão em uma atuação internacional que prejudica o país. E não se pode deixar que Bolsonaro fuja de suas responsabilidades na tentativa de golpe, e se torne um exilado político vitimizado. Vejo o futuro imediato com muita preocupação.

BRIGAS PESSOAIS – O problema deixou de ser econômico; é muito mais pessoal, uma tentativa de interferência no sistema jurídico brasileiro que não tem o menor sentido. Seria importante começar a pensar em como dirigir nosso comércio para outros países, e fechar o acordo com a Europa. Freud pode explicar essa obsessão de Trump por Bolsonaro.

Por falha da Justiça americana, Trump escapou da cadeia por ter sido eleito presidente da República. Vê em Bolsonaro sua cópia prestes a ser preso pelo mesmo crime: tentativa de golpe para impedir que o vencedor das eleições assumisse a presidência da República.

Crescimento dos consórcios movimenta a economia baiana e alcança recorde de R$ 105 bilhões em 2025


Modalidade ganha força frente ao crédito tradicional, impulsiona setores como imóveis e veículos e fortalece a geração de renda no estado

O mercado de consórcios vive um dos momentos mais expressivos da história econômica recente no Brasil. Apenas entre janeiro e maio de 2025, o setor comercializou mais de 2 milhões de cotas, atingindo a marca recorde de R$ 105,38 bilhões em créditos negociados, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O crescimento representa o melhor desempenho da modalidade em duas décadas e posiciona o consórcio como uma alternativa sólida ao financiamento tradicional em meio à alta dos juros.


Na Bahia, o avanço é igualmente robusto. O estado se destaca entre os maiores crescimentos nacionais em adesões de consórcios para motocicletas (+22%) e veículos leves (+11,1%), consolidando-se como polo estratégico da modalidade. Esse desempenho impacta diretamente a economia local, gerando renda e movimentando setores interligados como construção civil, comércio, oficinas mecânicas, reformas residenciais e serviços automotivos.


De acordo com o IBGE, a economia baiana cresceu 3,2% no primeiro trimestre de 2025, acima da média nacional de 2,9%, puxada principalmente pelos setores agropecuário, industrial e de serviços. Além disso, o estado gerou 36.660 novos empregos com carteira assinada no período, registrando a menor taxa de desemprego para um primeiro trimestre da série histórica recente: 10,9%. Especialistas associam parte desse bom desempenho ao crescimento das linhas de crédito alternativas, como os consórcios, que estimulam o consumo planejado e aquecem diversos segmentos produtivos.


Dentro desse cenário, a Bahia também tem se destacado com profissionais de referência nacional. É o caso de Marlon Mendes, nomeado e premiado como um dos maiores consultores executivos financeiros do Brasil pela maior administradora de consórcios do país. Ao longo dos últimos 12 meses, ele movimentou mais de R$ 50 milhões em operações, ultrapassando a marca de R$ 3 milhões mensais. Com uma atuação que vai além da simples venda, Marlon utiliza o consórcio como ferramenta estratégica para levantamento de capital, expansão patrimonial e aquisição de bens, oferecendo soluções sob medida aos seus clientes.

“Não sou corretor, sou consultor executivo financeiro. Minha atuação está voltada à estruturação de operações com foco em resultado, utilizando o consórcio como uma ferramenta indispensável para aquisição planejada”, afirma Marlon. Ele é também associado a diversas administradoras de consórcio, mais de 34 bancos e fundos de investimento, o que o posiciona como um verdadeiro estruturador financeiro, com ampla autonomia para desenhar soluções de alto impacto econômico.

Segundo ele, o crescimento na Bahia não é por acaso: “O perfil do consumidor baiano tem mudado. Hoje, vemos pessoas de diferentes classes sociais interessadas em investir por meio do consórcio, inclusive para empreender ou ampliar patrimônio”, destaca.

A baiana Rafaela Lima é um exemplo disso. “Ajudou a comprar minha casa própria”, conta. Para ela, o consórcio fez toda a diferença: “Facilitou as condições de pagamento pra minha casinha linda.” E não hesita em recomendar: “Com certeza, foi a melhor escolha da minha vida!”

Outro caso é Pedro Oliveira, que realizou um antigo desejo. “Comprei meu carro, realizei meu sonho!”, comemora. Ele destaca o impacto direto do consórcio na sua rotina: “Ele me tirou do aluguel de veículos e fez eu comprar o meu e melhorar minha renda!” Para quem ainda está na dúvida, Pedro é categórico: “Com certeza, mudou minha vida e pode mudar a sua!”

Ainda segundo os relatórios da ABAC, o mês de maio de 2025 foi o melhor da história recente do setor, com 464,8 mil novas adesões, o maior volume registrado em um único mês nos últimos dez anos. O segmento de serviços também apresentou crescimento expressivo, com alta de 18,4% em adesões, além de +39,1% em créditos comercializados e +22,4% nos créditos efetivamente liberados. Já os consórcios de imóveis somaram mais de R$ 11 bilhões em crédito liberado no acumulado do ano, com destaque para o uso da carta de crédito em investimentos, reformas e aquisições programadas. Os dados refletem a consolidação do sistema de consórcios como alternativa de crédito planejado para diversos perfis de consumidores, contribuindo para a circulação de recursos na economia real.

A expectativa, segundo a ABAC, é de que o sistema de consórcios cresça cerca de 8% até o final de 2025, com destaque para os segmentos de imóveis, veículos e serviços. Em um cenário de recuperação econômica e busca por soluções de crédito mais sustentáveis, o consórcio se reafirma como ferramenta de inclusão financeira, movimentação de capital e fortalecimento regional — com a Bahia ocupando papel estratégico nesse processo.



Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Almeida

Democracia sempre, escreve Lula ao lado de outros líderes de esquerda

 Líderes do Brasil, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha firmam manifesto conjunto em defesa da democracia, dos direitos sociais e da participação cidadã

Por POLÍTICA JB com Brasil 247
redacao@jb.com.br

Publicado em 20/07/2025 às 15:17

Alterado em 20/07/2025 às 15:17

O presidente Lula com o presidente do Chile, Gabriel Boric Foto: Ricardo Stuckert/PR


Em artigo publicado pela "Folha de S.Paulo", os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Gabriel Boric Font (Chile), Gustavo Petro Urrego (Colômbia), o presidente eleito Yamandú Orsi Martínez (Uruguai) e o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez Pérez-Castejón, uniram-se para lançar um firme chamado internacional: “Democracia sempre”. O texto surge como uma reação clara ao avanço de discursos autoritários, ao enfraquecimento das instituições democráticas e ao crescimento da desinformação nas redes digitais, fenômenos que têm corroído a confiança nas democracias em várias partes do mundo.

Os líderes progressistas defendem que, diante desse cenário, a resposta precisa ser o fortalecimento da democracia, jamais seu enfraquecimento. “Não cabe o imobilismo nem o medo. Defendemos a esperança”, escreveram. Segundo eles, a saída para crises políticas e sociais está em renovar a democracia, garantindo que ela seja significativa para populações que sentem suas promessas descumpridas.

O artigo também destaca a importância da coesão social, da participação cidadã e da defesa dos direitos fundamentais. “Resolver os problemas da democracia com mais democracia, sempre”, afirmam. Para dar concretude a esse compromisso, os governos desses países anunciaram a realização da Reunião de Alto Nível “Democracia Sempre”, marcada para essa segunda-feira (21), em Santiago, no Chile. O encontro dará continuidade às articulações iniciadas por Brasil e Espanha durante a Assembleia Geral da ONU em 2024.

A proposta, segundo o manifesto, é ir além dos discursos: “Não basta evocar a democracia nem falar em seu nome: devemos fortalecê-la, renová-la e torná-la significativa para aqueles que sentem suas promessas não cumpridas.” A iniciativa prevê a participação ativa de organizações da sociedade civil, centros de pensamento, movimentos juvenis e diversos atores sociais, em um esforço coletivo para restaurar a confiança pública nas instituições.

O texto aponta ainda que é preciso condenar claramente as tendências autoritárias e, ao mesmo tempo, propor reformas estruturais capazes de combater as desigualdades históricas nos países. “A história nos demonstrou repetidamente que a democracia é o melhor caminho possível para garantir a paz, a coesão social e oportunidades para todos”, reforçam os presidentes.

Com foco no multilateralismo, no desenvolvimento sustentável, na justiça social e nos direitos humanos, a mensagem é clara: “A democracia é frágil se não for cuidada”, alertam. Por isso, o pacto firmado visa unir forças para que o Estado responda de maneira mais eficaz e justa às demandas da sociedade, governando com mais direitos, mais inclusão e mais participação popular.

O encerramento do manifesto aponta para a urgência da luta democrática: “Defender a democracia nestes tempos difíceis não é apenas resistir e proteger, mas propor e seguir avançando. Essa é a tarefa urgente do nosso tempo.”

É o pau é a pedra é o fim do caminho

Por ADHEMAR BAHADIAN
agbahadian@gmail.com

Publicado em 20/07/2025 às 09:52

Alterado em 20/07/2025 às 10:34


Será mesmo o fim do caminho? O Brasil não passará como águas de março.

Não somos um aliado qualquer. Nossas relações com os Estados Unidos foram cimentadas desde Rio-Branco como uma "unwritten alliance”. Trump não é os Estados Unidos da América. Bolsonaro não é o Brasil.

Longe de estarmos “no fim do caminho”, fomos um aliado “ombro a ombro” com as tropas americanas. Na Itália, até hoje - sei porque tive a honra de ser Embaixador do Brasil no país, onde minha avó materna nasceu -, os habitantes de Pistóia e cidades adjacentes recordam o que seus pais e avós contavam dos pracinhas brasileiros. Solidários. Capazes de dividir comida com crianças famintas. Não é um conto de fadas. Mas é um conto muito diferente do que se pode ler no tristíssimo livro de Curzio Malaparte, “A Pele”.

Somos, como os Estados Unidos da América, fundadores das Nações Unidas, signatários originais da Carta constitutiva de um novo mundo sonhado após o fim da Segunda Guerra Mundial. Não somos membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas por uma - sejamos suaves - visão levemente aristocrática de um dos três grandes vitoriosos da Grande Guerra.

E - importante lembrar - a Carta das Nações Unidas não se preocupa só com a paz mundial, mas também com a justiça social, os direitos humanos, a soberania dos Estados, a solução pacífica de controvérsias, a não-ingerência nos assuntos internos dos países signatários, mas não apenas neles.

A simples recordação destes princípios fundamentais da convivência internacional revela a monstruosidade dos últimos ataques de Trump à Democracia brasileira, que em muito ultrapassam as já desgastadas acusações de natureza comercial, em si igualmente desvairadas, sem qualquer pé na realidade e em confronto com os compromissos não só da Carta das Nações Unidas, mas também dos assumidos na OMC e no GATT (cláusula de nação mais favorecida).

Trump lembra o troglodita que comprou a cobertura do edifício, rasgou a Convenção do condomínio, ocupou dez vagas na garagem, fez dos elevadores sociais privativos da cobertura, contratou o Jararaca ratinho e sua "big band" para animar as festas diárias no terraço de seu apartamento e entrou na delegacia do bairro com um pedido de intervenção contra o morador do segundo andar por não suportar-lhe seu pacífico ronco noturno.

E manda pau e pedra como se o Brasil fosse a Geni do Chico ou o fim do caminho do Tom. A cassação dos vistos, provavelmente diplomáticos, do Ministro Alexandre de Moraes e seus “aliados", é inominável, além de ridícula, e nos fazer lembrar Charlie Chaplin em seu inesquecível “o Grande ditador, em que Hitler brincava com o mapa-mundi como se fosse uma enorme bola de futebol.

Trump não reconhece que suas exigências são atentatórias aos princípios da Carta das Nações Unidas. Porém, igualmente, não podemos nos tornar cúmplices de aceitar, ainda que como vítimas, o desmoronamento da ordem internacional, da solução pacífica das controvérsias e dos princípios elementares do Direito Internacional Público, do “Pacta sunt Servanda” e tantos outros instrumentos que distinguem o homem moderno do pitecantropos bestial.

Se somos, como os Estados Unidos da América, signatários originais da Carta das Nações Unidas, somos, igualmente, seus defensores. Justo será, portanto, que tanto o Brasil quanto os demais signatários da Carta que o desejem busquem pela via do esclarecimento judicial soberano o saneamento dos graves inconvenientes para a ordem internacional que estamos a ver proliferar diariamente.

Talvez o órgão internacional ideal para resolver esta questão seja a Corte Internacional de Haia. Porém, como não estou certo de que os Estados Unidos da América, por razões diversas, aceitem a competência da Corte, talvez o arbitramento por um tribunal ad-hoc, composto por Estados signatários da Carta das Nações Unidas, possa ser a solução.

Lanço aqui a ideia com a esperança de que possa ser objeto de conversações entre as partes interessadas e que, dentre outras consequências, tenha efeito suspensivo sobre as diversas ameaças de sanções econômicas, ou não, às partes diretamente ameaçadas.

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EM TEMPO: Tive a honra de participar, juntamente com João Moreira Salles, Ana Maria Gonçalves, Eduardo Giannetti, Merval Pereira e Rosiska Darcy de Oliveira, com a mediação de Cristina Aragão, do debate “A face assustadora do Autoritarismo”, por ocasião do lançamento da Revista Brasileira num. 123, na última quinta-feira, na Livraria da Travessa no Leblon. A Revista Brasileira, vinculada à Academia Brasileira de Letras, enriqueceu em muito o panorama cultural brasileiro pelos temas que vem abordando. Editada por Rosiska Darcy de Oliveira, a revista, hoje vendida em boas livrarias, se impõe a cada número, com os interessados em conhecer os principais problemas de nossa atualidade. Permito-me assinalar três destaques do encontro da última quinta-feira; o primeiro, a profunda análise sobre a AMAZÔNIA feita por João Moreira Salles, que a mim muito impressionou e que deveria ser conhecida por todos. A intervenção pública da acadêmica Ana Maria Gonçalves, depois de sua eleição para a Academia Brasileira de Letras. Primeira mulher negra eleita para a Academia, Ana Maria vem reafirmar a gestão equilibrada e progressista de Merval Pereira como presidente da Academia. Giannetti, como sempre, uma mente brilhante.

2. Para quem ainda não viu, recomendo enfaticamente o documentário “Apocalipse nos Trópicos”, de Petra Costa. Irretocável como cinema de grande fotografia de um país e de análise de seu povo, o documentário tem um momento seminal para o qual ele mesmo imprime particular importância, quando em determinado momento repete, para que a todos não escape, uma cena determinante de um determinado comício político. Vale a pena rever.

3. Aos incautos, lembro: Haja o que houver, o sol sempre se põe e a noite sempre amanhece. 

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