segunda-feira, março 17, 2025

Barroso convoca sessão extraordinária no STF para julgar recursos de Bolsonaro e Braga Netto

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)17 de março de 2025 | 19:15

Barroso convoca sessão extraordinária no STF para julgar recursos de Bolsonaro e Braga Netto

brasil

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou uma sessão extraordinária no plenário virtual para o colegiado julgar recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do general Walter Braga Netto no inquérito do golpe.

Os ministros vão decidir:

  • Se os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin podem participar do julgamento da denúncia do inquérito do golpe;
  • Se a Primeira Turma pode decidir sobre o recebimento da denúncia ou se o julgamento deve ocorrer no plenário;
  • Se o ministro Alexandre de Moraes deve ser impedido de participar do julgamento.

A sessão será aberta às 11h do dia 19 de março e se estenderá até 23h59 do dia 20. Em sua decisão, Barroso alegou “excepcional urgência”. O julgamento da denúncia do golpe será no dia 25 de março na Primeira Turma do STF. Os ministros vão decidir se abrem uma ação penal contra Bolsonaro e seus aliados.

Os pedidos para barrar Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes e para transferir o julgamento ao plenário do STF foram rejeitados por Barroso, que como presidente do tribunal tem a atribuição de decidir sobre os temas administrativos. As defesas recorreram e, por isso, o colegiado dará a palavra final.

Impedimento de Flávio Dino e Cristiano Zanin

O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu a suspeição de Flávio Dino e de Cristiano Zanin com base em notícias-crime movidas contra ele pelos ministros antes de assumirem as cadeiras no STF.

Ao rejeitar o pedido do ex-presidente, Barroso afirmou que as alegações de Bolsonaro “não são passíveis de enquadramento em qualquer das hipóteses taxativamente” previstas na legislação para o impedimento de magistrados.

“Não se admite: (i) a criação de situação de impedimento que não tenha sido expressamente mencionada no texto legal; ou (ii) a interpretação extensiva de suas disposições, para que contemplem situações não previstas pelo legislador”, escreveu Barroso.

Dino e Zanin compõem a Primeira Turma do STF. Se forem barrados do julgamento, o quórum ficará reduzido para analisar a denúncia no colegiado, de modo que a votação poderia ser transferida para o plenário da Corte, como deseja o ex-presidente. A tendência, no entanto, é que o plenário do Supremo confirme a decisão de Barroso.

Quando era advogado, Zanin subscreveu em nome do PT uma notícia-crime contra Bolsonaro por ataques às instituições. Um dos crimes atribuídos ao ex-presidente na representação era justamente o de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tipificação que consta na denúncia do inquérito do golpe.

Em ofício à presidência do STF, o ministro afirmou que a atuação no caso “ocorreu estritamente no âmbito técnico-jurídico e ficou restrita aos autos dos respectivos processos” e que não tem “qualquer sentimento negativo que possa afetar” sua atuação no caso.

Em maio de 2024, Zanin se declarou impedido para julgar o recurso do ex-presidente contra a condenação da Justiça Eleitoral que o deixou inelegível. A defesa de Bolsonaro alegou que ele também não deveria participar do julgamento do plano de golpe porque os casos têm relação.

O ministro afirmou que, “excepcionalmente”, se deu por impedido para julgar o caso porque o processo era “assemelhado” à ação que havia subscrito em nome do PT, mas alegou que o a denúncia do golpe “destoa em absoluto de julgamentos de natureza cível ou eleitoral”.

Em relação a Flávio Dino, os advogados mencionam uma queixa-crime por acusação de calúnia, injúria e difamação, movida pelo ministro quando ele era governador do Maranhão. Dino afirmou que não tem “qualquer desconforto” para participar do julgamento, que segundo ele “vai se dar de acordo com as regras do jogo previstas na lei e no regimento interno, com isenção e com respeito à ampla defesa”.

“O Supremo é composto por 11 ministros. Todos chegaram lá do mesmo modo. Todos os ministros foram escolhidos por presidentes da República e aprovados no Senado. Existem ministros indicados por cinco presidentes da República diferentes”, afirmou Dino sobre o pedido de suspeição apresentado por Bolsonaro.

Suspeição de Moraes

As defesas de Bolsonaro e Braga Netto também questionam a imparcialidade de Alexandre de Moraes para conduzir o caso. Os advogados alegam que ele não poderia relatar a ação porque a denúncia menciona uma suposta operação para executá-lo em meio ao golpe – o Plano Punhal Verde e Amarelo e o Copa 2022. Os defensores tentam colar no ministro a pecha de vítima e julgador.

O plenário Supremo Tribunal Federal já analisou e rejeitou os pedidos de suspeição do ministro. O STF trabalha com a noção de que a vítima de atos antidemocráticos é o Estado e não deve der personalizada. Além disso, há precedentes que reconhecem que situações de impedimento criadas a posteriori não geram o afastamento dos magistrados.

A defesa do ex-presidente também defende que devem ser aplicadas ao caso as regras do juiz de garantias, que preveem a divisão dos processos criminais entre dois magistrados, um responsável por conduzir a fase pré-processual e outro por analisar as provas reunidas e julgar a ação. A defesa afirma que a redistribuição é necessária “em razão do papel atuante, semelhante ao dos juízes instrutores, exercido” por Moraes ao longo da investigação.

Julgamento na Primeira Turma

O ex-presidente quer ser julgado no plenário do STF. Hoje, pelas regras internas do Supremo, as duas turmas da Corte são responsáveis pelos julgamentos de casos criminais. Como Alexandre de Moraes é o relator do inquérito ao golpe, e compõe a Primeira Turma, o julgamento foi marcado no colegiado.

Rayssa Motta/Estadão

Entendam por que a miopia e a estupidez de Trump são a semente do caos

Publicado em 17 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Imagem colorida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump -- Metrópoles

Trump erra tanto que desequilibra as bolsas de valores 

Mario Sabino
Metrópoles

Depois de 50 dias frenéticos, como avaliar o governo de Donald Trump? Sejamos sucintos, abordando os dois pontos que mais interessam ao mundo neste momento. O primeiro ponto é o da guerra na Ucrânia. Você deve estar entre confuso e otimista sobre a possibilidade de paz rápida e duradoura, em nome da qual Donald Trump humilhou Volodymyr Zelensky, tomando o agredido como agressor, para deleite de Vladimir Putin.

Esclareça-se: não haverá paz duradoura na Ucrânia, nos termos pretendidos pelo presidente americano, que tem pressa em enfiar a rendição absoluta goela abaixo dos ucranianos.

O ex-presidente francês François Hollande deu uma entrevista bastante didática ao Corriere della Sera sobre a cena a que assistimos. Ele conhece Vladimir Putin muito bem: ao lado de Angela Merkel, então chanceler da Alemanha, foi um dos artífices do Tratado de Minsk, assinado em setembro de 2014, que previa o fim das hostilidades russas no leste da Ucrânia, depois da ocupação da Crimeia — tratado que foi rasgado por Vladimir Putin, porque é da natureza dos tiranos rasgar tratados.

ESTRATÉGIA SUJA – François Hollande disse ao jornal italiano: “Sei que, nos próximos dias, Putin vai tentar aumentar a vantagem que tem no campo de batalha. Jogará com o tempo e intensificará a sua ofensiva, enquanto dará a entender a Donald Trump, por meio de contato telefônico e depois, talvez, em um encontro, que se poderá começar uma negociação para um cessar-fogo”.

E François Hollande prosseguiu: “Para Putin, o tempo é o valor fundamental. Ele vai dilatá-lo ao máximo, até obter a correlação de força militar mais favorável. E se, depois de um acordo de paz sem garantias de segurança, abandonarmos a Ucrânia, ele vai esperar o melhor momento para atacá-la de novo. É assim porque há uma assimetria entre o que somos, líderes com mandato de democracias, e o que ele é, um autocrata. O autocrata tem a vida diante de si. Nós somos precários, estamos de passagem, e ele sabe disso”.

Restará à Ucrânia, bem como aos outros países que estão na mira de Vladimir Putin, esperar que o pouco tempo garantido por uma paz mambembe seja suficiente para que a Europa, sem um aliado confiável nos Estados Unidos, seja capaz de falar grosso militarmente com a Rússia, quase uma ilusão nos próximos anos.

GUERRA COMERCIAL – O segundo ponto dos 50 dias de Donald Trump é o da economia. Não tente encontrar sentido na guerra comercial que o presidente americano move contra países amigos. Não há sentido nenhum, a não ser que o objetivo insanamente calculado de Donald Trump seja o de destruir a economia mundial.

O conservador americano Bret Stephens, uma exceção de bom senso entre os articulistas do New York Times, tem de ser admirado pela sua capacidade de síntese. Ele foi preciso.

DISSE STEPHENS – “Nenhum presidente americano foi tão incompetente em colocar na prática as próprias ideias. É um conclusão a que parecem ter chegado os mercados acionários, que despencaram depois do golpe triplo de Trump: primeiro, as ameaças de tarifas contra os nosso principais parceiros comerciais, com o consequente aumento de preços; segundo, a repetida concessão de adiamentos de algumas dessas tarifas, com a criação de um cenário imprevisível; por último, a sua admissão implícita que os Estados Unidos poderiam entrar em recessão neste ano, um preço que ele está disposto a pagar para fazer o que chama de uma ‘grande coisa’.”

E Bret Stephens completou: “Um presidente caprichoso, errático e irresponsável está pronto a colocar em risco tanto a economia americana quanto a economia global apenas para sustentar o próprio ponto de vista ideológico. Os críticos de Trump são sempre rápidos para ver o lado sinistro das suas ações e declarações. Um perigo ainda maior pode ser o aspecto caótico da sua gestão política. A democracia pode morrer na opacidade. Pode morrer no despotismo. Com Trump, pode morrer pela estupidez.”

Não há o que acrescentar ao que foi dito por François Hollande e Bret Stephens. A miopia histórica e a estupidez ideológica de Donald Trump formam a semente do caos. 


Malafaia rebate críticas ao ato de Bolsonaro: “Esquerda não bota a metade”


Confira imagens do ato pela anistia em Copacabana

A foto não mente e mostra que havia bastante público

Letícia Casado
do UOL

O pastor Silas Malafaia rebateu as críticas de governistas sobre o tamanho do evento em apoio a Jair Bolsonaro (PL) neste domingo no Rio. “Só digo uma coisa: desafio a esquerda a botar a metade. Só isso. Bota a metade, já que estão dizendo que está vazio. Manda botar a metade”, disse Malafaia à coluna.

Ele foi um dos organizadores da manifestação de apoio a Bolsonaro e em favor da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023.

PETISTA IRONIZA – Para o deputado petista Zeca Dirceu (PR) o ato foi “fraco” e “infinitamente menor que os outros; uma prova da decadência do Bolsonaro e do quanto que o tema da anistia é impopular”.

O tamanho do público no evento deste domingo é incerto e diferentes metodologias mostram discrepâncias no número de participantes, além de indicativos que apontam que o ato foi menor que outros convocados por Bolsonaro.

Ainda assim, a manifestação contou com mais gente do que no 1º de Maio de 2024 com a participação do presidente Lula (PT): o ato das centrais sindicais no Dia do Trabalho em São Paulo reuniu menos de 2 mil pessoas.

DIVERGÊNCIAS – Segundo dados do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em parceria com a ONG More in Common, o ato de Bolsonaro reuniu cerca de 18,3 mil em Copacabana — pouco mais da metade dos quase 33 mil manifestantes que foram a outro ato de Bolsonaro no mesmo local em abril de 2024.

Já o Datafolha projetou cerca de 30 mil pessoas na manifestação.

Por fim, a Polícia Militar do Rio, governado pelo aliado Cláudio Castro (PL), divulgou que havia 400 mil pessoas no local, mas não explicou como chegou a esse número.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Essa falsa polêmica é uma bobagem. Pelas fotos aéreas, dava para ver que tinha muita gente participando e vestindo amarelo, verde ou azul. E o pastor aproveitou para ridicularizar Lula, que está fugindo das ruas. São coisas da política, como diz Pedro do Coutto. (C.N.)

Trump vai devolver patriotas fujonas ao Brasil, mas acolheria Bolsonaro

Publicado em 17 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Trump não aliviará tarifas sobre fentanil, diz secretário dos EUA | CNN  Brasil

Trump vai deportar três condenadas pelo 8 de janeiro

Leonardo Sakamoto
do UOL

Acreditando que teriam vida fácil sob a gestão Donald Trump, três condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e uma ré com mandado de prisão entraram ilegalmente nos Estados Unidos, três delas após o início do novo governo. Presas pela imigração, agora esperam para ser deportadas, segundo reportagem de Eduardo Militão, do UOL.

Se isso acontecer, a massa de apoiadores de Jair que acredita nele deveria aprender a lição de que vem sendo usada por alguém que pensa primeiro em si, depois nele mesmo, daí em sua família e só então em aliados, amigos, parceiros e em seus seguidores. Em suma, Jair acima de tudo, Deus acima de todos.

EM COPACABANA – Neste domingo (16), no ato na praia de Copacabana, ele usou os apoiadores presos ou processados pelos atos golpistas para justificar a aprovação de um projeto de lei de anistia que o beneficia. Se o PL excluísse a possibilidade de líderes da conspiração serem perdoados, ele teria tirado o dia de sol para andar de jet-ski.

O ex-presidente, denunciado por tentativa de golpe de Estado, certamente conseguiria autorização para um asilo político em Orlando, transformando as cercanias da Disney na sede da resistência bolsonarista no exterior — mesmo com o passaporte retido pelo STF ou mesmo um pedido de extradição enviado por Brasília.

Se Washington DC não atende o pedido brasileiro para deportar Allan dos Santos, que também é foragido da Justiça, imagine se fará isso com Jair. Menos por amor à pessoa, mais pela possibilidade de fustigar Alexandre de Moraes e Lula ou mandar mensagens como: plataformas digitais dos EUA podem fazer o que quiserem em qualquer lugar ou aceitem a nossa ideologia ou pereçam.

CONTAGEM REGRESSIVA – Bolsonaro também afirmou no ato que não sairá do Brasil. Mas a robusta denúncia da Procuradoria-Geral da República contra ele e mais 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado democrático de direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, apresentada ao Supremo Tribunal Federal, abre sim a contagem regressiva para a sua prisão ou fuga.

As 272 páginas trazem um amplo conjunto de evidências, descrevendo e individualizando condutas de um crime complexo que contou com várias etapas e núcleos. Frisa que a tentativa de golpe não se resume aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas começa quando Bolsonaro inicia seus ataques ao sistema eleitoral brasileiro.

 A PGR coloca o ex-presidente como principal beneficiário do golpe, que visaria à sua manutenção no poder após ter perdido a eleição.

TENTARÁ FUGIR? – Diante disso, e por mais que o ex-presidente diga que não, a pergunta voltou a ser feita em círculos políticos e jurídicos: se uma condenação estiver iminente, ele tentará fugir para os Estados Unidos de Trump ou vai encarar de frente a prisão como fez Lula, aceitando cumprir a pena enquanto tenta reverter uma decisão?

Histórico, ele tem. Diante da apreensão de seu passaporte em 8 de fevereiro do ano passado, em meio a uma operação da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente se refugiou na Embaixada da Hungria, governada pela extrema direita de Viktor Orbán, entre 12 e 14 de fevereiro. Muitos viram o episódio como uma espécie de test drive de fuga.

Além disso, Bolsonaro fugiu do país, em 30 de dezembro de 2022, antes mesmo de terminar o seu mandato. Diz que foi para não passar a faixa presidencial, mas o plano golpista, que, segundo a denúncia, envolveu de minuta de golpe até esquema para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, revela que ele tinha razão para temer ficar no Brasil e ser preso.

SERÁ PRESO? – Se ele não conseguir aprovar uma lei de anistia no Congresso e se o STF não declarar essa lei inconstitucional, ele será preso. Daí, vira um ativo para a extrema direita, um mártir e contará que um de seus filhos ou Tarcísio de Freitas vença a eleição em 2026 para articular um perdão.

O repórter Eduardo Militão confirmou as informações sobre as brasileiras presas com autoridades norte-americanas, que afirmaram que “aguardam a expulsão para seus países de origem”. Elas fazem parte do grupo de bolsonaristas que deixou o Brasil no primeiro semestre do ano passado indo para a Argentina, mas após a Justiça do país vizinho indicar que as deportaria a pedido do STF, tomaram rumo norte.

Uma decepção com Javier Milei seguida de outra com Donald Trump. Caso, enfim, percebam que foram engabeladas pelo próprio Bolsonaro em um exercício de autocrítica, podem pedir música no Fantástico.

Entenda por que católicos e evangélicos se uniram para defender Frei Gilson


Fé nas madrugadas: como é uma live de Frei Gilson, líder católico que atrai  milhões de fiéis em quaresma digital | Política | G1

Frei Gilson faz lives de madrugada que atraem os fieis

Karina Ferreira
Estadão

Nos últimos dias, o líder católico conservador frei Gilson virou objeto de mais uma “batalha” na internet entre bolsonaristas e governistas. Enquanto lideranças da direita categorizam publicações críticas ao frade como uma ação anticristã de esquerdistas, apoiadores do governo Lula dizem que o sacerdote e cantor quer fazer os fiéis cultuarem o ex-presidente Jair Bolsonaro em vez de Cristo.

Por motivos estratégicos ou religiosos, evangélicos e católicos se uniram para defender o frade, que acumula milhões de seguidores nas redes sociais. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, o que aglutina os dois grupos na defesa de frei Gilson não é a figura em si, mas a pauta conservadora que ele prega.

DIZ BOLSONARO – O ex-presidente Jair Bolsonaro fez publicações no dia 9 sobre o sacerdote. Em uma delas, disse que católico “se apresenta como um fenômeno em oração, juntando milhões pela palavra do Criador” e por isso “vem sendo atacado pela esquerda”.

A campanha contra o religioso começou no dia anterior à postagem de Bolsonaro, que amplificou o embate nas redes. Um grupo no Telegram ligado à militância de Lula emitiu um “alerta geral” a seus membros afirmando que o objetivo do padre é o de “promover a extrema direita e pedir votos no bolsonarismo”.

As acusações são baseadas em recortes de vídeos com falas conservadoras de Gilson e pelo fato de ele ser um dos quatro religiosos citados pela Polícia Federal (PF) nas investigações sobre golpe de Estado.

ORAÇÃO AO GOLPE – Segundo o inquérito, o frade não participou da trama golpista, mas recebeu o rascunho de uma “espécie de oração ao golpe” do padre José Eduardo de Oliveira e Silva, via WhatsApp, que pedia que católicos e evangélicos incluíssem em suas orações os nomes do então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e de outros 16 generais para receberem de Deus “coragem para salvar o Brasil”.

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), católica praticante, publicou um vídeo nesta quinta-feira, 12, defendendo o frade. Tabata afirma que admira o sacerdote, que escuta suas músicas enquanto faz tarefas de casa e que não concorda com a afirmação do religioso, que prega que “a mulher deve ser auxiliar do homem”, mas que isso não apaga as boas atitudes dele.

“Acho que temos que acalmar um pouco os ânimos. Se tem uma coisa que não concordo, é que uma discordância específica, por mais grave que ela seja, seja usada para se apagar e deslegitimar toda a trajetória e todo o bem que a pessoa faz”, disse.

ALIANÇA CONSERVADORA – Segundo Vinicius do Valle, doutor e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Observatório Evangélico, o principal motivo que faz tanto católicos quanto evangélicos saírem em defesa do frade é o objeto da discussão.

O discurso sobre a mulher como “auxiliar” do homem, por exemplo, se assemelha ao de pastores em cultos evangélicos, diz o cientista político.

“Existe uma aliança entre evangélicos conservadores, que são a maioria dos evangélicos, e católicos conservadores em torno de uma certa agenda que envolve aspectos da disputa moral na sociedade, como, por exemplo, essa questão da desigualdade entre os gêneros, a questão da moralidade em torno do direito da mulher sobre seu próprio corpo, temas como aborto, entre outros”, explicou.

PÚBLICO MAIS AMPLO – A cientista política e diretora do Instituto de Estudos da Religião (Iser) Ana Carolina Evangelista avalia que frei Gilson não aglutina necessariamente católicos e evangélicos, mas sim um público mais amplo, cuja agenda política é conservadora.

“Pela agenda política e a forma como a política tem disputado essas figuras que têm identidade religiosa ou que têm papel num campo religioso, e o conteúdo da fala e das pregações dessas personalidades religiosas, a gente leva esse conteúdo para a política”, disse.

Evangélico, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), saiu em defesa de frei Gilson ainda no dia 9 e publicou um vídeo prestando solidariedade aos católicos. “Começaram diversos ataques. Para quem é cristão, isso é algo natural, ser atacado por seguir a Cristo. Óbvio que por ele ser católico e eu ser evangélico temos nossas divergências teológicas. Mas conheci pessoalmente, é uma pessoa extraordinária”, disse.

JANONES IRONIZA – Já o deputado federal André Janones (Avante-MG), apesar de evangélico, se posicionou considerando que em termos de estratégia política, os ataques da militância governista contra o frade são equivocados. “Não basta ser rejeitado pelos evangélicos, vamos fazer uma cruzada contra os católicos também, aí a gente se elege só com os votos dos ateus em um país em que quase 80% da população é católica ou evangélica. Que tal?”, escreveu o parlamentar, em tom irônico.

O senador Magno Malta (PL-ES), pastor evangélico, também saiu em defesa do religioso, afirmando que os ataques são “um episódio grotesco contra aqueles que defendem a verdade e a vida”. “Frei Gilson, estamos do seu lado, defendendo as mesmas bandeiras e pautas”, disse.

Nesta terça-feira, 11, o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) propôs um projeto de lei para criminalizar ataques contra religiosos em redes sociais, em resposta aos episódios envolvendo o sacerdote católico.


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