domingo, março 16, 2025

‘Marco zero’ da disparada de emendas faz 10 anos e transforma política no Brasil

 Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Arquivo

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL)16 de março de 2025 | 09:51

‘Marco zero’ da disparada de emendas faz 10 anos e transforma política no Brasil

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“Alforria do Legislativo” foi o termo usado pelos deputados e senadores, dez anos atrás, para celebrar a mudança na Constituição Federal que hoje é considerada o ponto de partida para a disparada das emendas parlamentares no Brasil.

Foi a emenda constitucional 86, promulgada em 17 de março de 2015, que obrigou o Executivo a pagar as emendas individuais pedidas pelos congressistas e inaugurou um período de controle cada vez maior do Orçamento pelo Legislativo, mudando a forma de fazer política no país.

Na prática, o que se viu na última década foi uma aplicação desses recursos marcada pela falta de transparência, ausência de critérios técnicos, clientelismo e, em muitos casos, corrupção.

O governo, que antes tinha o controle total sobre a liberação das emendas e usava essas verbas em troca de apoio, perdeu capacidade de negociar e hoje tem como instrumento de pressão apenas os prazos de pagamento. Já os parlamentares ganharam mais autonomia e influência em suas bases eleitorais.

Os problemas no emprego das emendas levaram o Judiciário a intervir, e hoje há a uma queda de braço entre o STF (Supremo Tribunal Federal) e parlamentares que insistem em manter brechas para ocultar os nomes dos padrinhos das emendas.

O episódio mais recente do embate ocorreu na última quinta (13), quando o Congresso, a pretexto de atender as exigências de transparência da corte, aprovou uma resolução que permite que os líderes partidários assinem as emendas de comissão, sem a identificação do autor original.

Dez anos atrás, quando a alteração constitucional 86 estava sendo discutida, o impasse se dava no sentido contrário, com os congressistas criticando o controle do governo sobre as emendas, criadas na Constituição de 1988.

“[Tornar o pagamento desses recursos obrigatório] vai acabar com a prática humilhante de ficarmos nas portas dos ministérios em busca da liberação de uma emenda que é um instrumento legítimo desta Casa”, defendeu na época o relator do projeto, o ex-deputado Edio Lopes (então no PMDB-RR).

Segundo a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), coordenadora da Frente Parlamentar de Fiscalização, Integridade e Transparência, o objetivo da nova regra era acabar com a barganha, dando direitos iguais às emendas a todos os parlamentares: “Mas na prática só estipularam um piso, e as pessoas ficaram ávidas por mais”, diz.

O efeito, então, foi apenas um crescimento vertiginoso no volume do dinheiro público barganhado. Em uma década, os R$ 6 bilhões que os congressistas possuíam em emendas (em valores corrigidos) se diversificaram e explodiram para cerca de R$ 50 bilhões previstos neste ano no total.

Naquela época, cada parlamentar tinha direito a no máximo R$ 16 milhões individualmente (o equivalente a R$ 26 milhões hoje). Agora, cada deputado tem à disposição R$ 38 milhões, e cada senador, cerca de R$ 70 milhões para mandar a seus redutos eleitorais, sem contar os outros tipos de emendas coletivas.

A expansão foi permitida sempre com o apoio de partidos de todos espectros políticos, seja da base ou da oposição. A emenda constitucional 86, por exemplo, foi aprovada com 452 votos a favor e apenas 18 contra na Câmara.

O contexto em 2015 era de enfraquecimento da Presidência de Dilma Rousseff (PT), que sofreria um impeachment pouco mais de um ano depois. Dois dias antes da promulgação da mudança, milhares foram às ruas para protestar contra a sua gestão e apoiar a Operação Lava Jato.

Eduardo Cunha (hoje no PRD-RJ) acabara de ser eleito presidente da Casa, com a promessa de pautar a votação.

O advogado José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça, diz que o governo era “radicalmente contrário” à obrigatoriedade do pagamento das emendas, mas não teve força política para frear a ideia: “O governo tinha perdido a maioria [no Congresso], não tinha alternativa”.

“Então ela [Dilma] senta e conversa para dialogar sobre isso, mas foi quase uma rendição”, conta. “É um processo que já vinha com o tempo. A Constituição de 1988 já tinha dado poderes muito fortes ao Legislativo. Até que chega nesse ponto, em que se aproveita um momento de fragilidade do Executivo.”

Os parlamentares reclamavam, por exemplo, do uso político das verbas, do acúmulo dos empenhos no fim do ano —dificultando a execução de convênios— e do poder exagerado de ministros e burocratas sobre o Orçamento, defendendo que parlamentares conhecem melhor as necessidades dos seus estados e municípios.

Usando esses argumentos, o Congresso seguiu redesenhando o regime orçamentário a seu favor por meio de outras três emendas constitucionais, as de número 100, 105 e 126, todas aprovadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

A primeira, de 2019, obrigou o Executivo a pagar também as emendas das bancadas estaduais. No mesmo ano, a segunda criou as chamadas emendas Pix, transferidas diretamente aos caixas das prefeituras e estados. Em 2022, a terceira elevou o valor do teto das emendas individuais de 1,2% para 2% da receita corrente líquida do país.

O professor de direito constitucional da FGV Direito SP Oscar Vilhena afirma que Bolsonaro foi o presidente que teve, considerando mandatos presidenciais já completados, a menor taxa de dominância sobre o Poder Legislativo. “Ele foi o presidente com o menor número de projetos do Executivo aprovados pelo legislador. Um presidente fraco e que governou a reboque do Legislativo”, diz.

Levantamento feito por ele em parceria com a professora de direito constitucional da ESPM Ana Laura Barbosa mostra que durante gestão de Bolsonaro foi aprovado o maior número de emendas constitucionais nos últimos 35 anos, mas a maioria delas foi proposta pelo Legislativo.

No terceiro mandato de Lula, não há iniciativas para alterar o atual cenário das emendas parlamentares, e o protagonismo do combate à falta de transparência foi assumido pelo STF.

Para Gabriela De Brelaz, professora de administração pública da Unifesp, o país deveria voltar ao modelo de dez anos atrás: “O valor antigo era ok e tinha transparência. Hoje aumentou quatro vezes, além do fundo eleitoral que também cresceu radicalmente. Tudo isso é verba para o parlamentar deitar e rolar. Isso define quem ganha as eleições, define a democracia”.

A Folha procurou as assessorias de imprensa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), do relator do Orçamento de 2025, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), e do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mas nenhum dos congressistas atendeu ao pedido de manifestação da reportagem.

Flávio Ferreira e Júlia Barbon. FolhapressPoliticalivre

Não adianta governo Lula ficar dialogando com a Faria Lima; este é o ano do povo, diz Lindbergh Faria

 Foto: Mário Agra/ Câmara dos Deputados/Arquivo

Líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ)16 de março de 2025 | 08:12

Não adianta governo Lula ficar dialogando com a Faria Lima; este é o ano do povo, diz Lindbergh Faria

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Novo líder do PT na Câmara dos Deputados desde fevereiro, Lindbergh Farias (PT-RJ) assumiu o cargo em um dos momentos mais críticos do terceiro governo de Lula. O presidente cai nas pesquisas e a inflação sobe. O governo tem menos de dois anos para reverter o quadro.

A maioria do Congresso, de centro-direita, é hostil à administração petista. O deputado federal, no entanto, diz que está otimista e entusiasmado.

“O susto da queda nas pesquisas veio na hora certa. Deu uma sacudida geral”, diz.

“No Lula e na gente. Não somos daqueles que ficam chorando. Nós estamos botando a faca nos dentes e indo lutar.”

A nomeação do publicitário Sidônio Palmeira, que assumiu a comunicação do governo, e de Gleisi Hoffmann para o ministério das Relações Institucionais, segundo ele, é a prova de que Lula está “com garra” para ganhar as eleições em 2026.

Casado com Gleisi, o deputado afirma que a imagem de mulher dura que emergiu quando ela presidia o PT esconde uma outra política, que negocia e agrega. E que vai jogar “completamente afinada com o [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad”, a quem antes criticava.

Ele afirma que “a linha” do governo Lula a partir de agora é manter a política de ajuste fiscal, mas passar a alardear mais “a pauta popular”.

“É Lula sendo Lula”, diz ele.

POPULARIDADE

Havia a expectativa de que Lula faria uma grande reforma ministerial, mas ela aparentemente será tímida. Ele não vai dar o chacoalhão no governo que se esperava?

Eu tenho a percepção de que o presidente deu início a uma reforma, e que não será só isso [que o presidente fará de mudança]. O Lula está muito animado, com disposição e vontade.

Eu não tenho dúvida de que a gente pode chegar ao final de 2025 revertendo essa queda [nas pesquisas]. Ela ocorreu em um momento determinado e principalmente entre os nossos eleitores do Nordeste, entre quem ganha até dois salários mínimos.

A minha linha agora é que esse ano de 2025 é o ano do Lula. É Lula sendo Lula. É Lula falando da vida do povo, é o Lula do pé de meia, é o Lula do crédito ao trabalhador, que vai beneficiar 40 milhões. É o Lula do vale gás, é o Lula da isenção do imposto de renda.

O senhor se espantou com essa queda?

Tivemos o problema do preço dos alimentos e daquela coisa do Pix [referindo-se à fake news de que o serviço seria taxado].

Eu tenho feito o debate na Câmara com a turma do [ex-presidente Jair] Bolsonaro. Você sabe de quanto foi a inflação de alimentos nos quatro anos do Bolsonaro? De 57%. No nosso primeiro ano [de governo, em 2023] teve deflação, de menos 0,52%. E agora teve um aumento de 8%. E por quê? Porque nós tivemos crise [das enchentes] no Rio Grande do Sul, seca, o problema do câmbio.

Neste ano vai ser diferente. Vamos ter uma supersafra [de grãos]. Você sabe que a soja está tomando conta do país, né? E Lula fez uma coisa muito importante: os agricultores agora têm subsídio. A produção de arroz vai subir em torno de 15%. A de feijão, 5%. O câmbio está melhorando.

O presidente está com vontade de resolver, e conseguiu passar essa mensagem.

A nomeação de Gleisi Hoffmann para o ministério das Relações Institucionais foi interpretada como o fortalecimento de um polo que faz contraponto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ela terá esse papel?

A Gleisi sempre foi de cumprir missão. A vida inteira. Ela foi ministra da Casa Civil [no governo Dilma Rousseff] e tinha um papel, uma postura. Depois presidiu o PT no momento mais difícil da história desse partido.

Tinha gente naquele período, até dentro do PT, que dizia “vocês continuam com essa de Lula Livre? Esquece Lula, vamos atrás de um outro nome”. Ela foi aquela pessoa firme. E apareceu a imagem da mulher dura.

Na verdade, existe uma outra Gleisi, com capacidade de articulação, que fez aliança ampla e conduziu a campanha do Lula de 2002.

As pessoas não sabiam, mas ela tem uma relação muito boa com o presidente [da Câmara dos Deputados], Hugo Motta, foi determinante para a eleição dele [ao garantir o apoio do PT]. Fala toda semana com o líder do MDB, Isnaldo Bulhões, tem relação muito boa com o líder do PP, o Dr. Luizinho, com o do PSD, [Antonio] Brito.

Eu sabia disso há muito tempo, e o presidente Lula também. Ela é considerada uma mulher firme que fala o que faz, não enrola. A Gleisi vai ser uma bela surpresa.

ECONOMIA

Houve a leitura de que, com ela, o governo irá mais para a esquerda. Não haverá mais ajuste fiscal e o Lula vai gastar para se reeleger.

Não tem nada disso. Ela vai trabalhar para juntar o time de verdade. Ela vai jogar completamente afinada com o Haddad.

E com o ajuste fiscal que ele defende?

Eu quero desmistificar algumas coisas. Eu sempre disse que o Haddad tem que falar mais dos números da economia. Diziam que cresceríamos 0,8% [ao ano], e crescemos 3,2% em 2023. Falavam em 1,5% em 2024, e crescemos 3,4%. Essa turma do mercado torce contra. É uma luta diária contra [o governo].

A renda do trabalhador no primeiro ano [de governo Lula] cresceu 11%, e 5% no segundo, em termos reais. O investimento voltou a subir. Tiramos 24 milhões de pessoas da pobreza. O desemprego está no menor nível desde 2012. É o momento da pauta popular. Haddad tem que falar é sobre isso.

Eu tenho gostado muito dele. Haddad pode entrar para a história como um dos grandes ministros da Fazenda deste país. É só ver os números. Esse governo é bom de entrega.

Mas Haddad disse recentemente que o Brasil vai ter que crescer menos por causa da inflação, o que é realista, embora não popular. Qual é o seu pedido a ele? Que esconda os fatos?

Eu falo sempre da implicância do mercado com o presidente Lula e da injustiça com o próprio Haddad. Não reconhecem nada. Não adianta você dizer “em abril vamos fazer o esforço fiscal X”.

Sabe o que eles [agentes do mercado] vão dizer? “É insuficiente”. E vão subir o dólar. A gente não pode entrar na armadilha deles.

Existe uma outra Gleisi, com capacidade de articulação, que fez aliança ampla e conduziu a campanha do Lula de 2002. Eu sabia disso há muito tempo, e o presidente Lula também. Ela é considerada uma mulher firme que fala o que faz, não enrola. A Gleisi vai ser uma bela surpresa.

Existe uma outra Gleisi, com capacidade de articulação, que fez aliança ampla e conduziu a campanha do Lula de 2002. Eu sabia disso há muito tempo, e o presidente Lula também. Ela é considerada uma mulher firme que fala o que faz, não enrola. A Gleisi vai ser uma bela surpresa.

Tem que mudar de assunto?

Tem que mudar de assunto. Não é mudar de política [econômica]. Se tiver que fazer ajuste fiscal, que faça. Mas só quem se interessa por esse tema são cinco ou seis [pessoas] da [avenida] Faria Lima. O povo quer saber é da vida real dele.

É mudar de assunto, é entrar na pauta popular. A minha linha agora é que esse ano de 2025 é o ano do Lula. É Lula sendo Lula. É Lula falando da vida do povo, é o Lula do pé de meia, é o Lula do crédito ao trabalhador, que vai beneficiar 40 milhões. É o Lula do vale gás, é o Lula da isenção do imposto de renda.

Eu volto à questão do ajuste. Tivemos um déficit de 2,4% do PIB em 2023. Caímos para 0,1%. É um esforço fiscal gigantesco.

O mundo inteiro está em déficit desde a época da pandemia. A China, no ano passado, segundo o FMI, teve déficit de 6,4%, a França, de 4,17%, os EUA, de 3,68%. Até mesmo a Alemanha, que é rigorosa na questão fiscal. Só a Argentina e a Itália fizeram um esforço fiscal maior do que o nosso. Mas o mercado não reconhece isso.

Sim, mas os países citados pelo senhor têm outra capacidade de se financiar.

As regras na questão fiscal estão aí. Pode ter contingenciamento neste ano.

O que eu quero dizer é que esse não é assunto para a dona Maria e o seu João.

O governo é bom de entrega. O que está faltando? Disputa política. Mostrar o que Lula está fazendo, comparar. Todo ministro tem que fazer a disputa. Não pode deixar barato. Eu não perco um debate no parlamento. Porque os números são gritantes. Eles [bolsonaristas] não ganham em nada da gente.

O governo tem a faca e queijo na mão para ter paz [na articulação politica].

Eles vão estar com os problemas deles, tentando arrumar conflito com o Judiciário, [fazendo campanha] Bolsonaro Livre, [ocupados] com o julgamento deles. E a gente aqui, aprovando os nossos projetos, com essa mensagem que eu quero te passar: 2025 é o ano da agenda do povo, tá? Cuidar da vida das pessoas.

Não adianta a gente ficar dialogando com a Faria Lima. É povo. Esse ano é o ano do povo, de falar para a vida real das pessoas.

COMUNICAÇÃO

O ministro Sidônio Pereira tomou posse em janeiro na Secretaria de Comunicação e o presidente passou a falar mais. Mas a popularidade dele segue caindo. O que acha disso?

O Sidônio entrou no meio da crise do Pix. Ele e a Gleisi comandaram juntos a campanha do Lula [a presidente em 2022]. A entrada deles mostra que o Lula está com garra.

Sidônio é da turma que quer disputar e ganhar a eleição não por ganhar, mas para não entregar o Brasil para a extrema direita.

Sabe quanto o Bolsonaro tinha de ruim e péssimo em dezembro de 2021, a dez meses das eleições do ano seguinte? 53%. E a eleição foi apertada [porque a avaliação do ex-presidente acabou melhorando]. Lula tem muito menos [rejeição] do que isso [de 41%, segundo o Datafolha].

Lula é esse cara que, quando provocado, surge cada vez mais valente. O susto da queda nas pesquisas veio na hora certa. Deu uma sacudida geral.

No Lula?

No Lula e na gente. Não somos daqueles que ficam chorando. Nós estamos botando a faca nos dentes e indo lutar.

SUCESSÃO

O tempo é implacável, e o próprio Lula já não trata da idade dele como tabu. Como seriam mais quatro anos dele na Presidência?

Duas pessoas me impressionam: [a deputada federal] Benedita da Silva [que tem 82 anos] e Luiz Inácio Lula da Silva [79 anos]. Eles têm uma vitalidade, uma cabeça, uma velocidade de raciocínio que podemos comparar com a de qualquer jovem.

Lula está de novo em seu melhor momento. E, independentemente até de candidatura, é fundamental que o Lula termine bem esse governo. É fundamental para os próximos 30, 40, 50 anos.

Porque o Lula é um símbolo. É um sonho de justiça social. O Lula, nesse sentido, é mais do que ele. O Lula vai alimentar as gerações futuras.

Por que há tanta dificuldade em se discutir quem será o sucessor do Lula?

Porque é muito difícil comparar, entendeu? Quando se tem uma figura tão grandiosa por sua história, um símbolo de tantas coisas, fica difícil surgir alguém de expressão. Não é simples.

O Guilherme Boulos (do PSOL) foi nosso candidato a prefeito. Tem uma geração nova na bancada do PT, tem gente nova no PSOL, no PC do B. Mas é diferente daquele estouro de boiada, quando surge toda uma geração de novas lideranças.

Porque lideranças são forjadas em ciclos de lutas muito concretas, como a luta contra a ditadura, a redemocratização, o impeachment do [Fernando] Collor. Nós vivemos hoje em uma contrarrevolução conservadora.

A gente tem que entender que talvez demore para surgir um novo ascenso de lutas sociais. Ninguém fabrica isso. A gente tem que estancar essa turma conservadora com a pauta da vida do povo. Vamos priorizar essa agenda.

Eu tenho gostado muito dele. Haddad pode entrar para a história como um dos grandes ministros da Fazenda deste país. É só ver os números. Esse governo é bom de entrega.

Eu tenho gostado muito dele. Haddad pode entrar para a história como um dos grandes ministros da Fazenda deste país. É só ver os números. Esse governo é bom de entrega.

IMPOSTOS

Concretamente, qual é essa pauta?

A isenção do imposto de renda de até R$ 5 mil é um exemplo. Ela tem até 85% de aprovação. Onde vai ter grito? No fato de que 156 mil brasileiros, menos de 0,1% da população, pagam menos de 10% de imposto de renda [e teriam que pagar mais para financiar a isenção de quem ganha menos].

Tem professora que ganha R$ 5.500 e paga 27,5% de imposto. Tem diretor de banco que ganha R$ 2 milhões por mês e não paga nada, porque recebe como lucros e dividendos, que são isentos. Nos EUA a tributação [de lucros e dividendos] é de 40%, em países da Europa chega a 50%.

Muitas pessoas da classe média também recebem por lucros e dividendos, na chamada ‘pejotização’.

Eu vou adorar essa polêmica. Estou doido para que esse projeto chegue aqui o mais rápido possível. Só o debate já vai nos reconectar com os setores médios. A metade da população ganha até dois salários mínimos. Vamos nos reconectar com essa turma.

O senhor fala da professora que ganha R$ 5 mil, mas há também o micrempreendedor individual (MEI), que ganha a mesma coisa mas está submetido a um sistema tributário diferente.

O MEI está fora disso porque o projeto só vai pegar quem ganha R$ 50 mil por mês. Mas você tocou em um ponto importante. Nós temos que aumentar a faixa do MEI, que é de R$ 81 mil [limite de faturamento anual para ter os benefícios fiscais dessa categoria]. É uma pauta popular!

O Lula vai falar cada vez mais para esse povo.

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