sábado, setembro 11, 2021

Nem militantes acreditam mais em Bolsonaro




Por Ruth de Aquino (foto)

Reina a anarquia delirante entre os bolsonaristas raiz. Estão perdidos entre o real e o imaginário. Esse pessoal de chapéu de caubói, enrolado na bandeira, comemorou em Brasília um “estado de sítio” fake. E caminhoneiros militantes, em vez de protestar pelo preço do combustível, bloquearam as rodovias. Atendiam ao apelo de Bolsonaro por desobediência civil.

Os bolsonaristas se acostumaram a compartilhar tantos vídeos fake sobre tratamento de Covid, urnas eletrônicas, ministros do STF e comunistas que não conseguem mais acreditar num áudio real do presidente. Bolsonaro mandou desbloquear as estradas e esquecer o motim. Traição aos coitados dos caminhoneiros, não é, Zé Trovão. Foragido no México, pode ser preso a qualquer momento. O caminhoneiro Zé lamentou ter arriscado a vida por Bolsonaro. 

Vocês deveriam protestar contra a alta da inflação, a quase 10%, contra o desemprego, contra a pobreza, mas não. Os caminhoneiros esquecem seu próprio desamparo e protestam contra o Supremo Tribunal Federal! Que categoria politizada. Só num Brasil surreal, governado por um fanático pela mentira. 

Dá para entender que o áudio de Bolsonaro fosse suspeito. A voz era de um derrotado ordenando a rendição dos parças. “Fala pros caminhoneiro aí que esses bloqueios atrapalham nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação, prejudica todo mundo, em especial aí os mais pobres. Então dá um toque nos caras aí, se for possível, pra liberar tá ok? Pra gente seguir a normalidade”.

Ora, é Bolsonaro quem prejudica todo mundo, especialmente os mais pobres, quem atrapalha a economia, provoca desabastecimento, descontrola a inflação. É sua a guerra contra a normalidade e a Constituição. Soltou a boiada e instalou o caos em nossas vidas. Conta com a covardia de Arthur Lira, sentado na Câmara sobre 131 pedidos de impeachment. E com o palavrório infinito de Pacheco e Aras.

Somos governados por um capitão apavorado em ser preso. Bolsonaro teme ver na cadeia a família inteira. Os quatro filhos homens – o caçula Renan, o vereador Carlos, o deputado Eduardo e o senador Flávio – são investigados por corrupção, desvios do dinheiro público, rachadinhas, ligação com milícia e tráfico de influência. Em desespero, Bolsonaro topa tudo. E já deixou claro, só Deus o tira de Brasília. Prisão, morte ou vitória. O que você prefere?

Às vezes, só o riso nos salva. Foi o que Marcelo Adnet provocou na madrugada tensa, ao simular a voz e o arroto de refluxo de Bolsonaro. "O áudio que circulou aí é falso, tá ok pessoal? Esse sim que é o verdadeiro, é para vocês permanecerem aí, e começarem a dançar a macarena, agora, 3h15 da manhã, e não pararem mais. Quero ver ninguém na boleia hein! Todos pra fora dos caminhões dançando a macarena até aquele outro lá pedir pra sair. Talkei? Selva! (saudação militar)”. 

A gargalhada é nervosa. A harmonia entre Poderes é balela. E só o Supremo reage à altura. “Todos sabem quem é o farsante nessa história”, disse o ministro Barroso, respondendo às acusações vazias de farsa eleitoral. “Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A falta de compostura nos envergonha. Somos vítimas de chacota e desprezo mundial”.

Por tudo o que disse Barroso, chegou a hora de sair às ruas em peso. Se 75% dos brasileiros são a favor da democracia, todos precisamos nos unir agora contra Bolsonaro, mesmo que ele peça desculpas com a ajuda do Temer, perito em sobrevivência. Um presidente que chama de canalha um juiz do Supremo precisa ser impedido, não tem como fingir equilíbrio ou sanidade. Vamos esquecer divergências até a eleição de 2022. Vamos salvar o Brasil e o futuro de nossos filhos e netos. 

O Globo

Golpismo no asfalto - Editorial

 



Açulados por Bolsonaro, caminhoneiros sabotam o país com pauta antidemocrática

Parlamentares e militantes bolsonaristas convocaram caminhoneiros para os atos golpistas do 7 de Setembro. Alguns dos engajados nessa causa do presidente da República são investigados no Supremo Tribunal Federal, entre eles um autointitulado líder dos motoristas e o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil.

Na véspera do feriado nacional, caminhões invadiram e ocuparam a oficialmente interditada Esplanada dos Ministérios, em Brasília, entre eles vários veículos ligados a empresas do setor agropecuário.

Depois, caminhões foram usados em bloqueios de estradas em ao menos 15 estados. Na noite de quarta (8), Jair Bolsonaro, ao que parece preocupado com a economia, pediu aos “caminhoneiros aí” que, “se for possível”, liberem as vias, como se ouve no áudio enviado a quem chama de “aliados”

Como fica evidente, o presidente e seus apoiadores estão envolvidos de um modo ou de outro na promoção de mais essa baderna.

Bolsonaro e algumas entidades empresariais estão ligados ao movimento sindical e político dos caminhoneiros desde a paralisação de maio de 2018, que quase levou o país ao colapso. O movimento teve o apoio do hoje presidente, à época deputado, e de associações como a Aprosoja e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas.

Segundo integrantes do governo Michel Temer (MDB), inclusive, tratou-se também de um locaute, com o envolvimento de empresários do setor de transporte.

Caminhoneiros se articularam desde então, em particular por redes sociais, mas diversos representantes dos motoristas autônomos negaram participação nas manifestações do Dia da Independência. Ao que parece, os bloqueios são liderados por voluntários engajados na ofensiva autoritária e bolsonaristas como Marcos Pereira.

Conhecido como Zé Trovão, esse militante é investigado por incentivar atos golpistas e diz estar ao lado de Bolsonaro, a quem pede ajuda. Afirma ser vítima de perseguição política, como outros ativistas presos ou suspeitos de promoverem ataques à ordem constitucional, entre outros crimes.

Os caminhoneiros bolsonaristas acreditaram nas palavras do presidente da República, que insuflou ataques ao Supremo Tribunal Federal e pregou a desobediência a decisões judiciais —a ocupação da Esplanada e os bloqueios de estradas são um subproduto do ataque às instituições democráticas promovido desde o Planalto.

O descaramento avançou nesta quinta (9), quando líderes da sabotagem motorizada se encontraram com Bolsonaro —por si só, um escândalo— e disseram que a liberação das vias será condicionada a uma audiência com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para debater a ação do STF.

A pretensão seria um desplante digno de risos, não tivessem os chantagistas já sido recebidos pela mais elevada autoridade do país.

Folha de São Paulo

‘Calor do momento’

 




O presidente Bolsonaro foi dormir moderado ontem. Como será que vai acordar hoje?

Por Eliane Cantanhêde (foto)

O presidente Jair Bolsonaro foi dormir ontem moderado, defensor da harmonia entre os três Poderes e de bem até com o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, com quem conversou ao telefone, selando uma trégua. Resta saber como Bolsonaro vai acordar hoje. No modo moderado ou no modo de sempre, armado até os dentes contra tudo e todos?

No manifesto que distribuiu por escrito e assinado, por influência do seu antecessor, Michel Temer, Bolsonaro atribuiu toda a sua fúria contra o Supremo e particularmente Alexandre de Moraes ao “calor do momento”. Puxa! O calor nos palácios da Alvorada e do Planalto deve estar de matar e o tal “momento” é longo: todo mês, toda semana, todo dia, toda hora.

Foi preciso a ação de um bombeiro do calibre de Michel Temer, constitucionalista e um homem de extrema elegância, que presidiu a Câmara três vezes e assumiu a Presidência da República em condições totalmente adversárias, após o impeachment de Dilma Rousseff.

Temer já tinha recebido um pedido de socorro do general Luiz Eduardo Ramos, secretário-geral da Presidência, para ajudar a “conter” Bolsonaro que, segundo ele, “não ouve ninguém”. Pois é, ouviu Temer. Bom para o País, a economia, a estabilidade política e o próprio Bolsonaro, que, apesar da obsessão por armas, tem uma péssima mira: vive dando tiro no próprio pé.

Não dá para tapar o sol com a peneira: os atos de 7 de Setembro, que não foram a favor de nada, só a favor do próprio Bolsonaro e contra o Supremo e a democracia, foram um sucesso para ele. Mas, em vez de comemorar, de transmitir segurança e alegria – como gostaria Ramos – o presidente jogou tudo fora ao reagir com raiva, ameaças, agressões.

Um erro grave nos esportes e na política é subestimar adversários. É imperdoável as esquerdas e a oposição em geral tentarem reduzir o peso político dos atos, que tiveram expressiva participação popular. Ok. Não havia 500 mil em Brasília nem 2 milhões a 3 milhões em São Paulo, como esperava Bolsonaro, mas as imagens não mentem. Tinha muita gente, sim, muito mais do que o razoável em meio à pandemia, o desemprego e a miséria, com um presidente que não governa, vive de messianismo.

Mas, em vez de comemorar, Bolsonaro atiçou a multidão crédula contra os Poderes e anunciou que não cumpriria mais ordem judicial. Assim, atraiu contra si chuvas, trovoadas, a volta da palavra impeachment, uma dúzia de partidos, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e a ira do Supremo e do TSE, em brilhantes discursos de seus presidentes, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso.

A nova moda de Bolsonaro é dizer que não vai ser preso e soltar um grito de guerra: “Ou vitória ou morte”. Sabe-se lá o que se passa pela cabeça do presidente, mas o fato é que ele, finalmente, pediu ajuda para um bom psicólogo – nova qualificação de Temer, que obteve um recuo espetacular de Bolsonaro, que passa a falar em Executivo, Legislativo e Judiciário “trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição”.

Além disso, Bolsonaro conta com algo muito visível: a incompetência e a mesquinharia da oposição. Vem aí o 12 de setembro, que pode ser uma imensa resposta ao 7 de Setembro bolsonarista, mas não será se o PT e o PSOL excluírem o MBL e o Vem Para a Rua e todos perderem uma energia enorme discutindo qual será a cor da manifestação. Que tal o branco? Cada um pinta, nesse branco, a sua própria cor, atendendo ao grito de guerra do Cidadania: “Agora é fora Bolsonaro! 2022 fica para depois”.

Ficam duas dúvidas, portanto: Bolsonaro vai manter a moderação de ontem, ou é mais um fogo de palha? E a oposição, vai ter ou não juízo e senso de consequência? Sei lá, mas ambas as respostas não parecem animadoras.

O Estado de São Paulo

Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE

 




'A falta de compostura nos envergonha perante o mundo'

Leia a íntegra do discurso:

A propósito dos eventos e pronunciamentos do último dia 7 de setembro, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Luiz Fux, já se manifestou com relação aos ataques àquele Tribunal, seus Ministros e às instituições, com o vigor que se impunha.

A mim, como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral cabe apenas rebater o que se disse de inverídico em relação à Justiça Eleitoral. Faço isso em nome dos milhares de juízes e servidores que servem ao Brasil com patriotismo – não o da retórica de palanque, mas o do trabalho duro e dedicado –, e que não devem ficar indefesos diante da linguagem abusiva e da mentira.

Já começa a ficar cansativo, no Brasil, ter que repetidamente desmentir falsidades, para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos.

Antes de responder objetivamente a tudo o que precisa ser respondido, faço uma breve reflexão sobre o mundo em que estamos vivendo e as provações pelas quais têm passado as democracias contemporâneas. É preciso entender o que está acontecendo para resistir adequadamente.

A RECESSÃO DEMOCRÁTICA NO MUNDO

A democracia vive um momento delicado em diferentes partes do mundo, em um processo que tem sido batizado como recessão democrática, retrocesso democrático, constitucionalismo abusivo, democracias iliberais ou legalismo autocrático.  Os exemplos foram se acumulando ao longo dos anos: Hungria, Polônia, Turquia, Rússia, Geórgia, Ucrânia, Filipinas, Venezuela, Nicarágua e El Salvador, entre outros. É nesse clube que muitos gostariam que nós entrássemos.

Em todos esses casos, a erosão da democracia não se deu por golpe de Estado, sob as armas de algum general e seus comandados. Nos exemplos acima, o processo de subversão democrática se deu pelas mãos de presidentes e primeiros-ministros devidamente eleitos pelo voto popular. Em seguida, paulatinamente, vêm as medidas que desconstroem os pilares da democracia e pavimentam o caminho para o autoritarismo.

TRÊS FENÔMENOS DISTINTOS

Há três fenômenos distintos em curso em países diversos: a) o populismo; b) o extremismo e c) o autoritarismo. Eles não se confundem entre si, mas quando se manifestam simultaneamente – o que tem sido frequente – trazem graves problemas para a democracia.

O populismo tem lugar quando líderes carismáticos manipulam as necessidades e os medos da população, apresentando-se como anti-establishment, diferentes “de tudo o que está aí” e prometendo soluções simples e erradas, que frequentemente cobram um preço alto no futuro.

Quando o fracasso inevitável bate à porta – porque esse é o destino do populismo –, é preciso encontrar culpados, bodes expiatórios. O populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, a imprensa ou os tribunais.

As estratégias mais comuns são conhecidas:

a) uso das mídias sociais, estabelecendo uma comunicação direta com as massas, para procurar inflamá-las;

b) a desvalorização ou cooptação das instituições de mediação da vontade popular, como o Legislativo, a imprensa e as entidades da sociedade civil; e

c) ataque às supremas cortes, que têm o papel de, em nome da Constituição, limitar e controlar o poder.

O extremismo se manifesta pela intolerância, agressividade e ataque a instituições e pessoas. É a não aceitação do outro, o esforço para desqualificar ou destruir os que pensam diferente. Cultiva-se o conflito do nós contra eles. O extremismo tem se valido de campanhas de ódio, desinformação, meias verdades e teorias conspiratórias, que visam enfraquecer os fundamentos da democracia representativa. Manifestação emblemática dessa disfunção foi a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, após a derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais. Por aqui, não faltou quem pregasse invadir o Congresso e o Supremo.

O autoritarismo, por sua vez, é um fenômeno que sempre assombrou diferentes continentes – América Latina, Ásia, África e mesmo partes da Europa –, sendo permanente tentação daqueles que chegam ao poder.

Em democracias recentes, parte das novas gerações já não tem na memória o registro dos desmandos das ditaduras, com seu cortejo de intolerância, violência e perseguições. Por isso mesmo, são presas mais fáceis dos discursos autoritários.

Uma das estratégias do autoritarismo, dos que anseiam a ditadura, é criar um ambiente de mentiras, no qual as pessoas já não divergem apenas quanto às suas opiniões, mas também quanto aos próprios fatos. Pós-verdade e fatos alternativos são palavras que ingressaram no vocabulário contemporâneo e identificam essa distopia em que muitos países estão vivendo.

Uma das manifestações do autoritarismo pelo mundo afora é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral para, em caso de derrota, poder alegar fraude e deslegitimar o vencedor.

Visto o cenário mundial, falo brevemente sobre o Brasil e os ataques sofridos pela Justiça Eleitoral.

REFERÊNCIAS AO TSE E AO PROCESSO ELEITORAL

1. No tom, com o vocabulário e a sintaxe que é capaz de manejar, o Presidente da República fez os seguintes comentários que dizem respeito à Justiça Eleitoral e que passo a responder.

 “A alma da democracia é o voto”.

De fato, o voto é elemento essencial da democracia representativa. Outro elemento igualmente fundamental é o debate público permanente e de qualidade, que permite que todos os cidadãos recebam informações corretas, formem sua opinião e apresentem seus argumentos. Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada. O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: “Conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará”.

“Não podemos admitir um sistema eleitoral que não fornece qualquer segurança”.

As urnas eletrônicas brasileiras são totalmente seguras. Em primeiro lugar, elas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto. Podem tentar invadir os computadores do TSE (e obter alguns dados cadastrais irrelevantes), podem fazer ataques de negação de serviço aos nossos sistemas, nada disso é capaz de comprometer o resultado da eleição. A própria urna é que imprime os resultados e os divulga. Os programas que processam as eleições têm o seu código fonte aberto à inspeção de todos os partidos, da Polícia Federal, do Ministério Público e da OAB um ano antes das eleições. Estará à disposição dessas entidades a partir de 4 de outubro próximo. Inúmeros observadores internacionais examinaram o sistema com seus técnicos e atestaram a sua integridade. Ainda hoje, daqui a pouco, anunciarei os integrantes da Comissão de Transparência das Eleições, que vão acompanhar cada passo do processo eleitoral. Nunca se documentou qualquer episódio de fraude. O sistema é certamente inseguro para quem acha que o único resultado possível é a própria vitória. Como já disse antes, para maus perdedores não há remédio na farmacologia jurídica.

“Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública de votos”.

As eleições brasileiras são totalmente limpas, democráticas e auditáveis. Eu não vou repetir uma vez mais que nunca se documentou fraude, que por esse sistema foram eleitos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro e que há 10 (dez) camadas de auditoria no sistema. Agora: contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir, não à máquina de escrever, mas à caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais! As eleições brasileiras são limpas, democráticas e auditáveis. Nessa vida, porém, o que existe está nos olhos do que vê.

“Não podemos ter eleições onde (sic) pairem dúvidas sobre os eleitores”.

Depois de quase três anos de campanha diuturna e insidiosa contra as urnas eletrônicas, por parte de ninguém menos do que o Presidente da República, uma minoria de eleitores passou a ter dúvida sobre a segurança do processo eleitoral. Dúvida criada artificialmente por uma máquina governamental de propaganda. Assim que pararem de circular as mentiras, as dúvidas se dissiparão.

“Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”

O Presidente da República repetiu, incessantemente, que teria havido fraude na eleição na qual se elegeu. Disse eu, então, à época, que ele tinha o dever moral de apresentar as provas. Não apresentou. Continuou a repetir a acusação falsa e prometeu apresentar as provas. Após uma live que deverá figurar em qualquer futura antologia de eventos bizarros, foi intimado pelo TSE para cumprir o dever jurídico de apresentar as provas, se as tivesse. Não apresentou. É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história.

“Não é uma pessoa no Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável”.

Não sou eu que digo isso. Todos os ex-Presidentes do TSE no pós-88 – 15 Ministros e ex-Ministros do STF – atestam isso. Mas, na verdade, quem decidiu que não haveria voto impresso foi o Congresso Nacional, não foi o TSE. A esse propósito, eu compareci à Câmara dos Deputados após três convites: da autora da proposta, do Presidente da Comissão Especial e um convite pessoal do Presidente daquela Casa. Não fiz ativismo legislativo. Fui insistentemente convidado. Lá expus as razões do TSE. Não tenho verbas, não tenho tropas, não troco votos. Só trabalho com a verdade e a boa fé. São forças poderosas. São as grandes forças do universo. A verdade realmente liberta. Mas só àqueles que a praticam. Foi o Congresso Nacional – não o TSE – que recusou o voto impresso. E fez muito bem. O Presidente da Câmara afirmou que após a votação da Proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O Presidente do Senado afirmou que após a votação da Proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O Presidente da República, como ontem lembrou o Presidente da Câmara, afirmou que após a votação da proposta o assunto estaria encerrado. Não cumpriu a palavra. Seja como for, é uma covardia atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem de atacar o Congresso Nacional, que é quem decide a matéria.

Conclusão:

Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A incivilidade é uma derrota do espírito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo. A marca Brasil sofre, nesse momento, uma desvalorização global. Somos vítimas de chacota e de desprezo mundial.

Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que a alta do dólar, do que a queda da bolsa, do que o desmatamento da Amazônia, do que o número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos. Mas, pior que tudo, nos diminui perante nós mesmos. Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo.

A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. O que nos une na diferença é o respeito à Constituição, aos valores comuns que compartilhamos e que estão nela inscritos. A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la.

Com a bênção de Deus – o Deus do bem, do amor e do respeito ao próximo – e a proteção das instituições, um Presidente eleito democraticamente pelo voto popular tomará posse no dia 1º de janeiro de 2023.

TSE

A Marcha sobre Brasília

 



Os Poderes no Brasil precisam se defender dos ataques de nosso candidato a Mussolini

Por Simon Schwartzman* (foto)

Se a expectativa dos Maquiavéis que planejam a estratégia de Bolsonaro se inspirando em Mussolini era replicar, no 7 de setembro, a “marcha sobre Roma” de 1922, não deu certo. Em 1922, Il Duce ganhou forças para subjugar o Parlamento, o Judiciário e as Forças Armadas, e ficou no poder até ser assassinado, em 1945, depois de ter levado seu país à ruína. Aqui, as manifestações foram pacíficas, nenhum palácio foi invadido e o que restou foi a promessa do presidente de deixar de cumprir as decisões do ministro Alexandre de Morais. Difícil de saber o que virá agora, se finamente o impeachment, uma tentativa de golpe de Estado ou algum tipo de administração arrastada da crise, como vem acontecendo até aqui. Todos os analistas políticos se estão fazendo essa pergunta. Sou menos capaz do que eles de prever, mas minha impressão é de que as coisas vão continuar como estão, para ver (ou não) como é que ficam.

Seja como for, o que fica de mais marcante deste 7 de setembro é a grande presença de pessoas nas ruas atendendo à retórica inflamada e vazia de Bolsonaro, mesmo depois de dois anos de desgoverno, de manejo incompetente da epidemia, dos escândalos das rachadinhas e da compra das vacinas, do abandono das pautas de combate à corrupção e de reorganização da economia, da depredação do meio ambiente, da inflação saindo do controle e de ter entregado o governo a seus antigos inimigos do Centrão, do qual agora se diz membro desde criancinha.

Não se pode simplesmente dizer que os que foram para as ruas são todos ignorantes, ou reacionários, ou vítimas de manipulações das redes sociais. Bem ou mal, eles refletem o grande fracasso de nossas instituições políticas, incluindo o Judiciário e o Congresso, em responder de forma adequada à grande crise moral, econômica, social e política que eclodiu em 2015 e que vem se agravando desde então. O Judiciário e o Congresso são hoje, e com razão, os grandes defensores da democracia e do império da lei contra um presidente sem escrúpulos, mas tudo seria mais fácil se eles não tivessem abdicado de suas principais responsabilidades.

No caso do Judiciário, o principal problema foi ter participado do grande conluio para enterrar a Lava Jato, que uniu empresários e a classe política da esquerda, centro e direita. Podemos discutir até que ponto os promotores e juízes da Lava Jato infringiram ou não determinadas normas de comportamento ou estavam politicamente motivados, mas os crimes de corrupção foram reais, afetaram de forma profunda o funcionamento do governo, escancararam o comportamento predatório de parte importante da classe política brasileira, e não poderiam ter sido simplesmente postos de lado em nome dos formalismos de um “garantismo” suspeito e extremado. Ao invés de atuar como uma corte constitucional, como são os supremos tribunais de todas as democracias, o Supremo Tribunal Federal (STF) se transformou numa grande casa de varejo, gastando quase toda a sua energia em responder de forma muitas vezes casuística às demandas de quem tem recursos para pagar os advogados mais caros. Nada disso justifica o ataque dos bolsonaristas ao STF, buscando destruir aquilo que ele tem de mais importante, que é a defesa da ordem legal, da democracia e do Estado de Direito, mas tudo seria mais fácil se ele não tivesse abdicado de parte significativa de sua responsabilidade.

Do Congresso, seria enorme a lista de coisas que deveria ou poderia fazer, e não fez, e das coisas que fez erradas. Mas o que mais chama a atenção é a forma despudorada com que ele se transformou num grande balcão de negócios, em que votos são comprados e vendidos de forma escancarada a troco de cargos, verbas e apoio de corporações e grupos de interesse de todo tipo. Em todo o mundo, parlamentares são eleitos como representantes de determinados interesses, e é natural que defendam esses interesses em sua atuação no Congresso. Mas, em democracias que funcionam, os interesses individuais se acomodam dentro de um rumo e uma orientação geral dados pelas lideranças partidárias, de acordo com as prioridades dos respectivos programas e doutrinas partidárias. No Parlamento brasileiro, algumas dessas lideranças ainda persistem, mas são permanentemente atropeladas e ignoradas pela fome insaciável de seus liderados.

Ruim com eles, pior sem eles. Assim como o governo Bolsonaro hostiliza o Judiciário pelo que tem de bom, também hostiliza ou tenta comprar o Parlamento pela capacidade que ainda tem de colocar limite a seus arroubos autoritários e pelo poder constitucional de abrir e conduzir um processo de impeachment contra o presidente. O Judiciário e o Legislativo, assim como setores importantes e competentes do Executivo, na área da saúde, da economia, da educação, da cultura e do meio ambiente, que este governo vem depredando sistematicamente, precisam se defender e ser defendidos contra os ataques de nosso candidato a Mussolini. Seria muito mais fácil se eles estivessem estado à altura dos papéis que deveriam desempenhar.

*Sociólogo, é membro da Academia Brasileira de Ciências

O Estado de São Paulo

As nuvens do Planalto

 



O que Bolsonaro fala não se escreve. Agora, com a sua Mensagem à Nação, na qual se compromete a respeitar a Constituição de 1988, veremos se cumpre o que escreve

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Ex-banqueiro, ex-deputado, ex-governador de Minas Gerais e então ministro das Relações Exteriores na época da publicação do Ato Institucional no 5, em 13 de dezembro de 1968, Magalhães Pinto eram um político conservador, que apoiou o golpe de 1964, como a maioria dos caciques da antiga União Democrática Nacional (UDN). Para ele, a política era como uma nuvem: “Você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou”.

Signatário do histórico Manifesto dos Mineiros, lançado por setores liberais contra o Estado Novo (1937-1945), em outubro de 1943, mesmo assim Magalhães Pinto subscreveu o AI-5 na “esperança” de que o decreto tivesse vigência de seis ou oito meses, diria em entrevista, 16 anos depois. O regime militar só acabou em 1985, com a eleição de Tancredo Neves, seu adversário histórico do antigo PSD. O tempo fora suficiente para volatilizar seu projeto de chegar à Presidência da República, frustração que também ocorreu com outros políticos golpistas, como o ex-governador carioca Carlos Lacerda, que teve o mandato cassado pelos militares.

As nuvens da política no Planalto são caprichosas e traiçoeiras. Nessa época do ano, em que a seca castiga o Distrito Federal, elas aparecem e desaparecem ao sabor do vento. As chuvas, com raios e trovões, são uma raridade, mas eventualmente ocorrem. Na terça-feira, Dia da Independência, Brasília amanheceu sob um ameaçador cumulonimbus, uma formação semelhante àquelas “Nuvens Negras” que intitularam o editorial do antigo Correio da Manhã, a senha para a marcha das tropas do general Mourão Filho, de Juiz de Fora para o Rio de janeiro, em 31 de março de 1964, o estopim da destituição do presidente João Goulart.

Existem nuvens em camadas e nuvens convectivas. Nuvens em camadas aparecem altas no céu, são as mais comuns nessa época do ano em Brasília. As nuvens convectivas estão mais próximas da superfície da Terra. Em 1802, o inglês Luke Howard criou quatro categorias de nuvens usadas até hoje: cumulus, stratus, nimbus e cirrus. O nome cumulus vem do latim e significa “pilha” ou “montão. Nimbus é a palavra para “nuvem” em latim. Nuvens nimbus são produtoras de precipitação. A categoria nimbus é frequentemente combinada com outras categorias para indicar condições de tempestade.

Na gíria dos morros e subúrbios cariocas, “CB” significa “sangue bom”. Na meteorologia, porém, a sigla significa cumuloninbus, um terror para pilotos e navegantes. São nuvens que podem ocorrer a qualquer momento, durante todo o ano. Na aviação, limitam o espaço aéreo, pois o voo dentro delas é de extremo risco — também afetam pousos e decolagem. No mar, nos rios e nos lagos, podem causar naufrágios. Provocam turbulência, granizo, formação de gelo, saraiva (granizos lançados para fora da nuvem, em ar claro), relâmpagos e, por vezes, tornados. Há registros de ventos de 100 milhas/hora e tempestades de 8 mil toneladas de água por minuto, que duram não muito mais do que meia-hora. Seus raios podem chegar a 100 milhões de volts.

Dissipação

Terça e quarta-feira, parecia que um CB levaria a Constituição de 1988 ao naufrágio e calcinaria os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas era uma daquelas nuvens da nossa política. No auge da tensão entre os manifestantes que ocupam a Esplanada e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), as tropas do Comando Militar do Planalto, chefiadas pelo general de divisão Rui Yutaka Matsuda, estavam de prontidão, para garantia da lei e da ordem, se assim fosse necessário. Não estavam aquarteladas para dar um golpe de Estado, mas, sim, proteger o STF, se fossem requisitadas pelo presidente da Corte, Luiz Fux. Por muito pouco, o presidente Jair Bolsonaro não cometeu um grave crime de sedição ao incitar os caminhoneiros contra o Supremo, o contrário do que deveria fazer como. “comandante supremo” das Forças Armadas.

Enquanto as multidões que mobilizara urravam, Bolsonaro se isolava politicamente. Na quar- ta-feira, as reações do presidente do STF, Luiz Fux, e dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), refletiram essa situação. Ontem, os bloqueios de rodovias pelos caminhoneiros que apoiam Bolsonaro e querem fechar o Supremo, e as reações do mercado financeiro, com ações em queda e dólar em alta, reve- lavam que o presidente ainda estava dentro cumulonimbus, enquanto os políticos e a magistratura o contornavam.

O antológico e duro discurso do ministro do STF Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante a sessão da Corte, deixou muito claro que os ministros do Supremo não se acovardariam. Coube ao ex-presidente Michel Temer, como se fosse um velho controlador de voo, convencer o presidente a mudar de rota, enquanto as nuvens se dissipavam. O que Bolsonaro fala não se escreve. Agora, com a sua Mensagem à Nação, na qual se compromete a respeitar os demais Poderes e a Constituição de 1988, veremos se cumpre o que escreve.

Correio Braziliense

Nota de recuo vale por uma de R$ 3

 



Por Vera Magalhães (foto)

Vale tanto quanto uma cédula de R$ 3 a nota em que Jair Bolsonaro usa o marqueteiro de Michel Temer como ghost-writer para ajoelhar no milho diante do Supremo Tribunal Federal e fingir um arrependimento que não tem das ameaças de golpe que sinceramente proferiu no 7 de Setembro.

Quem fingir que acredita no propósito de se moderar, de obedecer aos desígnios do Judiciário e de zelar pela independência e harmonia dos Poderes feito por Temer é cínico, burro ou ingênuo. Ou um mix dos três.

Cínico será o alívio do mercado, dos ministros e dos deputados da base aliada.

O primeiro grupo tratará de tentar recuperar os prejuízos dos últimos dias.

Os integrantes do primeiro escalão buscarão para o espelho, para o travesseiro e para os filhos uma justificativa plausível para continuar servindo a um governo que busca uma ruptura institucional.

E os nobres parlamentares da base aliada encontrarão a desculpa necessária para continuar mamando nas tetas do Orçamento até exauri-las, sem precisar fingir que estão pensando a sério em abrir um processo de impeachment.

Ingênuo será o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), se, com base nessa encenação tosca, deixar de devolver a Medida Provisória que susta parte do Marco Civil da Internet ou se receber os caminhoneiros que fazem chantagem com o país com uma paralisação que foi convocada e insuflada por Bolsonaro em pessoa.

Também figura no rol dos ingênuos, desta vez com uma dose de vaidade por ser lembrado e chamado em casa, Michel Temer, ao associar sua já questionada passagem pela Presidência (que deixou com recordes de rejeição) à indefensável e incorrigível gestão de seu sucessor.

Ademais, a pretexto de fazer um favor ao país, Temer presta um desserviço histórico. Porque ajuda a escamotear o real propósito de Bolsonaro de solapar a democracia e dinamitar as instituições aos poucos todos os dias.

Hoje, o presidente se finge de cordeiro, pede desculpas e faz um ato de contrição. E o faz porque é, além de golpista e inepto para o cargo, atavicamente covarde e se pela de medo da deposição e da prisão — dele e dos filhos. Só por isso. O país que se exploda. É nesse avião que Temer aceitou embarcar.

O último grupo a acreditar na nota de R$ 3 de Bolsotemer é o dos burros, integrado pela ala mais bovina dos bolsominions. Os comentaristas a soldo, pseudojornalistas, blogueiros golpistas arrancaram os poucos cabelos que têm e arreganharam as gengivas inflamadas para xingar o mito de todos os nomes feios que conhecem.

Já lançam Tarcísio Gomes de Freitas, o ex-técnico transformado em minion pelo chefe, para lhe suceder na eleição de 2022!

De tão desarvorados, se esquecem de relaxar e lembrar que amanhã mesmo Bolsonaro já estará de volta ao script de protoditador de anteontem, mandando às favas a máxima temerista de que verba volant, scripta manent (calma, Centrão, a verba que voa é a palavra, a do orçamento secreto fica).

Que os que estavam vigilantes e preocupados no dia 8 sigam assim e não desviem de seu papel constitucional de conter um presidente disposto a lhes sentar o relho e empastelar as eleições.

Os inquéritos de Alexandre de Moraes têm de seguir, a MP do Marco Civil tem de voltar para o Planalto com selo de endereço não encontrado, as investigações do TSE sobre as mentiras de Bolsonaro quanto ao pleito não podem parar, a CPI tem de concluir seu relatório com imputação dos inúmeros e hediondos crimes cometidos pelo presidente e pelo sumido general Pazuello, e a indicação de André Mendonça ao STF tem de ser rejeitada, porque quem o indicou quer fechar o Supremo.

Essa é a pauta de resistência possível e viável, uma vez que o impeachment, conforme escrevi aqui, não sairá.

O Globo

Deputado bolsonarista se revolta: 'A redação partiu de Temer, responsável pela estadia do déspota Alexandre de Moraes numa cadeira do Supremo'


Blog da Noelia Brito

Posted: 10 Sep 2021 04:44 AM PDT

 

Deputado Otoni de Paula é um dos bolsonaristas que tietaram o ex-assessor de Flavio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, apontado como cabeça do esquema das "rachadinhas" da família Bolsoanro/Foto:Reprodução

O deputado disse ainda que estão tentando transformar Bolsonaro em "leão que ruge, mas vira gatinho".

Da tribuna da Câmara dos Deputados, o parlamentar bolsonarista Otoni de Paula, que foi alvo de buscas e apreensões ordenadas por Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga os chamados atos antidemocráticos, destilou toda a sua indignação com a carta de desculpas de Bolsonaro endereçada ao ministro do STF.

Segundo o deputado, o que mais o entristece é o presidente ter assinado uma nota feita pelo responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo.


"A redação partiu de Temer, responsável pela estadia do déspota Alexandre de Moraes numa cadeira do Supremo. Sim, o presidente da República assinou nota do pai do déspota, de quem colocou o ditador da toga naquela cadeira", reclamou Otoni, que ainda alertou que não é "tempo de paz" e que, para isso, a nota de Bolsonaro deveria ter sido conjunta com o Supremo, mas veio de um lado só, o de Bolsonaro, sem que Moraes tivesse dado qualquer contrapartida. O deputado disse ainda que estão tentando transformar Bolsonaro em "leão que ruge, mas vira gatinho".

Mais de mil policiais federais já assinaram manifesto em defesa de delegado federal afastado por investigar interferência de Bolsonaro na PF


Posted: 10 Sep 2021 01:10 PM PDT

Foto: Reprodução
 

Dentre os que já assinaram o manifesto, estão vários ex-Superintendentes Regionais da Polícia Federal, a exemplo de Aderson Vieira Leite (MT), Fabiana Macedo (PI), Alexandre Saraiva (AM, RR e MA), Anderson Rui Fontel de Oliveira (AP), Bernardo Gonçalves Torres (AL), Chang Fan (MS), Erika Mialik Marena (SE), Josélio Souza (GO), Jorge Barbosa Pontes (PE), Marcelo Diniz Cordeiro (PE) e Carla Patrícia Cintra (PE). Todos os Coordenadores-Gerais de Combate à Corrupção assinaram o manifesto, desde o primeiro, DPF Josélio Souza, o segundo, DPF Márcio Anselmo, o terceiro, DPF Thiago Delabary e o atual DPF Giacometi.A delegada Christiane Correa Machado que chefiou oo Serviço de Inquéritos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (SINQ) da Polícia Federal, junto ao STF, também figura entre os que assinaram o manifesto.

O manifesto em apoio ao delegado da Polícia Federal Felipe Leal, que dirigia o inquérito instaurado para investigar a interferência do presidente Jair Bolsonaro na instituição, para blindar familiares e membros de seu governo, já conta com mais de mil assinaturas de policiais federais

Após solicitar informações sobre diversos registros de possíveis interferências presidenciais na substituição dos Superintendentes nos Estados do Rio de Janeiro e de Pernambuco, e sobre a exoneração do Superintendente do Amazonas e não nomeação de Franco Perazzoni como Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado, no Distrito Federal, Leal foi afastado da condução do inquérito por Alexandre de Moraes e foi alvo de uma requisição de investigação por parte da Procuradoria Geral da República, fato que para os policiais federais seria "um movimento no sentido de acanhar os policiais federais responsáveis por investigações de combate à corrupção, em detrimento da atuação em desfavor dessa prática criminosa tão prejudicial à sociedade que, infelizmente, ainda assola a população brasileira." 

Dentre os que já assinaram o manifesto, estão vários ex-Superintendentes Regionais da Polícia Federal, a exemplo de Aderson Vieira Leite (MT), Fabiana Macedo (PI), Alexandre Saraiva (AM, RR e MA), Anderson Rui Fontel de Oliveira (AP), Bernardo Gonçalves Torres (AL), Chang Fan (MS), Erika Mialik Marena (SE), Josélio Souza (GO), Jorge Barbosa Pontes (PE), Marcelo Diniz Cordeiro (PE) e Carla Patrícia Cintra (PE).

Todos os Coordenadores-Gerais de Combate à Corrupção assinaram o manifesto, desde o primeiro, DPF Josélio Souza, o segundo, DPF Márcio Anselmo, o terceiro, DPF Thiago Delabary e o atual DPF Giacometi.

A delegada Christiane Correa Machado que chefiou oo Serviço de Inquéritos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (SINQ) da Polícia Federal, junto ao STF, também figura entre os que assinaram o manifesto.


Blog da Noelia Brito

TJ-BA declara inconstitucional lei de Salvador que proibia transporte clandestino


por Cláudia Cardozo

TJ-BA declara inconstitucional lei de Salvador que proibia transporte clandestino
Foto: Almiro Lopes / Correio

O Pleno do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) declarou a inconstitucionalidade de uma lei de Salvador que penalizava condutores de veículos clandestinos. A ação contra a Lei 9.107/2016 foi movida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) em 2018. O texto legislativo proibia a atividade inclusive de motoristas por aplicativo, como o Uber. A desembargadora Maria de Fátima foi a relatora do caso.

 

Segundo o voto da desembargadora, o Município de Salvador usurpou a competência da União e do Estado para legislar sobre matéria referente a trânsito e transporte. Na ação, o MP sustentou que somente cabe ao Município legislar de forma suplementar, para apenas adequar as leis estaduais e federais às peculiaridades e interesses locais. Outro argumento apresentado pelo MP-BA foi que a norma questionada ainda previa punição mais grave do que a do Código Trânsito Brasileiro (CTB), de apreensão do veículo, com aplicação de multa de R$ 2,5 mil.

 

A Prefeitura de Salvador não apresentou manifestações sobre a ação, apesar de ter sido intimada pelo TJ-BA. A Câmara de Vereadores de Salvador afirmou que a Corte baiana não detém competência para julgar o caso. Para a Câmara, o caso deveria ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por utilizar como argumentos artigos da Constituição Federal e do CTB, além da Constituição do Estado da Bahia.

 

A Câmara Municipal de Salvador sustentou que a lei é fruto de uma permissão do artigo 209 da Constituição Estadual e que não houve invasão de competência, “nem no seu âmbito material, posto que se trata de norma administrativa, não havendo nenhuma ilegalidade quanto aos valores estabelecidos a título de multa/punição, todas no âmbito administrativo”. O Legislativo soteropolitano argumentou que, em caso de declaração de inconstitucionalidade da lei, o Município e a população sofrerão com diversos prejuízos, pois haverá “afrouxamento” da fiscalização aos transportadores ilegais de passageiros, garantindo aos infratores uma “falsa” aparência de legalidade de sua atividade ilícita.

 

A Procuradoria Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) se manifestou pela inconstitucionalidade da lei por invasão de competência da União. A PGE também considerou que o texto viola os artigos 59 e 55 da Constituição Estadual que aludem, também, às competências municipais. A Procuradoria Geral de Justiça da Bahia, em um parecer, opinou pela suspensão da lei de forma imediata.

 

No voto, a relatora destaca que, apesar do Município ter competência para legislar sobre transportes coletivos, “esta competência é adstrita a aspectos do tema exclusivamente relacionados ao interesse local, pois em perspectiva geral, que revela interesse nacional, torna-se inevitável a invocação da competência do legislador federal”. A desembargadora cita que a norma é intensamente gravosa para toda a população de Salvador e que será de difícil recuperação os valores “abusivamente cobrados das multas impostas”.

 

“Por razões de segurança jurídica e relevância social da matéria, a norma guerreada deve ser afastada do sistema jurídico de forma definitiva, sob pena de permanecer legitimando atuações administrativas contrárias à ordem constitucional estadual, com multiplicação de demandas individuais”, destaca a desembargadora na decisão. A desembargadora Maria de Fátima destaca que o artigo 271 do CTB prevê que, em casos de clandestinidade, o veículo será removido para o depósito de órgão competente, enquanto que a lei questionada prevê multa de R$ 2,5 mil para o condutor, e, em caso de reincidência, o valor da multa será dobrado. “A simples leitura verifica-se que a referida norma determina a aplicação de apenas duas sanções para o caso do transporte irregular de passageiros, quais sejam, a multa e a retenção do veículo”, pontua no acórdão.

Bahia Notícias

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