sexta-feira, agosto 13, 2021

  



Cepa dominante acabou com as rivais e com a esperança de que populações altamente vacinadas poderiam vencer a pandemia. 

Por Vilma Gryzinski

A batalha das variantes nos Estados Unidos acabou. A delta ganhou”. Assim o Washington Post resumiu a incrível ascensão da mutação que surgiu na Índia e eliminou as “concorrentes”.

Em maio, a delta era responsável por 1% das infecções em território americano. No fim de julho, o índice batia em 93,4%. Na França, o índice é de 90,4%

“Em poucas semanas, a variante delta mudou os cálculos sobre o que é necessário para acabar com a pandemia”, disse o Post.

O virologista Benjamin Neuman fez uma comparação fácil de entender – e de arrepiar: “É como aquele momento em Jurassic Park em que você entende que os dinossauros estão todos soltos de novo”.

A propagação da delta hoje se estende mais de 130 países.

“O vírus em si, da forma como começou, é perigoso e altamente transmissível. A variante delta é mais ainda. É duas vezes mais transmissível do que a cepa ancestral e 50% mais transmissível do que a cepa alfa”, comparou Maria Van Kerkhove, epidemiologista da Organização Mundial de Saúde.

A alfa emergiu na Inglaterra, onde a delta também se tornou dominante, provocando agora avaliações notavelmente pessimistas.

Andrew Pollard, diretor do Grupo de Vacina de Oxford, disse que, como a vacinação não consegue barrar a variante, a ideia de que quando 70% ou mais da população estivesse coberta, seria atingido o limiar da imunização coletiva, se tornou “mítica”.

“O problema com esse vírus é que ele não é o sarampo. Se 95% das pessoas estão vacinadas contra o sarampo, o vírus não consegue se transmitir. Mas a variante delta continua a infectar pessoas que foram vacinadas”.

“Não temos nada que realmente consiga interromper esta transmissão”.

A situação não é inteiramente desesperadora porque as vacinas, se não conseguem acabar com os contágios, são eficazes para diminuí-los. Um estudo do Imperial College London indica que, na faixa dos plenamente vacinados entre 18 e 64 anos, a probabilidade de contágio é quase 50% menor.

Mas a queda na proteção é suficientemente acentuada para que alguns especialistas digam que o mundo vive hoje uma pandemia da variante delta. Segundo um estudo com mais de 50 mil pacientes da renomada rede de hospitais Mayo, a eficácia da vacina da Moderna caiu para 76% e a da Pfizer para 42% (relembrando: a gravidade da doença entre os vacinados é significativamente amenizada).

A delta é chamada de “variante múltipla”, misturando mutações da cepa californiana e da sul-africana, entre outras. Todas elas ajudam o coronavírus a “grudar” mais nas células e assim se propagar mais facilmente – o imperativo biológico de todos os vírus.

Estranhamente, como tantas outras coisas nessa pandemia, na Índia, o berço da delta, a pandemia está passando por um recuo notável. Do pico de 4.329 mortes em 18 de maio, o número caiu par 617 na sexta-feira passada. Ao todo, o país já teve 430 mil mortes – um dado que é visto com relutância, mas é o único que existe.

Antes que comecem as especulações: no começo de junho, o Ministério da Saúde indiano retirou a recomendação sobre o uso de ivermectina e doxiciclina para casos assintomáticos ou brandos da doença – o que não impede que governos estaduais continuem com a medicação.

A Índia tem 28 estados e mais de 1,3 bilhão de habitantes, um número estratosférico que antecipava uma tragédia de proporções dantescas quando a epidemia tomou o país, considerando-se inclusive a impossibilidade de que o lockdown decretado no fim de março fosse inteiramente acatado.

O caso indiano dá motivos de esperanças na guerra a um inimigo insidioso como o novo coronavírus, cheio de truques e mutações que causam desalento quando o momento deveria ser de otimismo, indicando que talvez estejamos fadados a conviver com ele durante muito tempo.

Revista Veja

Recados a Bolsonaro

 



Por Merval Pereira (foto)

Bolsonaro alegar que venceu a eleição do voto impresso é a mesma coisa de Lula dizer que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com os 229 votos a favor, faltaram ao governo 79 para obter o quórum de 308 votos necessário para aprovação de uma emenda constitucional. Dizer que metade da Câmara votou a seu favor é uma falácia, pois, aos 218 votos contrários, devem ser somados os 66 votos de abstenção, que na prática prejudicaram o governo.

Mesmo que a maioria desses deputados que não tiveram coragem de assumir posição na votação em plenário seja a favor do voto impresso, não haveria voto suficiente para aprovar a emenda. Dito isso, é preciso admitir que o resultado foi muito maior para o governo do que se esperava — e não permite que se dê por encerrado esse debate extemporâneo.

Muitos deputados do PP e do PL, expoentes do Centrão, votaram contra o governo. Mas muitos de PSDB, PSB, Novo, supostamente de oposição, votaram com o governo, o que dá bem a dimensão da bagunça partidária que está instalada na Câmara. Para aumentar ainda mais a confusão, o presidente da Câmara, Arthur Lira, deu uma mãozinha a Bolsonaro falando, logo depois de terminada a votação, que agora é hora de juntar as lideranças partidárias para conseguir aperfeiçoar a segurança da urna eletrônica, o que, por si só, impede o encerramento da discussão como ele havia anunciado.

Lira anda na corda bamba para tentar manter o apoio de Bolsonaro e se distancia do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, potencial candidato à Presidência da República e, por isso, mais firme na defesa da democracia e do voto eletrônico. Depois do desfile militar em frente ao Congresso e ao Supremo, a questão do voto eletrônico deixou de ser uma questão técnica para transformar-se em política. Não é razoável, portanto, que deputados “oposicionistas” tenham votado com o governo.

No caso do PSDB, há um adendo importante: a maioria que votou a favor do governo também deu um recado ao governador de São Paulo, João Doria, de quem o deputado Aécio Neves, único tucano que se absteve, é o adversário principal. Também Gilberto Kassab, o presidente do PSD que se tornou opositor ferrenho de Bolsonaro, sofreu uma derrota, pois a maioria de sua bancada votou pelo voto impresso.

A nova tentativa dos bolsonaristas é aumentar o número de urnas eletrônicas auditáveis, o que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já admitiu ser possível. A sugestão é que firmas de auditoria independentes, como Price ou KPMG, acompanhem a votação. Lembram a vitória de Dilma sobre Aécio em 2014, ganhando com pouco mais de 3% dos votos, como indicação de que tenha havido fraude, embora nunca comprovada.

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, emitiu um parecer ontem atestando a confiabilidade das urnas eletrônicas, auditadas por peritos do TCU. Em seu voto, mandou recados claros: “Os ataques à democracia podem ser barulhentos. Ao desfilar, podem parecer vistosos, mas não passam de fumaça: pode ser escura e amedrontadora, mas se dissipa na atmosfera cristalina dos ares democráticos. Blindado é o nosso regime de liberdades, blindados são os nossos valores democráticos, blindado é o nosso plexo de garantias fundamentais, blindado deve ser o nosso compromisso irrenunciável com a Constituição que juramos respeitar, cumprir e fazer cumprir”.

Outro recado, desta vez do Senado, foi a derrubada da Lei de Segurança Nacional (LSN), coincidentemente no mesmo dia em que houve a “patacoada” no Palácio do Planalto. A aprovação da nova legislação de defesa do Estado de Direito é simbólica. Basta ver que a LSN dizia o que não podia ser feito, mas todos os pontos proibidos foram expressamente aprovados pela nova legislação, como manifestações de oposição, passeatas, críticas ao governo e imprensa livre.

Agora ela vai à sanção do presidente Bolsonaro, que é até capaz de vetar. Mas, se o fizer, cria um problema sério com o Senado e, assim, vai minando a possibilidade de apoio. Na Câmara, Arthur Lira está sendo colocado em xeque pelo próprio presidente, que não respeita a decisão contra o voto impresso, como prometera, e continua dizendo que a eleição presidencial do ano que vem não será confiável.

O Globo

O limite da obediência

 



Militares acham que uma ordem tresloucada de Bolsonaro passou a ser uma probabilidade

Por William Waack (foto)

Depois do espetáculo deprimente do “desfile” militar de terça-feira ganhou corpo nos altos escalões das Forças Armadas a discussão sobre os limites de obediência ao Napoleão que transformou o Planalto num hospício. Alguns oficiais participantes desse debate (em reuniões formais e, principalmente, por grupos fechados em redes sociais) lembram o princípio consolidado na “Führungsakademie” do Exército alemão, que equivale à Escola de Comando e Estadomaior do Exército brasileiro.

É o da “Innere Führung” – traduzido livremente como “conduta moral” – desenvolvido como premissa do rearmamento da então Alemanha

Ocidental nos anos 50 e da educação de todos seus líderes militares. Esse princípio estabelece que o militar é tão somente um “cidadão em uniforme”, e que deve se orientar por valores éticos e morais pertinentes a um estado democrático e de direito, e não pela obediência cega a ordens superiores (que não deixa de ser elemento essencial no funcionamento operacional de forças armadas).

Admite-se nesses círculos que o “desfile” foi uma desmoralização para as Forças Armadas e que Bolsonaro é “inassessorável” – eufemismo para “incontrolável”. Na cabeça desses oficiais superiores uma ordem tresloucada dele deixou de ser uma possibilidade e passou a ser uma probabilidade.

Com tendência crescente à medida que o isolamento político e as consequentes derrotas do presidente se acumulam e a crença mística que Bolsonaro possui de si mesmo o faz pensar que está ganhando força quando o que ocorre no mundo real da política é o contrário.

No melhor dos cenários sobre os quais se conversa amplamente nos círculos de militares superiores da ativa Bolsonaro desiste das eleições e, consequentemente, a candidatura Lula se desidrata, mas essa possibilidade é tida como utópica. Na pior simulação, segundo um participante desse debate, ele vai desrespeitar alguma ordem do STF, convocará seus seguidores para algum tipo de “resistência” nas ruas, haverá conflitos, correrá sangue e então as Forças Armadas serão chamadas para algum tipo da detestada (pelos militares) operação de Garantia da Lei e da Ordem.

Nessas mesmas conversas é reiterado que qualquer tipo de afastamento de Bolsonaro da Presidência teria de ser exclusivamente pelas vias legais – ou seja, assim como se refuta a possibilidade de golpe, recusa-se a ideia de um “ultimato” de oficiais superiores descontentes (e o número é crescente) ao presidente e seu comportamento desequilibrado. Ocorre que as vias legais parecem hoje pouco factíveis, como a do impeachment. Ou de longa duração e legitimidade contestável do ponto de vista político, que é o caminho da inelegibilidade via TSE.

Resta enfrentar a desmoralização das instituições incessantemente perseguida por Bolsonaro num ambiente político polarizado, deteriorado e próximo do que os militares chamam de “bomba social”, que é o desemprego, a miséria e a inflação intoleráveis para os mais pobres. Sem que se identifique neste governo qualquer projeto ou plano de ação para realmente fazer o País crescer além de dar dinheiro para ganhar eleições, fuzila um importante oficial superior.

Os raciocínios de militares de altas patentes espelham milimetricamente o que passaram a manifestar figuras expressivas de segmentos do mundo empresarial e financeiro, para os quais Bolsonaro não é apenas ruim para os negócios. Tornou-se a expressão de olhos revirados e vociferante do Brasil tosco, bruto, retrógrado – um motivo de constrangimento e vergonha internacional, e um acinte aos princípios e valores de uma sociedade aberta e próspera. E que se empenha em bloquear, em vez de facilitar, qualquer caminho de conciliação política, debate racional e empenho em tratar dos temas realmente relevantes.

Porém, da mesma maneira que as divididas elites econômicas e políticas, também as elites militares estão divididas e sem um claro curso de ação. Sofrem, como as outras, de falta de lideranças.

O Estado de São Paulo

Alexandre de Moraes afasta delegado da PF do inquérito sobre invasão no TSE e manda instaurar inquérito disciplinar contra o policial

Blog da Noelia Brito

Posted: 12 Aug 2021 02:35 PM PDT

Foto: Reprodução 


Ministro ainda encaminhou “requisição ao Diretor-Geral da Polícia Federal de instauração de procedimento disciplinar para apurar os fatos (divulgação de segredo); que, igualmente, deverá providenciar a substituição da autoridade policial”. Além disso, Moraes tornou o presidente da República investigado no STF, agora por vazamento de informações sigilosas

Além de abrir investigação contra Jair Bolsonaro e o deputado Felipe Barros por vazamento do inquérito sigiloso que apura na Polícia Federal o ataque hacker sofrido pela Justiça Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou nesta quinta o afastamento do delegado da Victor Neves Feitosa Campo da presidência do Inquérito nº 1361/2018-4/DF.

O ministro ainda encaminhou “requisição ao Diretor-Geral da Polícia Federal de instauração de procedimento disciplinar para apurar os fatos (divulgação de segredo); que, igualmente, deverá providenciar a substituição da autoridade policial”, como diz a decisão.

O magistrado ainda determinou a oitiva de dois dos envolvidos na divulgação dos dados sigilosos, o próprio delegado e o deputado Barros.

A informação é da Coluna Radar, da Veja.

Bolsonaro vazou dados sigilosos para ‘expandir narrativa fraudulenta’, diz Alexandre de Moraes


Blog da Noelia Brito

Posted: 12 Aug 2021 02:45 PM PDT


Foto: Reprodução 

Ministro do STF abriu nova investigação contra Bolsonaro nesta quinta por vazamento de dados sigilosos da PF, diz o Radar, da Veja


Na decisão em que abriu nova investigação contra Jair Bolsonaro no STF, o ministro Alexandre de Moraes afirma que o presidente da República vazou deliberadamente dados de uma investigação sigilosa da Polícia Federal com o objetivo de “expandir a narrativa fraudulenta” contra o sistema eleitoral para “tumultuar, dificultar e frustrar” o processo eleitoral de 2022.

“A divulgação de dados de inquérito sigiloso da Polícia Federal pelo Presidente da República, através de perfis verificados nas redes sociais, teria o objetivo de expandir a narrativa fraudulenta que se estabelece contra o processo eleitoral brasileiro, com objetivo de tumultuá-lo, dificultá-lo, frustrá-lo ou impedi-lo, atribuindo-lhe, sem quaisquer provas ou indícios, caráter duvidoso acerca de sua lisura, revela-se imprescindível a adoção de medidas que elucidem os fatos investigados, especialmente no que diz respeito à divulgação de inquérito sigiloso, que contribui para a disseminação das notícias fraudulentas sobre as condutas dos Ministros do STF e do TSE e contra o sistema de votação no Brasil”, diz Moraes.

Irajuba: Professores voltam a protestar contra redução de salários

por Francis Juliano

Irajuba: Professores voltam a protestar contra redução de salários
Foto: Reprodução / Blog do Marcos Frahm

Professores da rede municipal de Irajuba, no Vale do Jiquiriçá, voltaram a protestar nesta quinta-feira (12) contra a redução salarial. Pelo quinto dia seguido, os docentes se manifestaram, com concentração em frente à sede da Câmara de Vereadores do município.

 

Segundo o Blog do Marcos Frahm, o sindicato da categoria [APLB] relata que a prefeitura reduziu “drasticamente” os salários dos trabalhadores da educação. No dia 22 de junho, o prefeito Antonio Sampaio (PP) reduziu a carga horária da categoria em 10 horas semanais. Os valores que teriam sido perdidos não foram informados.

 

Segundo a medida, o município havia tido perdas com repasses do Fundeb [fundo para educação básica]. Ainda segundo a prefeitura, um relatório da secretaria de educação da cidade apontou que a redução do Fundeb ocorreu devido à redução do número de alunos.

 

A gestão diz que a rede municipal tinha mais de dois mil estudantes em 2009 e passou a ter pouco mais de um mil em 2020, o que ocasionou fechamento de seis escolas, cinco delas na zona rural.


Bahia Notícias

STF determina prisão de ex-deputado Roberto Jefferson por ataques à democracia

STF determina prisão de ex-deputado Roberto Jefferson por ataques à democracia
Foto: Divulgação / PTB Nacional

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson. A decisão também determina o cumprimento de busca e apreensão contra ele por suposta participação em organização criminosa digital, montada para ataques à democracia.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, e segundo publicação, o pedido partiu da Polícia Federal, que apontou atuação de Jefferson em uma "milícia digital" que tem feito ataques ao Supremo e às instituições.

 

Ainda de acordo com as informações, a Polícia Federal cumpre mandados na manhã desta sexta-feira (13), mas Roberto Jefferson ainda não foi localizado no endereço da investigação.

Bahia Notícias

Hamilton Mourão diverge de Bolsonaro: “Voto impresso é assunto encerrado”


Posição de Mourão se choca frontalmente com a de Bolsonaro

Pedro do Coutto

Em declarações contidas na reportagem de Dimitrius Dantas e Daniel Gullino, O Globo desta quinta-feira, o general Hamilton Mourão considerou a rejeição do voto impresso como um assunto encerrado. A Câmara tomou uma decisão soberana a respeito do tema e assim o assunto teve o seu desfecho.

A posição do vice-presidente da República diverge frontalmente do ângulo em que se coloca o presidente Jair Bolsonaro, que na mesma edição de O Globo voltou a afirmar que o que a Câmara decidiu questiona a lisura do pleito. No caso, digo, não do pleito passado, mas daquele que ainda ocorrerá nas urnas em outubro de 2022.

DIVERGÊNCIA – O vice-presidente destacou que a Justiça Eleitoral vai agir, dentro do processo de votação em vigor, para proporcionar mais publicidade e transparência à computação dos votos. Em contraste, o presidente Bolsonaro voltou a dizer que o resultado registrado na Câmara foi obtido com ameaças e pressões indevidas. Portanto, mais esse episódio deixa clara a divergência existente entre Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão, e que, como é lógico, se reflete e procede de uma diferença política ainda maior que veio se registrando entre ambos desde a posse do atual governo em janeiro de 2019.

Uma divergência que incluiu também a falta de combate ao desmatamento na Amazônia e das queimadas no Pantanal, fatos em relação aos quais o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles não tomou qualquer providência. Pelo contrário, procurou sempre dar apoio aos responsáveis pela derrubada ilegal das florestas verdes das regiões.

FRAGILIDADE – O afastamento entre o presidente e o vice, no meu ponto de vista, vai se acentuar sobretudo a partir do momento em que concretamente entrar em pauta a substituição de Bolsonaro por Hamilton Mourão. O presidente, extremamente enfraquecido, tornou-se tanto responsável pela sanção da sua candidatura nas urnas de 2018, quanto por sua queda no poder político, processo que ganhou velocidade e se destacou a partir da última semana.

Política é assim, as situações mudam em espaços curtos de tempo. Dizer que o vice-presidente não é o mesmo daquele que compôs a chapa vitoriosa significa ignorar que o presidente da República não é o mesmo daquela  figura democrática e ética com que se apresentou ao eleitorado brasileiro.

CUSTO DE VIDA – A reportagem da TV Globo levada ao ar no Jornal Nacional de quarta-feira, deixou claro e destacou o aspecto dramático do aumento do custo de vida diante da explosão dos preços das cestas básicas dos supermercados e do bloqueio do direito popular legítimo de alimentação das famílias. O ministro Paulo Guedes não tem nenhuma solução para o gravíssimo problema.

Por outro lado, são inevitáveis as consequências da queda de popularidade de um governo que, em parte por reflexo das ideias de Paulo Guedes, encontra-se cada vez mais próximo de seu final. Tanto o setor de alimentos é capaz de produzir núcleos muito altos para quem abastece o mercado que as Lojas Americanas compraram o Hortifruti por R$ 2,1 bilhões, conforme revela  a reportagem de Bruno Rosa e Glauce Cavalcanti, O Globo de ontem, quinta-feira.

Além disso, o preço da gasolina, também nesta semana, subiu novamente na escala de 3,3%. O que o IBGE e a Fundação Getúlio Vargas podem dizer a Paulo Guedes e, sobretudo, o que podem dizer da atuação do mesmo ministro ?


Lula tenta se aproximar dos militares através de Nelson Jobim, mas o ambiente lhe é hostil


Charge de Schrödinger (Arquivo Google)

Malu Gaspar
O Globo

Depois de semanas de calculada discrição a respeito da escalada dos militares sobre as instituições democráticas, Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou na última terça-feira nas redes sociais sobre o desfile de blindados na Esplanada dos Ministérios. “Isso que aconteceu hoje foi uma coisa patética. Se o Bolsonaro queria uma foto com militar era só ter visitado um quartel”, escreveu.

A frase, porém, era só parte de uma sequência de tuítes em que Lula dedicava mais tempo a se explicar que a debater o simbolismo de tanques e fardados na Praça dos Três Poderes, no dia da decisão da Câmara sobre o voto impresso.

BRIGA DESNECESSÁRIA – “Eu não fico entrando toda hora em briga desnecessária porque isso só interessa ao Bolsonaro. Ele cria confusão pra ocupar espaço na mídia. É o jeito dele governar. O que eu quero discutir são os milhões de desempregados nesse país, o povo que tá sofrendo, passando fome”, escreveu.

As postagens foram uma resposta às pressões que o petista vem sofrendo, na esquerda e fora dela, para se posicionar. Lula se calou quando veio à tona que o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, enviou recados ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sugerindo que, se não fosse aprovado o voto impresso, não haveria eleições. E tem feito econômicos comentários sobre os militares e as Forças Armadas, nas poucas entrevistas que dá, a veículos selecionados.

PRESSÕES NATURAIS -As pressões são mais do que naturais, uma vez que o ex-presidente é hoje o político que mais tem chances de derrotar Bolsonaro em 2022.

Acontece que Lula está diante de um xadrez delicado. Se, de um lado, precisa mostrar a suas bases combatividade contra Bolsonaro, de outro tenta há semanas abrir canais de interlocução com oficiais da reserva, por meio de emissários como o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. Mas essas incursões vêm sendo mal sucedidas.

Os militares não querem saber de Lula. Não são poucos os que dizem que hoje, nas Forças Armadas, a rejeição ao petista é muito mais forte que a aprovação a Bolsonaro. Dos bolsonaristas mais radicais, se ouve até que, se ele ganhar a eleição, não assume.

NÃO FALTAM RAZÕES – A lista de razões para o rechaço é extensa. Começa nos escândalos de corrupção do governo petista, passa pela condução da Comissão da Verdade do governo Dilma, que apurou os crimes da ditadura, e vai até o último Congresso do PT, que aprovou uma resolução lamentando ter deixado de “modificar os currículos das academias militares” e de “promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista”. Inclui, ainda, o apoio do PT às ditaduras da Venezuela e de Cuba, questões sérias para os militares brasileiros.

Daí a ideia, que circulou entre aliados de Lula, de ele divulgar uma “carta aos militares”. Na sequência de tuítes, ele negou. “Se tivesse carta seria para o povo brasileiro e dentro disso estão os militares. Se militar quiser fazer política ele renuncia o cargo, tira a farda e se candidata.”

Mas ele sabe que não é bem assim. Os fardados estão entranhados no governo, e as polícias militares são um forte nicho bolsonarista. Por mais canhestro que tenha sido o espetáculo do fumacê na Esplanada, Bolsonaro tem bem mais do que um cabo e um soldado apoiando seus arroubos golpistas.

Enquanto se discutem bobagens, Guedes engorda o caixa para tentar a reeleição de Bolsonaro

Publicado em 13 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (domtotal.com)

Roberto Nascimento

Mailson da Nóbrega, Celso Ming e mais nove entre cada dez economistas acham que o ministro Paulo Guedes perdeu o controle da Economia e que só está preocupado com a campanha de reeleição de Bolsonaro.

Realmente, Guedes está perdido no comando do Ministério. Diante do fortalecimento do Centrão, vem agora com mais essa proposta de calote dos precatórios, que ele mentirosamente nega, com a maior cara de pau. Nesse modo de ver, o confisco da Poupança, executada por Zélia Cardoso de Mello, não passou de mero empréstimo circunstancial.

MAIS QUATRO ANOS – Ora, o que Guedes verdadeiramente quer é acumular recursos do Tesouro em 2022 para turbinar o Bolsa Família 2.0, um míssel de dinheiro para o povão votar em Bolsonaro e garantir os empregos deles por mais quatro anos.

Por essa razão, que envolve sua sobrevivência e de Bolsonaro, Guedes fala em vender todas as estatais e repassar os dividendos para a massa que vota. Ele já tentou o imposto do cheque, o imposto das transações da Internet (pix e bitcoin) e vai continuar tentando.

E Arthur Lira, presidente da Câmara, apesar de disfarçar, está absolutamente fechado com Bolsonaro e Guedes. Certos políticos, quando dizem não, querem dizer sim.

ESTILO TRUMP – Enquanto perdem tempo com essa discussão do voto impresso, destinado a tumultuar a eleição de 2022, prepara-se o terreno desde agora, para conseguir o que Donad Trump tentou fazer para impedir a posse de Biden.

Paulo Guedes, ex-economista liberal, mostra que se entregou ao populismo barato, em busca da reeleição do seu chefe, entregando duas PEC ( Proposta de Emenda Constitucional) : Novo Bolsa Família 2.0, programa que Guedes sempre criticou e Bolsonaro também, mas que entendem agora ser importante para angariar votos em 2022 e a PEC do Imposto de Renda, um balaio de gatos, que vai gerar contenciosos judiciais, por causa do texto mal formulado.

Ah, ministro Paulo Guedes, como você mudou, dos tempos da Escola de Chicago para o camaleão econômico de hoje… Será, que o exercício do Poder e tão bom assim, para mudar tanto sua personalidade? Acho que sim, ninguém está aí para rasgar dinheiro por convicções.


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