segunda-feira, junho 21, 2021

CPI da Covid já registrou 38 potenciais falsos testemunhos e o general Pazuello lidera lista

Publicado em 21 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Como era esperado, Pazuello é recordista em mentiras

Natália Portinari
O Globo

A CPI da Covid mapeou, no último mês, pelo menos 38 declarações contraditórias ou falsas de depoentes, a maioria do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O levantamento é feito durante cada sessão pela equipe do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e deve ser encaminhado ao Ministério Público e incluído no relatório final, segundo integrantes da comissão.

As contradições e mentiras de Pazuello e de outros integrantes do governo apontadas pela CPI reforçam, entre integrantes da comissão, a avaliação de que as autoridades foram treinadas e orientadas para tentar blindar o presidente Jair Bolsonaro em seus depoimentos. Tanto Pazuello quanto Queiroga alegaram ter autonomia para tomar decisões.

NEGAM O QUE ESTÁ GRAVADO – O mapeamento começou a ser feito após o depoimento de Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social do governo federal. Ele negou declaração que havia dado em entrevista à revista “Veja” de que teria havido “incompetência” de Pazuello. A CPI chegou a discutir sua prisão em flagrante pelo crime de falso testemunho, ideia descartada pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

Depois, a CPI pediu que o Ministério Público Federal (MPF) avaliasse se houve falso testemunho. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, defende que o mesmo seja feito com depoimentos do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e de Pazuello.

— Constatou que foi mentira, tem que encaminhar para o Ministério Público. A rigor, era para o cara ser preso na hora. Estamos fazendo uma concessão encaminhando para o Ministério Público agir depois — diz Randolfe.

MENTINDO PARA VALER – Pazuello, segundo o levantamento do relator, teria mentido em 15 ocasiões. Disse que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria feito ressalvas em relação à vacina da Pfizer, por exemplo, o que foi desmentido pela Corte. Sustentou que o Ministério da Saúde não teve relação com a produção de cloroquina pelo Exército, droga ineficaz no combate à Covid-19, contradizendo documentos da própria pasta.

Pazuello negou também ter sido pressionado por Bolsonaro a voltar atrás nas negociações com o Butantan, entrando em contradição com o que foi dito à própria CPI pelo presidente do instituto, Dimas Covas. Em meio às negociações, Bolsonaro disse em uma rede social que a vacina Coronavac não seria comprada. O ex-ministro alegou que a resistência do presidente não atrapalhou a negociação para a compra do imunizante.

QUEIROGA, TAMBÉM – Já as declarações de Queiroga foram classificadas como contradição quatro vezes pela equipe de Renan. Disse não ter nomeado a médica infectologista Luana Araújo “por vontade própria”.

A médica, por outro lado, afirmou que o ministro a avisou que seu nome teria sido vetado pela Casa Civil. Também foi apontada uma falsidade na sua declaração de que a realização da Copa América no Brasil não apresentaria riscos sanitários ao país.

O levantamento é parcial e não inclui contradições de Wajngarten e de depoentes ouvidos antes dele, como os ex-ministros da Saúde Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta.

INCLUIR NO RELATÓRIO – O relator Calheiros deve incluir as contradições e mentiras no relatório da CPI. O documento é remetido ao Ministério Público para apurar a responsabilidade civil e criminal sobre a investigação da comissão. Ainda não há definição sobre quais depoentes serão incluídos no rol de suspeita de falso testemunho.

A punição prevista para o crime de falso testemunho é reclusão de dois a quatro anos e multa. Senadores avaliam que a responsabilidade criminal das autoridades por mentiras em depoimentos é importante para preservar a autoridade das comissões parlamentares de inquérito.


Reforma da Lei de Improbidade se tornou um retrocesso absurda, que desmoraliza o Congresso


Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Jorge Béja

Tramita a passos largos a chamada Nova Lei de Improbidade Administrativa. O texto, que ainda precisa passar pelo Senado e depois ir à sanção presidencial antes de entrar em vigor, define que gestores públicos (agentes, funcionários ou quem na função pública estiver investido, ainda que temporariamente, ou até mesmo “ad hoc”), só podem ser condenados, isto é, responsabilizados (porque ninguém é condenado ser ter sido antes responsabilizado) por improbidade em caso de dolo. A nova lei excluiu a culpa.

Há muitas outras alterações à lei vigente, tais como 1) limite de prazo para ressarcimento aos cofres públicos; 2) competência exclusiva do Ministério Público (MP) para propor ação; 3) prazo máximo de 180 dias para o MP investigar; 4) fim do tempo mínimo de punição com perda de direitos políticos, que pela lei atual é de 8 anos…E outras mais alterações, todas de abrandamento, e que certamente não vão desestimular a desonestidade, a probidade do agente público, em todos os sentidos. O efeito será inverso.

INCONSTITUCIONAL – Acontece que a lei é flagrantemente inconstitucional. Ela bate de frente com a Constituição Federal. E nem será preciso uma petição de muitas páginas, de robusta fundamentação, dirigida ao Supremo Tribunal Federal, com pedido de declaração de inconstitucionalidade da lei.

Basta, no máximo, escrever cinco ou seis páginas para que uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) derrube a principal alteração que esta nova lei introduz na ordem jurídica nacional, que é a questão da responsabilização do agente público apenas no caso de dolo.

A nova lei exige que o agente tenha tido a vontade, a intenção pré-concebida, o desejo, de causar o dano. Caso contrário, o agente não será responsabilizado.

DIZ A CONSTITUIÇÃO – Mas se assim é, se assim querem a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o presidente da República, e se assim eles entendem que a Administração Pública se tornará mais protegida, mais respeitada para a felicidade geral da Nação, então, é preciso, primeiro, enviar um projeto de emenda à Constituição Federal (CF), a chamada PEC, para que a CF seja modificada.

Isto porque o parágrafo 6º, do artigo 37 da Constituição, ao estabelecer a Responsabilização Objetiva da Administração Pública, clara e expressamente dispõe que seus agentes sejam responsabilizados por danos causados no exercício da função, no caso de dolo ou culpa.

Vamos ao citado artigo: “As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável no caso de dolo ou culpa”.

DANO REPARADO – Nada mais claro. Terceiro (qualquer pessoa) que tenha sofrido dano causado por agente público no exercício da função deve ter o dano reparado, independentemente da apuração da culpa. É a chamada Responsabilidade Civil Objetiva, que dispensa discussão em torno da culpa.

E quanto ao agente que causou o dano, este responde no caso de dolo ou de culpa. Deve o agente indenizar o ente público pelo dano que causou. Ser punido, portanto. E a punibilidade é tanto cível e administrativa, quanto penal.

Esta nova lei que tramita com rapidez para começar a viger, além da inconstitucionalidade aqui apontada, representa um retrocesso de cem anos para o Direito Brasileiro, que um século atrás isentava o poder público e seus agentes de qualquer responsabilização em caso de dano causado a terceiros e ao próprio erário nacional.

RETROCESSO TOTAL – Prevalecia a mais absoluta e completa irresponsabilização. Foi quando começaram a surgir teses, teorias, fases, doutrinas, jurisprudências, todas contrárias à impunidade. A história é longa.

E quando o Direito Brasileiro chega perto da perfeição, herdada do Direito Francês e do Direito Português, aparece o retrocesso em pleno Século XXI!!, não é mesmo, doutor José Carlos Werneck, erudito e fidalgo advogado brasileiro?

Ainda bem que temos uma Suprema Corte que impedirá que tamanha aberração seja incorporada à ordem jurídica nacional.

Sonho americano! Megacracolândia ocupa há décadas 54 quarteirões de Los Angeles

Publicado em 21 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Barracas de moradores de rua em Skid Row, Los Angeles

Pelo menos 4 mil drogados ocupam essa área de “Skid Row”

Ricardo Senra
BBC News Brasil

“O crack bota você para cima. A heroína derruba. São drogas diferentes, bem diferentes”, diz Tonya, enquanto acende o penúltimo Winston Red da carteira na ponta luminosa do cigarro anterior.

Desde os 16 anos, ela alterna momentos de intensidade e apatia pelas ruas da Skid Row, uma área de 54 quarteirões no centro de Los Angeles, a poucos passos dos cinemas e teatros do equivalente local da Broadway e dos arranha-céus de vidro do centro financeiro da cidade californiana.

UM RELATO – “Minha irmã me trouxe para cá, essa era a área dela. Ela era um ano mais velha que eu e me deu a primeira droga. Era heroína”, diz a descendente de mexicanos, hoje com 50 anos, enquanto ajeita uma manta empoeirada na cadeira de rodas que usa desde 2014, quando perdeu a perna direita por uma infecção vinda de uma agulha contaminada.

Pelo menos 4 mil pessoas dividem as ruas da Skid Row com Tonya – e a metade delas, estimam ONGs da região, usa drogas pesadas todos os dias.

A menos de meia hora de carro das mansões de Hollywood e da Calçada da Fama, a Skid Row reúne a maior concentração de pessoas em situação de rua dos Estados Unidos (a cracolândia de São Paulo, para efeito de comparação, tem em média 1.860 usuários, segundo um levantamento do governo do Estado publicado em 2017).

A VOLTA DA HEROINA – Depois de anos de predominância do crack, a heroína se tornou a droga mais popular da região, conta Santiago, que aplicou uma seringa com heroína pela primeira vez aos 13 anos. Há dez, ele dorme em uma das centenas de barracas que se aglomeram em frente a muros de transportadoras e grandes depósitos na região.

“Eu fui abusado quando criança. Eu fui para as drogas para diminuir a dor. Agora sou um viciado e preciso disso.”

Ele mostra uma seringa para a reportagem e fala sobre sua rotina. “Tem a picada do café da manhã, uma picada no almoço, uma no jantar e um picada à meia noite. Isso me faz funcionar.”

‘ÍMÃ’ DOS VULNERÁVEIS – No início do século 20, a Skid Row já era conhecida por reunir trabalhadores sem emprego fixo, alcoólatras e desempregados em uma das franjas do centro da cidade. O termo (caminho de derrapagem) surgiu no século 17, associado às áreas onde trabalhadores temporários organizavam o escoamento de troncos para a produção de madeira e celulose.

Desde então, áreas urbanas degradadas, em cujas ruas se reúnem pessoas em situação precária, ficaram conhecidas nos EUA como “skid rows” – a mais famosa dos Estados Unidos é a de Los Angeles, mas há outras grandes skid rows no país, como a de Chicago.

No fim dos anos 1980, o termo ficou conhecido internacionalmente por dar nome à banda de hair metal liderada por Sebastian Bach.

HÁ 40 ANOS – Em Los Angeles, apesar do crescimento acelerado nos últimos anos, acompanhando a epidemia de opióides (analgésicos altamente viciantes e derivados do ópio, incluindo heroína) que se espalha pelos EUA, a Skid Row ganhou seu principal impulso há quatro décadas.

Em 1976, o Conselho Municipal de Los Angeles lançou um plano urbanístico que mais tarde ficou conhecido como “política de contenção”. A estratégia da prefeitura consistia em concentrar em um único lugar da cidade toda a oferta de abrigos, refeições populares, ONGs de reabilitação e serviços para a população desempregada, sem moradia e com problemas de saúde mental. Depois do predominância do crack, usuários de drogas de Skid Row passaram a usar principalmente heroína

A área da Skid Row passaria a funcionar como um ímã para a população de rua da cidade, que encontraria serviços básicos apenas ali – deixando as outras áreas da cidade para a população de classe média e rica.

CICLO VICIOSO – O resultado, dizem especialistas, foi um perverso ciclo vicioso: com a população mais vulnerável nas ruas, albergues e pequenos hotéis da região, a oferta de drogas cresceu muito mais rápido do que a de empregos ou serviços de saúde.

Assim, o consumo de substâncias pesadas e a população da área explodiram – sobrecarregando as ONGs e órgãos públicos que se instalaram na região com a premissa de contê-lo.

“Ninguém nunca sonhou em ser sem-teto, esse não é o sonho de ninguém. As pessoas que estão vivendo nas ruas somos nós. Não são nós e eles. Só há nós. Eles são você e eu – divididos por alguma circunstância”, diz Georgia Berkovich, diretora da Midnight Mission, misto de abrigo e clínica de recuperação que existe há mais de 100 anos.

ELEGÂNCIA E EFICIÊNCIA – Quem vê de tailleur vermelho, maquiagem pesada e cabelos escovados caminhando apressada de uma reunião para outra em um dos casarões da região pode questionar seu conhecimento de causa.

A própria Georgia Berkovich explica. “Eu era uma criança solitária, criada por uma mãe solteira. Então, comecei a beber muito jovem. A ficar bem louca”, diz, enquanto olha, do terraço da ONG, um grupo vendendo isqueiros e cachimbos para crack em uma esquina próxima.

“O que aconteceu comigo também acontece com muita gente, mas, como sou alcoólatra, isso me trouxe, aos 24 anos, para o crack.” Em 2018, ela completou 25 anos sóbria. “O que é algo grande, pelo menos para uma garota como eu”, ela diz.

ERRO DO GOVERNO – Para Georgia Berkovich, o poder público erra ao se concentrar em remediar a falta de casas e o abuso de substâncias proibidas.

“Estamos tentando parar o sangramento, em vez lidar com o que causa a falta de moradia, que é nosso sistema de adoções, os sistemas prisional, educacional, de moradia, de doenças mentais, de abusos de drogas e álcool. Todas essas coisas estão alimentando a falta de moradias e precisam ser corrigidas.”

Entre os principais desafios para os abrigos e programas sociais locais estão a “tentação” durante a processo de reabilitação, seja pela oferta e ou pela convivência com drogas pesadas, e a escolha, por alguns, de simplesmente continuar consumindo as substâncias nas ruas da área.

REABILITAÇÃO – Para ter acesso à maioria dos programas de moradia ou desintoxicação da região, os pacientes precisam se comprometer a abandonar completamente a droga antes de iniciar o tratamento – o que afasta muitos potenciais candidatos ou gera desistências e pacientes reincidentes.

Algumas instituições, como a Homeless Health Care Los Angeles, financiada por dinheiro público e de doadores, recorrem a técnicas menos radicais, como a conhecida como “redução de danos”.

Desde 1985, a ONG já reverteu mais de 400 overdoses com a aplicação de remédios, e distribuiu milhares de seringas, agulhas, kits de esterilização e piteiras para cachimbos, enquanto mantém serviços de desintoxicação, testes de doenças transmissíveis por sangue ou via sexual e encaminhamento para programas de moradia da prefeitura.

AGULHAS SUJAS – “Não queremos que el es usem agulhas sujas ou as dividam com seus amigos, porque elas podem espalhar HIV, hepatite C e outras doenças”, explica um funcionário, enquanto prepara um kit para uma jovem de menos de 20 anos com o pescoço, os braços e as pernas cobertos de cicatrizes.

Ele ressalta que a ideia não é manter as pessoas no vício, mas ajudá-los a reduzir sua exposição a doenças e overdoses enquanto eles se preparam para o processo de desintoxicação.

“Nosso serviço não depende da abstinência de drogas. Nós não tentamos subestimar os riscos potenciais delas. Ao contrário, queremos tentar reduzir as consequências negativas que surgem durante o uso de drogas injetáveis para que as metas de reabilitação sejam realistas e alcançáveis.”

(reportagem enviada por Mário Assis Causanilhas)


Vídeo reproduzido sem cortes nem censura - Esta cidade não tem fiscalização, está avacalhada sem comando, vale tudo.

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Além dos buracos e do lamaçal,  desordem no centro da cidade, as carretas interrompe o tráfego e fica por isso mesmo, não aparece ninguém para tomar uma providência.
Hoje, segunda-feira, 10:00 horas, carreta tranca rua e fica por isso mesmo, em Jeremoabo vale tudo, salve-se quem puder.



Inverno começa com previsão de chuvas prolongadas até setembro

em 21 jun, 2021 9:25 .


Inverno começa com previsão de chuvas prolongadas até setembro (Foto: Sedurbs)

O inverno começou oficialmente às 00h32 desta segunda-feira, 21, prometendo chuvas prolongadas até o mês de setembro. De acordo com o meteorologista da Superintendência Especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente (Serhma), Overland Amaral, a estação já inicia com uma frente fria entre os dias 21 e 22, que se prolongará no decorrer da semana e ao longo dos meses.

“O nível das chuvas pode ficar  acima da média, especialmente, nas regiões mais próximas ao Litoral e ao Agreste Central, onde essa oferta de chuva sempre é maior que nos outros territórios e, também, em locais mais elevados no Território do Alto Sertão Sergipano, onde existe uma maior condensação”, explica Overland.

Ainda segundo o meteorologista, por conta da queda na temperatura durante a estação algumas particularidades não tão comuns no estado ocorrerão com uma frequência acentuada. “Os ventos serão mais intensos, com rajadas de até 40 km/h, especialmente no litoral.  As temperaturas estarão mais baixas em toda a estação, principalmente nos Territórios Agreste Central, Alto Sertão e Centro Sul Sergipano”, avalia.

Overland diz ainda que por conta dos dias em que ocorrerá uma maior perda de calor da terra haverá formação de nevoeiros em vários territórios, sendo que a presença desse fator climático contribuirá com uma maior incidência do orvalho favorecendo, assim, a cultura agrícola.

por Joao Paulo Schneider
Com informações da Sedurbs 

infonet

Irmãos perdem o pai, a mãe e o avô para a Covid: "saudade de abraço"

 

No caso da Covid, a morte vem como num acidente repentino

Irmãos perdem o pai, a mãe e o avô para a Covid: "saudade de abraço"
Notícias ao Minuto Brasil

21/06/21 06:22 ‧ HÁ 3 HORAS POR FOLHAPRESS

BRASIL CORONAVÍRUS-FAMÍLIAS



RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ryan Lucatto se arrumava para ir ao enterro do avô, morto pela Covid-19 no dia anterior, quando o telefone tocou. Era uma funcionária do hospital pedindo que algum parente fosse urgentemente ver sua mãe, intubada na UTI. Entrou em pânico.

Onze dias antes já havia se despedido do pai, também acometido pelo vírus. Em menos de duas semanas, o estudante de 20 anos e seu irmão Ruan, de 10, perderam três dos pilares da família para a doença. "Foi surreal. Quando vi, os caixões estavam sendo cobertos por terra", diz.
Aconteceu há três meses, mas só agora ele está conseguindo assimilar a tragédia. Em muitos momentos, teve que atropelar o luto e renunciar à emoção em favor da razão. Hoje eles começam a reconstruir a vida morando com os tios, a avó e uma prima em Jundiaí, interior de SP.

Ryan e Ruan estão entre os milhares de órfãos de uma pandemia que adoece famílias inteiras e já matou meio milhão de pessoas no país. São crianças e jovens que tentam superar a dor enquanto lidam com novos arranjos familiares e questões de sobrevivência.

Muitas vezes, porém, a única coisa que queriam era um abraço. "É minha maior saudade. Um abraço forte do meu pai de que vai ficar tudo bem, e um carinhoso da minha mãe de que se não ficar ela está ali. E o abraço de avô que cuida e dá risada junto", se emociona Ryan.

Existem três caminhos para órfãos como eles: serem apadrinhados por parentes, se organizarem por conta própria, com os irmãos mais velhos cuidando dos mais novos ou, em último caso, irem para abrigos e para adoção. O ideal é que sempre fiquem no seio familiar, para evitar mais traumas e rupturas.

Mais de um ano depois, ainda não há uma estatística oficial de quantos estão nessa situação no Brasil. "Isso poderia ser feito facilmente, por meio das certidões de óbito onde consta se a pessoa deixou filho menor ou dos serviços de verificação de óbito, por exemplo", diz o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Instituto Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Ao menos três projetos de lei discutem auxílios nacionais a esses jovens. Um prevê pensão de R$ 1.100 até os 18 anos, outro cria um fundo financeiro de amparo e o terceiro propõe um cadastro para que tenham prioridade em programas sociais.

O governo federal também estuda um benefício mensal de até R$ 250 aos órfãos da Covid que já fazem parte do Bolsa Família, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Questionado, o Ministério da Cidadania apenas confirmou que discute uma reformulação ampla do programa.

Enquanto a ajuda governamental tarda, projetos sociais tentam suprir demandas tanto emergenciais quanto estruturais dessas crianças. É o caso da campanha Eu Amo Meu Próximo, que distribui cestas básicas a famílias de 175 jovens do Amazonas que perderam mãe, pai ou ambos.

"Nosso objetivo é que eles sobrevivam, já que perderam quem dava o sustento da casa. São famílias muito vulneráveis, que chegam através do Conselho Tutelar ou de hospitais onde os pais faleceram", diz a educadora Glauce Galucio, diretora do instituto responsável (Ipeds).

Outro que tem feito esse papel é o Mães que Acolhem, surgido de um grupo de WhatsApp de três mães que resolveram ajudar Ryan e Ruan em Jundiaí. Três meses depois, dezenas de voluntários de diversas áreas dão apoio multidisciplinar e constante a 53 órfãos de até 21 anos, de oito cidades da região.

"Vamos acompanhá-los por ao menos dois anos", afirma a psicóloga Renata Zezza, uma das fundadoras. "Na tragédia de Brumadinho, onde fui voluntária, todo mundo ajudou nos primeiros seis meses. Depois, ninguém mais lembra que eles existem."

O menino Ruan, que tem um leve grau de autismo, passa por psicóloga, fonoaudióloga, psicopedagoga e neuropedagoga gratuitamente e recebeu uma bolsa na escola. Ryan, que está no último ano de pedagogia, ganhou um curso de inglês, entre outros auxílios. A mãe era diarista, e o pai, motoboy.

Já o pedreiro Gerson, 52, e a cabeleireira Adriana Zafalon, 43, conseguiram alugar uma casa maior com apoio de uma vaquinha do projeto, depois que perderam a filha e tiveram que assumir os três netos junto aos outros dois filhos.

Mayara, de 26 anos, foi ao hospital quando pegou Covid mas, preocupada com as crianças, voltou para casa naquele sábado. Na segunda, teve um pouco de falta de ar e melhorou. Na terça cedo, o pai a encontrou deitada num colchãozinho no chão, já morta.

De repente, se viram com cinco crianças de um a 15 anos num apartamento de dois quartos. "Tentei até montar uma caminha, mas a porta não abria", conta ele. "Os dois mais velhos pararam a vida de criança para pegar bebê no colo, lavar louça, lavar roupa".

Estão vivendo assim por enquanto, tentando conciliar a falta de emprego com os cuidados. Nem sempre dá. "Cada vez que toca no assunto vêm os choros, até falta de ar. Minha filha de nove anos caiu na realidade agora, meu filho de 15 vive em crise, e a de três é a que mais dá trabalho, chamando a mãe. Ela não sabe nem o que é isso."

A psicanalista Maya Balduino, que lida frequentemente com o luto, explica que, até os três anos de idade, a morte é percebida apenas como ausência. Até os cinco, normalmente, começa-se a assimilar o fim da vida. A partir dos seis, vem a compreensão de que ele é inevitável e irreversível. A consciência da finitude vem, em média, depois dos nove. "O ideal é comunicar o falecimento às crianças explicando que a pessoa morreu e não voltará", diz.

No caso da Covid, a morte vem como num acidente repentino. "Cada dia é um processo novo, é muito atordoante. Num segundo você está bem, no outro você se pega pensando se é verdade, em como poderia ser diferente. Vem a vontade de chorar, gritar, espernear. Então eu grito, choro, esperneio. É preciso passar por todas essas fases", aconselha Ryan.
*

COMO AJUDAR OS ÓRFÃOS DA COVID-19
Eu Amo Meu Próximo
O quê: Doação de cestas básicas, fraldas e leite
Onde: Amazonas
Como doar: bit.ly/ipedsparadoar
PIX 41.640.946/0001-08
PagSeguro Internet S.A.
Ag.: 0001, cc: 13055160-9Mães que Acolhem
O quê: Diversos tipos de apoio a crianças e jovens de até 21 anos
Onde: Jundiaí e região (SP)
Como se tornar voluntário: forms.gle/yvTZUi8mR1UGkHQt8
Como doar"
PIX (11) 99701-5319
Stone Pagamentos
Ag.: 0001, cc: 951902-6

Em carta, Nise diz que decidiu processar senadores para 'restaurar integridade'

Ela afirma ter sido vítima de misoginia e humilhação no depoimento prestado na comissão parlamentar no início do mês e cobra indenização de R$ 160 mil de cada um - que, segundo o processo, será integralmente doado

Em carta, Nise diz que decidiu processar senadores para 'restaurar integridade'
Notícias ao Minuto Brasil

21/06/21 05:05 ‧ HÁ 5 HORAS POR ESTADAO CONTEUDO




Em carta aberta divulgada neste domingo, 20, a médica Nise Yamaguchi disse que decidiu entrar com ação por danos morais contra os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid, e Otto Alencar (PSD-BA) para "restaurar a integridade" dela e dos colegas de profissão. Ela afirma ter sido vítima de misoginia e humilhação no depoimento prestado na comissão parlamentar no início do mês e cobra indenização de R$ 160 mil de cada um - que, segundo o processo, será integralmente doado.

Médica há mais de quatro décadas, nunca imaginei passar por situação parecida. É triste perceber que, na Casa do Povo Brasileiro, mesmo após décadas de evolução, ainda se perpetuem comportamentos misóginos", diz o texto.

Na carta, a médica reclama do tratamento dispensado a ele no interrogatório e afirma que o senadores agiram movidos por "interesses políticos". "Por diversas vezes, tive minhas falas e raciocínios interrompidos. Ignoraram meus argumentos e atribuíram a mim palavras que não pronunciei. Não foi por falta de conhecimento que deixei de reagir, mas, sim, por educação", afirma.

A oncologista diz ainda que passou a ser vítima de ataques nas redes sociais na esteira do depoimento. "A partir daquele momento, passei a ser extremamente vilipendiada nas redes sociais com agressões em tons ameaçadores, o que é muito preocupante para um estado democrático", escreveu.

Defensora da prescrição de cloroquina para pacientes com covid-19, tratamento comprovadamente ineficaz contra a doença, a médica foi colocada na lista de investigados divulgada na sexta-feira, 18, pela CPI.

Durante o depoimento na CPI, foi questionada sobre a existência do chamado "gabinete paralelo", que teria aconselhado o presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a gestão da pandemia, na contramão das orientações do Ministério da Saúde, e sobre o decreto presidencial para mudar a bula da cloroquina.

Médico de formação, Otto Alencar confrontou Nise sobre conhecimentos técnicos a respeito de doenças virais. Insatisfeito com as respostas, interrompeu a oncologista: "A senhora não sabe, infelizmente a senhora não sabe nada de infectologia, nem estudou doutora, a senhora foi aleatória mesmo, superficial", disse.

Além de indenização, ela pede na ação que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja comunicada para analisar se os parlamentares cometeram o crime de abuso de autoridade.

COM A PALAVRA, O SENADOR OTTO ALENCAR

"O senador Otto Alencar (PSD/BA), ainda não foi notificado. Assim que ocorrer a notificação, os advogados responderão, de acordo com a lei. A Constituição Federal em seu artigo 53, garante a senadores e deputados, o direito a manifestações, opiniões e votos no exercício de suas funções.

O senador Otto Alencar reforça que durante os seus questionamentos se referiu a médica Nise Yamaguchi, com respeito, sempre a tratando como doutora, senhora e Vossa Senhoria.

Quanto à pergunta sobre vírus e protozoário, a médica não soube responder a indagação. O questionamento foi feito com o objetivo de indicar, como atestam cientistas e especialistas na área de saúde, que nenhuma medicação evita a contaminação pelo coronavírus e que o tratamento precoce, defendido por Nise Yamaguchi, não funciona e não é recomendado."

COM A PALAVRA, O SENADOR OMAR AZIZ

A reportagem entrou em contato com o senador e aguarda resposta. O espaço está aberto para manifestação.

Leia a íntegra da carta:

"São notórios e de conhecimento nacional o desrespeito e a humilhação por mim sofridos durante o depoimento prestado à CPI da pandemia no Senado Federal no dia 1º de junho de 2021.

Médica há mais de quatro décadas, nunca imaginei passar por situação parecida. É triste perceber que, na Casa do Povo Brasileiro, mesmo após décadas de evolução, ainda se perpetuem comportamentos misóginos.

Por diversas vezes, tive minhas falas e raciocínios interrompidos. Ignoraram meus argumentos e atribuíram a mim palavras que não pronunciei. Não foi por falta de conhecimento que deixei de reagir, mas, sim, por educação. Não iria alterar a minha essência para atender a nítidos interesses políticos.

Computadores e documentos são apreendidos dentro empresas de medicamentos em Salvador

Computadores e documentos são apreendidos dentro empresas de medicamentos em Salvador
Foto: Humberto Filho/ Imprensa MP-BA

A Operação Panaceia, deflagrada na manhã desta segunda-feira (21), já apreendeu computadores, telefones celulares e documentos na sede de uma empresa de distribuição de medicamentos. Ela é suspeita de sonegar R$ 39 milhões em impostos.

 

De acordo com a Polícia Civil, o flagrante ocorreu no bairro de Pirajá, onde está sediada a empresa. "As investigações apontam também para possível prática de lavagem de dinheiro. Estamos cumprindo mandados na empresa que faz a contabilidade e na casa dos proprietários", explicou a titular da Delegacia de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública (Dececap), delegada Márcia Pereira.

 

De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), são 12 mandados de busca e apreensão em Salvador e em Feira de Santana. Na capital baiana, os mandados são cumpridos nos bairros do Rio Vermelho, Horto Florestal, Itaigara e Pituba.

 

OPERAÇÃO PANACEIA

A operação foi deflagrada pela Delegacia de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública (Dececap), através através da Coordenação Especializada de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Ceccor) da Polícia Civil, Departamento de Polícia Técnica, da Secretaria da Fazenda, do Ministério Público estadual e da Receita Federal.

 

Além dos mandados, a Justiça determinou também o bloqueio dos bens do grupo, para garantir a recuperação dos valores sonegados. Segundo as apurações, o grupo criava empresas em nome de “laranjas” ou “testas-de-ferro” e utilizava empresas sem existência operacional, com o intuito de sonegar impostos. Também foram identificados prejuízos ao Fisco Federal (saiba mais aqui).

Bahia Notícias

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