domingo, junho 20, 2021

EUA congelam negociações na área ambiental, e Brasil teme retaliação econômica

por Ricardo Della Coletta | Folhapress

EUA congelam negociações na área ambiental, e Brasil teme retaliação econômica
Foto: Chico Batata / Greenpeace

Quase dois meses após a Cúpula do Clima do presidente Joe Biden, as negociações sobre ambiente entre Brasil e Estados Unidos foram congeladas. A paralisação coincide com o aumento do desmatamento na Amazônia e a operação da Polícia Federal que atingiu o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
 

A última reunião técnica entre negociadores das administrações Jair Bolsonaro e Biden ocorreu no início de maio. Na ocasião, técnicos do Itamaraty e do Ministério do Meio Ambiente realizaram uma videoconferência com Jonathan Pershing, assessor do enviado especial para o clima, John Kerry.
 

O objetivo era tentar encontrar um modelo de financiamento americano para ações de preservação ambiental no Brasil. Ao final da videoconferência, os participantes acordaram que teriam uma nova conversa nas semanas seguintes, mas desde então não houve pedido de agendamento pelas partes.
 

Desde o início do governo Biden, foram realizadas sete videoconferências sobre ambiente entre os países.
 

Kerry participou diretamente de duas --Salles esteve nos dois encontros, tendo sido acompanhado em um deles pelo ex-chanceler Ernesto Araújo e, no outro, pelo novo chefe do Itamaraty, Carlos França. As cinco reuniões restantes foram feitas em nível técnico.
 

Salles também marcou presença em algumas das videochamadas técnicas. Em uma delas, apresentou um slide com a imagem de um cachorro abanando o rabo na frente de espetos de frango assado, numa alegoria ao apetite do Brasil por doações internacionais.
 

O Itamaraty disse que as reuniões técnicas não são "negociações formais", mas "exercício exploratório". Também afirmou que não existe um "calendário predefinido" para os encontros. A embaixada dos EUA não respondeu.
 

Na quinta-feira (17), França conversou por videoconferência com o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken.
 

De acordo com o Departamento de Estado, Blinken discutiu com França as metas climáticas do Brasil, "duplo financiamento para eliminar o desmatamento ilegal até 2030, e a necessidade de sustentar essas metas com passos concretos de implementação a curto prazo".
 

Em uma série de mensagens no Twitter, o Itamaraty afirmou que os dois "trataram de prioridades convergentes das duas chancelarias: diplomacia da saúde, recuperação econômica e promoção do desenvolvimento sustentável".
 

Segundo pessoas que acompanham o assunto, não houve sinalização sobre a retomada da rodada de negociações entre os auxiliares de Kerry, o Itamaraty e o Meio Ambiente.
 

Pouco mais de dez dias após a última reunião técnica, ainda em maio, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra Salles e o agora presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim. A corporação apura suspeitas de crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.
 

A operação envolve informações repassadas pelo governo dos EUA, que avisou as autoridades brasileiras sobre uma carga de madeira ilegal apreendida no porto americano de Savannah (Geórgia).
 

Salles nega ter cometido irregularidades. Desde a deflagração da operação, a agenda do ministro registra um grande número de dias em que ele cumpre apenas despachos internos ou não tem compromisso oficial. Interlocutores ouvidos pela reportagem disseram não ser possível determinar se Kerry resolveu congelar as tratativas devido à investigação contra Salles.
 

No entanto, existe a avaliação entre especialistas que a administração Biden pode ter considerado um constrangimento sentar-se para negociar com um ministro acusado de envolvimento em um esquema de contrabando de madeira --ainda mais em uma investigação iniciada em território americano.
 

A situação do ministro não é o único fator que gera desconfiança em Washington.
 

Na Cúpula do Clima realizada no final de abril, Bolsonaro prometeu zerar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e duplicar os recursos disponíveis para fiscalização ambiental no país.
 

"Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização", disse Bolsonaro na ocasião.
 

Porém, no dia seguinte à cúpula, Bolsonaro sancionou o Orçamento de 2021 e cortou R$ 240 milhões do Ministério do Meio Ambiente. No final de maio, o Planalto enviou ao Congresso um projeto para recompor a verba da pasta em R$ 270 milhões.
 

Os números de devastação na floresta amazônica, por sua vez, têm registrado recordes, o que aumenta o ceticismo entre a equipe de Biden sobre o real comprometimento de Bolsonaro em executar sua promessa.
 

Maio foi o pior mês de avisos de desmatamento na Amazônia nos últimos anos, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
 

No período, foram emitidos alertas em uma área correspondente a 1.391 km². A piora nos índices fez Bolsonaro renovar a presença de forças militares em ações de proteção do bioma.
 

Nas negociações com o governo Biden, Salles vinha pedindo doações dos EUA para garantir a preservação da Amazônia. Nas últimas rodadas, ele chegou a solicitar US$ 1 bilhão para aplicação em ações de comando e controle e para pagamento de serviços ambientais. Washington vinha exigindo resultados do governo Bolsonaro antes de destinar valores maiores. Em uma primeira contraproposta, o governo Biden sinalizou com um aporte de US$ 5 milhões, valor considerado insuficiente por Salles.
 

Além da interrupção das negociações ambientais, os EUA têm enviado sinais que geram apreensão entre auxiliares que aconselham Bolsonaro em política externa.
 

O embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, anunciou sua aposentadoria em 10 de junho. Apesar de o diplomata alegar razões pessoais, sua saída após pouco mais de um ano no cargo reforçou a percepção no Itamaraty de que Biden quer mudar a abordagem com o governo Bolsonaro. Chapman vinha sendo criticado por membros do Partido Democrata por uma relação excessivamente próxima à família Bolsonaro.
 

Pessoas que acompanham o tema apostam que o novo escolhido deve ter fortes credenciais de atuação na área ambiental. Também opinam que John Kerry deve ser um dos principais auxiliares consultados por Biden antes da definição do enviado a Brasília.
 

Além disso, o Itamaraty tem seguido com preocupação a renovação de um mecanismo especial de importações do governo dos EUA, que, segundo interlocutores, pode converter-se em mais um flanco de pressão sobre o Brasil.
 

O Congresso dos Estados Unidos está no processo de reativação do SGP (Sistema Geral de Preferências), programa que beneficia países em desenvolvimento com imposto zero de importação sobre determinadas mercadorias. O Brasil é um dos principais utilizadores do SGP, com exportações de cerca de US$ 2,3 bilhões em 2019.
 

Durante a votação da renovação do programa no Senado dos EUA, os parlamentares estabeleceram condições para a formulação da nova lista de países beneficiados. Entre os requisitos inseridos, está o cumprimento de leis e regulamentações ambientais e a ausência de graves violações de direitos humanos. A Câmara de Representantes dos EUA ainda precisa confirmar a votação.
 

As novas exigências não significam que o Brasil será necessariamente excluído do grupo de beneficiários, uma vez que a tarefa cabe ao Executivo americano. Mas, na prática, os senadores deram ao governo Biden um motivo que pode ser usado para penalizar o Brasil caso Washington julgue necessário.

Com encarecimento de energia e gás, mais brasileiros devem atrasar contas

por Larissa Garcia | Folhapress

Com encarecimento de energia e gás, mais brasileiros devem atrasar contas
Foto: Divulgação

O agravamento da crise hídrica encareceu a conta de luz do brasileiro e muitos podem não conseguir honrar seus compromissos nos próximos meses. De acordo com a Serasa, a inadimplência em contas básicas, como energia, água e gás, representava 22,3% do total de débitos em maio, e a tendência é de crescimento com os sucessivos reajustes nos preços desses serviços.
 

Ao todo, são 36,9 milhões de faturas atrasadas no segmento. A alta no valor do gás de cozinha também tem pressionado a renda das famílias.
 

"O aumento no valor das contas de luz e gás pode impactar o orçamento dos brasileiros e resultar no atraso do pagamento", diz Nathalia Dirani, gerente da Serasa.
 

Em dezembro, os calotes em serviços básicos bateram recorde -o percentual foi de 23,6%, maior valor de toda a série histórica iniciada em janeiro de 2018.
 

A inadimplência nessas contas cresceu mês a mês desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, mas caiu em janeiro deste ano e ficou entre 22,2% e 22,7% nos meses seguintes. O número de maio é 0,4 ponto percentual menor que o de abril.
 

Segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a bandeira vermelha, a mais cara cobrada sobre a conta de luz, deverá subir mais de 20% em razão do baixo nível dos reservatórios de água.
 

Em meio à escassez de chuvas, usinas térmicas são acionadas, e a bandeira tarifária cobrada sobre o serviço de energia fica mais cara. Em junho, já está vigente a bandeira vermelha nível 2, a mais cara, que cobra R$ 6,24 para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. Esse valor será elevado para aproximadamente R$ 7,50.
 

Na semana passada, a Petrobras anunciou aumento de 5,9% no preço do gás de cozinha, décima quarta alta consecutiva no preço do produto. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), no Brasil, o botijão de 13 kg custava em média R$ 85 em abril, último dado disponível. Em janeiro, o valor era de R$ 76,86.
 

Mesmo com o aumento nos atrasos no pagamento de serviços básicos em relação a períodos anteriores à crise sanitária, as dívidas com bancos ainda são maioria entre os negativados. Em maio, eram 49,1 milhões de faturas de crédito e outros produtos financeiros cadastradas no banco de dados da Serasa, o equivalente a 29,7% do total, aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior.
 

Ao longo do ano passado, com o pagamento do auxílio emergencial e com o adiamento de parcelas promovido pelos maiores bancos, esse percentual variou entre 27,3% e 27,8%, mas voltou a subir no início deste ano.
 

Segundo Dirani, o brasileiro prioriza o pagamento de serviços essenciais.
 

"De acordo com a pesquisa 'O Bolso dos Brasileiros', da Serasa, 86% dos brasileiros consideram as contas básicas as mais importantes e entre aqueles que atrasaram o pagamento de alguma conta durante a pandemia, as contas básicas, como água, luz e gás são as principais prioridades caso tivessem que optar por apenas um pagamento em dia", conta a gerente.
 

O aumento na conta de energia e do gás pesam ainda mais entre as famílias mais pobres.
 

"O aumento no valor das contas básicas afeta a toda a população brasileira, mas as pessoas com menor renda podem sentir mais esse impacto, já que, normalmente, essas são as contas priorizadas no orçamento familiar, que já vem sofrendo com a alta de produtos e serviços. Ou seja, algumas pessoas podem ter de fazer escolhas", afirma Dirani.
 

Essa desigualdade pode ser percebida no recorte por região. No Norte, por exemplo, os atrasos em pagamentos de contas básicas representam 29,7% do total de débitos e ultrapassam as dívidas com bancos (22%), que lideram o ranking nacional. No Nordeste, o índice chega a 25,40%.
 

No Sul, a fatia da inadimplência nesses serviços é de 8,4%, a menor do país. No Centro-Oeste o percentual é de 19,9% e no Sudeste, de 23,6%.
 

Em maio, segundo dados da Serasa, 62,5 milhões de pessoas estavam com o nome sujo, 2,3 milhões a menos que em março, quando o coronavírus chegou ao país. Apesar da queda, isso significa que quase 30% de toda a população brasileira tem dívida em atraso.

Bahia Notícias

Comparações dos efeitos da pandemia em 178 países são claramente desfavoráveis ao Brasil

Publicado em 20 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Funeral em Lima

Peru é o país mais atingido por mortes nessa pandemia

Matheus Magenta
BBC News

500 mil mortes por covid-19 no Brasil em 15 meses de pandemia. O número por si só já diz muito. E desde o começo da pandemia temos comparado a situação do Brasil com outros lugares do mundo para tentar dimensionar a tragédia. Cada tipo de cálculo tem suas limitações, mas em todos eles o Brasil aparece entre os 10 países onde mais morreu gente por covid.

Só para ter uma ideia, o Brasil tem 2,7% da população do planeta e atualmente concentra 30% das mortes pela doença no mundo inteiro.

OUTROS INDICATIVOS – Há o tamanho da população e a quantidade de idosos. Ou seja, país com 200 milhões de habitantes tende a ter mais mortes por covid do que uma nação com uma população de 2 milhões.

Além disso, a covid-19 mata mais idosos em qualquer lugar do mundo. Então, ao compararmos o impacto da doença em dois países com a mesma população, aquele que tiver mais idosos tenderá a ter mais mortes. Mas há uma série de outros fatores que influenciam essas comparações.

A comparação de mortes por 100 mil habitantes, que costuma ser usada por quem minimiza a tragédia no Brasil ou a relativiza ante um suposto impacto da maior da doença em países europeus, também ignora que as nações têm diferentes proporções de idosos.

Mortes por covid a cada 100 mil habitantes. Ranking leva em conta os 20 países mais atingidos na pandemia inteira. .###
OUTRAS COMPARAÇÕES ENTRE OS 178 PAÍSES

Veja abaixo quatro maneiras de comparar o impacto da pandemia no Brasil e em outros países.

Mortes em excesso, acima da média histórica? Brasil entre os 10 primeiros. O jornal britânico Financial Times, por exemplo, reuniu os dados mais recentes de 60 países, incluindo os registros de cartórios brasileiros. O líder é o Peru, com 122% de excesso de mortes. Ou seja, o número de mortes é o dobro do que se esperaria sem uma pandemia. O Brasil aparece em 9º lugar, com 34% mais mortes do que se esperava.

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado agora em junho deste ano apontou que 95% das mortes em excesso em São Paulo no primeiro semestre de 2020 foram por coronavírus.

Mortes considerando faixa etária?
Brasil em 10º lugar. Como explicado acima, a covid atinge faixas etárias e gêneros de forma distinta. Um trabalho ainda em andamento do economista Marcos Hecksher, pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) afirma que a taxa de mortes de idosos no Brasil em 2020 foi mais de 20 vezes maior do que entre pessoas com até 59 anos.

Segundo seus cálculos, 169 países de um total de 178 (ou seja, 95%) tiveram uma taxa menor do que a do Brasil em mortes por covid-19, quando se comparam não só os números absolutos, mas o tamanho da população e os óbitos em cada faixa etária.

Acima do Brasil, são eles: Peru, México, Belize, Bolívia, Equador, Panamá, Macedônia do Norte, Colômbia e Irã.

Quantas mortes em números absolutos?
Brasil em 2º lugar. O marco de 500 mil mortes por covid, atingido agora pelo Brasil, não leva em conta o tamanho da população ou a quantidade de idosos, como explicado acima, mas ele é bastante simbólico.

Atualmente, esse total de mortos é o segundo mais alto do mundo, se comparados os números absolutos oficiais. Fica atrás apenas dos EUA, que ultrapassaram em junho a marca de 600 mil mortes. Mas a tendência é que o Brasil ultrapasse os EUA nos próximos meses porque o país norte-americano tem conseguido controlar o avanço da pandemia e ampliado a vacinação de sua população.

Quantas pessoas morrem a cada 100 mil ou 1 milhão de habitantes?
Brasil em 2º lugar. Nas estatísticas desde o ínicio da pandemia. É o segundo indicador que mais costuma ser usado para comparar a quantidade de mortes por covid do Brasil em relação a outros países é aquele que leva o tamanho da população sem ponderar quantidade de idosos, por exemplo.

Há levantamentos que apresentam o número de mortes a cada 100 mil habitantes ou a cada 1 milhão de habitantes. A Universidade de Oxford (Reino Unido) apresenta dados mais atuais, e não relação à pandemia inteira. Nesse caso, o Brasil aparece com a 7ª pior média de mortes por 1 milhão de habitantes. Dos 10 primeiros, 9 estão nas Américas.

São eles: Paraguai, Uruguai, Suriname, Argentina, Colômbia, Peru, Brasil, Trinidad e Tobago, Bahrein e Bolívia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Comprova-se que há outros governos tão irresponsáveis quanto o brasileiro, e até mais… Acredite, se quiser(C.N.)

Não tem saída! Reforma administrativa precisa discutir privilégios das elites do funcionalismo


Demétrio Magnoli  (O Globo), com charge de Mariano (Arquivo Google)

São “parasitas” que estão matando o “hospedeiro”? A sentença emitida por Paulo Guedes, como quase tudo que o já não tão poderoso ministro fala, é uma generalização estúpida. Nas suas desigualdades internas, o funcionalismo público é quase um microcosmo do conjunto da sociedade brasileira.

Mas sua elite forma, de fato, uma casta aristocrática que extrai recursos vitais dos brasileiros comuns, amplificando a concentração de renda.

MÉDIA DOS SALÁRIOS – A casta está incrustada no funcionalismo federal: segundo o Ipea, em 2017, os servidores municipais tinham salário médio de R$ 2,9 mil, contra R$ 5 mil dos estaduais e R$ 9,2 mil dos federais. O Congresso e, especialmente, o Poder Judiciário formam os ecossistemas da casta: no Executivo, o holerite médio era de R$ 3,9 mil, contra R$ 6 mil dos funcionários do Legislativo e R$ 12 mil dos servidores do Judiciário.

Raymundo Faoro iluminou, nos idos de 1958, a relação intrínseca entre o poder estatal e o estamento dos servidores públicos. A conversão patrimonial do bem nominalmente público em propriedade privada — a prática sistemática de “tosquiar” a sociedade — expressa-se, entre tantas formas, na remuneração da casta. Os funcionários federais ganhavam, em média, 96% mais que os trabalhadores de empresas privadas, sempre em 2017. No Judiciário, 4,2% dos funcionários recebiam salários superiores a R$ 30 mil.

ESTADO NOVO – Getúlio Vargas esculpiu a transição para a economia urbano-industrial criando a moderna burocracia estatal e lançando as sementes da casta. Os filhos dos fazendeiros tornaram-se bacharéis. O PT, partido apoiado nos sindicatos de servidores, completou a obra varguista. Nos governos Lula e Dilma, o gasto com pessoal saltou de cerca de R$ 200 bilhões para mais de R$ 300 bilhões, já descontada a inflação.

O país existe para servir os servidores? Em 2019, o Brasil gastou 12,9% do PIB com o funcionalismo, um dos maiores dispêndios do planeta, superior ao do Canadá (12,1%) ou da França (11,8%), para não mencionar Reino Unido (9%), EUA (8,7%), Alemanha (7,6%) ou Chile (7,1%). Só o Judiciário — e sem contar o MP — consumiu 1,5% do PIB, um assalto à arca pública que fica evidente no cotejo com Itália (0,18%), França (0,15%) ou EUA (0,14%).

Por aqui, terra de fidalgos togados, o vale-refeição dos juízes supera o salário mínimo em 24 das 27 unidades da Federação.

NA ERA LULA – O lulismo impulsionou a casta a um novo patamar — e seus arautos nem sequer admitem a discussão de uma reforma administrativa capaz de limitar as rendas públicas destinadas a sustentar seus privilégios.

O sociólogo Jessé Souza, o mais autêntico formulador da visão lulista sobre o Estado e a sociedade no Brasil, sintetizou a alegação da casta na seguinte sentença: “Os bancos querem enxugar os gastos do Estado, para que o Estado possa ter seu orçamento dirigido aos bancos”. Ficamos sabendo, então, que, segundo Jessé, propor uma reforma administrativa implica defender os interesses dos bancos.

A técnica de acusar o interlocutor de nutrir maléficas motivações ocultas, típica de espíritos autoritários, destina-se a circundar a argumentação histórica e factual, substituindo o debate informado por um torneio de insultos.

EM OUTROS PAÍSES – Na maioria das nações democráticas, governos de diversos matizes políticos evitaram que a alta burocracia de Estado abocanhasse parcela da riqueza nacional similar à que alimenta a “nossa” casta. Seriam todos esses governos meros agentes do capital financeiro?

Na base do funcionalismo, especialmente nos níveis estadual e municipal, encontra-se a parcela dos servidores públicos de maior valor social. São, em grande parte, funcionários mal-remunerados da saúde e da educação que atendem à população de baixa renda. É a casta, não os malvados banqueiros, que desvia para si mesma os recursos necessários para a qualificação e modernização dos serviços públicos universais.

Uma reforma administrativa equilibrada — que, obviamente, não é a de Paulo Guedes — interessa à maioria dos brasileiros. Pena que, 90 anos depois de Vargas, os representantes políticos da casta ainda consigam se fantasiar como amigos do povo.


Bolsonaro se exime do preço do gás, fixado pela Petrobras, e “culpa” os governadores


Charge de 08/09/2017

Charge do Asimério (A Voz da Serra)

Deu no Poder360

O presidente Jair Bolsonaro respondeu a um seguidor neste domingo (20.jun.2021) que perguntou sobre a redução do preço do gás de cozinha. Na publicação, feita em sua conta no Twitter, afirmou que zerou “impostos federais” e que não seria necessário dizer “de quem cobrar” porque “certamente” o autor da pergunta já saberia.

“Zeramos os impostos federais de gás de cozinha! E ultrapassamos as 110 milhões de doses de vacina distribuídas a estados e municípios de todo país e continuaremos. Creio que não precisamos dizer de quem tem que cobrar, pois certamente já sabe. Um forte abraço e seja feliz sempre!”, escreveu o presidente.

CORPO FORA… – O presidente tem declarado que não pode ser culpado pelo preço da gasolina e do gás de cozinha. Já disse que estaria disposto a “buscar uma maneira para zerar [o PIS/Cofins que incide sobre o diesel]”. Cobra, no entanto, que governadores façam o mesmo em relação ao ICMS. A sigla se refere ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

A disputa é antiga. Desde 2020, o chefe do Executivo federal desafia Estados a zerarem seus impostos: “Eu zero o [imposto] federal hoje se eles zerarem o ICMS”.

Já na ocasião, ele queria uma nova lei para forçar os Estados a diminuírem a taxação sobre combustíveis. Os governadores responderam por meio de carta que as unidades federativas são autônomas para decidirem a alíquota do ICMS, responsável pela “principal receita dos Estados para a manutenção de serviços essenciais à população”.

“BOLSOCARO” – Um vídeo intitulado “Custo Bolsonaro” viralizou nas redes sociais em março. Os autores informaram à época que não revelariam a identidade por temerem “perseguição” por parte do governo federal. A peça critica as ações do governo federal e destaca o que considera os “impactos econômicos” da gestão, como a alta dos preços da gasolina, a queda das ações na Petrobras e a desvalorização do real.

O vídeo foi publicado pela 1ª vez no Twitter pelo Instituto ClimaInfo, ONG que atua no combate às mudanças climáticas. A organização, no entanto, negou ter elaborado o material.

Aliados do presidente publicaram uma resposta logo depois. A peça “Custo Bolsonaro – Parte 2 – A verdade” defendeu as decisões econômicas tomadas pelo governo. Ambos os vídeos não tem autenticidade comprovada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Bolsonaro não é culpado de nada, porque se tornou um personagem tipo “inocente inútil”. Quem é culpado pela alta dos combustíveis é a política de preços da Petrobras, que extrai petróleo com custos baixíssimos, só superada pela Aramco, da Arábia Saudita, mas cobra preços altíssimos para dar lucros monumentais e facilitar a privatização de seus ativos. (C.N.)

 

Podemos e outros partidos anunciam que irão ao Supremo caso Bolsonaro sancione MP da Eletrobras

Publicado em 20 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

“MP é um Frankenstein danoso ao país”, diz Alvaro Dias

Deu no Poder360

O presidente do Podemos, senador Alvaro Dias (PR), afirmou neste domingo (20.jun.2021) que a sigla considera acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) caso o presidente Jair Bolsonaro sancione a MP (medida provisória) da privatização da Eletrobras, recentemente aprovada pelo Senado.

Dias afirmou que o texto é um “verdadeiro Frankenstein” e será danoso ao país. Ele diz que o Podemos foi o partido que mais votou contrariamente à MP. O texto passou com um placar apertado: 42 a 37.

REPROVAÇÃO – O senador paranaense fez declarações em sua conta oficial no Twitter. Outros senadores afirmam que acionarão o STF. Cid Gomes (PDT-CE) classificou o texto aprovado no Senado como uma “ilegalidade” e um “absurdo”.

O líder da minoria no Senado, Jean Paul (PT-RN), afirmou entrará na Justiça para barrar a MP “junto com outras lideranças”. Em outra postagem no Twitter, o senador disse que acionará o STF e o TCU (Tribunal de Contas da União).

O Poder360 entrou em contato com o STF. Questionou se a Corte recebeu alguma ação contra o texto aprovado no Senado. Não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG
 – Em editorial publicado neste domingo, o Estadão denuncia que a privatização da Eletrobras é “desordenada” e vai custar ao contribuinte brasileiro o preço de uma Eletrobras e meia. Mesmo assim, o governo insiste na privatização, sem levar em conta que nos Estados Unidos e no Canadá, a energia é controlada por estatais. Mas quem se interessa? (C.N.)

O Vereador Zé Miúdo não para está sempre na ativa, segundo ele o que importa é fazer alguma diferença em benefício do povo.


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Segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP (FAPESP), uma recente pesquisa realizada com 938 brasileiros que contraíram Covid-19 constatou diminuição de 34% em casos de internação em pessoas ativas.

Infelizmente, os dados levantados pela OMS revelam que um em cada quatro adultos não praticam atividade física suficiente. No caso dos adolescentes, a situação é ainda mais crítica: quatro em cada cinco pessoas são sedentárias. Além dos riscos supracitados, esses números geram um custo bilionário para a saúde pública.

A importância do esporte para a manutenção da saúde física é indiscutível. Mas, os benefícios também envolvem a saúde mental. “Estudos apontam que transtornos mentais são minimizados e, em alguns casos, o esporte é um pilar importante no tratamento da depressão. A socialização também é determinante para o bem-estar dos praticantes”, explica Henrique. (Por: Ladinne Campi).

Segundo Zé Miúdo esse é um dos motivos que está incentivando os jovens, principalmente da Zona Rural a praticar esporte;  nesse tempo de pandemia, é melhor praticar esporte do que ficar aglomerado ingerindo bebidas alcoólicas ou mesmo droga.

Futebol traz benefícios tanto para o corpo quanto para a mente, 

é atividade completa e é praticado por adultos ou crianças, homens ou mulheres


 

Parabéns Junior de Santinha por esses bens vividos 49 anos em grande parte formando opinião em benefício da comunidade.

 Que Deus sempre ilumine e abençoe os seus anos de vida e continue multiplicando eles com muita saúde. Que nesse ano novas oportunidades surjam e que junto delas crescimento espiritual e profissional possa fazer parte da sua rotina. Parabéns!

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