sábado, novembro 21, 2020

Bolsonaro volta a questionar credibilidade das eleições e diz que “voto impresso deve ser realidade em 2022”


Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer, nesta sexta-feira, dia 20, que “o voto impresso deve ser realidade em 2022”. A declaração foi feita a apoiadores no Palácio da Alvorada e o trecho foi publicado nas redes sociais. “O voto impresso deve ser uma realidade em 2022. O Parlamento, como sempre, vai atender a vontade popular”, escreveu.

Aos bolsonaristas que o aguardavam na entrada da residência oficial, o chefe do Executivo questionou se queriam a volta do voto de papel. Em seguida, emendou dizendo ter sido “roubado” nas eleições.“Nós devemos ter um sistema eleitoral onde você possa aferir e auditar o seu voto. E o que tá aí não é possível ser aferido. Então eu, por exemplo, não confio nesse sistema eleitoral. Alguns falam que eu fui eleito nesse sistema. Fui eleito porque tive muito voto. Fui roubado demais. Ninguém reclamou quando foi votar no 13 e tinha problema, mas reclamou muita gente quando foi votar no 17, tá ok?”, apontou.

“NINGUÉM ACREDITA” –  Por fim, Bolsonaro relatou que resolveria a situação junto ao Parlamento e que “ninguém acredita” no voto das urnas eletrônicas.“Vamos resolver… junto com o Parlamento, a gente vai resolver isso aí. Ninguém acredita nesse voto eletrônico, ninguém acredita. E devemos atender a vontade popular, e ponto final. Tenho certeza que o Parlamento vai nos ouvir. Isso é para tratar no início do ano que vem, e vamos tratar desse assunto aí. A gente vai ter o apoio lá e eu acho que a maioria quer isso também. Não podemos ter mais eleições complicadas em 22”, concluiu.

Bolsonaro foge ao debate racial, elogia sua estratégia anticovid e prega reforma na OMC


Enxergo todos com as mesmas cores: verde e amarelo', diz Bolsonaro em  cúpula do G20

Mensagem de Bolsonaro ao G-20 foi bizarra, como sempre

Fábio Pupo
Folha

O presidente Jair Bolsonaro contestou neste sábado (21) durante a cúpula do G20 o debate sobre racismo no país, dizendo que há quem queira alimentar o conflito e o ódio entre a população. “O Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações. Somos um povo miscigenado”, afirmou.

“Foi a essência desse povo que conquistou a simpatia do mundo. Contudo, há quem queira destruí-la, e colocar em seu lugar o conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre raças, sempre mascarados de ‘luta por igualdade’ ou ‘justiça social’. Tudo em busca de poder.”

POVO VULNERÁVEL – Ele disse que há interesses para se criar tensões no país e que um povo dividido fica enfraquecido. “Um povo vulnerável pode ser mais facilmente controlado e subjugado. Nossa liberdade é inegociável.”

“Enxergo todos com as mesmas cores, verde e amarelo. Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. O que existem são homens bons e homens maus, e são as nossas escolhas e valores que determinarão qual dos dois nós seremos”, afirmou.

O presidente disse ainda que há “tentativas de importar para o nosso território tensões alheias à nossa história” e que “aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história”.

CASO CARREFOUR – As declarações foram dadas um dia após protestos pela morte de um homem negro por seguranças de um supermercado Carrefour em Porto Alegre. João Alberto Silveira Freitas, 40, foi espancado e morto na noite de quinta-feira (19) diante de testemunhas.

Sem citar a morte, o presidente havia falado sobre o “povo miscigenado” na sexta (20) em suas redes sociais e usado algumas das expressões que repetiu na conferência.

Na reunião, Bolsonaro ainda defendeu reformas na OMC (Organização Mundial do Comércio) que sigam três eixos: negociações, solução de controvérsias e monitoramento e transparência. Segundo ele, o governo também espera que o órgão de apelação da OMC possa voltar à plena operação o mais rápido possível.

SUBSÍDIOS DA OMC – “Na reforma da Organização, queremos que a ambição de reduzir os subsídios para bens agrícolas conte com a mesma vontade com que alguns países buscam promover o comércio de bens industriais”, afirmou.

Bolsonaro disse também que espera que o processo de reforma da OMC contemple o estímulo aos investimentos e a criação de condições justas e equilibradas para o comércio internacional, não só de bens, mas também de serviços.

Apesar da possibilidade de uma nova onda do coronavírus no país, Bolsonaro buscou ressaltar a visão de uma recuperação na economia brasileira.

SUPERAÇÃO – “À medida que a pandemia é superada no Brasil, a vida das pessoas retorna à normalidade e as perspectivas para a retomada econômica se tornam mais positivas e concretas.”

Mais cedo, Bolsonaro afirmou em vídeo de apresentação para a cúpula do G20, que o governo estava certo em seu entendimento sobre a pandemia do coronavírus. “Desde o início, ressaltamos que era preciso cuidar da saúde e da economia simultaneamente. O tempo vem provando que estávamos certos”, disse no vídeo, gravado e divulgado antes da reunião entre os líderes.

O presidente disse que o governo apoia o acesso universal, equitativo e a preços acessíveis aos tratamentos disponíveis. “É com esse objetivo que participamos de diferentes iniciativas voltadas ao combate à doença.”

VACINAS OPCIONAIS – Bolsonaro defendeu, no entanto, que as vacinas contra a Covid-19 sejam opcionais. “Defendemos a liberdade de cada indivíduo para decidir se deve ou não tomar a vacina. A pandemia não pode servir de justificativa para ataques às liberdades individuais.”

No vídeo deste sábado, o presidente afirmou que a cooperação no âmbito do G20 é essencial para superar a pandemia e retomar o caminho da recuperação econômica e social.

“Neste ano, enfrentamos desafios sem precedentes na história recente”, disse. “Devemos manter o firme compromisso de trabalhar pelo crescimento econômico, pela liberdade de nossos povos e a prosperidade do mundo.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A matéria, que é bastante extensa, registra que Bolsonaro não acredita na segunda onda da covid, que está acontecendo em muitos países, simultaneamente. Na semana passada, por exemplo, chamou a possibilidade de uma nova onda do coronavírus de “conversinha”. Mas na realidade a segunda onda já começa a se registrar no Brasil. (C.N.)

A candidata Anabel não foi eleita mas foi vitoriosa, "O patrimônio que fica é a confiança do povo”.

 Durante o período eleitoral a candidata Anabel juntamente com seus militantes incomodou e desmascarou muita gente, principalmente os desonestos e outros sem caráter, e continuará firme, preparada e tranquila para enfrentar novos desafios, isso porque sua maior arma e seu maior patrimônio é a confiança do povo jeremoabense.

Jeremoabo é a cidade   que tanto amamos e onde nascemos, não vamos permitir que aventureiros lancem mão da mesma, talvez tenhamos perdido uma batalha, porém a resistência e a luta continuará.

Quando digo talvez tenhamos perdido uma batalha, é porque o poder legislativo de Jeremoabo continua como antes, sendo maioria do grupo da oposição; porém com mais experiência e sabedoria.

O prefeito  de Jeremoabo que saiu "vitorioso" no pleito do último domingo ainda precisa resolver pendências na Justiça Eleitoral ,

A Justiça, porém, ainda vai julgar o caso do prefeito que está respondendo por abuso de poder político e suposta compra de votos Candidato à reeleição, ele precisa explicar as mudanças   de particulares em veículo da secretaria de educação no período pré-eleitoral — uma prática vedada pela legislação eleitoral, precisa explicar o que foi feito com o dinheiro do COVid-19; há também a rejeição de contas em andamento pelo TCM-BA e outras irregulares já em andamento para ser representada na Justiça Eleitoral antes da diplomação.

PF prende advogado líder de ORCRIM que sacou milhões em precatórios na Justiça Federal em Pernambuco por meio de fraudes

 

 




A Polícia Federal em Pernambuco dá cumprimento, na data de hoje, 20/11, a 03 mandados de busca e apreensão, e 01 de Prisão Preventiva em desfavor do advogado Alberto Magalhães Torreão Filho, expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal de Pernambuco.

Os mandados estão sendo cumpridos simultaneamente em Recife/PE(02) e Moreno/PE(01), e foram empregados aproximadamente 12 policiais federais em 3 equipes.

As investigações foram levadas a efeito por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários – DELEFAZ e se iniciaram em outubro, quando a Caixa Econômica Federal descobriu o golpe levado a efeito por um advogado que apresentou uma Procuração Pública lavrada no Cartório de Moreno/PE, com base em um documento de identidade falsificado, e conseguiu levantar o precatório no valor de 4 milhões de reais, na Agência da CAIXA, localizada no TRF da 5ª Região, nesta cidade do Recife. É que a verdadeira beneficiária do processo, apresentou-se à Agência da CAIXA para receber o referido precatório.

A investigação busca identificar todos os membros desta ORCRIM, outros precatórios porventura sacados de forma fraudulenta, bem como o destino dos valores desviados. Na primeira fase foram apreendidas novas procurações fraudulentas que possibilitariam levantar precatórios que somam R$12.773.226,59 (doze milhões setecentos e setenta e três mil duzentos e vinte e seis reais e cinquenta e nove centavos).

Os integrantes da ORCRIM são investigados pela prática dos crimes de Estelionato qualificado, associação criminosa, lavagem de dinheiro e constituir/integrar Organização Criminosa, tipificados nos artigos 171, º3º e 288 do CPB, artigo 1º da Lei 9.613/98 e art. 2º da lei 12.850/2013. Penas que se somadas, em caso de condenação, podem chegar a 30 anos de reclusão. O nome da operação faz referência à quantia sacada de forma fraudulenta no valor de 4 milhões de reais. Após ser ouvido na Polícia Federal, o advogado será encaminhado para o COTEL onde ficará à disposição da Justiça Federal.
https://www.blogdanoeliabrito.com/

Combate à corrupção não pode ser de esquerda ou direita, tem de estar acima das ideologias


TRIBUNA DA INTERNET | Ideologia tornou-se uma ideia fora de moda, porém é cada vez mais necessária

Charge do Wilmar (Arquivo Google)

Carlos Pereira
Estadão

Rotular iniciativas e movimentos de combate à corrupção como “de direita” tem sido uma alegação comum da esquerda, não apenas no Brasil. Tem-se argumentado que, ao expor os meandros e bastidores do suposto “jogo sujo” da política, movimentos anticorrupção desempenhariam um papel central de fortalecimento da antipolítica.

A devastação moral do governo de plantão fortaleceria o sentimento de que a política não seria mais um veículo de mudanças – todo o sistema seria corrupto e só um líder messiânico, fora do sistema – ou seja, fora da “política” – seria capaz de exercer mudanças significativas e, finalmente, higienizar a política.

LíDERES ANTIPOLÍTICA – Movimentos de combate à corrupção seriam, assim, paradoxais. A rejeição generalizada da política levaria necessariamente à fragilização do sistema vigente e ao surgimento de políticos de perfil populista e carismático que prometem acabar com a corrupção.

Entretanto, uma vez eleitos, esses líderes “antipolítica” acabariam por colocar em risco as próprias instituições do País. Como exemplos, Rodrigo Duterte nas Filipinas, Silvio Berlusconi na Itália ou Jair Bolsonaro no Brasil.

A resposta que a esquerda tem dado a esse paradoxo, especialmente quando políticas anticorrupção atuam contra governos supostamente progressistas, é a de tratar as alegações ou evidências de irregularidades, ou condenações na Justiça como campanha de difamação da direita e perseguição da mídia conservadora. Alegam que tais políticas adotam uma concepção de direito punitivista, que não respeitaria o devido processo legal.

Pior ainda, associam a retórica anticorrupção e suas lideranças à própria direita. Rechaçam a participação de quem outrora impôs perdas judiciais a líderes corruptos de governos desviantes de esquerda na construção de alternativas políticas não polarizadas.

TUDO AO CONTRÁRIO – O inverso também é verdadeiro: quando governos conservadores de direita são pegos praticando atos de corrupção, estratégias semelhantes são igualmente adotadas.

Apesar de, num primeiro momento, os movimentos de combate à corrupção terem causado um choque no sistema político, permitindo a eleição de “outsiders” como Bolsonaro, não chegaram a enfraquecer o sistema político nem a destruir o sistema partidário.

Os resultados de domingo, nas eleições municipais, sinalizam que os candidatos “antipolítica” e que apostaram na polarização foram os grandes derrotados.

SEM IDEOLOGIA – É um erro, portanto, associar o combate à corrupção a uma agenda de direita ou de esquerda. O combate contra a corrupção não tem ideologia. É fundamentalmente uma luta contra governantes que apresentam comportamento desviante, sejam de esquerda, centro ou direita.

Na verdade, a luta contra a corrupção é mais que a imposição de restrições a trocas ilícitas no sistema político. Compreende também iniciativas que diminuam a captura do Estado por interesses específicos e escusos. Ela é, em essência, a luta contra a privatização da vida pública.

Em países com extrema desigualdade, como o Brasil, essa luta é um movimento contra os que capturam o Estado para interesses privados. Neste sentido, é uma política de inclusão social. Assim, só uma análise enviesada poderia rotular ideologicamente uma política anticorrupção que, essencialmente, visa diminuir a desigualdade social por meio do aumento da inclusão.

“O presidente Bolsonaro está o cão com a derrota nas urnas”, comenta funcionário do Planalto

 

Irritado com perguntas sobre investigação de Flávio, Bolsonaro ataca  jornalistas | Reuters

Envelhecido, Bolsonaro enfrenta um inferno astral permanente

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Gente graúda que trabalha no Palácio do Planalto diz que há muito tempo não vê o presidente Jair Bolsonaro tão irritado. Ele não se conforma de ter levado uma sova tão grande nas eleições municipais. “Bolsonaro está o cão com a derrota nas urnas”, diz um funcionário que trabalha próximo ao gabinete presidencial.

O presidente, segundo assessores, acreditava que conseguiria eleger a maior parte dos candidatos que apoiou publicamente — ele chegou a postar uma lista com nomes de sua preferência nas redes sociais, mas apagou o post depois de divulgados os resultados das disputas para prefeitos e vereadores.

HORÁRIO GRATUITO – Com o discurso de que precisava derrotar a esquerda, Bolsonaro criou seu “horário eleitoral gratuito” e pediu votos para 59 candidatos, sendo um ao Senado, na eleição suplementar em Mato Grosso, 13 para prefeitos e 45 para vereador. O resultado final foi 45 derrotados, 12 eleitos e 2 candidatos a prefeito no segundo turno.

“O presidente estava certo de que seu poder de transferência de votos era grande. Ele ficou muito confiante depois que as pesquisas mostraram um contínuo crescimento de sua popularidade, por causa do auxílio emergencial”, ressalta o mesmo funcionário do Planalto. “As urnas, no entanto, o traíram”, acrescenta.

FORÇA POLÍTICA – Os mais próximos do presidente dizem que não dá para desqualificar o poder eleitoral dele, uma vez que, nas eleições municipais, pesam muito as questões locais. Portanto, para esse grupo, Bolsonaro continua muito competitivo. “Se as eleições presidenciais fossem hoje, ele teria boas chances de ser reeleito”, frisa um assessor próximo do presidente.

O certo, porém, é que Bolsonaro sentiu — e muito — o golpe. E está se movimentando para montar estratégias a fim de manter o capital político que acredita ter. Nos últimos dois dias, ele conversou muito com líderes políticos para entender o que aconteceu nas urnas e que para onde deve seguir.

Um dos caminhos a ser seguido pelo presidente é o de se filiar a uma legenda para tirar proveito da estrutura partidária. Ele sabe que o Aliança do Brasil, que tentou criar, está fadado ao fracasso. Outro ponto em discussão: acelerar o anúncio de um substituto do auxílio emergencial. A ideia é fazer o anúncio antes do Natal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Ao mesmo tempo, complica-se cada vez mais a situação do senador Flávio Bolsonaro nas rachadinhas, com  envolvimento da própria mulher, que também é ré no processo. Por isso, quando Jair Bolsonaro reclama que sua vida é uma desgraça, está dizendo a verdade. Ele vive num permanente inferno astral. Devia se consultar com Olavo de Carvalho, que era astrólogo antes de virar filósofo terraplanista. (C.N.)

Diplomacia do governo almeja para o Brasil a condição isolacionista de “pária internacional”

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Charge: Benett - Lesa-pátria

Charge do Benett (Arqivo Google)

Celso Lafer
Estadão

O multilateralismo e suas instituições têm como função criar mecanismos institucionalizados de cooperação entre os Estados. Resultam das realidades de um mundo finito e interdependente. Respondem à necessidade de lidar com desafios que não estão ao alcance das relações bilaterais e muito menos de ações unilaterais, como pandemias e mudança climática. É o que convém lembrar preliminarmente, afastando desqualificações “globalistas”, ao comemorar os 75 anos da Organização das Nações Unidas (ONU).

A ONU representa a presença da figura do terceiro no pluralismo do mundo dos Estados. Há na figura do terceiro um potencial de favorecimento do entendimento, que se revela nos conflitos bilaterais. Os bons ofícios, a mediação, a arbitragem são exemplos da intercessão do terceiro nas soluções pacíficas de controvérsias.

ARTE DO TERCEIRO – A diplomacia é uma arte do terceiro, que opera no âmbito internacional no trato da governança da complexidade, negociando, persuadindo, contendo tensões, desdramatizando conflitos.

A ONU é um terceiro. Não é um terceiro acima das partes, um tertius super partes, porque não é um governo mundial. É um tertius inter partes, um terceiro entre as partes, criado pelos Estados e institucionalizado pela Carta das Nações Unidas, assinada em 26 de junho de 1945.

Tem como função ser uma instância de abrangência universal de interposição e mediação entre Estados. É dotada de personalidade jurídica própria, que não se confunde com a dos seus Estados-membros. É o que confere à ONU a sua identidade internacional.

BUSCA DA HARMONIA – Para cumprir sua função de instância de interposição e intermediação, rege-se pelas normas da sua Carta. Guia-se pela “ideia a realizar” de ser “um centro destinado a harmonizar a ação das nações” para a consecução dos objetivos comuns dos seus propósitos – paz, segurança, relações amistosas e cooperação internacional.

Os propósitos da ONU e suas realizações foram reafirmados na resolução da Assembleia-Geral de 21 de setembro deste ano, que registra o muito que precisa ser feito, apontando que os grandes desafios do presente são interconectados e interdependentes. Por isso só podem ser enfrentados por meio de um multilateralismo revigorado e pelo reforço do pilar da cooperação internacional.

Do espaço da ONU tem se valido a diplomacia brasileira no correr das décadas, exercendo com competência a arte diplomática do terceiro para articular, na interação com os Estados que integram a sociedade internacional, a voz própria e os interesses gerais do Brasil na dinâmica do funcionamento do mundo.

DIPLOMACIA BRASILEIRA – O multilateralismo vem propiciando soft power para o nosso país, que agrega substância à diplomacia bilateral brasileira. É o que comprovam os estudos acadêmicos e a experiência dos que viveram “de dentro” a responsabilidade de representar o Brasil em instâncias multilaterais.

É o que não percebem a diplomacia do governo Bolsonaro e a vocação negacionista de seu chanceler Ernesto Araújo, que almeja para o nosso país a condição isolacionista de pária internacional.

A figura de secretário-geral corporifica a identidade do tertius inter partes. Ele é um agente administrativo, mas também um ator político, proveniente de seu poder de iniciativa que lhe dão a Carta e a prática construída por sucessivos secretários-gerais, cabendo destacar o papel inaugural que teve Dag Hammarskjold.

SALVÁ-LA DO INFERNO – Ele, aliás, dizia que a missão da ONU não era a de elevar a humanidade ao céu, mas salvá-la do inferno. Daí a responsabilidade do secretário-geral de promover iniciativas de cooperação que façam da ONU um tertius ativo no encaminhamento dos grandes problemas internacionais.

Muito tem feito, em condições difíceis, o atual secretário-geral, António Guterres, com criatividade e determinação no exercício de suas funções, para as quais vem mobilizando a opinião pública e a sociedade em prol de um mundo mais sustentável e menos precário.

VOZ E SAÍDA – Concluo lembrando conhecida elaboração de Albert O. Hirschman sobre o papel da voz, da saída e da lealdade na dinâmica da vida de organizações. A lealdade numa instituição equilibra a voz e a saída. A saída pressupõe a existência de alternativas, no caso a alternativa ao multilateralismo e suas instituições, como a ONU.

Eu não creio, dada a natureza da realidade internacional, que seja possível conviver com os unilateralismos de um Estado de natureza hobbesiana e sua propensão à guerra de todos contra todos. “Somos do mundo, e não apenas estamos no mundo”, como observa Hannah Arendt. Daí a relevância da lealdade à ONU, que é uma característica histórica da diplomacia brasileira.

Quanto à voz, não faz sentido o monólogo da discussão contra, com a qual se compraz a diplomacia de confronto do governo Bolsonaro, mas sim o diálogo de discussão com os outros integrantes da comunidade internacional, tendo como propósito encontrar interesses comuns e compartilháveis, cujos caminhos o secretário Guterres vem desbravando de maneira corajosa e pertinente.

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