quinta-feira, setembro 09, 2021

9 'Bolsonaro descontrolado' e 'manifestação de força': as diferentes visões da imprensa internacional sobre 7 de setembro

 

SEP



Num cartaz em inglês, manifestante pede a destituição dos ministros do STF no protesto em São Paulo

A imprensa internacional continuou repercutindo nesta quarta-feira (08/09) a manifestação convocada pelo presidente Jair Bolsonaro para o 7 de setembro.

Atos reuniram milhares de pessoas em Brasília, São Paulo e outras cidades. Em dois discursos diante de seus apoiadores, Bolsonaro chamou as eleições de 2022 de "farsa", disse que só sai da presidência "preso ou morto" e exaltou a desobediência à Justiça.

O jornal argentino La Nacion disse que "a imagem do dia é um presidente descontrolado, jogando tudo ou nada".

"Enquanto a economia desacelera, a inflação sobe e uma potencial crise energética assusta a população brasileira, Bolsonaro opta por não governar e se dedicar a uma campanha eleitoral antecipada", afirma a reportagem do periódico argentino.

"Haverá um antes e um depois das manifestações convocadas nesta terça-feira pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para defendê-lo e, ao mesmo tempo, atacar aqueles que ele elege como inimigos. Há consenso entre acadêmicos, intelectuais e no mundo político não-alinhado com o chefe de Estado de que foram atos antidemocráticos, nos quais Bolsonaro fez 'um discurso golpista', com foco em sua luta acirrada com o Supremo Tribunal Federal."

Para dois jornais europeus, no entanto, os protestos foram uma demonstração de força do presidente brasileiro.

O espanhol El País afirmou que Bolsonaro "conseguiu a demonstração de força que procurava neste 7 de setembro, 199º aniversário da independência do Brasil de Portugal".

'El País: "Bolsonaro endurece ameaça o Supremo Tribunal Federal em mobilização massiva"

"Com o patriotismo e a liberdade como bandeiras, o ultradireitista trouxe grandes multidões às ruas em meio à pandemia de Brasília, São Paulo e outras cidades", escreve o diário espanhol.

"Seu discurso, em tom messiânico e diante de uma multidão, incluiu uma ameaça de golpe aos juízes da Suprema Corte que o investigam por espalhar notícias falsas."

'Imprensa internacional voltou a destacar nesta quarta-feira os protestos de 7 de setembros convocados por Bolsonaro

"Como bom populista, o presidente de extrema direita fala constantemente ao povo e se coloca acima do Congresso, como o máximo intérprete dos desejos populares. Seus constantes ataques à separação de poderes e seus gestos autoritários alimentam periodicamente o temor de um autogolpe ou de algum tipo de quebra da ordem constitucional na terceira maior democracia do mundo."

O jornal espanhol também traz uma coluna de opinião da jornalista brasileira Eliane Brum no qual ela escreve: "O que fazer quando um presidente se comporta como um terrorista e impõe o terror de Estado a seus oponentes na data cívica mais simbólica do país?"

'Le Monde destacou: 'Para o dia nacional do Brasil, Bolsonaro consegue mobilizar amplamente e ameaça um pouco mais a democracia'

O jornal francês Le Monde também destacou a adesão aos protestos convocados por Bolsonaro'.

"Se dizia que ele está encurralado, cambaleando. À beira do abismo, enfraquecido por uma impopularidade recorde, vários inquéritos judiciais e crises repetidas. Mas talvez o tenham enterrado um pouco cedo demais. Contra todas as probabilidades, Jair Bolsonaro conseguiu na terça-feira, 7 de setembro, mobilizar seus apoiadores em massa nas ruas do Brasil, por ocasião do Dia da Independêncial."

Brasil 'no limite'

Os jornais financeiros destacaram as incertezas do Brasil diante das manifestações — e ressaltaram que pesquisas de opinião mostram que o apoio a Bolsonaro está encolhendo no Brasil.

A manifestação convocada pelo presidente Jair Bolsonaro para o 7 de setembro "alimentou a tensão que existe no Brasil" e colocou o país "no limite", na avaliação do jornal britânico Financial Times publicada na edição desta quarta-feira.

Segundo o britânico Financial Times, "os protestos (convocados por Bolsonaro) geram medo de violência contra juízes após críticas do presidente".

"Apesar das grandes multidões esperadas ontem, um feriado nacional, a popularidade de Bolsonaro está diminuindo drasticamente, já que sua retórica antidemocrática assustou muitos antigos apoiadores, como a comunidade empresarial", afirma o Financial Times.

"Na avenida Faria Lima, em São Paulo, a versão brasileira de Wall Street, executivos admitem silenciosamente que a turbulência política está prejudicando os investimentos na maior economia da América Latina."

Outro jornal influente na comunidade financeira internacional, o Wall Street Journal, também publicou nesta quarta-feira reportagem sobre os protestos de 7 de setembro.

'Wall Street Journal: "Presidente Bolsonaro reúne apoiadores antes da campanha de reeleição"

"Com seu índice de aprovação caindo em meio ao aumento da inflação e 584 mil mortes por covid-19, Bolsonaro convocou seus partidários para se manifestarem na terça-feira — o Dia da Independência do Brasil — contra as instituições que ele afirma que estão prestes a derrubá-lo. Além do tribunal superior, Bolsonaro está lutando contra promotores, adversários no Congresso, a justiça eleitoral e alguns governadores de Estado, incluindo o de São Paulo, João Doria. Ele também enfrenta o desafio de tentar vencer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição do próximo ano", destaca o jornal.

O jornal americano também destacou os ataques de Bolsonaro contra a urna eletrônica.

"Observadores internacionais de democracia elogiam amplamente o sistema de votação eletrônica do Brasil, mas Bolsonaro disse que ele é vulnerável a fraudes", escreve o Wall Street Journal.

O jornal também cita entrevistas com cientistas políticos que alertam que "o discurso inflamado de Bolsonaro na terça-feira corre o risco de minar ainda mais a confiança dos brasileiros em suas instituições, que já era baixa antes de ele assumir o cargo no início de 2019".

O jornal americano Washington Post destacou a prisão de Jason Miller, ex-conselheiro do ex-presidente americano Donald Trump e criador da rede social GETTR, que pretende abrigar os principais representantes da direita global.

Quando deixava o país, na manhã de terça-feira, Jason Miller foi conduzido à sala da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Brasília para ser ouvido no âmbito do inquérito das fake news, sob o comando do ministrodo STF Alexandre de Moraes.

"Jason Miller, ex-conselheiro sênior de Donald Trump, disse na terça-feira que foi brevemente detido e interrogado pelas autoridades brasileiras em um dia em que o país sul-americano se aproximava ainda mais de uma crise constitucional completa", escreveu o Washington Post.

"A popularidade de Bolsonaro despencou nos últimos meses, à medida que o coronavírus devastou o país, a economia eliminou milhões de empregos e as investigações sobre sua conduta se intensificaram. Seu desconforto com as investigações tem alimentado comentários cada vez mais belicosos, tanto dele quanto de seus apoiadores, alguns dos quais o pediram repetidamente para liderar uma tomada militar do país e depor aqueles que procuraram restringir seu poder."

O jornal britânico The Guardian destacava na sua capa nesta quarta-feira uma reportagem intitulada: "Os obstinados apoiadores de Bolsonaro vão às ruas do Brasil para incitar pelotões de fuzilamento e golpes".

Na terça-feira, outros veículos como o The Guardian, o New York Times, a Der Spiegel e o El Clarin também haviam noticiado os protestos no Brasil.

BBC Brasil

7 de Setembro: Bolsonaro faz Brasil parecer república das bananas, diz analista dos EUA




Policiais militares isolam área próxima ao Congresso Nacional para evitar aproximação de manifestantes pró-Bolsonaro

Por Mariana Sanches, em Washington

A democracia brasileira saiu mais fraca do 199º aniversário da independência do Brasil, analisa a cientista política Amy Erica Smith, especialista em democracia e regimes autoritários na América Latina, particularmente no Brasil.

Em protestos que atraíram centenas de milhares de pessoas neste 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não cumprirá decisões judiciais, ameaçou fechar o Supremo Tribunal Federal, disse que um dos ministros, Alexandre de Moraes, "açoita a democracia", chamou o processo eleitoral sem voto impresso de "farsa" e disse que apenas Deus pode tirá-lo da Presidência.

"É possível que as coisas agora tenham chegado a um ponto tão ruim que forcem a ação de outros poderes", opina ela.

Após Bolsonaro intensificar os ataques ao Supremo e ameaçar não cumprir decisões do ministro Alexandre de Moraes, aumentaram as cobranças pela abertura de um processo de impeachment no Congresso.

Para a estudiosa, a demonstração de força de Bolsonaro não foi um "fracasso total", dado o número de pessoas que ele atraiu e a disseminação de suas palavras, mas deixou claro que Bolsonaro não reúne condições de dar um golpe. "Se tivesse, ele já teria dado".

Smith observa que Bolsonaro e seus apoiadores tentam projetar uma imagem de lideranças da direita global, com placas em inglês contra o STF e apoio de ex-assessores de Trump em suas empreitadas, mas, para a maioria da audiência internacional, "Bolsonaro pinta o Brasil como uma república das bananas".

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Amy Erica Smith à BBC News Brasil, editadas por clareza e concisão.

BBC News Brasil - Como qualifica os acontecimentos desse 7 de setembro?

Amy Erica Smith - A multidão tinha um tamanho razoável e o discurso de Bolsonaro está mais radical, talvez o mais radical que se possa ser sem provocar um confronto direto e imediato. O tipo de ataque que ele fez ao ministro Alexandre de Moraes hoje cruza a linha da democracia. As coisas que Bolsonaro disse não satisfazem os mínimos requisitos da democracia e, se for permitido que ele continue a fazer esse tipo de declaração, as coisas ficarão muito ruins no Brasil.

Ele até poderia recuar, mas não acredito que irá. A essa altura, nós já vimos o suficiente pra identificar um padrão de alguém que vai gradualmente ficando mais e mais radical. Declarações como "só saio da presidência morto" são extremamente anti-democráticas, assim como tudo o que ele disse hoje. Desse ponto em diante, as coisas só pioram.

BBC News Brasil - Alguns analistas, como o filósofo Marcos Nobre, veem nos movimentos de Bolsonaro em 7 de setembro uma espécie de ensaio do golpe, um teste de quão longe se pode ir. A senhora concorda?

Smith - Se Bolsonaro tivesse apoio para um golpe, provavelmente ele já teria dado um golpe. Muito do que ele faz é projetado para tentar atrair mais pessoas para o seu lado e viabilizar um golpe. Está claro que, se pudesse ter fechado o Supremo Tribunal Federal há um ano, ele já teria feito isso.

'Bolsonaro fez desfile em carro aberto em Brasília, pouco antes de discursar com ameaças ao Supremo Tribunal Federal e à realização de eleições'

Mas ele não tem apoio institucional para fazer isso, nem dos militares nem de outros políticos. E se tentasse, não conseguiria se segurar no poder. Então acho que o termo ensaio não cabe, porque a verdade é que se ele tivesse tido condições de dar um golpe ontem, ele teria dado. E seus apoiadores também teriam apoiado o golpe se ele tivesse tentado.

O que eu acho que Bolsonaro está fazendo é deliberadamente mostrando que seu interesse é golpista e tentando arregimentar pessoas pra sua causa. Isso é mais um alerta do que ele gostaria de fazer se conseguisse obter mais poder. E eu acho que foi uma tentativa também de satisfazer alguns de seus apoiadores mais radicais, que pediam por esse tipo de comportamento. Então ele manda uma mensagem para esses apoiadores ao mesmo tempo em que tenta intimidar o Supremo e Congresso. E, honestamente, não vejo como isso possa ter funcionado, nem para intimidar, nem para ganhar novos apoiadores.

BBC News Brasil - Bolsonaro terminou o sete de setembro mais forte ou mais fraco do que começou o dia?

Smith - Não acho que foi um fracasso completo. Ele conseguiu reunir uma massa moderadamente grande. Não foi uma massa esmagadora, mas atraiu público e conseguiu levar seus discursos à TV. Mas em termos eleitorais práticos, a popularidade dele ainda está na casa de 20% e não houve ali nenhum sinal de que ele tem poder suficiente para mobilizar eleitores a ponto de alterar o cálculo eleitoral dos partidos em favor dele.

Já em relação à crise institucional, ao conflito com outros poderes, Bolsonaro termina o dia bem mais radical e aparentemente tendo dito coisas que podem levar a ações legais contra ele no Supremo e ao seu impeachment no Congresso. Esses são cenários possíveis. Então, ele sai do sete de setembro mais vulnerável em relação aos demais poderes. E podemos esperar resposta ao menos da Suprema Corte, com certeza.

BBC News Brasil - O Brasil vive uma crise institucional grave. Hoje o presidente disse que só Deus o tira do cargo, que não cumprirá decisões judiciais de um dos ministros do Supremo e que não participará do que chamou de "farsa" das eleições sem votos impresso. Com isso, afrontou o Congresso e a Suprema Corte. Como fica a democracia depois disso?

Smith - O que está claro é que a democracia brasileira saiu do sete de setembro mais fraca, em uma crise maior. Mas é possível que agora as coisas tenham chegado a um ponto tão ruim que forcem a ação de outros poderes. A democracia brasileira está em grande risco, especialmente com as ameaças ao Supremo.

BBC News Brasil - Alguns líderes partidários voltaram a falar em impeachment, e esse é um assunto que tem rondado a gestão Bolsonaro, mas nunca como algo viável. Isso pode ter mudado ontem?

Smith - As coisas que Bolsonaro falou ontem certamente aumentam suas chances de sofrer um impeachment. O sete de setembro pode ser o começo do fim pra ele.

Ele chamou o Conselho da República (órgão que decide sobre intervenção federal) e disse que mostraria a eles a fotografia do povo. Isso, em outras condições, seria o chamamento para o golpe. Mas as pessoas que compõem esse Conselho da República não dirão: 'sim, senhor, vamos dar um golpe'. Então é difícil entender os reais efeitos do que Bolsonaro diz. É bizarro imaginar que ele pense que os demais chefes de poderes vão coadunar com essa ideia. Não é possível que ele próprio acredite nisso. Pode ser um teatro político, mas não deixa de ser perigoso.

BBC News Brasil - A economia brasileira patina, e investidores estrangeiros não se sentem confortáveis em trazer seu dinheiro ao país. Como diferentes observadores internacionais veem o que acontece no Brasil e o que esperam do país?

Smith - É terrível para os negócios e os manifestos do agronegócio e de empresários brasileiros contra as ações de Bolsonaro mostram isso. Bolsonaro pinta o Brasil como uma república das bananas. O que estamos vendo hoje é uma instabilidade extrema e o que o presidente promete aos investidores é ainda mais instabilidade por vir. O comportamento de Bolsonaro em si é péssimo para atrair os investimentos. Essa instabilidade política poderia ser resolvida com um novo presidente, mas parte dos danos à imagem do Brasil no exterior, a relações com os EUA e a Europa, essas coisas demoram mais tempo a serem reparadas.

BBC News Brasil - Ainda em relação às relações internacionais, como vê o fato de ex-assessores de Trump, como Jason Miller e Steve Bannon, mostrarem tanta proximidade e interesse com o governo - e a campanha - de Bolsonaro?

Smith - Não são só os assessores, mas também chama a atenção a quantidade de placas em inglês carregadas por bolsonaristas. E isso acontece porque a direita, e especialmente a extrema-direita, da qual Bolsonaro faz parte, é um movimento de laços internacionais muito fortes. Isso é muito emblemático de que o presidente se vê como parte de uma direita global e acredita que ela poderá ajudá-lo. Mas a verdade é que a direita global - e especialmente a americana - não é mais tão poderosa quanto já foi e não será capaz de ajudá-lo nessa crise institucional. Todo o apoio do mundo de Trump e seu grupo não salvarão Bolsonaro. E isso seria verdade mesmo se Trump ainda fosse presidente, mas é ainda mais óbvio agora que Trump está fora do poder.

'Para especialista, democracia brasileira e Bolsonaro saíram perdendo dos protestos de 7 de Setembro'

BBC News Brasil - Vimos manifestações contra e a favor de Bolsonaro no sete de setembro. Ambas diziam defender a democracia. O que significa essa contradição?

Smith - Isso é algo muito perigoso para a democracia, porque a situação de polarização e partidarização atingiu tal nível que pessoas com ideias totalmente opostas do que democracia signifique estejam dispostas a lutar até o fim umas com as outras enquanto supostamente defendem a mesma coisa. Isso é uma prova da tensão do estado de coisas na democracia brasileira.

BBC Brasil

Moraes devolve processos, e STF retomará julgamento de regras do governo para armas

Moraes devolve processos, e STF retomará julgamento de regras do governo para armas
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para o próximo dia 17 a retomada do julgamento de ações que questionam a política armamentista do governo Bolsonaro. Os temas já tinham sido levados ao plenário virtual do STF em ocasiões anteriores, mas tiveram a análise adiada por pedidos de vista do ministro Alexandre de Moraes. Agora, Moraes devolveu os processos, o que permitiu que os julgamentos pudessem ser novamente agendados.

 

Nesta terça (7), durante atos políticos em São Paulo e Brasília nos quais fez ameaças golpistas ao Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não mais cumprirá decisões de Alexandre de Moraes. As ameaças provocaram reação do ministro Luiz Fux, presidente do STF. Na abertura da sessão desta quarta-feira, ele afirmou que é "crime de responsabilidade" o desprezo a decisões judiciais. 

 

Com a devolução dos processos por Moraes, os ministros vão decidir sobre a constitucionalidade de decretos e atos do governo federal que alteram as regras para a posse, compra, registro e tributação sobre armas e munições, segundo o G1.

 

O julgamento será no plenário virtual, modalidade de deliberação em que os ministros apresentam os votos por escrito, sem a necessidade de uma sessão presencial ou por videoconferência. O plenário virtual ficará aberto para apresentação dos votos até dia 24.

Bahia Notícias

PT não deve aderir movimento contra Bolsonaro marcado para próximo domingo

por Matheus Caldas

PT não deve aderir movimento contra Bolsonaro marcado para próximo domingo
Foto: Marcos Corrêa/PR

O PT, maior partido de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), não deve aderir institucionalmente ao ato marcado para acontecer neste domingo (12) em reação às manifestações bolsonaristas realizadas na última terça-feira (7), durante o feriado de 7 de Setembro.

 

A informação foi divulgada ao Bahia Notícias pelo presidente do PT no estado, Éden Valadares, que conversou nesta quarta-feira (8) com a presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann. “Nossa posição é de reconhecer como legítimo e bem-vindo qualquer mobilização pelo ‘fora, Bolsonaro’, contra a postura autoritária e antidemocrática de Bolsonaro, mas, para construir algo em conjunto, é preciso uma construção conjunta e não por adesão”, explicou, em entrevista ao Bahia Notícias.

 

“Entendemos que toda manifestação pró-democracia, contra Bolsonaro, é bem-vinda, mas uma mobilização que seja realmente nacional e que tenha participação de todo o campo democrático demanda um processo de construção, não pode ser feito por adesão”, acrescentou.

 

Éden, contudo, pontua que a posição não foi debatida com membros da executiva estadual do PT. Ele ainda indica que, futuramente, pode haver mobilizações capitaneadas por partidos de esquerda, de centro, movimentos sociais e setores da sociedade civil. 

 

“Esses dois campos, a esquerda e o centro, podem juntos construir num outro momento uma mobilização conjunta? Podemos. Mas isso ainda demanda maior amadurecimento e mais diálogo”, comentou.

 

As afirmações do dirigente petista ocorrem em meio às articulações do Movimento Brasil Livre (MBL) e VPR (Vem Pra Rua), compostos por políticos da direita não bolsonarista, que estão organizando atos para o próximo domingo - embora haja adesão de Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central, quatro das maiores centrais sindicais do país. 

 

O movimento, no entanto, deve ser tímido na Bahia. De acordo com o coordenador do MBL no estado, Siqueira Júnior, o grupo decidiu focar as atenções para Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Santa Catarina. “Foram locais estratégicos que dão visibilidade à manifestação. Aqui em Salvador temos os bolsonaristas e o pessoal de esquerda. Só teriam o Livres e o Novo que podiam fazer algo nesse sentido. Tentei contato, mas eles não se manifestaram. A gente preferiu abrir mão de fazer aqui. Teria que ter uma organização muito grande que teria que ter começado há mais tempo. Agora, está em cima da hora”, declarou, em entrevista ao BN. 

 

“Temos também problema que o Facebook não tem mais o mesmo alcance que antes. Ficou muito mais difícil aglutinar pessoas dessa maneira”, emendou.

 

Desta forma, as manifestações devem ser tímidas, mas não devem deixar de acontecer. O presidente do PSOL na Bahia, Fábio Nogueira, indicou que o partido deve realizar ato contra Bolsonaro - ele, no entanto, não detalhou como seria.

 

Siqueira Jr. ainda indicou que representantes do grupo Livres e do partido Novo devem fazer um ato simbólico em Salvador para protestar contra o presidente da República. 

Bahia Notícias

Ao sobrevoar ato em Brasília com Bolsonaro, ministro causou desconforto em militares

Publicado em 8 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

O presidente Jair Bolsonaro faz sobrevoo sobre manifestação na Esplanada dos Ministérios acompanhado do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e do seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro

Ao lado de Bolsonaro, o ministro acompanha a manifestação

Naira Trindade
O Globo

Interlocutor do governo Bolsonaro com as Forças Armadas, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, sobrevoou ao lado do presidente o ato deste 7 de setembro realizado em Brasília. A participação do general da reserva em eventos políticos têm gerado desconforto na caserna.

Ao embarcar no helicóptero, o ministro da Defesa reproduziu um episódio protagonizado por seu antecessor, o ex-chefe da pasta Fernando Azevedo e Silva, que, em 2020, também subiu a bordo de uma aeronave para sobrevoar ao lado de Bolsonaro os atos antidemocráticos em Brasília, que atacavam os ministros do Supremo Tribunal Federal.

TOFFOLI COBROU – A ação de Azevedo e Silva, à época, foi questionada pelo então presidente do Supremo, ministro Antonio Dias Toffoli, que cobrou uma explicação sobre o ocorrido. Antes de assumir a pasta, Azevedo era assessor do magistrado na Corte.

Naquele episódio, a Defesa alegou que o general acompanhara Bolsonaro “para checar as condições de segurança” na Esplanada dos Ministérios, mesma justificativa adotada agora por Braga Netto.

Azevedo e Silva deixou as Forças Armadas após relação dúbia com a política. Ele foi substituído por Braga Netto, que trocou o comando de Exército, Marinha e Aeronáutica. Agora, Braga Netto repete os passos do antecessor. Estavam também no helicóptero o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e o senador Marcos Rogério, integrante da CPI da Covid.

OUTRAS OCASIÕES – Esta não é a primeira vez que Braga Netto participa de manifestações políticas ao lado do presidente. Em maio passado, já no comando do Ministério da Defesa, o general da reserva esteve em um ato pró-governo, o que também motivou críticas na caserna.

À época, Braga Netto discursou e manifestantes gritavam “eu autorizo”, bordão criado para manifestar apoio a uma ação do presidente Jair Bolsonaro contra medidas restritivas de governadores e prefeitos. O grito não foi feito no discurso de outros ministros presentes.

Além de Braga Netto, a participação do ex-ministro e general da ativa Eduardo Pazuello em um ato político no Rio de Janeiro, também irritou integrantes das Forças Armadas. Da ativa, Pazuello precisa cumprir regras militares que vedam participação em atos políticos.

Fracassa a greve fake de caminhoneiros e Bolsonaro não tem mais cartas na manga

Publicado em 9 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

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Em vários pontos do país houve protestos contra o Supremo

Marlla Sabino, Amanda Pupo e Isadora Duarte
Estadão

O Ministério de Infraestrutura informou nesta quarta-feira, 8, que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) atua para desmobilizar bloqueios de estradas realizados por caminhoneiros em oito Estados. A previsão, segundo nota da pasta, é garantir o livre fluxo nas rodovias, com a tendência de fim das mobilizações, até às 0h desta quinta-feira, 9. Os bloqueios começaram ontem, durante as manifestações do 7 de Setembro, convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o órgão, são registrados pontos de concentração em rodovias federais com abordagem a veículos de cargas nos seguintes Estados: Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Maranhão e Rio Grande do Sul. Além desses, houve também protestos no Rio de Janeiro, o que aumenta o número para nove Estados.

FAKE VIDEOS – Segundo o ministério, em nenhum ponto é registrado bloqueio total da pista. “Ao todo, já foram debeladas 67 ocorrências com concentração de populares e tentativas de bloqueio total ou parcial de rodovias durante as últimas horas”, afirmou o ministério.

“A PRF encontra-se em todos os locais identificados e trabalha pela garantia do livre fluxo com a tendência de fim das mobilizações até a 0h do dia 09/09”, disse o ministério, que afirmou ainda ser “importante alertar que a disseminação de vídeos e fotos por meio de redes sociais não necessariamente reflete o estado atual da malha rodoviária”.

Dois protestos de caminhoneiros em favor do governo do presidente Jair Bolsonaro e contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ocorrem também em rodovias federais do Estado do Rio de Janeiro. Às 18h15, uma das rodovias estava totalmente interditada para caminhões, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

SEM DESABASTECIMENTO – O Ministério de Infraestrutura informou ainda que os atos não são organizados por qualquer entidade setorial do transporte rodoviário de cargas e que a composição das mobilizações é heterogênea, “não se limitando a demandas ligadas à categoria”. A pasta disse ainda que não há previsão, no momento, de que os bloqueios nas rodovias afetem o abastecimento de produtos no País.

No entanto, essas concentrações já preocupam distribuidoras de combustíveis que temem o desabastecimento dos mercados. As empresas temem que faltem produtos como gasolina e óleo diesel nas próximas 12 horas desta quarta-feira. A situação mais crítica é em Santa Catarina e Mato Grosso, mas algumas cidades de outros Estados já estão com fornecimento comprometido.

Esse medo também foi manifestado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). Em nota de repúdio aos bloqueios, a entidade que representa transportadoras reforçou que tais bloqueios e suas eventuais consequências para o abastecimento poderão atingir diretamente o consumidor final e o comércio de produtos de todas as naturezas, incluindo alimentos, medicamentos e combustíveis.

CHICÃO FORAGIDO – Um dos líderes do movimento intitulado de “caminhoneiros patriotas”, Francisco Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, diz que entregará hoje um documento ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pedindo a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “O povo brasileiro não aguenta mais esse momento que País está atravessando através da forma impositiva que STF vem se posicionando. O povo brasileiro está aqui (Esplanada dos Ministérios) buscando solução e só vamos sair daqui com solução na mão”, disse Chicão, que preside União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC) e está foragido da Justiça, com ordem de prisão decretada.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava),  Wallace Landim, conhecido como Chorão, avalia que o movimento é de cunho político com participação de empresários de transporte e seus funcionários celetistas, e não de transportadores autônomos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Em tradução simultânea, fracassou a greve fake de caminhoneiros. Assim, Bolsonaro não tem mais nenhuma carta na manga e precisa cair na real(C.N.)

Ao insistir na arruaça e truculência golpista, Bolsonaro só faz aprofundar seu fracasso


Leia a íntegra do discurso de Bolsonaro no ato de 7 de Setembro em Brasília  | O Antagonista

Bolsonaro vibrou com a multidão na Esplanada dos Ministérios

Ednei Dutra de Freitas

Paira no ar um frisson, de certa forma compartilhado por bolsonaristas e antibolsonaristas, sobre qual foi a imagem de maior impacto no período de 7 a 12 de setembro — vale dizer, a foto com mais manifestantes, como se isso retratasse a maioria dos brasileiros. Trata-se de um equívoco flagrante.

A ciência da pesquisa, como no levantamento conduzido pelo Datafolha em junho de 2020, mostra que a maioria esmagadora de 75% dos brasileiros é favorável à democracia — e que para 78% o regime militar foi uma ditadura da qual não há saudades.

BOLSONARO ERRA – Não importa o quão fanaticamente os bolsonaristas apoiem seu chefe e o quanto os opositores estejam menos mobilizados ainda em respeito à crise sanitária; nada muda o fato de que Jair Bolsonaro erra, mais uma vez, ao incentivar atos golpistas repudiados pela imensa maioria que não irá às ruas.

Repudiados também pelos setores organizados da sociedade que, a despeito de preferências e interesses heterogêneos, compreendem que só o ambiente de livre manifestação do pensamento e respeito ao Estado de Direito permite a apresentação de demandas e a busca por justiça e prosperidade.

Tal entendimento se espelha na representação política. Entre governadores, prefeitos e parlamentares inexiste massa crítica a encorajar ensaios de ruptura. A sustentação fisiológica ao governo no Congresso não faz mais do que levar adiante projetos econômicos e evitar o impeachment.

AMADURECIMENTO – As instituições, ainda que imperfeitas, se encontram amadurecidas por mais de três décadas de democracia — o período mais longo de normalidade na história republicana — e consolidação dos freios e contrapesos a serem respeitados por todos os Poderes.

Está claro para todos que o alarido provocado por Bolsonaro deriva de sua incapacidade de governar e da perspectiva de ser mandado para casa pelos brasileiros em uma eleição livre e justa, como têm sido todos os pleitos realizados no país.

O mandatário usou a data nacional para uma demonstração de suposta força. Ainda conta, não é novidade, com o apoio de parcela minoritária, mas ainda expressiva, do eleitorado. Mas só aprofunda seu fracasso ao insistir na arruaça e na truculência golpista.

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