terça-feira, novembro 24, 2020

Justiça do Amazonas manda a júri filho de ex-deputado pela morte de pistoleiro que se negou a matar juíza


TRIBUNA DA INTERNET | Custo da violência e da impunidade no Brasil já chega  a 6% do PIB

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Deu no Estadão

O juiz George Hamilton Lins, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, mandou a júri Givanil Freitas Santos, Jair Martins da Silva e Raphael Wallace Saraiva de Souza, acusados de envolvimento na morte de Luís João Macedo de Souza, o ‘Luís Pulga’. O pistoleiro foi assassinado na noite de 3 de abril de 2008 em um açougue na zona Leste de Manaus.

Os três réus já tinham sido pronunciados pelo crime em 2015, mas a defesa recorreu da sentença no Tribunal de Justiça do Amazonas. No dia 18 de maio deste ano, os desembargadores a 1ª Câmara Criminal da Corte anularam a sentença de pronúncia, remetendo o processo novamente à 1ª Vara do Tribunal do Júri. Com a nova sentença, assinada no último dia 13, o julgamento deverá ser pautado para o próximo ano.

CORONEL PRESO – As informações foram divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Amazonas. De acordo com as investigações, Raphael Wallace Souza e seu pai, o então deputado estadual Francisco Wallace Cavalcante de Souza (falecido), teriam cogitado o assassinato da juíza federal Jaíza Fraxe, em razão de ter decretado a prisão do coronel da Polícia Militar do Estado do Amazonas Felipe Arce e de outras pessoas na chamada ‘Operação Centurião’, prejudicando os interesses da ‘quadrilha criminosa da qual faziam parte’.

Raphael e Wallace teriam então pedido ao pistoleiro ‘Luiz Pulga’ que matasse a magistrada. Ele recusou o serviço, o que motivou uma discussão com Raphael, segundo os autos. O filho do ex-deputado teria ainda voltado a procurar ‘Luiz Pulga’ repetindo a proposta.

AMEAÇA DE DELAÇÃO – No entanto, o pistoleiro teria recusado novamente, dizendo ainda que, se o filho do ex-deputado insistisse no plano, delataria o plano ao Ministério Público Federal.

Inconformado com a recusa e preocupado com a ameaça de ser denunciado ao MPF, Raphael teria contratado Juarez dos Santos Medeiros para matar o pistoleiro. De acordo com as investigações, ‘Luiz Pulga’ foi abordado por Jair Martins, que o conduziu a um açougue no bairro Coroado, onde acabou sendo assassinado.

A reportagem busca contato com as defesas dos pronunciados. O espaço está aberto para manifestações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Nem mesmo quando se tratar de matar uma juíza o processo consegue tramitar com celeridade. A reportagem escancara a realidade da Justiça brasileira, na qual os processos se eternizam e os réus se beneficiam com a prescrição, os recursos protelatórios e a impunidade garantidaE quando a Justiça não funciona, é certo que não existe democracia plena. (C.N.)

Boulos representa a restauração do lulismo, porque o PSOL virou “linha auxiliar” do PT


Nani Humor: LULISTAS

Charge do Nani (nanihumor.com)

Demétrio Magnoli
Folha

Bruno Covas obteve 32% dos votos no primeiro turno, um resultado fraco que reflete tanto sua falta de brilho quanto a elevada rejeição de João Doria, seu padrinho político. Covas é um gerente cinzento da cidade que existe —ou seja, de uma metrópole cuja riqueza contrasta com níveis intoleráveis de exclusão social e segregação urbana. Mas tem a sorte de enfrentar um adversário que pretende fazer a história girar em círculos, reincidindo no discurso de uma esquerda congelada no tempo.

Guilherme Boulos representa uma renovação de fachada: a restauração do lulismo. O PSOL nasceu como cisão à esquerda do PT, como sonho de recuperação do “PT das origens”.

LEGENDA AUXILIAR – O pacto entre Boulos e Marcelo Freixo, firmado há dois anos, colocou ponto final na aventura, convertendo o partido em legenda auxiliar do PT. Hoje, o partido menor ecoa as sentenças básicas do maior e sua existência reflete, exclusivamente, os benefícios estatais ligados à proliferação de legendas partidárias. Não é casual que, no início da campanha, as celebridades carimbadas petistas tenham oferecido apoio a Boulos, em detrimento do “apparatchik” Jilmar Tatto.

O “PT das origens” desponta, como fantasia, na seleção de Luiza Erundina para vice da chapa. O discurso lulista emerge, como realidade, em cada uma das declarações de Boulos.

A paixão estatista, que caminha junto com o desprezo pela sustentabilidade das contas públicas, espraia-se por todo o programa.

DESATINO FINANCEIRO – Há pouco, iconicamente, os traços gêmeos manifestaram-se na forma de um desatino financeiro. Esquecendo-se de insignificantes detalhes como custos salariais e aposentadorias futuras, Boulos sustentou sua proposta de contratar incontáveis novos funcionários municipais com o argumento de equilibrar a balança previdenciária.

“Como é que ninguém pensou nisso antes!? Gênio! Se dobrarmos o número de funcionários, eliminaremos o déficit; imagina se decuplicarmos…”, ironizou Alexandre Schwartsman.

O passado esmaga o presente, enterrando na ravina do descrédito uma plataforma necessária de reformas de cunho social.

A gestão Covas, como tantas precedentes, governa para uma cidade miniaturizada, que quase cabe na moldura dos rios Pinheiros e Tietê.

PONTOS CORRETOS – Boulos tem razão quando fala em corredores de ônibus, nos contratos municipais com as empresas de transporte, no desamparo dos entregadores de aplicativos, na violência policial cotidiana nas periferias, na desapropriação legal de imóveis privados abandonados. São, porém, apontamentos corretos dissociados de planos abrangentes viáveis.

Covas aponta um dedo acusador para o suposto radicalismo de seu adversário. De fato, porém, falta a Boulos o tempero radical da reforma urbana. O candidato promete construir 100 mil casas populares, retomando a meada conservadora do Minha Casa Minha Vida, um programa imobiliário de criação de guetos urbanos que propicia a constituição de currais eleitorais.

Nesse passo, circunda o imperativo de renovar o centro expandido por meio de arrojados projetos público-privados destinados a erguer áreas de uso múltiplo compartilhadas por diferentes faixas de renda.

SEM PLURALIDADE – “Radical é você”, retrucaria um Boulos utópico ao prefeito que, abraçado ao governador semibolsonarista, reitera infinitamente a cidade da gentrificação, do apartheid urbano e da violência. Mas o Boulos realmente existente não aprendeu nenhuma das lições emanadas do longo percurso do lulismo.

Sobretudo, como seu partido, não entendeu o valor da pluralidade política. “Eu não sou Jair Bolsonaro; trato a democracia, os Poderes, com diálogo”, respondeu Boulos diante de uma indagação sobre suas eventuais relações com a Câmara de Vereadores. “A Venezuela não é ditadura, Cuba não é ditadura, o governo Maduro foi eleito”, exclamou o mesmo Boulos em 2018.

O problema é que um Bolsonaro de esquerda continua a ser um Bolsonaro.​

Bolsonaro toma decisões estúpidas todo dia e vai se desmanchar no ar antes de 2022


Bolsonaro, a Rainha Louca

Charge do Duke (domtotal.com)

Fernando Gabeira
O Globo

No auge da quarentena, pensei que a última luta de minha vida seria contra um governo que destrói a natureza, a autoestima e a imagem internacional do Brasil. Confesso que dramatizei. Sinto-me aliviado agora e ouso fazer planos mais ambiciosos para depois da chegada da vacina.

O marco temporal dessa sensação de alívio é anterior à importante derrota de Donald Trump. Ele começa na prisão de Fabrício Queiroz. Ali emergiu com clareza o esquema de financiamento de Bolsonaro e seu clã. Ele não teria mais condições de pregar o fechamento do Congresso ou do STF. Os próprios militares, apesar de ambíguos até ali, não o seguiriam na aventura.

SOS CENTRÃO – Bolsonaro não teve outro caminho além de buscar aliados no Congresso, precisamente aqueles para os quais o desvio de dinheiro público não é um pecado capital. E de se aproximar desse tipo de juiz brasileiro que não hesita em absolver quando há excesso de provas contra o acusado.

A eleição de Biden resultou de uma ampla compreensão de que era necessária uma frente para derrotar Donald Trump e o Partido Republicano. A própria esquerda dos democratas, que vive um momento de ascensão, decidiu conceder para que a vitória fosse possível.

Ao término das eleições municipais, comecei a duvidar se era mesmo necessária uma frente para derrotar Bolsonaro. A construção de um instrumento como esse dá muito trabalho. É preciso constantemente se livrar dos caçadores de hereges, como chamava Churchill os que dentro de uma frente ampla estreitam e intoxicam o espaço com uma permanente lavagem de roupa suja.

POSSIBILIDADES – E se Bolsonaro se derreter com a rapidez com que se derrete Russomanno em suas campanhas? Ou mesmo se for resiliente como Crivella e chegar ao segundo turno com um índice de rejeição tão alto que perca para qualquer adversário?

Não consigo precisar o ritmo, mas acho que Bolsonaro toma decisões estúpidas diariamente e que ele vai se desmanchar no ar. Quando o vi selecionando uma lista de vereadores para apoiar, pensei: perdeu.

Não adianta conferir na urna se Wal do Açaí foi ou não eleita. Um presidente que se dedica a isso de certa forma está apenas dizendo que é pequeno demais para o cargo. Na verdade, essa é sua mensagem cotidiana.

MOBILIZAÇÃO – A constatação, no entanto, não pode desmobilizar. Bolsonaro continua à frente de uma política anticientífica que pode nos custar mais vidas no combate ao coronavírus.

A inexistência de uma frente ampla não significa que ela não possa ser erguida em cada momento em que a democracia for claramente ameaçada.

Da mesma maneira, o fracasso de Bolsonaro não significa que possa ser subestimado. A extrema-direita vai ocupar um espaço, embora muito menor do que ocupou nas eleições de 2018. Assim como na França, ela pode também trocar de líder para se modernizar.

POLARIZAÇÃO EM SP – O quadro eleitoral na maior cidade do país — Covas/Boulos — nos remeteu à clássica polarização do período democrático. Ilusório também pensar que tudo será como antes. O primeiro e grande tema de reflexão é este: Bolsonaro dissolve-se no ar, mas as condições que o fizeram ascender ao governo continuam vivas.

Este período dominado pelo discurso e prática da estupidez deveria ser usado para uma profunda crítica do processo de redemocratização. Mesmo sem a construção de uma frente ampla, a proximidade do abismo nos revelou como somos vulneráveis e semelhantes no ocaso da democracia.

Os Estados Unidos abriram o caminho livrando-se do grande pesadelo. Trilhar esse terreno minado será também de grande utilidade para o Brasil.

ATÉ 2022 – Afinal, são fenômenos políticos em realidades diferentes, mas partem de alguns pontos convergentes, como a aversão às iniciativas multilaterais.

Imitado por Bolsonaro, o isolamento americano abriu um imenso espaço. Biden representa uma correção de rumos, mas seria bom lembrar o tempo perdido: 15 nações asiáticas e da Oceania, representando um terço do PIB mundial, acabam de celebrar um acordo comercial de grande envergadura.

Aqui Bolsonaro briga com a Europa para defender grileiros, incendiários e contrabandistas de madeira. Aqui a Terra é plana, a hidroxicloroquina fabricada pelo Exército é remédio contra a Covid-19. Até quando não sei. Não passa de 2022, estou seguro.

Bolsonaro e seu vice Mourão já entraram em rota de colisão, é só questão de tempo


Iotti: "vicentríloquo" | GZH

Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)

Jussara Soares e Emilly Benhke
Estadão

A relação entre Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão vive mais um desgaste. Causa incômodo no presidente o comportamento do vice, que voltou a dar declarações diárias à imprensa, comentando e até contrariando suas palavras. A avaliação no Palácio do Planalto é a de que Mourão está usando o cargo e até o Conselho Nacional da Amazônia Legal, presidido por ele, para se projetar na disputa eleitoral de 2022.

A aliados, Bolsonaro já deu sinais de que não pretende manter o general como vice na corrida pela reeleição. Para interlocutores da Presidência, Mourão passou a se posicionar no jogo eleitoral quando percebeu que ficaria fora da chapa. O vice já chegou a admitir, em algumas ocasiões, que pode se candidatar a senador, daqui a dois anos.

CITADO POR MORO – O mal-estar entre os dois aumentou após o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro citar o general como uma opção de candidatura de centro nas próximas eleições ao Planalto.

A declaração, feita em entrevista ao jornal O Globo, foi vista por integrantes do governo como uma evidência de que o vice e o ex-ministro continuam se falando.

Mourão disse, por meio de sua assessoria, que isso não tem sentido e que, portanto, não iria se manifestar. Moro também não quis falar sobre o assunto. Os relatos sobre as desconfianças foram feitos ao Estadão por quatro auxiliares do presidente.

DELÍRIO ERA REAL – A tensão nos bastidores do governo ficou explícita na semana seguinte, quando Bolsonaro chamou de “delírio” a existência de um plano, por parte do governo, para criar mecanismos de expropriação de propriedades, no campo e nas cidades, com registros de queimadas e desmatamentos ilegais.

A medida consta de documento do Conselho Nacional da Amazônia Legal, revelado pelo Estadão. “Mais uma mentira do Estadão ou delírio de alguém do Governo. Para mim a propriedade privada é sagrada. O Brasil não é um país socialista/comunista”, escreveu o presidente nas redes sociais.

‘Se alguém levantar isso, eu demito. A não ser que seja indemissível’, diz Bolsonaro

MAIS CRÍTICAS – Horas depois, em conversa com apoiadores, Bolsonaro negou a proposta e disse que “ou é mais uma mentira ou alguém deslumbrado do governo resolveu plantar essa notícia aí.” O presidente não poupou críticas à medida. “A propriedade privada é sagrada. Não existe nenhuma hipótese nesse sentido. E se alguém levantar isso aí, eu simplesmente demito do governo. A não ser que essa pessoa seja indemissível”, afirmou.

Após a bronca pública, Mourão disse que o documento ao qual o Estadão teve acesso era apenas um estudo. “Se eu fosse o presidente, também estaria extremamente irritado porque isso é um estudo, é um trabalho que tem que ser ainda finalizado e só depois poderia ser submetido à decisão dele”, argumentou o vice.

GRAU DE SIGILO – “Eu me penitencio por não ter colocado grau de sigilo nesse documento porque, se eu tivesse colocado grau de sigilo, a pessoa que vazou o documento estaria incorrendo em crime previsto na nossa legislação”.

Ao admitir o vazamento, Mourão afirmou que “alguém mal intencionado pegou e entregou o documento completo para um órgão de imprensa”. Observou, ainda, que ali havia ideias para planejamento estratégico. Antes, no entanto, o vice havia dito que o estudo estava “totalmente fora de contexto”.

NÃO TEM CONVERSA – Em recente declaração à CNN, Bolsonaro desautorizou Mourão afirmando que não conversa com ele sobre Estados Unidos nem sobre qualquer outro assunto. O vice havia dito que “na hora certa” o presidente falaria sobre o resultado das eleições americanas. Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a vitória de Joe Biden para a Casa Branca e segue na posição de aguardar o fim das ações judiciais movidas pelo presidente Donald Trump, seu aliado.

“O que ele (Hamilton Mourão) falou sobre os Estados Unidos é opinião dele. Eu nunca conversei com o Mourão sobre assuntos dos Estados Unidos, como não tenho falado sobre qualquer outro assunto com ele”, disse o chefe do Executivo.

EM ROTAS OPOSTAS – Bolsonaro deixou de dar declarações diárias a repórteres diante do Palácio da Alvorada no fim de maio, quando veículos pararam de frequentar o local, que ficou conhecido como “cercadinho do Alvorada”, por falta de segurança. Desde o fim de junho, Mourão, por sua vez, voltou a atender jornalistas diante do gabinete da Vice-Presidência, localizado no prédio anexo do Planalto. O general também intensificou entrevistas e videoconferências.

Embora frequentemente encerre suas declarações dizendo que a palavra final é do presidente, Mourão costuma expor opiniões divergentes de Bolsonaro. O vice, por exemplo, se coloca a favor da tecnologia 5G da chinesa Huawei. Em recente live promovida pelo Itaú, ele voltou a falar em aprofundar a relação com a China na área tecnológica.

OPINIÕES DIVERGENTES – “Vejo com muito bons olhos a oportunidade de aprofundar a cooperação dos outros setores, principalmente na questão de ciência, tecnologia e inovação, onde os chineses estão avançando muito”, afirmou Mourão no mesmo dia em que o governo Bolsonaro aderiu aos princípios de um acordo tecnológico com os Estados Unidos contra o avanço do 5G chinês.

O general também confrontou Bolsonaro ao dizer que o governo brasileiro vai comprar a vacina produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Segundo Mourão, a resistência era movida por uma disputa com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A amizade entre Bolsonaro e Mourão não existe mais. É cada um para seu lado. É quase certo que Mourão se candidate a senador pelo Rio Grande do Sul ou Rio de Janeiro, depende da aceitação. (C.N.)

segunda-feira, novembro 23, 2020

Eleições 2020: Mais da metade dos prefeitos e vereadores conseguiu se eleger novamente


Charge do Néo Correio (bocadura.com)

Felipe Grandin
G1

Mais da metade dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores conseguiu se eleger para um novo cargo em 2020. Dos 54.504 candidatos que venceram na última eleição municipal, em 2016, 54% ganharam mais uma vez neste ano. No primeiro turno, 61% dos prefeitos eleitos ganharam outro mandato. Dos 3.324 que se candidataram, 2.037 mantiveram o cargo. E outros 4 se elegeram vereadores.

Entre os vice-prefeitos, o índice de sucesso foi menor, de 55%. Dos 3.400 que tentaram, 1.870 venceram a eleição. Desses, 1.177 se reelegeram, 446 se tornaram prefeitos e 247 viraram vereadores. Segundo o cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o índice de reeleição dos prefeitos está voltando aos patamares históricos após ter uma forte queda em 2016.

PÓS-IMPEACHMENT – Naquele ano, apenas 46,8% dos prefeitos que tentaram conseguiram um novo mandato. “O ponto fora da curva foi 2016, pós-impeachment da presidente Dilma Rousseff e em um momento de muita crítica à elite política do país”, afirma. “Entre 50% e 60% é o padrão histórico.”

Mais de 80% dos vereadores eleitos em 2016 foram candidatos neste ano. No entanto, eles tiveram uma taxa de sucesso menor que a dos prefeitos. Entre os vereadores, a taxa de sucesso eleitoral foi de 53% em 2020. Ao todo, 47.490 vereadores eleitos em 2016 se candidataram novamente.

Desse total, 23.444 se reelegeram, 1.356 viraram vice-prefeitos e 472, prefeitos. Dos que conseguiram um novo mandato, 87,5% mantiveram o cargo e 12,5% trocaram de função. Os prefeitos foram os que menos mudaram de cargo. E os vice-prefeitos foram os que mais trocaram.

Questão ambiental será dominante na relação entre Brasil e EUA no governo de Joe Biden

Posted on 

: "O ganho de 10 anos vai ser desfeito em menos de dois" |  GZH

Erros de Bolsonaro ameaçam exportações, diz Monica de Bolle 

Deu no Estadão

O Brasil vai ter no meio ambiente o fio condutor das relações bilaterais com o governo Joe Biden, disseram especialistas durante evento promovido nesta quinta-feira, 19, pelo Insper  e pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). Eles alertaram que será extremamente importante não apenas para o governo brasileiro, mas principalmente para o setor privado e agrícola, trabalhar para reverter a imagem de “vilão ambiental” que foi construída pelo País no exterior.

“Ainda não existe um posicionamento claro na equipe de Biden sobre o meio ambiente e como essa questão será tratada dentro do governo democrata, mas é claro que ela será essencial”, diz Monica de Bolle, pesquisadora do Petterson Institute e professora da Universidade Sais/Johns Hopkins. Ao lado de outros especialistas, ela participou de uma série especial promovida pelo Insper sobre os impactos do governo Biden para o Brasil.

SUSTENTABILIDADE – Apesar das indefinições que antecedem a posse do democrata, já é possível dizer que a sustentabilidade será o pilar principal da relação EUA-Brasil. “A pauta ambiental será de extrema importância para o País e pode ajudar a aliviar outras barreiras ideológicas que Bolsonaro evidentemente possui em relação a Biden”, analisa Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia.

Entre os pontos que o País precisa melhorar, Garman cita a necessidade do governo se empenhar nas negociações do Acordo de Paris e da próxima reunião da Conferência das Nações Unidas Sobre a Mudança Climática, a COP-25, que em virtude da pandemia, acontecerá em novembro de 2021.

Ao seguir por esse caminho, o País terá condições melhores não apenas para fazer negócios com os Estados Unidos, mas também com importantes potências da Europa, algo que está sendo perdido diante da atual imagem de vilão ambiental.

POTÊNCIA AMBIENTAL – “Temos uma agricultura e economia visivelmente sustentáveis, com um ótimo desempenho na preservação ambiental e um marco único de preservação do solo”, destaca Alexandre Mendonça de Barros, especialista em agronegócios e professor da Fundação Getúlio Vargas.

“Temos tudo para ser economicamente e socialmente uma grande potência ambiental, porém, acredito que vai demorar algum tempo até que o mundo volte a ver e reconhecer o potencial brasileiro”, analisa Barros.

A mudança na forma como o governo lida com as questões ambientais, no entanto, não deve partir apenas das lideranças políticas.

PRESSÃO AO GOVERNO – “É muito importante, nesse momento, que o setor privado, principalmente o agro, que pode ser um dos mais afetados em um eventual impasse ambiental com Biden, pressionem o governo a agir de forma diferente e contenham os eventuais impulsos de Bolsonaro de debater mais rispidamente essa questão com o presidente americano”, diz Monica de Bolle.

Se os índices de desmatamento na Amazônia voltarem a piorar durante a gestão Biden, o País poderá receber algumas punições do governo americano.

RISCO DE SANÇÕES –“Biden certamente não dará tanto valor para as birras ideológicas do governo, mas poderá reagir duramente se Bolsonaro continuar agindo com descaso em relação ao meio ambiente, que é uma das grandes bandeiras democratas”, diz Garman.

“Biden sabe a importância das relações com o Brasil e não vejo os Estados Unidos impondo sanções muito duras ao comércio brasileiro, mas acredito em um cenário no qual os americanos poderão aumentar os impostos cobrados sobre produtos chaves que o País exporta aos EUA”, conclui.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O chanceler Ernesto Araújo, no entanto, prefere transformar o Brasil num pária isolacionista, ao invés de inseri-lo no mercado global. Vamos pagar caro por essa política errática e injustificável, adotada por um governo sem dedicação ao interesse público. (C.N.)

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