Publicado em 29 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet
Charge de Orlando Pedroso (Canal Meio)
Valdo Cruz
Márcio Falcão
G1
A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma nova decisão que determina o cancelamento de precatórios em processos do setor sucroalcooleiro emitidos de forma irregular. A decisão prevê a restituição de cerca de R$ 2,36 bilhões para o Tesouro Nacional.
A medida foi tomada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, mas ainda será analisada pelo plenário do CNJ. A solicitação amplia os efeitos de uma decisão anterior do próprio CNJ que já havia barrado outros 16 precatórios irregulares do setor sucroalcooleiro, totalizando R$ 4,7 bilhões, em um processo ajuizado pela União contra o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Com isso, os valores bloqueados e direcionados de volta aos cofres públicos podem ultrapassar a marca de R$ 7 bilhões.
ESQUEMA – O Banco Master adquiria créditos de precatórios de empresas – principalmente, do setor sucroalcooleiro – com deságio, ou seja, por um valor mais baixo do que os títulos poderiam vir a valer após o fim de um processo judicial. Posteriormente, após fraudes financeiras ou mera declaração irreal de valores, o banco registrava esses “precatórios a receber” como parte de seu patrimônio. Na prática, os papéis valeriam menos do que o registrado na contabilidade.
Ao registrar precatórios e créditos duvidosos por valores superiores aos reais, o Banco Master forjava uma aparência de riqueza, parecendo muito mais sólido do que a realidade. Esse patrimônio fictício ou sobrevalorizado era utilizado para justificar aportes de capital e atender a exigências formais de saúde financeira impostas pelos órgãos fiscalizadores, em especial pelo Banco Central.
Com a suposta solidez atestada por esses ativos, a instituição conseguiu atrair investidores, movimentar bilhões em fundos e negociar operações de grande porte, acumulando um passivo bilionário ocultado por garantias de baixa qualidade.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Tem coisa que só parece bilhão até alguém mandar fazer a conta. No caso do Master, a conta chegou — e não fechou. Precatórios bilionários viraram patrimônio, patrimônio virou argumento de solidez e agora mais de R$ 7 bilhões podem voltar para o Tesouro. O curioso é que, enquanto os números pareciam grandiosos no papel, quase ninguém parece ter perguntado quanto havia de dinheiro de verdade por trás deles. No mercado, isso tem nome. Na contabilidade, também. (M.C)