sexta-feira, julho 24, 2026

Na briga entre Alessandro Vieira e Gilmar Mendes, quem sai perdendo é o país


PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar

PGR aponta uso eleitoreiro de CPI em caso envolvendo Gilmar

Vicente Limongi Netto

Homens públicos por vezes são levados pela emoção, causando feridas em sentimentos alheios. Esquecem que palavras moderadas ainda são os melhores caminhos para definir posições e defender pontos de vista.

Faço essas ponderações, do alto do meus quase 82 anos, para o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que reflita melhor, com as altas virtudes que tem, de magistrado culto e respeitado, para que alivie a ira e o processo contra o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

VIDA PÚBLICA – Gilmar e Alessandro são calejados. A vida pública precisa do fulgor democrático de ambos. Não conheço Alessandro de vista nem de chapéu, diria Machado de Assis. Sei, porém, que é parlamentar de elevado espírito público. Jovem membro do MDB. Respeitado pelos colegas. Foi delegado civil em Sergipe. Chegou a delegado-geral da instituição.

Gilmar Mendes está processando o senador por ter pedido seu indiciamento no relatório final da CPI do Crime Organizado. O ministro acusou Vieira de abuso de poder.

A CPI não aceitou indiciar o ministro, que então processou o parlamentar por abuso de poder. A Procuradoria-Geral da República concluiu que houve desvio de finalidade e enviou o caso à Justiça Eleitoral, o que pode tornar o senador inelegível. E Alessandro ameaça processar o ministro do STF.

Gilmar precisa lembrar que, neste mundo confuso de Deus, todos nós temos acessos de destrambelhos na alma. Quem jamais teve, que atire a primeira pedra.

TEREZA CRISTINA – Que fique claro para aqueles que preferem alimentar rumores em vez de se ater aos fatos, jamais passou pela cabeça da senadora Tereza Cristina integrar uma chapa como candidata a vice de Flávio Bolsonaro. Tereza Cristina foi uma excelente ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, reconhecimento que lhe conferiu projeção nacional. Mas, como ensinava Magalhães Pinto, “a política é como as nuvens: muda de forma e de posição conforme as circunstâncias”.

Com independência de pensamento, Tereza Cristina sempre tomou suas decisões de acordo com suas próprias convicções. Discreta, acompanha os embates da política com serenidade, senso de responsabilidade e preocupação com os rumos do país.

Em meio às disputas e especulações, é importante lembrar que o interesse público deve prevalecer. Infelizmente, há quem pareça mais preocupado com projetos pessoais do que com os interesses coletivos da sociedade.