sábado, julho 25, 2026

Flávio Bolsonaro emitiu 41 notas fiscais e quer ser candidato sem dizer quanto recebeu e quem pagou

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está, de novo, às voltas com o Banco Master. Dessa vez, não é áudio, vídeo ou conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro. São notas fiscais. Quem emitiu? O próprio senador.

A história começa há cinco anos. Eleito em 2018 para oito anos de mandato no Senado, o filho mais velho de Jair Bolsonaro entendeu que era possível ter atuação parlamentar e, ao mesmo tempo, abrir um escritório de advocacia. Fez isso em abril de 2021.

O endereço da empresa individual tem quatro consoantes: SMDB. Em Brasília é a sigla para o Setor de Mansões Dom Bosco, localidade onde está a casa de Flávio Bolsonaro. Ou seja, o senador teoricamente tem um home office.

A existência do tal escritório veio a público quando o próprio político disse que essa era uma das suas fontes de renda. Fazia parte da explicação da origem de recursos para quitar a mansão comprada com financiamento do Banco Regional de Brasília.

Agora, sabe-se que a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia emitiu, entre 2021 e 2025 pelo menos 41 notas fiscais. Três delas vieram a público. Uma, no valor de R$ 500 mil, seria fruto de uma consultoria jurídica. Outras duas, de mesmo valor, foram emitidas, mas canceladas na sequência.

O que tem de relevante nisso? As notas foram emitidas para empresas que estão vinculadas ao caso Master.

Uma nota oficial, um vídeo e uma live em rede social. Neles pragueja contra quem quer criminalizar sua atividade como advogado, fala em perseguição para afastar a família Bolsonaro da presidência. Mas o que realmente interessa Flávio não conta.

O senador prestou consultoria a empresas e recebeu por isso durante o governo de Jair Bolsonaro?

Os serviços tinham relação com a gestão do pai?

Quem são os clientes para quem o senador emitiu notas fiscais?

Que tipo de serviço prestou?

Deu consultoria de verdade ou apenas aconselhamentos de boca por R$ 500 mil?

Onde estão as provas de que o serviço existiu e foi prestado?

Até agora só se conhecem três notas fiscais. E as outras 38? Há novas notas neste ano de campanha eleitoral?

A lista de perguntas é longa. As respostas ainda não apareceram.

Se voltasse no tempo, nos idos de 2011, Flávio Bolsonaro iria se deparar com um político que se comportou como ele faz agora. Naquele ano, o então ministro da Casa Civil do governo Dilma, Antonio Palocci, tinha uma empresa, a Projeto.

E quando seu negócio veio a público alegou sigilos e confidencialidades para não dar detalhes das consultorias que fez. Palocci virou ex-ministro e mais tarde caiu na Lava Jato.

Flávio Bolsonaro também se esconde na sombra do segredo da atividade de advogado. Mas quem quer ser presidente da República precisa ter tudo aberto e passível de escrutínio do eleitor. Do contrário, a dúvida vira suspeita e o voto pode não vir.

O Estado de S. Paulo, Política, Opinião, 24/07/2026 | 09h30 Por Francisco Leali

https://www.estadao.com.br/politica/francisco-leali/flavio-bolsonaro-emitiu-41-notas-fiscais-e-quer-ser-candidato-sem-dizer-quanto-recebeu-e-quem-pagou/