quinta-feira, julho 16, 2026

“A IMPRENSA É A VISTA DA NAÇÃO”: O Truque de Ilusionismo Político no Discurso de Carlinhos Sobral


“A IMPRENSA É A VISTA DA NAÇÃO”: O Truque de Ilusionismo Político no Discurso de Carlinhos Sobral



Por José Montalvão


Caros leitores, este espaço de opinião e controle social é movido por vocês. Recentemente, ultrapassamos a marca histórica de 14 milhões de visitas, uma audiência consolidada que inclui milhares de leitores atentos na querida cidade de Coronel João Sá. E foi justamente desse município vizinho que recebi, via redes sociais, o vídeo do discurso do ex-prefeito e pré-candidato a deputado, Carlinhos Sobral, proferido durante o lançamento de sua postulação na cidade de Paulo Afonso.

No vídeo, em tom messiânico e entusiasmado, o pré-candidato dispara a seguinte frase de efeito do alto do palanque:

“Eu não vim aqui para falar de passado, eu vim aqui para falar de futuro. Tenha certeza que o futuro está aqui nesse palanque...”

Os leitores de Coronel João Sá — que conhecem de perto a trajetória do político — me enviaram o registro com um pedido claro: um comentário sem amarras, sem omissões e sem parcialidade. Pois bem. Para atender a esse chamado, busco abrigo nas lições de Rui Barbosa, que em seu célebre discurso "A Imprensa e o Dever da Verdade" (1920) eternizou: “A imprensa é a vista da Nação”. É dever do jornalismo sério enxergar o que os palanques tentam esconder debaixo do tapete.

E o que Carlinhos Sobral tenta esconder quando diz que "não veio falar de passado"?

A Anatomia de um Clichê Eleitoral: Por Que Eles Fogem do Passado?

A afirmação "não olho para o retrovisor, olho para a frente" é um dos truques mais velhos e manjados do manual de marketing político. Na verdade, por trás dessa aparente "postura propositiva", escondem-se três estratégias muito claras:

  • Evitar o desgaste de heranças incômodas: Falar do passado significa prestar contas. Significa ter de explicar promessas que não foram cumpridas, responder por escândalos de aliados, justificar processos na Justiça ou explicar por que antigas alianças de conveniência foram desfeitas. Apagar o passado é o jeito mais fácil de blindar o candidato contra críticas incômodas.

  • A fantasia da "Nova Política": Ao decretar que o "futuro está no palanque", o político tenta vender um verniz de renovação e esperança, mesmo que o seu grupo seja composto pelas mesmas velhas raposas políticas de sempre. É uma tentativa de capturar o eleitorado que está farto da polarização e das brigas partidárias tradicionais.

  • Foco exclusivo na promessa: É muito mais fácil prometer o que será feito no futuro — afinal, o amanhã é um papel em branco que aceita qualquer mentira — do que defender o que de fato foi realizado (ou deixado de realizar) no passado.

Em resumo: trata-se de uma manobra de retórica eleitoral desenhada para manter a campanha higienizada, atraindo o eleitorado menos esclarecido pelo caminho da emoção e da esperança vazia.

O Passado é a Identidade do Político

Dizer que não se deve falar de passado na política é uma afronta à inteligência do cidadão. O passado de um homem público é o seu único documento de identidade real. Como avaliar se alguém é confiável para gerir o futuro se formos proibidos de analisar o que ele fez no ontem?

Em Coronel João Sá e em toda a nossa região, o povo sabe quem é quem. Sabe quem trabalhou de verdade e quem governou cercado de privilégios. Sabe quais foram as marcas deixadas pelas administrações anteriores. Tentar apagar o ontem para vender uma ilusão de amanhã é tratar o eleitor como um sujeito sem memória.

Esse populismo de conveniência contrasta de forma brutal com o modelo de gestão que defendemos para o nosso sertão neste ano de 2026. Em Jeremoabo, por exemplo, o prefeito Tista de Deda faz questão de mostrar o passado e o presente: o passado de desmandos que ele encontrou e o presente de reconstrução, com obras inauguradas em cada canto, ambulâncias novas e as contas rigorosamente aprovadas pelo TCM. A responsabilidade administrativa se prova mostrando o resultado do trabalho, e não com frases de efeito em palanques alheios.

Conclusão: Olhos Abertos, Cidadão!

Agradeço imensamente aos leitores de Coronel João Sá pelo envio do material. A nossa missão de fiscalizar e manter a sociedade informada não recuará diante de caras feias ou de discursos ensaiados por marqueteiros de ocasião.

O futuro não brota magicamente em palanques iluminados; ele é construído com coerência, honestidade e com uma história que resista à luz do sol. Quem tem medo do passado não tem autoridade moral para prometer o futuro. Fiquemos de olhos bem abertos!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Onde a verdade é o único norte! 14 milhões de visitas exigem independência absoluta e coragem para traduzir a retórica dos poderosos!


 O filósofo George Santayana dizia que “quem não se lembra de seu passado está condenado a repeti-lo”.