segunda-feira, junho 22, 2026

Novo penduricalho dá seis meses de folga a cada ano para os juízes e procuradores

Publicado em 22 de junho de 2026 por Tribuna da Internet

Charge reproduzida do Arquivo Google

Raphael Di Cunto
Folha

Já agraciados por 60 dias de férias por ano, juízes e integrantes do Ministério Público flexibilizaram regras para parcelamento do período de descanso de modo a poderem folgar seis meses por ano –número que pode ser ampliado por outras licenças criadas. A mudança também permite elevar o pagamento de indenizações sem abrir mão de períodos longos de descanso.

O benefício contrasta com o de trabalhadores da iniciativa privada. Um empregado na escala 6×1, que o Congresso discute proibir por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), tem 78 dias de folga por ano. Já um juiz federal ou procurador pode ficar 178 dias sem trabalhar –128% a mais. Um funcionário ou servidor na jornada 5×2 tem 124 dias de descanso anuais.

E O FERIADOS? – A conta, feita pela Folha, não considera feriados, que variam ano a ano, e licenças que podem ampliar os dias não trabalhados de magistrados e procuradores. Organizações que fiscalizam o Judiciário e o Ministério Público apontam o risco de que o uso de folgas seja intensificado após o STF (Supremo Tribunal Federal) limitar o pagamento de penduricalhos dessas carreiras a R$ 33 mil por mês, para além do salário.

“Há receio de que façam uma interpretação muito específica, de deixar de pagar a licença compensatória em pecúnia e transformar em descanso. É quase como se você tivesse uma greve, uma operação tartaruga, com o usufruto máximo dos privilégios de descanso dessas carreiras para compensar uma perda financeira”, afirma o coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini.

PARCELAMENTO – Antes mesmo da decisão do STF, a Procuradoria-Geral da República e o Conselho da Justiça Federal aprovaram no ano passado a possibilidade de que as férias de 60 dias sejam parceladas em até 12 períodos de cinco dias cada, o que permite juntar dois fins de semana e feriados para otimizar o uso das folgas e evitar a sobreposição com sábados e domingos. A divisão só vale para procuradores e magistrados.

Somados aos 104 sábados e domingos e aos 18 dias de recesso forense (dos quais 4 a 6 dias coincidem com fins de semana, a depender do ano), os 60 dias de férias corridos permitirão que eles possam folgar 178 dias por ano e trabalhar apenas 187 –praticamente um dia de descanso para cada dia de trabalho.

A possibilidade de tirar férias sem sobreposição com fins de semana pode servir também para potencializar a própria remuneração. Uma juíza de Pernambuco com salário de R$ 33.689,11, por exemplo, recebeu R$ 1,3 milhão em um único mês com a indenização de férias não usufruídas.

FOLGAS DEMAIS – Ao juntar com quatro dias do fim de semana, do anterior e do seguinte, o magistrado ou procurador folgará na prática nove dias, mas só terá o desconto de cinco dias de férias. Dessa forma, poderá tirar férias 12 vezes no ano ou vender até 20 dias para aumentar o salário e ainda folgar mais do que os demais trabalhadores.

Além disso, o STF autorizou que até 30 dias de férias sejam indenizados em dinheiro quando não forem utilizados no período de um ano. Esse valor é livre de imposto de renda.

A mudança aprovada no ano passado tem ainda uma brecha e não veda que as férias sejam usadas em períodos de cinco dias em semanas consecutivas, apenas pulando o fim de semana para não haver a “perda de dias” de descanso. Até então, os procuradores tinham que parcelar as férias em, no máximo, seis períodos de dez dias e os juízes federais, em duas etapas de 30 dias cada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha questionou há um mês o Conselho e a Procuradoria, mas não teve resposta. Já era esperado. Não há justificativa para tantos penduricalhos, quando a Justiça Federal agora só funciona das 11 às 17 horas, e os juízes e procuradores raramente comparecem, pois desde a pandemia só trabalham sem sistema de home office. (C.N.)


Nota da Redação Deste Blog dedemontalvao:

EDITORIAL: A República dos "Mais Iguais" e o Escárnio dos Seis Meses de Folga – Que País é Esse Diante do Suor do Trabalhador?


Por José Montalvão


Não há Presidente da República, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que conserte a disparidade e a discrepância abissal que sangram o Brasil, dividindo o nosso povo entre a exausta classe trabalhadora e a casta dos "mais iguais". Enquanto o cidadão comum, aquele que acorda de madrugada e carrega o país nas costas, precisa praticamente mendigar, implorar e enfrentar toda sorte de dificuldades e empecilhos para garantir o seu direito sagrado a uma folga semanal — muitas vezes lutando por anos sem ver uma solução —, para a elite do funcionalismo público todas as portas, mesmo as da imprudência e da desigualdade, estão sempre abertas. O caminho para as mordomias está sempre livre.

O retrato desse escárnio estampa as manchetes dos principais jornais do país hoje: "Novo penduricalho dá seis meses de folga a cada ano para os juízes e procuradores". É um tapa na cara do povo brasileiro.

A Conta da Desigualdade: O Privilégio Frente ao Massacre do 6x1

Já agraciados por nababescos 60 dias de férias por ano, juízes e integrantes do Ministério Público flexibilizaram as regras para o parcelamento do período de descanso de modo a poderem folgar impressionantes seis meses por ano — número que, pasmem, pode ser ampliado por outras licenças criadas nos bastidores. A mudança permite ainda elevar o pagamento de indenizações sem abrir mão de períodos longos de descanso.

O benefício contrasta de forma violenta com a realidade de quem sua a camisa na iniciativa privada:

  • O Trabalhador na Escala 6x1: Aquele operário, comerciário ou frentista que o Congresso discute proibir a jornada por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), tem direito a apenas 78 dias de folga por ano.

  • O Juiz Federal ou Procurador: Com o novo penduricalho, pode ficar 178 dias sem trabalhar — o que representa 128% a mais de descanso do que o trabalhador da base da pirâmide.

  • A Jornada 5x2: Um funcionário ou servidor em jornada padrão tem 124 dias de descanso anuais.

E detalhe: a conta feita pela Folha de S.Paulo sequer considera os feriados (que variam ano a ano) e as licenças que podem esticar ainda mais a folga de magistrados e procuradores. Organizações que fiscalizam o Judiciário e o Ministério Público apontam o risco real de que o uso dessas folgas seja intensificado após o STF limitar o pagamento de penduricalhos dessas carreiras a R$ 33 mil por mês, para além do salário.

Como bem denunciou o coordenador de projetos da Transparência Brasil, Cristiano Pavini:

"Há receio de que façam uma interpretação muito específica, de deixar de pagar a licença compensatória em pecúnia e transformar em descanso. É quase como se você tivesse uma greve, uma operação tartaruga, com o usufruto máximo dos privilégios de descanso dessas carreiras para compensar uma perda financeira."

Ou seja, se cortam o dinheiro do privilégio, eles compensam cruzando os braços por meio ano. Uma vergonha!

A Voz da Ética que Resiste: O Exemplo da Professora Maria Garcia

No meio desse oceano de cobiça e corporativismo, sempre existe uma andorinha para fazer barulho e renovar as nossas esperanças na verdadeira Justiça. O contrapondo ético vem da professora de direito constitucional e livre-docente pela PUC-SP, Maria Garcia, que neste ano de 2026 completa impressionantes 93 anos de idade, sete décadas de atuação jurídica e 50 anos de sala de aula.

Mulher de fibra que enfrentou os anos de chumbo da ditadura militar e que, aluna da USP na década de 1950, dividia as salas de direito com apenas "quatro ou cinco colegas" mulheres, continua em plena atividade lecionando três disciplinas neste semestre. Com a autoridade de quem dedicou a vida ao espírito da lei, a professora Maria Garcia exige rigor absoluto contra os penduricalhos e dispara uma lição esquecida nos gabinetes de Brasília:

"O código de ética na magistratura é uma defesa para o próprio juiz."

Se os magistrados compreendessem a profundidade dessa frase, saberiam que o excesso de privilégios não engrandece a toga, mas a desmoraliza perante o povo.

Conclusão: Que se Quebre Quem For Podre, do Sertão ao Judiciário

O meu ponto de vista é retilíneo, firme e inabalável: que país é esse com tanta desigualdade?  Não podemos tolerar que a cúpula do Judiciário crie mecanismos imorais para trabalhar seis meses e descansar outros seis às custas do erário.

O pau que dá em Chico tem que dar em Francisco. A balança da Justiça deve representar o equilíbrio e a igualdade de todos perante a lei, e não um balcão de autoatendimento para quem já ganha os maiores salários do país. Enquanto Jeremoabo avança no desenvolvimento e na transparência com a gestão de Tista de Deda, assistimos a Brasília retroceder na moralidade. Que o exemplo de dignidade e ética da professora Maria Garcia ecoe nos tribunais e que as minorias corajosas barrem esse absurdo. O Brasil só terá jeito quando o trabalhador for respeitado e os privilégios da corte forem extintos, doa a quem doer!

Blog de Dede Montalvão: Escancarando as injustiças da República, defendendo a suada classe trabalhadora e exigindo que a ética na magistratura volte a ser a regra, e não a exceção!

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025