sábado, maio 02, 2026

Flávio canta vitória antecipada e transforma vitórias táticas em projeto de poder

 

Flávio canta vitória antecipada e transforma vitórias táticas em projeto de poder

Nota da Redação Deste Blog -

EDITORIAL: O Canto do Passarinho e a Miragem do Poder – A Euforia Precoce de Flávio Bolsonaro

Por José Montalvão

Diz o sábio provérbio popular brasileiro: "Passarinho que muito canta, caga no ninho". A expressão, ácida e certeira, serve como um alerta contra a presunção e a soberba de quem, ao se gabar excessivamente de suas virtudes ou promessas, acaba revelando seus próprios defeitos ou falhando miseravelmente diante da realidade. No cenário político atual, essa máxima parece ilustrar perfeitamente a postura do senador Flávio Bolsonaro.

Empolgado com vitórias táticas e pontuais no Congresso, o filho do ex-presidente parece ter confundido o sucesso de uma articulação de bastidor com a conquista definitiva das urnas.


1. O "Já Ganhou" e a Vitória Antecipada

O Senado Federal viveu dias de intensa turbulência. Na quarta-feira, quebrou-se uma tradição de 132 anos com a rejeição de Jorge Messias ao STF. Menos de 24 horas depois, o Congresso derrubou o veto presidencial ao projeto que reduz penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

Diante desses resultados, a euforia tomou conta de Flávio Bolsonaro. "O governo Lula acabou", decretou ele, chegando ao ponto de afirmar que já possui "vários nomes" para indicar ao Supremo, disparando a frase: "Não vou antecipar isso, não sou presidente ainda". É o clássico canto do passarinho que, na empolgação do momento, esquece que a política é um jogo de fôlego, não uma corrida de cem metros.

2. O Peso da Memória e o Custo da "Rachadinha"

Vitórias parlamentares são circunstanciais e, muitas vezes, fruto de acertos momentâneos. O verdadeiro projeto de poder, contudo, resolve-se nas urnas, onde o eleitor pesa trajetória, coerência e, acima de tudo, credibilidade.

Nesse terreno, a estratégia de comunicação de Flávio Bolsonaro esbarra em fantasmas que não desaparecem com uma votação no Senado:

  • Caso das "Rachadinhas": As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o desvio de salários de assessores continuam na memória do eleitorado.

  • Fabrício Queiroz: A relação nebulosa com o ex-assessor e as movimentações financeiras atípicas permanecem como uma mancha de difícil remoção.

  • Transações Imobiliárias: As suspeitas envolvendo a compra de imóveis e conexões com figuras ligadas a milícias geram um custo político que decisões judiciais favoráveis ou controvérsias processuais não conseguem apagar da percepção pública.


3. A Credibilidade não se Constrói com Gritos

O eleitor brasileiro costuma punir a arrogância. Cantar vitória antecipada e agir como se o cargo de presidente fosse um destino inevitável é ignorar que a confiança se constrói com transparência e serviços prestados, não com bravatas.

Enquanto Flávio Bolsonaro se vê no topo da pirâmide, o povo — que está no "andar de baixo" — observa se as vitórias no Congresso trazem comida na mesa ou se servem apenas para proteger aliados e alimentar projetos pessoais de poder.


Conclusão: O Perigo de Sujar o Próprio Ninho

A política é dinâmica. O que hoje é comemorado como o "fim de um governo" pode se transformar amanhã no isolamento de quem não soube agir com humildade. Flávio Bolsonaro canta alto, mas o ninho da sua trajetória política está cercado de questionamentos éticos que o eleitor não esquece.

Vitórias pontuais não substituem uma ficha limpa. No final das contas, quem fala demais acaba revelando que a sua maior virtude é, na verdade, uma presunção perigosa.


Blog de Dede Montalvão: Analisando as soberbas do poder, valorizando a memória do eleitor e defendendo a ética na política.]José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)