segunda-feira, maio 04, 2026

Asma segue como desafio de saúde pública no Brasil

 




Dia Mundial reforça alerta para diagnóstico precoce e controle da doença


No ritmo acelerado das grandes cidades e sob a influência de fatores ambientais cada vez mais complexos, a asma permanece como uma das doenças crônicas mais comuns e subestimadas do mundo. Com o Dia Mundial da Asma, celebrado na próxima terça-feira (5), especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo para evitar agravamentos e mortes evitáveis.


De acordo com estimativas globais, mais de 260 milhões de pessoas vivem com asma no mundo, com cerca de 400 mil mortes anuais relacionadas à doença, principalmente em países de baixa e média renda. No Brasil, o cenário também preocupa: são cerca de 20 milhões de asmáticos, com aproximadamente 350 mil internações por ano no SUS, o que coloca a doença entre as principais causas de hospitalização no país, segundo o Ministério da Saúde.


“Apesar de ser uma condição controlável, a asma ainda é negligenciada por muitos pacientes. O acompanhamento adequado pode evitar crises graves e melhorar significativamente a qualidade de vida”, afirma a pneumologista Fernanda Aguiar, coordenadora do serviço de medicina respiratória do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS). “Não existe dificuldade de tratar a asma no Brasil, seja no SUS seja na saúde suplementar. O que precisamos é combater o subdiagnóstico, ou seja, identificar corretamente os pacientes que ainda convivem com sintomas sem acompanhamento adequado”, completa.


Impacto no Brasil e na Bahia - Estudos indicam que a asma pode afetar entre 10% e 20% da população brasileira, com maior prevalência entre crianças e adolescentes. Ainda assim, o controle da doença é um desafio: apenas uma parcela dos pacientes mantém acompanhamento adequado, o que contribui para internações e óbitos evitáveis. Além disso, a doença provoca cerca de duas mil mortes por ano no país, muitas delas associadas à falta de informação ou ao uso incorreto de medicamentos. Desde os casos mais leves até os mais graves, há tratamento disponível pelo SUS, com diferentes abordagens conforme a necessidade clínica.


Na Bahia, assim como em outras regiões do Nordeste, fatores como clima, poluição, condições habitacionais e acesso desigual aos serviços de saúde contribuem para a persistência dos casos. Segundo Fernanda Aguiar, o acompanhamento especializado é fundamental, principalmente em quadros moderados e graves, com acesso a tratamentos modernos e protocolos clínicos adequados. “A atenção primária tem papel decisivo nesse cenário, desde que haja diagnóstico correto, adesão ao tratamento e orientação contínua ao paciente”, explica.


Diagnóstico e controle - A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax. Embora não tenha cura, o controle é possível com medicação adequada, principalmente por meio de inaladores e acompanhamento médico regular.


“A adesão ao tratamento ainda é o maior desafio. Muitos pacientes abandonam o uso contínuo da medicação quando os sintomas melhoram, o que aumenta o risco de crises”, alerta a especialista do HMDS.


Conscientização e acesso - O tema global do Dia Mundial da Asma para 2026, “Acesso a inaladores anti-inflamatórios para todas as pessoas com asma – uma necessidade ainda urgente”, definido pela Global Initiative for Asthma, reforça a necessidade de ampliar o acesso a tratamentos eficazes, especialmente os inaladores, considerados fundamentais para o controle da doença.


Mais do que uma data simbólica, o 5 de maio se consolida como um chamado à ação para gestores, profissionais de saúde e população. Afinal, com informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado, a asma pode deixar de ser uma ameaça silenciosa para se tornar uma condição controlada, inclusive na Bahia.


Pauta enviada pelo jornalista Fábio Almeida para publicação