Roberta está envolvida na mesada que Lulinha recebia
Mariana Muniz
O Globo
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou um pedido da defesa da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela CPI do INSS no Congresso, e suspendeu decisão do colegiado de quebrar seus sigilos bancário e fiscal.
Ela é amiga de um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que também teve os sigilos quebrados pela comissão.
APENAS ELA – A decisão do ministro foi tomada em caráter individual, e atinge apenas o pedido apresentado pela defesa de Roberta, e não as demais pessoas que também tiveram a quebra de sigilo decretada pela CPI.
Segundo Dino, a aprovação da quebra de sigilo em bloco, com a votação simultânea de 87 requerimentos, “parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais”.
“De igual forma, mostra-se presente o perigo de dano ao direito à intimidade da impetrante se quebrado o sigilo bancário e fiscal sem a devida fundamentação da autoridade competente”, diz Dino na decisão.
BUSCA E APREENSÃO – Roberta foi alvo de busca e apreensão em dezembro, durante operação da Polícia Federal que apura descontos indevidos de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela é suspeita de envolvimento com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, figura central na investigação.
Luchsinger é herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse. A investigação revela que ela e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, mantiveram contato e articulações mesmo após o início das investigações.
Conforme a Polícia Federal, Luchsinger faria parte do “núcleo político” da organização criminosa. “Sua atuação se revela essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”, diz a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
PAGAMENTOS – Segundo a PF, a empresa de Luchsinger, a RL Consultoria, recebeu um total de cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão. Conforme a investigação, os contratos firmados entre o Careca do INSS e Roberta Luchsinger fugiam das atividades da empresa do lobista.
Em uma das trocas de mensagens, ela alerta sobre as apreensões e pede que ele se livre de aparelhos celulares. “E só para você saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão” — escreveu a empresária.
No diálogo, Antunes reage com preocupação, e Luchsinger responde exigindo que o Careca “suma” com os telefones. “Joga fora”, escreveu a empresária. Segundo a investigação, os dois formaram uma sociedade que tinha interesses em decisões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Dino fez a parte dele, retribuindo a Lula a nomeação para o Supremo, ao invés de cumprir sua obrigação de perseguir criminosos, que é tarefa de todo magistrado. Mas não pode “blindar” Lulinha, porque o juiz da ação é André Mendonça, que não está nem aí para agradar Lula e vai julgar o caso INSS com a maior isenção, o que é uma grave ameaça à reeleição do atual presidente. (C.N.)