Nikolas desafia PL em Minas e impõe ultimato contra filiação de Eduardo Cunha

Deputado busca ampliar controle sobre partido
Camila Turtelli
O Globo
A definição das candidaturas em Minas Gerais para as eleições de 2026 abriu uma frente de atrito entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a cúpula do PL, partido de Valdemar Costa Neto, em meio a divergências sobre filiações no estado, disputa pelo controle da chapa proporcional e à tentativa do parlamentar de barrar a eventual entrada do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha na legenda.
Nos últimos dias, Nikolas passou a criticar de forma mais direta a condução da montagem eleitoral mineira, embora tenha reafirmado sua permanência no partido. Sem citar publicamente alvos específicos, afirmou temer a eleição de candidatos que não estejam alinhados aos seus valores políticos e disse atuar para evitar esse cenário, uma referência à tentativa de dirigentes do partido filiarem o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha ao PL mineiro.
REAÇÕES – Embora a entrada de Cunha não tenha se concretizado, a hipótese mobilizou reações imediatas de Nikolas. Em conversas com aliados e dirigentes, o parlamentar afirmou que não aceitaria dividir espaço político com o ex-presidente da Câmara na chapa proporcional e chegou a admitir a possibilidade de deixar o partido caso o movimento avançasse. “Eu disse mesmo: ou o Cunha ou eu. Quero pessoas boas dentro do partido”, afirmou.
A insatisfação não se restringe ao deputado. Parlamentares de Minas Gerais levaram reclamações a Valdemar, movimento que explicitou o desconforto interno com a estratégia adotada pela direção
RESISTÊNCIA – Deputado mais votado do país em 2022, Nikolas é considerado peça central da estratégia do PL em Minas, pelo potencial de votos. Setores do partido defendem que ele concorra ao governo de Minas, aproveitando o fato de completar 30 anos em maio — idade mínima constitucional para o cargo. O deputado, porém, resiste e tem reiterado que pretende buscar a reeleição para a Câmara.
Dirigentes partidários, por outro lado, sustentam que a ampliação do número de candidaturas com densidade eleitoral própria poderia fortalecer a nominata e aumentar o total de cadeiras conquistadas pela sigla.
O conflito interno ocorre em um ambiente estadual ainda indefinido. O governador Romeu Zema (Novo) está impedido de disputar novo mandato, e nomes como os senadores Rodrigo Pacheco (PSD), Cleitinho (Republicanos) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil seguem mencionados como potenciais candidatos.
ESTRATÉGIA – Parte da cúpula do PL e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que mantê-lo na eleição proporcional é, neste momento, a alternativa mais estratégica. Questionado se queria Nikolas como candidato, o senador respondeu “não”. “Porque Nikolas não quer ser candidato ao governo”, disse
A leitura predominante é que sua votação expressiva pode puxar outros candidatos, ampliar a bancada federal mineira e fortalecer o partido nacionalmente, objetivo considerado prioritário no planejamento bolsonarista para 2026.