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sábado, outubro 03, 2026

Jornais denunciam Gilmar & Cia pelo apoio imoral a Lula, e O Globo se cala

 

Publicado em 2 de outubro de 2026 por Tribuna da Internet

Charge Globo – Bem Blogado

Charge do Latuff (Arquivo Google)

Felipe Vieira
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A Folha de S.Paulo levou para a capa desta sexta-feira (2) um editorial de forte tom crítico à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral na reta final da eleição presidencial.

Com o título “Ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição”, o texto institucional do jornal afirma que intervenções recentes do Judiciário estariam comprometendo a percepção de imparcialidade de quem arbitra o processo eleitoral.

ELE E ELA – No subtítulo, a Folha atribui diretamente a Gilmar Mendes e à ministra do TSE Estela Aranha decisões que, na avaliação do jornal, favoreceram Lula. Trata-se da posição editorial da Folha, e não de uma conclusão judicial sobre a motivação dos magistrados.

O editorial foi publicado depois da turbulência que terminou com o cancelamento do debate presidencial da TV Globo.

Um dos episódios questionados pela Folha foi a decisão de Estela Aranha, tomada a pedido da coligação de Lula, que proibiu a emissora de mostrar o púlpito identificado do presidente caso ele não comparecesse e também impediu perguntas dirigidas ao candidato ausente. A ministra argumentou que a participação em debates é facultativa e que a exposição do lugar vazio poderia produzir consequências negativas para quem optasse por não participar.

É CENSURA – A Folha rejeita esse entendimento e chama a medida de censura. O editorial lembra que a utilização de cadeiras ou púlpitos vazios possui precedentes em debates eleitorais e sustenta que a decisão interferiu na liberdade da emissora para definir a dinâmica do programa. Novamente, essa classificação é a avaliação institucional do jornal.

O outro alvo central é Gilmar Mendes. O ministro do STF determinou que a Globo aceitasse a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. A Folha critica tanto o mérito quanto o caminho processual utilizado para a decisão e afirma que o episódio aprofundou a interferência judicial sobre um evento organizado por um veículo de comunicação.

A sequência de decisões ocorreu poucas horas antes da transmissão. Lula já havia informado que não participaria. Flávio Bolsonaro, que anteriormente havia confirmado presença, também desistiu depois da decisão envolvendo o púlpito vazio.

INSEGURANÇA – Diante das alterações, a Globo cancelou o debate e alegou que as determinações judiciais haviam criado insegurança jurídica e interferido nas regras acertadas para o encontro.

O ponto mais contundente do editorial está na dimensão institucional dada pela Folha ao episódio. O jornal sustenta que a neutralidade e a previsibilidade do árbitro eleitoral são patrimônio da democracia e afirma que decisões percebidas como partidárias corroem a autoridade do próprio Judiciário.

Em sua formulação mais severa, o texto acusa integrantes das cortes de agir para beneficiar a candidatura do presidente. Essa é uma acusação política-editorial da Folha, não um fato demonstrado sobre a intenção dos magistrados.

FOLHA E ESTADÃO – A publicação ganha peso também pela escolha editorial: não ficou restrita à página de opinião. Foi chamada na primeira página do jornal, ao lado da manchete sobre a nova pesquisa Datafolha e da notícia do cancelamento do debate da Globo.

Assim, em poucas horas, dois dos maiores grupos de comunicação do país fizeram críticas públicas às decisões judiciais envolvendo o último debate presidencial. A Globo contestou as interferências que levaram ao cancelamento do programa. O Globo publicou editorial crítico. Agora, a Folha de S.Paulo coloca na própria capa um editorial questionando a neutralidade da atuação judicial na eleição.

O debate foi cancelado. A controvérsia institucional, porém, entrou definitivamente na reta final da campanha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Sensacional o artigo do jornalista Felipe Vieira, da Band, enviado pelo; comentarista Dirceu Bertolini. Mostra a reação da mídia contra a atuação descarada de ministros dos tribunais superiores para a eleição de Lula. Detalhe: no caso, fica patente que ainda há jornalistas no Brasil, mas O Globo se omitiu e fez um editorial insípido, insosso e inodoro, porque Lula é o maior patrocinador da Organização e os irmãos Marinho têm medo de perder a boca rica. (C.N.)

Nota da Redação deste Blog Dedemontalvao

ABALOS NOS BASTIDORES DO STF E O CANCELAMENTO DO DEBATE DA GLOBO: Julgamentos Selecionados, Dois Pesos e Duas Medidas


Por José Montalvão


Início este comentário resgatando as palavras curtas, diretas e afiadas do ministro Gilmar Mendes:

"Quando colocaram o Zema no debate, ninguém reclamou."

A frase irônica do decano do Supremo Tribunal Federal serviu para rebatê-lo e expor a reação estridente de setores da imprensa e de colegas da própria Corte após sua decisão de determinar a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate presidencial da TV Globo. A alfinetada de Gilmar direcionou-se com precisão a um precedente recente: a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que havia obrigado a inclusão de Romeu Zema (Novo) no mesmo evento — sem que isso gerasse o mesmo clamor ou indignação pública.

O episódio ganhou contornos ainda mais profundos quando o ministro Flávio Dino saiu em defesa da ministra do TSE, Estela Aranha, ao questionar publicamente a seletividade e o machismo velado que cercam as críticas no meio jurídico e midiático:

"Por que a decisão judicial da única mulher (ministra Estela) é mais atacada do que a decisão dos dois homens (ministros Kassio e Gilmar)? [...] A ministra Estela tratou sobre a existência ou não de uma cadeira vazia no cenário. Vale refletir."

┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│             A SELETIVIDADE CRITICADA NO STF E NO TSE        │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ ⚖️ ROMEU ZEMA: Incluído no debate por liminar de Nunes     │
│    Marques sob silêncio da imprensa e de setores da Corte.  │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ ⚖️ RENAN SANTOS: Liminar de Gilmar Mendes para inclusão      │
│    provoca reação estridente e ataques seletivos.           │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ ⚖️️ ESTELA ARANHA: Defendida por Flávio Dino após ataques por │
│    garantir a simetria sobre a questão da cadeira vazia.    │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘

A Memória de 2018 e a Falta de Coerência das Emissoras

A análise da ministra Estela Aranha pautou-se pelo bom senso e pela busca por equivalência histórica. Em 2018, a TV Globo não exibiu no estúdio a cadeira vazia de Jair Bolsonaro quando este não compareceu aos debates. Por qual razão a regra da emissora seria alterada ou flexibilizada agora?

Outro ponto que salta aos olhos na análise fria dos números e critérios eleitorais é a disparidade de tratamento: por qual motivo a emissora aceitou ou incluiu Romeu Zema e tentou barrar Renan Santos, sendo que Renan pontua com percentuais de intenção de voto superiores aos do candidato do Novo nas pesquisas?

Para quem acompanha o xadrez político com independência, a arquitetura formulada para o confronto na emissora deixava a forte impressão de que se desenhava um cenário desproporcional — um verdadeiro "4 contra 1" focado em encurralar o presidente Lula.

A Desistência de Pablo Marçal e o Cancelamento da Grade

Diante da reviravolta jurídica e do novo cenário no estúdio com a confirmação de presença de Renan Santos, o candidato Flávio Bolsonaro — visivelmente acuado e acuado com a alteração das dinâmicas do confronto — amarelou perante a presença do adversário e anunciou sua desistência do debate.

Sem a presença de peças centrais e com o esvaziamento do formato original, a TV Globo viu-se sem alternativa a não ser cancelar a transmissão do evento. Afinal, no meio televisivo, a lógica é implacável: sem a volatilidade e o embate direto que sustentariam o interesse do público, a atração desidratou e não garantiria a audiência esperada para o horário nobre.

Conclusão: O Papel Vigilante da Imprensa e do Judiciário

O episódio escancara que as regras do jogo político e eleitoral não podem mudar ao sabor de conveniências operacionais das grandes redes de comunicação. Quando o Judiciário age para restabelecer a igualdade de condições entre os concorrentes, cumpre a Constituição.

A seletividade das críticas direcionadas a juízes e juízas só demonstra que, muitas vezes, o que incomoda não é a decisão em si, mas a quebra de arranjos previamente traçados longe dos olhos do eleitor!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Expondo os bastidores do poder, cobrando coerência das emissoras e defendendo a igualdade no debate democrático!