Fachin se reúne com diretor da PF e cobra envio ao STF de todas as menções a ministros no caso Master
Encontro, marcado após pedido da instituição ao Supremo, tratou da apuração sobre mensagens achadas no celular de Daniel Vorcaro
Por Ana Pompeu/Constança Rezende/Folhapress
13/10/2026 às 22:00
Foto: Gustavo Moreno/STF
O presidente do STF, Edson Fachin, em reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, cobrou nesta terça-feira (13) do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o envio ao Supremo de todas as menções a integrantes da corte no caso do Banco Master.
A corporação agora irá produzir os relatórios que mencionam os ministros e encaminhá-los à corte, sem prazo definido. Investigadores estimam que não será uma tarefa para poucos dias, já que todo o material será revisitado.
Andrei esteve no Supremo para tratar do encaminhamento das investigações do caso Master, sobretudo em relação às citações a integrantes da corte. Ele foi acompanhado do diretor-executivo da PF, Willian Murad, e do diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Dennis Cali.
"O presidente [do STF] esclareceu que a eventual realização de atos de investigação de ministro depende de autorização do plenário da corte, observadas as disposições constitucionais, legais e regimentais aplicáveis. Ressaltou que a autoridade policial tem o dever de encaminhar todas as menções encontradas sem exceção, acompanhadas de seu contexto, em caráter estritamente descritivo", disse Fachin, por meio de nota divulgada após o encontro.
Ainda segundo o texto, também a tramitação do caso do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi abordada. Fachin disse esperar manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) para dar andamento ao processo que apura eventuais irregularidades nas investigações do Master e do INSS por parte do ministro André Mendonça —e foi aberto após relatório do ministro Alexandre de Moraes questionar a condução dos dois casos pelo colega.
O presidente do Supremo também pediu celeridade da PF na avaliação do inquérito das fake news, para poder seguir com a análise quanto à conclusão do caso. Fachin retirou Moraes da relatoria da investigação como uma das medidas para conter a crise do STF em setembro.
Andrei respondeu que analisará as eventuais diligências pendentes.
O encontro foi agendado a pedido do chefe da PF. A informação nos bastidores era a de que o objetivo da reunião seria a entrega de um relatório com as menções a ministros. Na véspera, porém, a sinalização era a de que Andrei pretendia conversar com o presidente do STF para definir o andamento da apuração sobre esses casos.
Fachin informou, em 2 de outubro, por meio de um ofício, que estaria com Andrei nesta terça para tratar das menções a ministros da corte encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em ofício enviado à PF na mesma data, o ministro afirmou que comunicados enviados ao Supremo cujo teor seja dessa natureza, apresentados integralmente, sem exceção de pessoa, terão "os encaminhamentos devidos".
"A circunstância merece registro, sobretudo porque há inequívoco interesse institucional em que todo e qualquer fato relevante seja rigorosamente apurado, sem exceção de qualquer natureza", disse.
Nesse contexto, o presidente do STF afirmou que a solicitação de audiência da PF para tratar do assunto tinha sido feita na manhã de quinta-feira (1º) "e prontamente atendida". Ele também negou que tenha havido demora para marcar a data, afirmando que não foi designado um dia anterior devido a "dificuldades mútuas de agenda".
A PF esperava, com o encontro, saber o que faz com os achados: se investiga as relações dos magistrados com Vorcaro, se produz relatórios detalhando o conteúdo das mensagens ou se as ignora.
Fachin também tinha dito que se almeja que a apuração se desenvolva com estrita observância das normas constitucionais e processuais aplicáveis, preservando-se, de um lado, a autonomia das instituições responsáveis pela investigação e pela persecução penal e, de outro, as competências do STF.
"Reitero que o nosso propósito é assegurar que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, sem qualquer exceção de fato ou de pessoa, com observância rigorosa do devido processo legal, da competência dos órgãos constitucionalmente incumbidos da investigação e da persecução penal e das garantias próprias da jurisdição", disse.
Até o momento, diferentes ministros já foram citados no contexto do caso Master por diferentes tipos de contatos e conexões.
Uma das menções encontradas indica que o dono do Master mantinha contato com uma pessoa apontada como sendo o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens vieram à tona depois que o ministro André Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre um relatório enviado pela PF ao STF.
Já Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens extraídas do celular do dono do Master mostram que ele recebeu de Ciro uma fotografia ao lado do ministro.
As investigações também mostraram que Vorcaro tinha um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões com o escritório da advogada Camilla Ramos, apontada ao lado do marido, o juiz federal Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), como integrante da chamada "Turma do KN". Em uma das conversas, uma solicitação de diária no hotel Fasano é atribuída pelo juiz federal ao ministro Kassio Nunes Marques.
A Polícia Federal também suspeita que o ministro Dias Toffoli seria proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro.
Outros diálogos indicam que o empresário Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado de Gilmar Mendes, foi contratado em 2024 pelo ex-banqueiro e tratou de interesses do dono do Banco Master relacionados a universidades privadas.
Outras mensagens do celular de Vorcaro indicam que ele usou duas empresas para custear, em maio de 2024, uma viagem de Luiz Fux a Nova York e um almoço em homenagem ao ministro.
Politica Livre