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quinta-feira, outubro 01, 2026

Desemprego bate “recorde” de baixa, mas 38,8 milhões seguem na informalidade


Quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade

Débora Oliveira
CNN

O governo chega à semana da eleição com um resultado favorável para apresentar: o desemprego está em 5,3%, a menor taxa para um trimestre encerrado em agosto desde o início da série do IBGE, em 2012. Mas a mesma pesquisa traz um número que ajuda a explicar por que a melhora do emprego pode não ter o mesmo peso para todos os eleitores. Quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade. E essa diferença importa na reta final da campanha.

Conseguir uma ocupação pode mudar a vida de uma família. Ainda assim, ter trabalho não significa necessariamente receber o suficiente ou saber quanto dinheiro entrará no mês seguinte. É com esse desafio de conseguir renda e ter segurança que a baixa taxa de desemprego se torna limitada na hora de se transformar em satisfação política.

TENDÊNCIA – A informalidade passou de 37,3% no trimestre encerrado em maio para 37,5% no período de junho a agosto. São 38,8 milhões de trabalhadores nessa condição. A oscilação de 0,2 ponto percentual é pequena e consegue apontar uma tendência de piora. A proporção também permanece abaixo da registrada um ano antes. Porém, a preocupação está, principalmente, no tamanho do grupo que continua exposto à instabilidade.

Para quem trabalha sem carteira assinada ou por conta própria, sem um negócio formalizado, a renda pode depender dos serviços que aparecem naquela semana. Se os clientes somem ou uma doença impede o trabalho, desaparece também a principal fonte de sustento. O problema é que o aluguel e as prestações continuam vencendo, mesmo quando o dinheiro não entra.

PROTEÇÃO  – É importante lembrar que nem todo trabalhador informal ganha pouco. Mas, para muitos, a falta de proteção e a imprevisibilidade tornam mais difícil o planejamento para a vida. Na pesquisa, uma pessoa que começou a fazer trabalhos informais pode deixar de ser considerada desempregada. Só que, no cotidiano, ela pode continuar se sentindo insegura sobre como pagará as contas no mês seguinte.

Isso não diminui a melhora do emprego. O país alcançou o recorde de 103,5 milhões de pessoas trabalhando, com aumento de 774 mil em relação ao trimestre encerrado em maio. Construção e indústria foram os destaques. A ocupação cresceu mais do que o conjunto de pessoas trabalhando ou procurando uma vaga. Portanto, a queda do desemprego nesse período não se explica simplesmente pela desistência de procurar trabalho.

Só que para o bolso, o rendimento médio ficou em R$ 3.777, com ganho de poder de compra de 3,7% em relação a um ano antes, mas estável na comparação trimestral. Ou seja, há melhora em relação ao ano passado, mas sem avanço significativo de um trimestre para o outro. E essa média reúne pessoas com rendimentos muito diferentes.

MAIS OPORTUNIDADES – Para o governo, os números fortalecem o argumento de que a economia tem oferecido mais oportunidades. Para a oposição, a informalidade e a insegurança da renda abrem espaço para questionar a qualidade dessa melhora. E as duas leituras são correspondentes, sem que uma anule a outra.

Afinal, quem conseguiu emprego pode reconhecer uma mudança importante. Quem continua entre os 5,8 milhões de desempregados ou depende de serviços esporádicos pode ter outra percepção. Não é possível deduzir o voto a partir dessa pesquisa, mas ela ajuda a entender por que bons indicadores não produzem uma avaliação mais homogênea da economia.

PRESSÃO – Pensando no cenário de juros, também não há garantia de alívio rápido nas prestações. Mais gente trabalhando sustenta as compras das famílias. Se a oferta de produtos e serviços não acompanha essa procura, os preços podem sofrer pressão, exigindo cautela do Banco Central.

A renda média estável recomenda evitar diagnósticos de aceleração generalizada dos salários, mas o desemprego baixo, sozinho, não assegura cortes mais rápidos dos juros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Sinceramente, quem ainda pode continuar acreditando no IBGE, dirigido por um petista manipulador como Marcos Pochmann? O IBGE já foi considerado um dos melhores operadores de estatística do mundo, mas nos últimos anos caiu na vala comum do PT. (C.N.)