Vorcaro tinha contrato de R$ 427 mi com 'turma' de Kassio e negociava favores, diz portal
Por Folhappress
22/09/2026 às 06:43
Foto: Luiz Roberto/Arquivo/TSE
Kassio Marques
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, tinha um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões com o escritório da advogada Camilla Ramos, apontada ao lado do marido, o desembargador Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), como integrante da chamada "Turma do KN", segundo a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro e publicadas pelo portal mostram ainda tratativas de pessoas ligadas a Vorcaro com Newton envolvendo hospedagens e acesso a eventos. Em uma das conversas, uma solicitação de diária no hotel Fasano é atribuída pelo desembargador ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Kassio nega ter pedido qualquer coisa a Vorcaro, trocado mensagens com ele ou autorizado terceiros a falar em seu nome.
O contrato foi firmado pelo Master com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual Camilla faz parte. Segundo o Metrópoles, previa o pagamento de 5% líquidos sobre os valores recebidos pelo banco em caso de êxito em 12 processos relacionados a precatórios.
Elas discutem indenizações decorrentes do controle de preços realizado pelo antigo IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool), e o banco aparece nos documentos como credor ou cessionário dos créditos. Kassio, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram pelo reconhecimento do débito naquele julgamento, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos.
As ações poderiam render cerca de R$ 8,5 bilhões ao Master. As mensagens divulgadas pelo Metrópoles mostram que assessores de Vorcaro se referiam a Newton e Camilla como a "turma do KN", numa alusão a Kassio Nunes.
Em uma das conversas, um auxiliar do ex-banqueiro informa: "Fasano Itaim essa sexta a sábado para KN".
Em outra troca, uma assessora de Vorcaro reproduz uma mensagem que diz ter recebido de Newton. Nela, o desembargador afirma que Kassio havia lhe pedido ajuda para conseguir uma tarifa no Fasano para uma diária. Após receber a mensagem, Vorcaro autoriza que a hospedagem seja colocada em sua conta, segundo o portal.
Outras conversas publicadas pelo Metrópoles registram pedidos atribuídos a Newton envolvendo reservas no Fasano e nomes para um camarote. Em uma delas, um assessor escreve a Vorcaro que a "turma do KN (Newton)" havia enviado seis nomes para inclusão em uma lista.
Camilla também aparece nas mensagens acompanhando o andamento das causas abrangidas pelo contrato. Em uma conversa, ela comenta favoravelmente com Vorcaro um voto de Kassio em julgamento relacionado à tese discutida nos processos.
Ao portal Kassio afirmou que nunca votou a favor de Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele.
"O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele. São irresponsáveis quaisquer tentativas de relacionar a atuação do Ministro com os serviços prestados pelo filho ou quaisquer terceiros", diz.
Sobre o julgamento, o ministro afirmou que o processo não era uma ação do Master, mas discutia uma tese aplicável a diferentes empresas. Disse ainda que inicialmente constava como impedido por ter decidido o caso quando era vice-presidente do TRF-1, mas posteriormente entendeu que tecnicamente não havia impedimento e pediu a retificação antes de votar.
Newton Ramos afirmou ao Metrópoles que Camilla atua em causas cíveis para o Banco Master e que o casal mantinha relação pessoal com Vorcaro antes dos fatos hoje investigados.
"Esclareço que sou casado com a advogada Camilla Ramos, que atua em causas cíveis para o Banco Master. Vale destacar que mantínhamos relação pessoal com o ex-banqueiro antes dos fatos ora objeto de investigação. Em razão da participação societária na empresa Prime You, o empresário foi consultado sobre a disponibilidade de imóveis e transportes. Tratou-se de situação privada articulada com a profissional que presta serviços para o referido banco, sem qualquer vínculo com funções públicas. Por fim, nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master", diz.
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