Ao votar, Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro
Isadora Albernaz e Ana Pompeu
Folha
Depois de Luiz Fux ter apoiado a tese de Fachin para investigar o ministro Alexandre de Moraes, a ministra Cármen Lúcia foi a última a votar na sessão sobre o relatório da Polícia Federal que aponta Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro. O placar provisório ficou em 4 a 4, mas Fachin tem direito ao chamado “voto de qualidade”, como presidente, o que significa que Moraes será mesmo investigado.
Ela lamentou os desdobramentos do julgamento, que terá decisão provisória devido um pedido de vista de Flávio Dino, que lhe dá 90 dias para segurar o processo antes de levá-lo novamente a julgamento, após o desentendimento generalizado entre ministros.
MAL ESTAR CÍVICO – “Estou nesta sessão em estado de profunda consternação e tristeza. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este STF, guarda da Constituição Federal, provocou acho um mal estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos. Eu me sinto até envergonhada de no momento de estamos a menos de 20 dias das eleições, estarmos voltados a questões do STF”, disse.
“Se fui omissa, peço desculpas a todos os colegas por não ter ajudado a superar isso de maneira mais rápida. Acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que as questões fossem resolvidas, mas não foram resolvidas e cresceram demais”, completou.
A ministra Cármen Lúcia sinalizou que vai votar para manter separados os processos de Alexandre de Moraes, que apura mensagens com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e de André Mendonça, que apura supostas irregularidades por parte do magistrado. Ela disse que acompanhará o presidente da corte, Edson Fachin. “Sou deferente sempre ao relator. A relatoria está com vossa excelência [Fachin], que, além de ser relator, é o presidente que pauta. A pauta é do presidente. Não tenho nada a alegar para descontinuar isso.” (Isadora Albernaz)
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Palmas para Cármen Lúcia, única mulher no Supremo, que se comportou com a dignidade que o cargo exige. Ela e Fux ficaram de fora das destemperadas agressões contra Mendonça e Fachin. Com seus votos, Fux e Cármen jogaram água gelada na fervura da ala da corrupção. Em tradução simultânea, isso significa que Moraes será investigado, julgado e condenado. É só uma questão de tempo. A suspensão da investigação, com um pedido de vista que depõe contra o caráter de Flávio Dino, que já foi juiz federal, não resolve nada para Moraes, somente amplia seu sofrimento, que terá de ficar comparecendo às sessões com a cabeça baixa e o rabo entre as pernas, como se dizia antigamente. (C.N.)