segunda-feira, setembro 21, 2026

TSE forma maioria para manter suspensa campanha de Deltan Dallagnol ao Senado

 

TSE forma maioria para manter suspensa campanha de Deltan Dallagnol ao Senado

Floriano Marques proíbe atos até análise de recurso; Toffoli, Estela e Cueva acompanham

Por Ana Pompeu/Folhapress

21/09/2026 às 20:15

Foto: Marco Torelli/Divulgação Novo/Arquivo

Imagem de TSE forma maioria para manter suspensa campanha de Deltan Dallagnol ao Senado

O ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR)

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta segunda-feira (21) para manter suspensa a campanha do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná.

Relator do recurso, o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu, no sábado (19), que Dallagnol permanece impedido de realizar atos eleitorais até o julgamento do registro da candidatura. Dias Toffoli, Estela Aranha e Ricardo Villas Bôas Cueva referendaram a liminar. André Mendonça divergiu.

A sessão ocorre em plenário virtual. Os magistrados têm até o fim da noite desta segunda para se manifestar. Faltam votar o presidente Kassio Nunes Marques e Sebastião Reis.

Ao abrir divergência, Mendonça defendeu haver risco de a decisão significar o "fim prematuro da campanha".

"Vislumbro risco de dano inverso e de improvável (quiçá impossível) reparação, haja vista que a decisão ora examinada não apenas cuidou de retirar o acesso aos recursos do FEFC [Fundo Eleitoral], mas impôs o que se pode denominar fim prematuro da campanha, haja vista que o candidato nem mesmo pode pedir voto", disse.

O processo corre sob sigilo em cumprimento à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), segundo a corte.

Em 2023, a corte eleitoral considerou Dallagnol inelegível por entender que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal de forma antecipada para evitar a conclusão de procedimentos disciplinares que poderiam comprometer sua candidatura.

Na ocasião, os ministros concluíram que a conduta configurou fraude, tendo por consequência a inelegibilidade de acordo com a Lei da Ficha Limpa.

O TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná), porém, deferiu o registro de Dallagnol para a disputa de 2026, acolhendo o argumento de que os procedimentos administrativos contra o ex-procurador foram arquivados e não resultaram em punições. Também considerou que a decisão do TSE de 2023 não estabeleceu impedimento automático para a eleição deste ano.

Ao analisar o caso, Floriano de Azevedo Marques apontou indícios de que o TRE-PR contrariou entendimento firmado pelo próprio TSE ao autorizar a candidatura do ex-procurador da República.

O relator afirmou que os desdobramentos posteriores não afastam, por si só, a possível fraude identificada no momento da exoneração.

Para o ministro, a ausência de mudanças relevantes na situação jurídica do candidato recomenda a manutenção do entendimento anterior do tribunal.

A liminar foi concedida a pedido da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), compostas por PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PRD e Solidariedade.

Dallagnol ganhou projeção nacional como coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba. Ele foi eleito deputado federal pelo Paraná em 2022.

Ele diz que vai recorrer da decisão e que a medida ocorre em um contexto de proximidade entre o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso, e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, pivô de crise em razão de contatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A defesa cita reportagem de 2023 do jornal Folha de São Paulo sobre a proximidade dos dois e a influência de Moraes na indicação de Floriano ao tribunal.

Advogados dizem ainda que a decisão foi tomada em sigilo, sem oitiva prévia do candidato, e que ainda não tiveram acesso integral ao pedido. Apontam também o que seriam contradições com decisões anteriores do próprio Floriano. Em caso no Paraná, em 2024, ele aplicou entendimento de que dúvida razoável sobre inelegibilidade deve favorecer o direito de ser votado.

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