segunda-feira, setembro 14, 2026

STF terá sessão sob segurança reforçada que pode abrir investigação contra Moraes


Corte monta esquema especial para análise de procedimento

Pepita Ortega
O Globo

Inédita, a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) prevista para amanhã será marcada por um esquema de segurança reforçado, acesso restrito ao plenário e telões para que jornalistas possam acompanhar as discussões. No centro do julgamento, estará o relatório com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes às vésperas da prisão do dono do Banco Master.

O julgamento está marcado para 10h, mas seu rito ainda segue sob indefinição. Normalmente, os debates no plenário do STF têm início com a manifestação de defesas e da Procuradoria-Geral da República, seguidas da leitura do voto pelo relator e, em seguida, há o debate pelos demais ministros do STF.

CREDENCIAMENTO PRÉVIO – As sessões do STF também são, via de regra, abertas ao público, com acesso ao plenário. Para terça-feira, no entanto, foi exigido um credenciamento prévio, similar ao que ocorreu, por exemplo, no julgamento sobre os atos golpistas de oito de janeiro.

Para jornalistas será montado um esquema para acompanhamento da sessão na marquise do prédio principal do STF. A Corte montará telões no local para que os repórteres possam acompanhar o julgamento. Os debates serão transmitidos pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.

Na pauta da sessão de terça está o procedimento que foi aberto pelo ministro André Mendonça para a identificação de interlocutores de Vorcaro nas mensagens identificadas no celular do ex-banqueiro. A partir desta decisão, a Polícia Federal elaborou um relatório apontando Moraes como o destinatário dos textos do dono do Master.

CRISE – Mendonça tornou o relatório público e submeteu para a análise do plenário do Supremo, inaugurando uma crise sem precedentes na Corte. Como mostrou O Globo, o documento levanta a suspeita de que Vorcaro recebeu orientações de Moraes no auge da crise da instituição financeira.

Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.