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segunda-feira, setembro 28, 2026

Quem tem razão quando os dois lados estão certos? Novo livro reúne 11 casos reais para desarmar certezas absolutas

 

 Quem tem razão quando os dois lados estão certos? Novo livro reúne 11 casos reais para desarmar certezas absolutas

Em ‘Supremos Dilemas’, o jurista Anderson Schreiber apresenta sem juridiquês causas polêmicas que mobilizaram a sociedade em vários países, de uma adolescente que queria dar a volta ao mundo sozinha ao uso de inteligência artificial para julgar pessoas

Num momento em que o debate público é dominado por opiniões rápidas e certezas inflexíveis, o advogado e professor Anderson Schreiber lança “Supremos Dilemas: Como você julgaria as causas mais difíceis do mundo?”, pela Editora Nova Fronteira, 192 págs. Escrita sem o tradicional “juridiquês” e voltada para o público em geral, a obra reúne 11 casos reais julgados por Cortes de diversos países para provocar o que o autor chama de “desconvencimento”: a capacidade de pausar, duvidar e rever posições diante de dilemas morais do nosso tempo.

Em vez de dar respostas prontas ou apontar vilões, o livro coloca o leitor no lugar de juiz diante de situações em que direitos igualmente legítimos entram em colisão. Como destaca a historiadora Mary del Priore no prefácio da obra, a capacidade de duvidar e rever posições é uma das conquistas mais valiosas da vida em sociedade. O livro mostra que, quando a vida real entra pela porta do tribunal, a divisão entre certo e errado quase nunca é tão simples quanto parece.

Ao longo das 192 páginas, o professor e jurista reúne casos de diversos países. Entre os exemplos, estão a saga de Laura Dekker, adolescente holandesa de 13 anos que planejava dar a volta ao mundo sozinha em um veleiro e enfrentou uma longa batalha contra o Conselho Tutelar que havia proibido sua partida, e o caso do galpão 5Pointz, que contrapôs o direito de propriedade do dono dos edifícios à preservação do acervo de arte urbana produzido por grafiteiros nos Estados Unidos. Ou ainda o caso do Tribunal Constitucional da Alemanha, que foi chamado a responder se seria correto derrubar um avião sequestrado para salvar a vida de centenas de pessoas em terra.

“A ideia aqui não é convencer o leitor, mas justamente o contrário: ‘desconvencer’, ou seja, demonstrar que, mesmo em relação àquilo que nos parece mais óbvio e indisputável, será, muitas vezes, necessário rever nossas próprias posições”, explica Anderson Schreiber. Segundo o autor, perceber que até os magistrados mais experientes do mundo hesitam diante dessas causas nos ajuda a exercitar a escuta, a empatia e a capacidade de repensar.

O livro também aborda as transformações e os desafios trazidos pela era digital e pelas novas tecnologias. O autor debate o caso de um jovem russo que fez críticas contundentes às forças policiais e foi processado por discurso de ódio e incitação à violência. Outro exemplo é da Corte Constitucional da Colômbia, que discutiu o caso de um juiz que consultou o ChatGPT para fundamentar uma decisão envolvendo a saúde de uma criança autista. Num ano eleitoral, em que o debate público está cada vez mais polarizado, o livro destaca a necessidade de ouvir os vários lados e revisitar as próprias convicções.

Sobre o Autor

Reconhecido como um dos principais juristas do país, Anderson Schreiber é Professor Titular de Direito Civil da UERJ e Professor da FGV Direito Rio. Doutor pela Università degli studi del Molise (Itália), integra a International Academy of Comparative Law e é autor de obras de referência como Manual de Direito Civil Contemporâneo e Direitos da Personalidade. Com ampla experiência como advogado, parecerista e palestrante, destaca-se por traduzir casos complexos e os dilemas éticos da sociedade contemporânea de forma clara e acessível.

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