sábado, setembro 19, 2026

Defesa de Vorcaro pede a Fachin fim da prisão após 198 dias e cita crise no STF


Advogados invocam prazo vencido da prisão

Esther Gama
O Globo

 A defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pediu, nesta sexta-feira (18), ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a revogação da prisão preventiva do banqueiro. Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) no dia 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação investiga crimes de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos ligados ao Master.

Os advogados de Vorcaro justificam o excesso de prazo de 90 dias para reavaliação dos elementos para a prisão. Segundo a defesa, o prazo venceu no fim de agosto e o STF não revisou os critérios para a manutenção da prisão, que permanecem válidos. O banqueiro está há 198 dias detido, contando o dia 4 de março até esta sexta-feira, 18 de setembro.

“A TURMA” – Agentes da PF prenderam o banqueiro por determinação do ministro do STF, André Mendonça, após trocas de mensagens encontradas no celular de Vorcaro que indicaram que ele integrava um grupo chamado de “A turma”, em que eram planejadas ações violentas contra pessoas que ele considerava adversários.

Preso pela segunda vez há seis meses, Vorcaro está em uma cela no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, prisão conhecida como Papudinha, onde já passaram políticos e ex-integrantes de órgãos públicos, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, detido por tentativa de golpe de Estado.

PRIMEIRA PRISÃO –  Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez pela PF no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a Polícia, o banqueiro soube que poderia ser preso e teria preparado a fuga para Dubai, com escala em Malta. No mesmo momento, ele anunciou a venda do Master para o grupo Fictor.

Na ocasião, Vorcaro não chegou a embarcar em seu jato particular, os agentes da PF o prenderam na área interna do aeroporto. Em 29 de novembro, o dono do Master foi solto após passar 12 dias detido de forma preventiva. A medida foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica. A decisão também abarcou o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e os diretores do Master, Luiz Antonio Bull e Alberto Oliveira, que foram presos na operação.

Durante a investigação, o banqueiro já passou por diferentes tipos de prisão desde novembro, incluindo prisão domiciliar, penitenciária estadual, unidade federal de segurança máxima e a carceragem da Superintendência da PF em Brasília.