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terça-feira, setembro 29, 2026

BASTIDORES DO CRIME

Por  Luis Celso(Admin de Comunidade)


O levantamento de bastidores sobre a reação da campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), diante do avanço das investigações da Polícia Federal (PF) revela um cenário de alerta máximo e contenção de danos cirúrgica. O estopim da crise ocorreu com o vazamento de mensagens obtidas pela PF revelando que a sua secretária parlamentar no Senado, Maria de Fátima Bezerra Castro, intermediou o repasse de emendas de quase R$ 200 mil a pedido do miliciano Robson Calixto, o "Peixe". Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 9 anos de prisão por atuar como o braço direito e elo de ligação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.


Os bastidores do comitê político do PL expõem a engenharia de defesa desenhada para isolar o candidato a menos de dez dias do primeiro turno das eleições presidenciais:


1. O "Isolamento Técnico" e a Blindagem do Candidato


A ordem expressa da coordenação jurídica da campanha é desidratar o componente político do caso e tratá-lo sob um viés estritamente institucional. Em nota oficial emitida pelo gabinete, a defesa alega que a emenda de R$ 199.999,79 enviada ao Instituto IFOP para o projeto "Jogadores do Futuro" seguiu "critérios técnicos e a legislação vigente" do Ministério do Esporte. A estratégia nos bastidores é transferir o ônus da execução e prestação de contas integralmente para a ONG beneficiada, sob o argumento legal de que o parlamentar apenas indica o recurso, não gerenciando a aplicação final do dinheiro público (mesmo com auditorias do TCU apontando indícios de desvios desse montante).


2. A Ambiência do Silêncio sobre a Milícia


Diferente das reações intempestivas do passado, o QG de Flávio Bolsonaro adotou o silêncio obsequioso sobre o crime organizado. Em nenhuma das manifestações oficiais ou inserções digitais o senador pronuncia os nomes de "Peixe", dos irmãos Brazão ou faz menção à estrutura das milícias do Rio de Janeiro. Nos bastidores, cientistas políticos e marqueteiros da campanha admitem que responder diretamente ao conteúdo das mensagens de WhatsApp — onde o miliciano se refere ao presidenciável como "nosso senador" — traria o assassinato de Marielle para o centro do debate nacional, o que validaria o duro editorial do Estadão que alertou para o risco da "ascensão das milícias ao topo do poder".


3. A Contraofensiva nas Redes: "Cortina de Fumaça"


Para conter o avanço do desgaste junto ao eleitorado de classe média e das torcidas organizadas, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou a máquina de desvios temáticos. A ordem nas redes é abafar o caso da assessora com duas pautas de forte apelo emocional:

* A exploração agressiva da recente Medida Provisória de Lula que baniu as bets, rotulando o atual presidente como "o pai do Tigrinho" para inflar o eleitorado conservador;

* O resgate das acusações contra o PT no caso do Banco Master, tentando equiparar as crises para diluir o impacto ético na cabeça do eleitor tribal.


O clima interno na campanha é de forte tensão geopolítica e institucional. Sabendo que as mensagens estavam no celular de Peixe desde a sua prisão, o comitê bolsonarista teme que novos trechos de conversas envolvendo o direcionamento de emendas para redutos milicianos da Zona Oeste do Rio vazem nos dias imediatamente anteriores ao pleito, quebrando de vez a narrativa de que o "CPF de um não se confunde com o do outro".