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sábado, setembro 26, 2026

A LIÇÃO DE BRIZOLA NO TÁCIDO DO SÁBADO: "A Política Ama a Traição, mas Odeia o Traidor"

 





A LIÇÃO DE BRIZOLA NO TÁCIDO DO SÁBADO: "A Política Ama a Traição, mas Odeia o Traidor"



Por José Montalvão


Neste sábado, ao cair da tarde, enquanto degustava tranquilamente minha taça de vinho, recebi o telefonema de um fraterno amigo de Jeremoabo. O assunto, como não poderia deixar de ser, girava em torno dos bastidores e das pequenas perversidades da politicagem local. Ouvindo os relatos sobre as recentes movimentações, trocas de lado de última hora e atitudes de conveniência, foi impossível não me recordar de uma das frases mais emblemáticas e afiadas do saudoso e inesquecível Leonel Brizola:

"A política ama a traição, mas odeia o traidor."

A máxima brizolista — que também ganha contornos na sabedoria popular de que "a política convive com a quebra de compromissos, mas jamais perdoa quem os comete" — sintetiza com perfeição cirúrgica o drama de quem vende a lealdade no balcão de negócios eleitoral.

A Illusion da Vantagem Imediata e o Vazio do Bastidor

No xadrez do poder, a traição costuma ser gestada na penumbra dos interesses pessoais. O agente político que opta por abandonar o seu grupo, faltar com a palavra ou manobrar nas sombras contra quem lhe deu espaço imagina estar sendo "astuto" ou "estratégico".

┌─────────────────────────────────────────────────────────────┐
│ O CICLO DA INFIDELIDADE NA POLÍTICA │
├─────────────────────────────────────────────────────────────┤
│ 🤝 A CONFIANÇA: O espaço e o apoio oferecidos pelo grupo │
│ 🎭 A CONVENIÊNCIA: O cálculo individualista de véspera │
│ ⚡ A TRAIÇÃO: A quebra da palavra e a troca de lado │
│ 🚪 O ISOLAMENTO: A marca indelével e o descarte futuro │
└─────────────────────────────────────────────────────────────┘

Contudo, a história política do Brasil e do próprio sertão baiano ensina que essa vantagem é pura ilusão de ótica:

  • O Uso Instrumental: O grupo que se beneficia da traição alheia comemora o ganho momentâneo, mas olha para o "novo aliado" com extrema desconfiança. Afinal, quem trai um parceiro de longas datas trairá o novo patrono na primeira curva do caminho;

  • O Carimbo Indelével: Na política, o carimbo de "infiel" não apaga. O traidor perde o ativo mais precioso que um homem público pode ostentar: a palavra e a credibilidade.

O Voto Consciente do Cidadão e o Julgamento das Urnas

Se nos gabinetes o traidor é recebido com sorrisos amarelos e tapinhas nas costas, nas ruas o julgamento do povo costuma ser implacável. O eleitor de Jeremoabo — homem e mulher do campo e da sede que valorizam o fio do bigode e a honra — sabe identificar com clareza quem age por princípios e quem se move por puro oportunismo de ocasião.

A política pode até se alimentar temporariamente de acordos espúrios e deslealdades, mas o tempo é o senhor da razão. Aqueles que usam da má-fé para obter vantagem eleitoral acabam colhendo o isolamento, a rejeição pública e o desprezo dos próprios aliados que um dia o acolheram.

Conclusão: A Serenidade do Bom Combate

Terminei meu vinho com a certeza renovada de que vale a pena manter a coerência, a lealdade aos companheiros e a firmeza de propósitos. A politicagem passa, as eleições vão e vêm, mas a dignidade e o nome limpo permanecem para sempre.

Como ensinou Brizola, o sistema político pode até usar o fruto da traição, mas descarta o traidor. Aos homens de bem de Jeremoabo, cabe continuar travando o bom combate com a cabeça erguida, a palavra honrada e a fé no futuro da nossa terra!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Analisando os bastidores da política com independência, resgatando a memória das grandes lideranças e defendendo a ética na vida pública!