Publicado em 21 de julho de 2026 por Tribuna da Internet

Salles diz não ser ‘burrinho de presépio’ de Bolsonaro
Deu no O Globo
O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), pré-candidato ao Senado por São Paulo, disse nesta segunda-feira ter “admiração” e “gratidão” por Jair Bolsonaro (PL), mas ressaltou não ser “obrigado a concordar com tudo”.
Ex-ministro do Meio Ambiente no governo do ex-presidente, ele queria o apoio do clã para integrar a chapa encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas acabou protagonizando um racha na direita paulista ao ser rejeitado e preterido pelo presidente da Assembleia Legislativa (Alesp), André do Prado (PL), que contou com o aval do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
GRATIDÃO – “Eu apoio o presidente Bolsonaro. Ele fez um grande trabalho como presidente e foi corajoso. Tenho grande gratidão e admiração por ele. Mas eu não sou um burrinho de presépio. Só porque fui ministro do Bolsonaro não sou obrigado a concordar com tudo”, disse Salles, em entrevista ao Uol e à “Folha de S. Paulo”, ao ser questionado se ainda se considera bolsonarista após a desavença.
Em seguida, Salles também afirmou que, caso Bolsonaro pudesse concorrer às eleições, ele seria “seu apoiador de última hora”. “Mas eu ainda digo tranquilamente: se o presidente Bolsonaro fosse o candidato à Presidência da República, eu seria um apoiador da primeira a última hora da candidatura dele”, completou.
INSATISFAÇÃO – O acirramento do atrito entre Salles e o campo político do ex-presidente ocorreu em maio deste ano, e partiu da insatisfação com a indicação de Prado. A escolha teria atendido a um desejo do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e recebido o endosso de Eduardo, que ficará como suplente após deixar o país para morar nos Estados Unidos.
Salles chegou a acusar o líder partidário de corrupção, e, nas redes sociais, fez críticas a uma suposta “submissão” do ex-deputado, que teria se submetido “ao centrão fisiológico”. Apesar disso, segundo Salles, Eduardo seria um candidato melhor à Presidência da República do que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu o aval do pai para concorrer ao Palácio do Planalto.
“O presidente Bolsonaro é uma coisa, os filhos são outra. Eu entendo e deixo claro aqui: Se fosse para escolher um filho do Bolsonaro para ser candidato, o melhor era o Eduardo. É o mais preparado, tem uma visão política mais aguçada”, disse Salles. “Eduardo é melhor candidato que Flávio. A Michelle, então, melhor ainda”, completou.
“DO GAME” – O deputado se justificou dizendo que Flávio “é do game” por dialogar com o Centrão — ao contrário de Eduardo, que “tem melhor postura e é mais combativo”. Segundo Salles, o senador carioca também teria sido omisso ao não se posicionar contra as “divisões dentro da direita”, o que teria permitido o ataque de seus apoiadores a outros nomes do campo político.
Como exemplo, Salles lembrou a situação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No mês passado, ela publicou um vídeo em que afirma ter sido “maltratada” por Flávio após discordar de suas articulações políticas para a construção de palanques estaduais com ex-adversários. O caso gerou desgastes na pré-campanha do senador, e, ao mesmo tempo, fez com que Michelle precisasse reforçar seu esquema de segurança após sua equipe “identificar um aumento do risco de hostilidade”.
“O Flávio poderia, na qualidade de candidato a presidente, dar um cala-boca e dizer: ‘Tá todo mundo proibido de criar essas divisões dentro da direita’. Ele se omitiu em relação aos ataques que foram feitos à Michelle e a várias outras coisas”!, avaliou Salles.”Se não fez ativamente, pelo menos do ponto de vista de omissão, de fato, há uma participação dele nisso”, completou.