A culpa é do rapaz do Sri Lanka? Não, a culpa é da Meta, que literalmente o paga pelo serviço de produzir conteúdo viralizável.
A Meta, que financiou as páginas cheias de desinformação durante meses, só as derrubou depois do Estadão entrar em contato. Assim como a empresa faz com quase tudo, de anúncios de bets ilegais e golpes online – tudo fica no ar até que alguém denuncie. Enquanto isso, o Mark Zuckerberg e os acionistas vão enchendo os bolsos de dinheiro. Dane-se com o quê.
Este problema é particularmente preocupante nas eleições. Embora o TSE tenha proibido a criação de deepfakes a respeito de candidatos, não existe nenhuma possibilidade da nossa Justiça eleitoral conseguir punir criadores que estão a 14 mil quilômetros de distância. E, como o Facebook, Youtube, TikTok, Instagram, WhatsApp não fazem sua parte, estaremos sem dúvida vulneráveis a uma enxurrada de fake news.
Quando alguém me pergunta por que decidimos investigar as Big Techs, eu conto uma pequena historinha: em 2014, fomos pioneiras em fazer fact-checking no Brasil, chegando às mentiras e exageros dos candidatos à corrida eleitoral. Em 2018, percebemos que a coisa havia mudado: a eleição de Bolsonaro demonstrou que a desinformação havia virado um instrumento da política, de maneira organizada, industrializada, e regada a muito dinheiro. Até então, as plataformas sempre prometiam que iam lutar contra a desinformação. Mas, a partir de 2023, com a tentativa de golpe de Estado e as respostas fraquíssimas das Big Techs à desinformação, ficou claríssimo que nunca houve, nem haverá um compromisso sério das Big Techs em enfrentar o problema da desordem informacional.
Por um motivo simples: dinheiro.
Quem mais paga e quem mais lucra com a desinformação, seja sobre um golpe localizado mirando velhinhos, seja sobre um candidato da república, são elas. É essa a resposta, pura e simples.
E sabemos que os executivos do Vale do Silício – e também aqueles aqui, naqueles escritórios coloridos e lúdicos na Faria Lima – topam tudo por dinheiro.