segunda-feira, julho 06, 2026

Não se Incendeia a História: Jeremoabo Completa 101 Anos de Emancipação Política

 

Não se Incendeia a História: Jeremoabo Completa 101 Anos de Emancipação Política


Por José Montalvão


Há datas que pertencem aos governos. Outras pertencem aos calendários. Mas existem datas que pertencem ao povo e à própria História. O dia 06 de julho é uma delas.

Hoje, Jeremoabo celebra 101 anos de sua Emancipação Política, uma conquista que atravessou gerações, mudanças de governo, disputas eleitorais e diferentes correntes políticas, permanecendo intacta na memória coletiva do município.

Existe um fato que não pode ser ignorado.

Desde o primeiro prefeito eleito pelo voto popular, em 1933, até os dias atuais, vinte e três prefeitos administraram Jeremoabo. Uns foram adversários entre si. Outros pertenciam a grupos políticos completamente diferentes. Uns governaram com maior êxito; outros enfrentaram enormes dificuldades. Mas todos tiveram algo em comum: reconheceram, respeitaram e comemoraram o dia 06 de julho como a data da Emancipação Política de Jeremoabo.

Durante mais de um século, ninguém viu necessidade de alterar essa tradição.

Nenhum prefeito.

Nenhuma Câmara de Vereadores.

Nenhuma administração municipal.

Nenhuma geração.

Agora, de forma surpreendente, uma pequena minoria pretende convencer a sociedade de que mais de cem anos de comemorações oficiais estariam equivocados.

A pergunta é inevitável.

O que mudou?

Mudou a História?

Mudou a lei?

Mudaram os documentos oficiais?

Ou apenas mudaram os interesses de alguns?

A História não pode ser moldada conforme conveniências políticas passageiras.

Os fatos históricos não são peças de propaganda.

Muito menos podem ser reescritos por vontade de ocasião.

É preciso dizer com clareza aquilo que muitos juristas já reconhecem: prefeito e Câmara Municipal não possuem competência para alterar a data em que um município foi legalmente emancipado. A emancipação decorre do ato legal que criou o município, definido em esfera estadual. O Poder Legislativo Municipal pode criar homenagens, instituir eventos e organizar comemorações, mas não pode modificar um fato histórico estabelecido por norma superior.

Quem bateu às portas da Câmara Municipal em busca de apoio para mudar essa data bateu na porta errada.

A Câmara legisla sobre assuntos municipais.

Ela não tem poder para reescrever a História.

Se alguém deseja defender uma nova interpretação histórica, que apresente documentos, estudos e promova um debate amplo, transparente e respeitoso. E, diante de uma tradição centenária, seria natural que a própria população fosse ouvida antes de qualquer iniciativa. A memória de um povo não deve ser alterada sem que o próprio povo participe da discussão.

Jeremoabo já conheceu o fogo da destruição.

Em 1669, o antigo aldeamento missionário foi incendiado, episódio lembrado por estudiosos da história local como um dos momentos mais dramáticos de sua formação. Que essa lembrança permaneça como símbolo e advertência: não permitamos que, agora, se tente incendiar também a memória histórica da cidade.

A História não se apaga.

Não se rasga.

Não se decreta.

Não se vota.

Ela se preserva.

Enquanto alguns insistem em abrir uma disputa sobre uma data consagrada pelo tempo, Jeremoabo segue outro caminho.

Sob a administração do prefeito Tista de Deda, o município vem demonstrando que é possível olhar para o futuro sem desrespeitar o passado. Investimentos em infraestrutura, saúde, educação, geração de empregos, fortalecimento da economia e valorização da cultura mostram que desenvolvimento e respeito à História podem caminhar lado a lado.

Durante décadas, repetiu-se entre os jeremoabenses a antiga frase atribuída aos missionários capuchinhos de que Jeremoabo "cresceria como rabo de cavalo, para baixo". Tornou-se um símbolo de desalento.

Hoje, porém, a realidade parece desmentir esse pessimismo.

Jeremoabo cresce.

As obras avançam.

A economia se movimenta.

Os serviços públicos buscam melhorar.

A autoestima do povo renasce.

Nenhuma polêmica sobre datas pode obscurecer esse momento de reconstrução.

A verdadeira grandeza de um povo está em respeitar aqueles que vieram antes.

Os homens passam.

Os governos passam.

Os mandatos terminam.

Mas a História permanece.

E justamente por permanecer é que ela merece ser protegida contra paixões políticas, interesses circunstanciais e tentativas de reinterpretação sem o devido respaldo histórico e legal.

Neste 06 de julho de 2026, ao completar 101 anos de Emancipação Política, Jeremoabo não celebra apenas uma data.

Celebra sua identidade.

Celebra sua memória.

Celebra seus antepassados.

Celebra todos os prefeitos, vereadores e cidadãos que, ao longo de mais de um século, reconheceram e honraram esta data como patrimônio histórico do município.

Porque cidades que esquecem sua História caminham para a perda de sua identidade.

Mas cidades que preservam suas raízes constroem um futuro mais forte.

Parabéns, Jeremoabo! Que o fogo do progresso continue iluminando o caminho do desenvolvimento, mas que jamais se permita o fogo da insensatez consumir a memória de um povo que aprendeu a honrar sua própria História.

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025)


Lista de prefeitos e intendentes

NomePartidoInício de mandatoTérmino de mandatoNotasFontes
República Velha (1889-1930)
Cel. Jesuíno Martins de Sá18891895[3]
Cel. Antônio Lourenço de Carvalho1895?[3]
João Lourenço de Carvalho19191924[3]
Jesuíno Martins de Sá Júnior19241927[3]
Bento Nolasco de Carvalho19271933[3]
Era Vargas (1930-45)
Manoel Martins de Sá19331938Primeiro prefeito eleito de Jeremoabo[3]
João Gonçalves de Sá19381944[3]
Vicente Paula Costa19441948[3]
República Populista (1945-64)
Bento Nolasco de CarvalhoPSD19481951[4]
10°Vicente de Paula Costa19511955[5]
11°Manoel de Carvalho Santana19551959[3]
12°Abelardo Silvestre de SantanaPSD19591963[6]
13°Bento Nolasco de CarvalhoPR19631964Prefeito eleito, cassado após o golpe de 1964[3][7]
Ditadura Militar (1964-85)
14°João Gonçalves de Carvalho Sá19641967[3]
15°José Lourenço de CarvalhoArena19671° de fevereiro de 1971Prefeito eleito pelo eleitorado municipal[8]
16°Vicente de Paula Costa1° de fevereiro de 19711° de fevereiro de 1973[9]
17°José Lourenço de Carvalho1° de fevereiro de 19731° de fevereiro de 1977[10]
18°João Gonçalves de Carvalho Sá1° de fevereiro de 19771° de fevereiro de 1983[11]
19°José Lourenço de CarvalhoPDS1° de fevereiro de 19831° de janeiro de 1989[12]
Nova República (1985-presente)
20°João da Silva Varjão

"João Ferreira"

PMDB1° de janeiro de 19891° de janeiro de 1993Primeiro prefeito eleito em sufrágio universal[3][13]
21°Luiz Carlos Barttiloti Lima

"Lula de Dalvinho"

1° de janeiro de 19931° de janeiro de 1997Prefeito eleito em sufrágio universal[3]
22°João Batista Melo de Carvalho

"Tista de Deda"

PFL1° de janeiro de 19971° de janeiro de 2001
1° de janeiro de 20011° de janeiro de 2005Prefeito reeleito em sufrágio universal
23°Spencer José de Sá Andrade

"Dr. Spencer"

PP1° de janeiro de 20051° de janeiro de 2009Prefeito eleito em sufrágio universal[14]
24°João Batista Melo de Carvalho

"Tista de Deda"

DEM1° de janeiro de 20091° de janeiro de 2013[15]
25°Anabel de Sá Lima Carvalho

"Anabel de Tista"

PSD1° de janeiro de 20131° de janeiro de 2017Prefeita eleita em sufrágio universal[16]
26°Antônio Chaves1° de janeiro de 20173 de julho de 2018Prefeito interino, em razão do indeferimento da prefeita reeleita, Anabel de Sá Lima Carvalho[17][18]
27°Derisvaldo José dos Santos

"Deri do Paloma"

PP3 de julho de 20181° de janeiro de 2021Prefeito eleito em sufrágio universal em eleições suplementares[19]
1° de janeiro de 20211° de janeiro de 2025Prefeito reeleito em sufrágio universal[20][21]
28°João Batista Melo de Carvalho

"Tista de Deda"

PSD1° de janeiro de 2025incumbentePrefeito eleito em sufrágio universal[22]