sábado, julho 04, 2026

Mutretas de aliados afundam mais a candidatura de Flávio Bolsonaro

 

Mutretas de aliados afundam mais a candidatura de Flávio Bolsonaro




Polícia Federal fez novas operações contra o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o pastor e empresário Márcio Poncio e o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, todos bolsonaristas convictos.



Faltando poucos meses para o início da eleição, a pré-candidatura à presidência da República do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, não para de rolar ladeira abaixo. Além da Vaza Flávio e das pendengas familiares com a esposa do seu pai, Michelle, o filho mais velho de Jair não para de ver gente do seu entorno envolvida com mutretas de todo tipo. Dia sim, dia não, aparece o nome de algum bolsonarista nas páginas policiais. 

Depois de trabalhar para o governo americano classificar o Comando Vermelho, o CV, como grupo terrorista, Flávio vê agora parte do seu grupo político rodando em investigações contra o mesmo Comando Vermelho. 

A nova fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, a PF, deflagrada em 2 de julho, pegou muita gente ligada ao bolsonarismo. Esta etapa da investigação apura uma suspeita de lavagem de dinheiro praticada pela cúpula do jogo do bicho e a ramificação do esquema entre integrantes do Executivo e do Legislativo do Rio de Janeiro. A PF encontrou nas planilhas em poder do bicheiro Adilsinho, que também foi um dos alvos da operação, registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais, repasse a agentes políticos e uma contabilidade paralela usada para ocultar movimentações de dinheiro ilícito. 

A máfia tomou conta do Rio de Janeiro e todas as suspeitas indicam que o bolsonarismo é o seu braço político. Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, e chegou a ser governador interino do estado, é um dos principais aliados políticos do pré-candidato Flávio Bolsonaro no Rio. Bacellar, que já estava preso, foi alvo de novo pedido de prisão. Ele e o ex-governador Cláudio Castro, outro aliado do senador, apareceram nas planilhas do bicheiro como possíveis beneficiários do esquema. Agora o ex-presidente da Alerj será mandado para um presídio de segurança máxima, já que a Polícia Federal o considera um “criminoso de alta periculosidade"

Outro bolsonarista que foi preso nesta semana foi o pastor e empresário do ramo do tabaco Márcio Poncio. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e envolvimento com esquemas criminosos da “máfia dos cigarros” e do jogo do bicho, comandados por Adilsinho. Conhecido como “pastor do cigarro", Poncio é bolsonarista convicto e já citou a Bíblia para defender a anistia para os criminosos do 8 de Janeiro. 

O candidato presidencial representante dessa esculhambação que virou o Rio de Janeiro é inequivocamente Flávio Bolsonaro. As evidências são fartas. Já podemos até começar a fazer um bolão para adivinhar qual bolsonarista será punido pelo governo americano por associação ao Comando Vermelho. 

Outro pastor bolsonarista que tem desfilado nas manchetes policiais é o deputado Sóstenes Cavalcante, que é líder do partido de Flávio na Câmara. Ele rodou bonito em outra operação da Polícia Federal, a Galho Fraco II, que apura a existência de um esquema de desvio de verbas da cota parlamentar com o aluguel de veículos. 

Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, há "fundamentadas razões" para acreditar que Sóstenes utilizou empresas de fachada para lavar dinheiro desviado de verbas do Congresso. 

Em dezembro, a Polícia Federal encontrou em um imóvel do deputado R$ 468,7 mil embalados em saco plástico e escondidos em um guarda-roupa. À época, Sóstenes alegou que a grana era proveniente de uma venda de imóvel em Minas Gerais. Mas o pastor mentiu. A tal negociação imobiliária só foi oficializada em cartório 11 dias após a Polícia Federal apreender a grana na casa dele. É claro que a polícia não caiu nessa conversinha. Segundo os investigadores, essa manobra foi "uma possível tentativa de fabricar um lastro retroativo para conferir aparência de licitude ao montante localizado". 

Para o azar do pastor, a grana encontrada na casa dele tinha identificadores de origem. Ao analisar a origem do dinheiro, a polícia identificou uma rede de empresas localizadas no mesmo endereço. Algumas delas não têm nem funcionários registrados, o que é incompatível com a alta movimentação de recursos, com saques que somaram mais de R$ 15 milhões nos últimos anos.

Na ação da última quarta-feira, 1º de julho, a PF encontrou mais dinheiro vivo em endereços de pessoas ligadas ao bolsonarista. Foram apreendidos aproximadamente R$ 160 mil e 502 dólares em espécie. Parte da grana foi encontrada escondida em livros falsos. 

Todo o modus operandi cheira à bandidagem. Mesmo sob tantas suspeitas, o pastor continua prestigiado junto ao candidato Flávio Bolsonaro. A primeira investida da PF contra ele foi há sete meses, mas o deputado continua firme na liderança do PL na Câmara. Para efeito de comparação, Jaques Wagner, que era líder do governo no Senado, foi forçado a sair do cargo seis dias — o que já é uma eternidade — após a busca e apreensão contra ele. 

A candidatura de Flávio Bolsonaro está chegando ao ponto de se tornar inviável. Está ficando cada vez mais difícil encontrar gente do seu núcleo político que não tem uma nuvem de suspeita sobre si. Além do histórico de envolvimento com milicianos, Flávio agora tem mais uma série de razões para se preocupar. Tem “Dark Horse”, Vaza Flávio, Tariflávio, Michelle, Comando Vermelho e pastor líder do partido suspeito de roubar dinheiro público. São muitas as marcas com as quais Flávio terá que lidar durante a campanha. E, com tantas investigações rolando, tudo indica que há muito mais por vir. Aguardemos as cenas do próximo capítulo. 




Mais reaça que vovô

Não foi apenas o espírito golpista que Paulo Figueiredo herdou do seu avô, o último presidente da ditadura militar, João Batista Figueiredo. A boçalidade e o desprezo pelas minorias também são heranças deixadas pelo ditador. Mulheres corajosas incomodavam o seu avô, que dizia não querer “aquela neguinha da Globo" perto dele. Ele se referia à jornalista Glória Maria, uma pedra no sapato dos machistas e racistas da época. 

Paulo Figueiredo, que tem muito orgulho do vovô, mirou na Michelle Bolsonaro e acabou atacando todas as mulheres. Justamente quando Flávio se contorcia para conter os danos causados pelo vídeo-bomba de Michelle entre o eleitorado feminino, o boçal jogou outro fogo-amigo: “Mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas em geral tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras não, isso que eu tô dizendo, pode arrancar os pentelhos das calcinhas, pode fazer o que você quiser”. A boçalidade foi alta demais até para os altos padrões de Damares Alves, que chamou a fala de “absurda".

O pré-candidato Flávio Bolsonaro só foi se pronunciar sobre o absurdo do seu aliado quase uma semana depois. Ele repudiou a fala, mas tudo não passou de uma cenazinha combinada com o próprio Figueiredo, que não fez questão de esconder: “Eu falei [ao Flávio] 'faça do limão uma limonada. Me desautorize publicamente. (...) Diga que eu não estou na sua campanha. Diga que discorda de mim. Diga que acha que mulher vota bem. Vota tão bem que vai votar em você’. É um ótimo discurso político".

A misoginia de Figueiredo vem no bojo de uma série de ataques que Michelle e suas aliadas têm sofrido por parte da militância bolsonarista. É o patriarcado bolsonarista mostrando para as mulheres bolsonaristas quem é que manda na seita. João Figueiredo sorri no inferno.


Coach distópico 

Nesta semana, descobri mais uma figura excêntrica dos nossos tempos. Leonardo Marcondes é influencer, coach financeiro, palestrante e ex-atleta de vôlei que mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Você já deve imaginar que, diante de todos esses atributos combinados, estamos diante do mais puro suco do reacionarismo brasileiro.

Marcondes é mais um desses tarados pela meritocracia. Ele acredita piamente que a vida é uma grande corrida em que todos têm as mesmas chances de vencer. Se você não venceu, é porque não se esforçou o suficiente. É por isso que Marcondes acredita que pobres não merecem votar. O influencer defendeu a tese de boca cheia para os seus 1,3 milhão de seguidores no Instagram. “Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Uma pessoa pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor pra sua família e pra si mesma. Essa pessoa vai tomar uma decisão que vai ser a melhor para o país? (...) o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos”, disse o coach financeiro enquanto comia pedaços de pitaia.

O coach propõe subverter um princípio básico da democracia: o sufrágio universal. Não importa que os dados da realidade espanquem diariamente essa narrativa delirante. O fetiche meritocrático é coisa séria. Se dependesse da vontade de figuras como Leonardo Marcondes e Paulo Figueiredo, apenas os homens ricos poderiam votar no Brasil. Eles não odeiam apenas os pobres e mulheres, mas, sobretudo, a democracia.

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