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Michelle teme que Bolsonaro volte ao regime fechado
Lauriberto Pompeu
O Globo
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse em conversas com aliadas no fim de semana que “ficou aflita” e demonstrou preocupação com a carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente.
— Desde que vimos alguns comentários na internet ela ficou aflita. Ela tem se esforçado ao máximo para que todas as medidas sejam cumpridas — disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ao O Globo.
PROIBIÇÃO – A parlamentar é próxima da ex-primeira-dama e conversou com ela sobre o assunto. Por conta da carta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proibiu Flávio de se reunir com o ex-presidente por 90 dias. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar após ser condenado por liderar uma trama golpista.
O período impede qualquer comunicação entre Flávio e o pai até o fim do primeiro turno da eleição presidencial e representa um revés para a campanha presidencial do PL, que recebia orientações de Jair Bolsonaro.
REVERSÃO – Segundo Damares, Michelle tem receio que a carta ainda possa representar uma reversão da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e que ele volte a cumprir pena em regime fechado.
— Ela (Michelle) lutou por esta domiciliar, pois ela sabe que ele não pode ficar na cadeia por causa da saúde. Ela teme que ele volte caso alguma medida seja descumprida. É esta preocupação. Ela vive em constante vigilância e cuidado.
Michelle protagoniza uma queda de braço por influência política com Flávio. No dia 24 de junho, a ex-primeira-dama publicou dois vídeos nas redes sociais em que fez uma série de críticas a Flávio. Ela disse que foi “maltratada e desrespeitada” pelo senador do PL e que ele foi ríspido com ela.
APOIO – Em um movimento lido como forma de reafirmar a autoridade política de Flávio durante essa crise interna, o pré-candidato do PL leu no último sábado uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante um pronunciamento transmitido em seu canal no YouTube. Na carta, o ex-presidente afirmou que o momento é de apoio ao senador.
Além de suspender por 90 dias o direito de visita do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, em 48 horas, se ele tinha conhecimento de que a carta escrita durante a prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais do filho.
APURAÇÃO – A decisão também encaminha o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada. Na avaliação de Moraes, Flávio utilizou a visita ao pai para obter um documento que tinha como finalidade exclusiva ser divulgado nas redes sociais, burlando a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente. A medida cautelar integra as condições da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro em março e mantida no início deste mês.
O coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), classificou como “autoritária e desproporcional” a decisão. Em nota, Marinho afirmou que a medida busca tornar Bolsonaro “incomunicável”, representa uma “clara interferência no jogo político” e reforça a percepção de “perseguição política” contra o ex-presidente e a oposição.