segunda-feira, julho 20, 2026

Disputas internas pressionam partidos em até nove estados antes do registro das chapas

 

Disputas internas pressionam partidos em até nove estados antes do registro das chapas

Por João Pedro Pitombo/Folhapress

20/07/2026 às 06:40

Foto: Kayo Magalhães/Arquivo/Câmara dos Deputados

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Plenário da Câmara dos Deputados

As convenções partidárias começam nesta segunda-feira (20) em meio a tensões partidárias em ao menos nove estados, com embates internos, rixas entre líderes locais e indefinições na escolha de candidatos ao governo e ao Senado.

O quadro eleitoral nos estados será definido até 5 de agosto, data final para que as candidaturas sejam formalizadas. Caso não haja consenso, a palavra final será dos partidos conforme previsto em seus estatutos, o que pode variar entre disputa na convenção ou decisão do diretório nacional.

Sob a mesma federação, o que obriga que as legendas estejam juntas por ao menos quatro anos, União Brasil e PP têm pendências em quatro estados. A indefinição persiste mesmo após esforços da cúpula nacional e uma reorganização interna que resultou na perda de quadros históricos.

Em dois estados do Nordeste, líderes das siglas se digladiam em torno da escolha dos candidatos ao Senado.

Em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) disputam uma vaga na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD).

Eduardo da Fonte tem o comando da federação em Pernambuco, cuja executiva estadual definiu que ele é o candidato. Mas Miguel Coelho sinaliza que tem a preferência da governadora, com quem tem participado de agendas conjuntas.

"Sempre soube que quem monta chapa e escolhe candidato é a líder do processo, nesse caso a governadora", afirma Miguel Coelho. Ele lembra que, quando não há unanimidade nas decisões, a palavra final cabe ao comando nacional.

A divisão é ainda mais profunda no Maranhão, onde os deputados federais André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) se lançaram pré-candidatos ao Senado por chapas diferentes.

Fufuca aliou-se a Eduardo Braide (PSD), que vai liderar a principal chapa de oposição ao governador Carlos Brandão (MDB). Caso prevaleça, o ex-ministro dos Esportes deve dar um verniz lulista à chapa, que terá o conservador Lehesio Bonfim (Novo) na outra vaga ao Senado.

Pedro Lucas, por outro lado, confirmou sua pré-candidatura no arco de alianças de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador.

A tendência é que ambos mantenham suas candidaturas ao Senado, e a federação permaneça oficialmente neutra em relação à disputa pelo governo.

Em Roraima, que vive um cenário turbulento após a cassação do governador Edilson Damião (União Brasil), a sigla se dividiu entre as candidaturas ao Senado de Pastor Isamar Ramalho e Tânia Soares. Esta última é cunhada de Antonio Denarium, ex-governador que está inelegível.

A legenda deve ser uma espécie de fiel da balança na disputa pelo governo. Isamar deve apoiar o governador em exercício Soldado Sampaio (Republicanos), enquanto Tânia é mais próxima de Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista.

Em Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil) deixou o governo em abril após sete anos de mandato para concorrer ao Senado, mas não conseguiu prevalecer dentro do partido na sua decisão de apoiar o seu então vice e hoje governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

A tendência é que o União Brasil referende em convenção a candidatura do senador Jayme Campos ao governo, mas libere seus filiados para apoiar Pivetta, caso assim desejem.

O PSD, que lidera a oposição no estado, também vive uma disputa interna. A médica Natasha Slhessarenko foi lançada pré-candidata ao governo, mas o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro decidiu pleitear a vaga. A chapa terá o apoio do PT e dará palanque ao presidente Lula.

O PL, que vai disputar a presidência com o senador Flávio Bolsonaro, tem pendências em ao menos quatro estados às vésperas das convenções. O principal nó está em Minas Gerais, onde a legenda ainda aguarda uma definição do senador Cleitinho (Republicanos), que lidera as pesquisas para o governo.

No Ceará, o PL segue rachado na escolha do candidato ao Senado, vaga pleiteada pelo deputado estadual Alcides Fernandes e a deputada federal Priscila Costa. O estado é o epicentro da disputa que dividiu o campo conservador no Ceará e expôs fissuras entre líderes do PL e na família Bolsonaro.

O apoio a Ciro Gomes (PSDB) para o governo também é uma incógnita, mas a cúpula estadual do partido vê a aliança como sacramentada. "Não há chance de o PL lançar candidatura própria ao Governo do Ceará", afirmou o deputado André Fernandes (PL).

No Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) anunciou que vai apoiar Flávio Bolsonaro, mas a aliança local com PL ainda depende da costura com o senador Magno Malta.

A legenda segue sem uma definição no Acre, onde pendula ora para o palanque da governadora Mailza Assis (PP), ora para a candidatura ao governo do senador Alan Rick (Republicanos).

O Republicanos segue rachado no Rio de Janeiro, onde tem dois pré-candidatos ao governo. De um lado está o ex-governador Anthony Garotinho, que enfrenta a concorrência interna de André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira.

Na base aliada do presidente Lula, o PT desembaraçou seu último palanque nesta semana com a definição de Patrus Ananias como candidato ao governo de Minas Gerais. Já no Distrito Federal, o cenário é de palanque duplo para o governo com as candidaturas de Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB).

O campo conservador também está dividido na capital federal. O MDB ensaia lançar Rafael Prudente ao governo após a implosão da aliança com a governadora Celina Leão (PP), que ascendeu ao cargo após a renúncia de Ibaneis (MDB).

Na eleição presidencial, o presidente Lula realiza sua convenção em 2 de agosto. O senador Flávio Bolsonaro vai confirmar sua candidatura ao Planalto em 25 de julho, mas ainda não escolheu um nome para compor a vice. O prazo final para indicação é 5 de agosto.

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