sexta-feira, julho 10, 2026

Déda: legado esquecido?

 em 10 jul, 2026 3:00

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Déda: legado esquecido?  Por Odiler Resende*

A vitória do campo político da esquerda, liderada pelo saudoso Marcelo Déda, não significou apenas uma alternância de poder ou o fim do domínio político das oligarquias que, há décadas, controlavam o Estado, mas o início da construção de um legado cuja ética seria a base, os mais pobres a prioridade e o desenvolvimento de Sergipe uma utopia a se realizar.

Os desígnios divinos não permitiram que o grande orador concluísse o processo que iniciara anos antes. A doença anunciou sua chegada ainda no primeiro mandato e interrompeu o ciclo do estadista no segundo.

Com a morte de Déda, caberia a Jackson liderar e concretizar o projeto popular. Ambos eram os dois maiores líderes populares do Estado. Com a morte de um, o outro assumiria não só o mandato, mas também a tarefa histórica de conduzir o projeto progressista. No entanto, logo após ser reeleito, Jackson decidiu afastar o PT, partido de Déda, do centro do poder. Foi um erro, sobretudo levando em consideração o cenário nacional marcado pelo “lavajatismo” e pelos ataques da mídia corporativa, que criminalizou a política para ferir a esquerda. Jackson perdeu a oportunidade de exercer um papel político significativo, inclusive no cenário nacional. Sua atual irrelevância na conjuntura estadual é um reflexo progressivo do afastamento das ideologias políticas que alicerçaram o legado de Marcelo Déda.

Diante da inabilidade de Jackson, a história ofereceu a Edvaldo Nogueira a oportunidade de honrar o legado deixado por Déda. Seus últimos oito anos de mandato à frente de Aracaju o cacifaram para o governo do Estado. Era o “cavalo selado” passando na sua frente. Edvaldo, que travou as grandes lutas políticas ao lado de Déda, tremeu em 2022 na hora de repetir o feito da estrela petista: renunciar à prefeitura para disputar o governo do Estado como o grande nome do campo progressista e continuador da obra de Déda. Por isso, Edvaldo também colhe os reveses da sua escolha: o de não habilitar um sucessor para a prefeitura de Aracaju – permitindo a chegada da extrema-direita ao comando da capital – e a rejeição do grupo governista à sua candidatura ao Senado, perdendo a vaga para quem sempre defendeu o campo político oposto.

Agora, em 2026, a história reservou a tarefa de representar as forças progressistas, bem como o de dar continuidade ao legado de Déda ao próprio PT. Mas tal como Edvaldo, o partido tremeu diante da responsabilidade. Sergipe e os sergipanos, sobretudo os mais humildes, vivem um cenário político difícil, pois nos encontramos emparedados entre um projeto neoliberal representado pelo governador Fábio Mitidieri e o bolsonarismo representado por Valmir, Ricardo e Rodrigo. Tal cenário exigia uma candidatura do PT ao governo do Estado, fazendo frente a essas duas forças políticas conservadoras, que se contrapõem ao projeto político para Sergipe idealizado por Déda e pelo próprio PT. Mas o PT não se mostrou à altura da tarefa. Mesmo indo para o segundo turno para governo na última eleição, não manteve seu posicionamento. Atualmente, optou por uma aliança com o projeto privatista neoliberal liderado pelo atual governador. O argumento do PT é de que o Presidente Lula precisa de um palanque em Sergipe. Concordo. No entanto, pergunto-me: existe palanque melhor para Lula do que o palanque do próprio PT? Não existe!

Há, porém, outro aspecto e é justamente nele que o PT peca: cabe, sim, ao PT garantir um palanque para Lula em Sergipe, sobretudo no imenso desafio que a conjuntura nacional exige. Mas também lhe cabe cuidar do legado de Déda, que, embora tenha seu nome lembrado e homenageado por muitos, tem o seu legado zelado por poucos. Aqui faço jus ao PSOL, que sugeriu uma aliança com o PT em nome da defesa desse projeto popular, mas não foi correspondido pelo partido dos trabalhadores. Ao submeter-se a concessões, o partido corre o risco de pagar um preço semelhante ao enfrentado por Jackson e Edvaldo: uma possível derrota eleitoral de Rogério Carvalho na disputa pela reeleição ao Senado, acompanhada por um encolhimento do PT no Estado.

As observações elencadas não são para criticar Jackson, Edvaldo e muito menos o PT, partido no qual militei dos dezoito aos trinta anos de idade; partido por meio do qual embalei meus sonhos de juventude, participando da juventude petista na histórica eleição de dois mil e seis; partido dono do número que sempre votei para governador e presidente desde o meu primeiro voto e que votarei mais uma vez em breve. As análises mencionadas buscam contribuir com a reflexão política do nosso campo e acender um alerta: precisamos preservar e, sobretudo, dar continuidade à utopia política encarnada por Marcelo Déda, para o bem de Sergipe. Sua luta não pode ter sido em vão!

*Historiador – UFS.Professor da rede pública e estadual de ensino.

 

Pacto Contra a Desinformação em Sergipe para as Eleições 2026 O Ministério Público (MP) Eleitoral uniu-se a diversas instituições públicas e da sociedade civil para a celebração do Pacto Contra a Desinformação em Sergipe para as Eleições 2026. A solenidade de assinatura do acordo ocorreu na sede do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE), em Aracaju. A iniciativa é coordenada, no âmbito do TRE-SE, pela Comissão de Enfrentamento à Desinformação Eleitoral (Cede), e consolida um esforço conjunto para proteger a integridade e a legitimidade do processo democrático frente à proliferação de notícias falsas e fraudes em canais de comunicação digitais. O acordo estabelece um compromisso para assegurar que a sociedade seja informada de maneira ampla, adequada e esclarecida sobre o pleito. O documento mobiliza uma rede de cooperação que engloba, além do MP Eleitoral e do TRE-SE, outros órgãos federais em Sergipe: a Justiça Federal (JF-SE), o Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT-20), o Ministério Público do Trabalho (MPT-SE), a Defensoria Pública da União (DPU-SE), a Procuradoria da União (PU-SE) e a Polícia Federal (PF/SR-SE). No âmbito estadual, o grupo é composto pelos seguintes órgãos: Tribunal de Justiça (TJ-SE), Ministério Público (MP-SE), Defensoria Pública (DPE-SE), Procuradoria-Geral do Estado (PGE-SE) e Tribunal de Contas (TCE-SE). Também assinaram o documento representantes de organizações de classe, como a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB-SE) e a Associação dos Magistrados de Sergipe (Amase).

Inteligência operacional – O pacto destaca-se por sua aplicação prática e desenho estratégico de inteligência operacional. As instituições participantes assumem o papel de atuar de forma coordenada para maximizar o alcance das informações oficiais técnicas e checadas sobre o processo eleitoral, criando barreiras preventivas contra a desinformação antes mesmo que ela se prolifere. Durante o evento, a procuradora-chefe do Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe, Eunice Dantas, enfatizou que a atuação do MP Eleitoral na fiscalização da ordem jurídica e no combate às fake news (notícias falsas) é um trabalho contínuo. A procuradora-chefe informou que o órgão já vem operando de forma proativa por meio do monitoramento de canais digitais e da capacitação de promotores e servidores eleitorais em todo o estado.

Destruição da honra sem proteção “O uso de tecnologias de inteligência artificial direcionadas à desestabilização das urnas eletrônicas e à destruição da honra de candidatos não será protegido pela liberdade de expressão”, destacou a representante do MPF. “A resposta a esse cenário será sempre a aplicação rígida da lei por meio de representações e investigações por abuso de poder”, completou. Responsabilidade compartilhada e apoio à imprensa – A presidente do TRE-SE, desembargadora Ana Lúcia Freire dos Anjos, reforçou a urgência de uma resposta articulada em uma era onde as informações circulam com extrema rapidez. “Combater a desinformação é uma responsabilidade compartilhada cujo compromisso exige a atuação conjunta da Justiça Eleitoral, das instituições públicas, da imprensa e da sociedade”, declarou, apontando que a informação confiável é a chave para preservar o direito ao voto consciente.

Principais ações previstas pelo Pacto – Os signatários comprometeram-se a adotar medidas práticas ao longo de todo o ciclo do pleito, incluindo: Disseminação síncrona de dados: Divulgação coordenada de conteúdos oficiais produzidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo TRE-SE sobre as Eleições 2026 em múltiplos veículos de comunicação; Combate a práticas ilícitas: Desestímulo ativo à criação de redes de desinformação, condutas ilícitas em campanhas e ao encaminhamento massivo de propaganda política ilegal; • Valorização do jornalismo profissional: Apoio institucional a veículos de comunicação comprometidos com a apuração precisa e a divulgação imparcial de notícias; Educação e conscientização: Incentivo e suporte a ações informativas voltadas a ampliar o acesso à informação confiável e conscientizar o eleitor sobre os impactos nocivos da desinformação. O Pacto Contra a Desinformação em Sergipe tem vigência imediata e se estenderá até o encerramento oficial do período eleitoral das Eleições 2026, em conformidade com o calendário regulamentado pelo TSE.

Sobre o MP Eleitoral – O MP Eleitoral faz parte do Ministério Público brasileiro e é composto por membros do Ministério Público Federal (MPF) e dos Ministérios Públicos estaduais. Atua na fiscalização da integridade e da realização do processo eleitoral, zelando pela correta aplicação das leis eleitorais. Propõe a abertura de processos na Justiça contra candidatos e fiscaliza a lei nas ações eleitorais.

André Moura defende implantação de policlínicas regionais para melhorar serviços públicos de saúde O pré-candidato ao Senado André Moura (União Brasil) é defensor da instalação de policlínicas regionais em Sergipe, tendo em vista os resultados exitosos obtidos na área da saúde no governo do Rio de Janeiro, onde foi secretário estadual. O líder político busca obter resultados semelhantes em seu futuro mandato, através da adoção dessas unidades no interior sergipano, caso seja eleito senador. De acordo com André, a adoção de policlínicas regionais vai contribuir para a descentralização dos serviços de saúde, garantindo a ampliação da assistência preventiva à população. “Coordenei esse projeto no Rio de Janeiro, e já era defensor das clínicas de especialidades médicas e de imagens, de forma que o paciente obtenha consulta clínica e realização de exames numa mesma área, usando um sistema único. Dessa forma, o estado manterá unidades básicas de saúde e uma rede hospitalar, mas também policlínicas regionais à serviço do povo”, explicou.

Saúde como prioridade A criação das policlínicas regionais representa um dos eixos mais importantes da política pública de saúde defendida pelo presidente estadual do União Brasil. A ideia é que essas unidades tenham serviços como cardiologistas, ortopedistas, pediatras e neurologistas, e funcionem em polos regionais do interior: Agreste, Baixo São Francisco, Vale do Cotinguiba, Vale do Japaratuba e centro-sul do estado. Para Rilton Morais, diretor-geral do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), explica que uma estrutura de nível secundário, com especialistas e capacidade para realização de exames complexos, desafoga o sistema. “Trata-se de um fluxo que compreende o atendimento em uma UBS, que pode ser destinado a um centro de especialidades e nesse mesmo espaço, o encaminhamento para a realização de exames. Sem dúvidas, o pré-candidato está entendendo bastante sobre planejamento de saúde pública”, declarou o médico neurocirurgião e diretor técnico do Hospital de Cirurgia.

Saúde para os sergipanos Com as policlínicas regionais, moradores de municípios mais distantes da capital sergipana contarão com mais um importante recurso de assistência em saúde, além dos hospitais regionais e iniciativas valiosas impulsionadas na gestão do pré-candidato ao Governo, Fábio Mitidieri, como o programa Opera Sergipe. “O Opera Sergipe se tornou um programa do estado, dada a relevância para a população. Os sergipanos tiveram redução significativa do tempo de espera para procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, a exemplo do mutirão de cirurgias bariátricas, que sem dúvidas representa um grande marco na gestão de Fábio Mitidieri”, pontuou André Moura.

 

Aracaju: Prefeitura amplia acesso a exames laboratoriais e ultrapassa marca de 3 milhões de procedimentos em 11 meses A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), ampliou significativamente a oferta de exames laboratoriais na rede pública municipal, fortalecendo o acesso da população aos serviços de diagnóstico. Com a expansão da capacidade instalada, a média mensal de procedimentos passou de 178 mil exames, registrados em agosto de 2025, para quase 400 mil. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, foram realizados mais de 3 milhões de exames laboratoriais no município. O avanço foi possível graças ao credenciamento de novos prestadores e à adoção de estratégias voltadas à qualificação da assistência e à redução da demanda reprimida. Além do aumento da capacidade de atendimento, a coleta de material, antes concentrada na região central da cidade, passou a ser oferecida também por prestadores localizados na Zona de Expansão e na Zona Sul, facilitando o deslocamento dos usuários, ampliando a cobertura do serviço e tornando o acesso aos exames mais descentralizado.

Diagnósticos mais ágeis e precisos De acordo com a secretária municipal da Saúde, Débora Leite, a expansão da rede de exames fortalece a capacidade de atendimento do município e contribui para diagnósticos mais ágeis e precisos, desde a Atenção Primária. “Ampliar a oferta de exames significa dar mais condições para que os profissionais façam diagnósticos em tempo oportuno e iniciem o tratamento com mais rapidez. Quando facilitamos o acesso da população aos exames, qualificamos toda a linha de cuidado e fortalecemos a assistência prestada pelo SUS em Aracaju”, afirmou.

Reorganização dos fluxos assistenciais Segundo a gerente de Regulação de Processos Ambulatoriais da SMS, Juliana Mandarino, o crescimento da oferta foi acompanhado pela reorganização dos fluxos assistenciais, garantindo maior eficiência no acesso aos procedimentos. “Os prestadores foram treinados, as agendas foram criadas com a ampliação da oferta decorrente do chamamento, e as vagas para os exames laboratoriais passaram a ser disponibilizadas para agendamento direto, por meio do sistema IDS, nas Unidades de Saúde da Família (USF) de referência dos usuários”, explicou.Com a consolidação da nova estrutura, a Secretaria Municipal da Saúde amplia a capacidade de resposta da rede pública e reforça as ações voltadas ao fortalecimento da Atenção Primária. A iniciativa integra o conjunto de medidas adotadas pela Prefeitura de Aracaju para qualificar os serviços de saúde, ampliar o acesso da população e oferecer um atendimento cada vez mais eficiente, resolutivo e humanizado.

Co-autora de projeto, Delegada Katarina destaca pagamento da pensão alimentícia por Pix O Senado Federal aprovou, na terça-feira (7), o projeto de lei que cria um mecanismo para tornar mais ágil e efetivo o pagamento da pensão alimentícia, conhecido como “Pix Pensão”. A proposta, de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB/SP), tem co-autoria de outros 18 parlamentares, inclusive da deputada federal Delegada Katarina (PSD/SE). O projeto permite que, após determinação judicial, o valor da pensão seja transferido automaticamente pela instituição financeira nas datas fixadas pela Justiça, reduzindo atrasos e evitando que o responsável pela criança ou adolescente tenha de recorrer ao Judiciário sempre que houver descumprimento da obrigação.

Dinheiro disponível Para a parlamentar, o projeto enfrenta um problema que, na prática, afeta milhares de famílias brasileiras, que é a dificuldade de transformar uma decisão judicial em dinheiro disponível para garantir alimentação, educação, medicamentos e demais despesas de crianças e adolescentes. “Quem trabalha na segurança pública ou no sistema de Justiça sabe que uma sentença favorável nem sempre significa que a criança vai receber a pensão em dia. Muitas mães passam semanas ou meses tentando fazer cumprir uma decisão que já foi dada pelo juiz. Enquanto isso, o supermercado não espera, o aluguel não espera, o remédio não espera. Foi pensando nessa realidade que apresentamos esse projeto”, explicou.

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