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Repercussão da foto pode ser engolida por tarifaço
Johanns Eller
O Globo
A divulgação da selfie entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, comparsa de Daniel Vorcaro apelidado de “Sicário” e apontado pela Polícia Federal (PF) como chefe da milícia privada do ex-dono do Banco Master, na última quarta-feira (15) teve um impacto reduzido nas redes e com boa parte da repercussão restrita à rede social X, segundo um levantamento da consultoria digital Bites.
A foto foi revelada pelo ICL Notícias. Segundo o site, o registro foi feito em um hotel no Rio de Janeiro em 2022. O aliado do banqueiro se matou após ser preso pela PF em março deste ano. Em reação à divulgação da selfie, o pré-candidato do PL à presidência e sua tropa de aliados nas redes questionaram a autenticidade da imagem e ponderaram que, caso o encontro tenha existido, Flávio é uma figura pública que regularmente tira foto ao lado de apoiadores a pedido deles.
REPERCUSSÃO – Apesar da força-tarefa, os números da Bites apontam que a foto do presidenciável com Sicário foi repercutida em 30 mil posts até o fim da manhã desta quinta-feira, dos quais 97% foram publicados no X.
Esse montante representa apenas 18% das 164 mil publicações que mencionaram Flávio desde ontem no contexto de diferentes assuntos, como os ataques do senador ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pela decisão que restringe as visitas do pré-candidato a Bolsonaro na prisão domiciliar até o primeiro turno das eleições.
Nas últimas 24 horas, Flávio Bolsonaro inclusive ganhou 10 mil seguidores, o que de acordo com a consultoria é consistente com o padrão de crescimento de suas redes neste mês. É um cenário bem diferente da primeira ocasião em que o noticiário apontou conexões entre o senador e o dono do Banco Master.
DARK HORSE – A associação do presidenciável com Sicário rapidamente foi explorada por opositores do bolsonarismo nas redes, como mostrou O Globo, na esteira da nebulosa relação de Flávio com Daniel Vorcaro revelada em maio pelo site The Intercept. O mal explicado investimento de R$ 134 milhões do CEO do Master na produção do filme “Dark Horse”, longa-metragem sobre a trajetória política de Bolsonaro, foi o estopim para o declínio do filho do ex-presidente nas pesquisas, tendência confirmada pela pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta.
Na ocasião da divulgação das negociações entre Flávio e Vorcaro, a Bites apontou que a maioria das reações nas redes sociais foi negativa para o presidenciável e que mesmo aliados do pré-candidato tiveram dificuldades de fazer frente às críticas ao senador. Foram quase 1 milhão de menções nas principais plataformas em 24 horas o que, no contexto do caso Master, só foi superado quando Vorcaro foi preso pela primeira vez e a instituição liquidada pelo Banco Central, em novembro de 2025.
Em uma tentativa de “vacinar” a campanha presidencial de um novo desgaste, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou à colunista do O Globo Bela Megale que tomou conhecimento da selfie de Sicário há um mês e que Flávio garantiu que não conhecia o comparsa de Daniel Vorcaro.
“A TURMA” – Sicário cometeu suicídio após ser preso pela PF em Minas Gerais no início de março. Integrante do grupo “A Turma”, ele recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro em troca dos serviços prestados ao banqueiro, que incluíam obtenção de processos sigilosos, intimidações a desafetos, monitoramento ilegal de pessoas e até o gerenciamento de um grupo de hackers.
Conhecido em Minas pela extensa ficha criminal, Sicário já foi indiciado por furto qualificado, estelionato, associação criminosa e falsificação de documentos e evasão de divisas, entre outros crimes.
ENGAJAMENTO – O diretor-executivo da Bites, Manoel Fernandes, afirmou que o anúncio de um novo tarifaço do governo Donald Trump sobre a economia brasileira, anunciado no fim da noite de quarta pelos Estados Unidos, tende a engolir a repercussão em torno da selfie de Flávio com o comparsa de Vorcaro. “Só até o fim da manhã as menções ao tarifaço nas redes já somavam 8 mil posts. Ao longo do dia o assunto certamente ultrapassará o engajamento sobre a revelação da foto de Flávio com Sicário”, explicou Fernandes.
A repercussão das tarifas, porém, inclui também críticas ao presidenciável do PL pelo fato de Trump ter ameaçado aplicar novas sanções à economia brasileira pouco após a visita de Flávio ao presidente dos EUA na Casa Branca.
O senador foi apelidado de “tariflávio” nas redes e, em uma tentativa de gerenciamento de crise, viajou a Washington no último dia 7 para defender que o governo americano só deliberasse sobre o tarifaço após as eleições de outubro, garantindo que sua campanha contra Lula será vitoriosa.