O título desta newsletter é chamativo de propósito. Ele imita as promessas que circulam aos montes em grupos de WhatsApp e Telegram: dinheiro rápido a partir de quase nada. É a isca das bets, as plataformas de apostas online que se multiplicaram no Brasil nos últimos anos. Se você sentiu curiosidade ao ler o título, entendeu como milhões de brasileiros entram nesse mercado. Porém, queremos te mostrar a verdade por trás dessa promessa: o único que lucra muito com investimento mínimo é o dono da plataforma.
Na semana passada, mostramos na Agência Pública que abrir uma bet ilegal no Brasil é barato e tecnicamente simples, e que essa facilidade alimenta uma indústria criminosa que, segundo um relatório do Tribunal de Contas da União, pode estar abocanhando quase metade das apostas online do país.
Chegamos a essa história por acaso. Um conhecido soltou, no meio de um comentário qualquer, que já tinha sido dono de uma bet. Ele não corresponde em nada à imagem que se faz de um operador de cassino clandestino. Contou que entrou no negócio em 2024, com um investimento inicial de R$ 100, o preço de um domínio na internet. Gastou 200 dólares para divulgar o cassino em sites de conteúdo adulto. Nas primeiras semanas, a plataforma já tinha alcançado R$ 10 mil.
Bruno, nome fictício que usamos para protegê-lo, nos contou que um outro sócio pagou R$ 40 mil por um sistema de apostas configurado em português. Segundo ele, o valor se pagou com o faturamento das primeiras semanas. Ele só abandonou o negócio por medo de ser pego cometendo um crime.
Ao longo da investigação, descobrimos que a estrutura para colocar uma plataforma dessas no ar circula abertamente na internet, com scripts vendidos por valores como R$ 9,90 e até distribuídos de graça em grupos de pirataria. Felix Elmada, que trabalha há 12 anos no mercado de iGaming e hoje se dedica a monitorar plataformas irregulares, estimou para a reportagem que o custo total pode ficar abaixo de R$ 1 mil.
Uma bet legalizada pelo governo tem gastos altíssimos com outorga, licenciamento e impostos, já uma bet ilegal não paga nada disso. E mais: como nunca passam por auditoria nem são fiscalizadas, elas podem manipular os jogos para que os usuários percam mais.
Investigar um esquema bilionário que joga com o desespero das pessoas e quebra famílias inteiras só é possível porque quem banca este trabalho são leitores como você. Nós não aceitamos dinheiro desse mercado.
Enquanto os sites ilegais se multiplicam mais rápido do que o governo consegue derrubá-los, a Pública precisa de Aliados para continuar seguindo o rastro desse dinheiro e expondo o submundo das apostas. Não seja apenas espectador desse golpe: junte-se a nós.